Uma morte como símbolo

carolbattisti

As estatísticas da manifestação de segunda-feira não contam ocorrências expressivas. Duas detenções por desacato… Só. Mas houve uma ocorrência grave, no entanto. Houve uma morte, diretamente ligada à manifestação de segunda-feira.

Carol Scartezini Battisti, uma moça de 23 anos morreu depois de ser atropelada quando ia de bike se juntar à manifestação. Uma mocinha que até sexta-feira passada estava no facebook compartilhando notícias sobre as manifestações de São Paulo morreu porque vivia como acreditava. Ela andava de bicicleta. Ela se locomovia de bicicleta.

Na cidade onde ela queria viver, isso seria possível. Os amigos contam que ela foi de bike porque não queria pegar trânsito. No sábado, ela foi de bicicleta para a frente do Mané Garrincha. Para ela, manifestar não se tratava de pegar seu carrinho, estacionar num lugar seguro, escrever palavras de ordem num cartaz e gritar meia dúzia de palavras. Ela vivia como ela acreditava: ela ia para as manifestações, e ia de bike. E ela morreu. Dá para pensar em alguma coisa mais trágica e mais simbólica?

Sim, foi uma fatalidade. A culpa provavelmente nem foi da pessoa que a atropelou – que aparentemente prestou socorro. A culpa é do sistema: que reduz o IPI dos carros, cria carros demais, detona o transporte público, exclui quem não se conforma.

Se é preciso de foco no movimento, aí está o foco: no mundo que queremos construir, as pessoas não morrem andando de bicicleta. 

About these ads

71 respostas em “Uma morte como símbolo

  1. não acredito em fatalidades. creio que aconteceu sim pra mostrar as brechas abissais que existem no sistema, infelizmente alguém tinha que fazer esse papel, e no caso foi ela. tristeza tamanha!

    • Renato, cada um tem direito a sua opinião.
      O IPI foi um exemplo. Não pelo IPI, como não é por 20 centavos – é o sistema. E o sistema inclui opções repetidas pelo incentivo ao consumo em detrimento da prioridade ao que é público.
      O imposto aqui é caro em TUDO, não só nos carros. Desonerar isso e não aquilo são opções de governo. E nesse caso, opções que enfraquecem nossa noção de público, que já é quase inexistente.
      Mas é minha humilde opinião. O que eu acho que é hipócrita é a gente continuar pensando no que é bom pra cada um individualmente (e é tão bom comprar carro menos caro!) e não pro coletivo.
      Dito isso, eu apoio o atual governo, apoio pelo conjunto da obra. Acho que o Brasil mudou e exige novas prioridades. Já deu de incentivo ao consumo. E, depois de ouvir a presidenta ontem, acho que ela ouviu isso também.

      • De certa forma soa como preconceito citar a reduçao do IPI.

        E sim… é muito bom comprar carro mais barato.. e sim .. todos deveria ter pelo menos um carro em casa… isso não é pensar no individual, o q se deveria ter ..era a não necessidade de usar o seu carro diariamente. Com transporte publico de qualidade. Pode nao ter sido sua intenção, mas pra mim, foi o mesmo que ler. “transformaram os aeroportos em rodoviarias”.

      • Plínio, se soou algo como isso, eu escrevi realmente muito mal. Isso é tudo o que eu não acredito.

      • Eu concordo com tudo(quase) que vc diz, só essa parte da “redução do IPI”, na minha humilde opnião, não foi bem colocada, já que a culpa é de um sistema q não nos garante um transporte público. Deu pra ver q sua intenção não era dizer que os ricos teriam mais direitos em ter carros.. mas de certa forma, podemos interpretar isso. Já que reduzindo o IPI damos possibilidade de quem jamais teve, de comprar um carro. Porém não precisamos fugir do foco, me desculpe tb, a questão principal é a morte de uma jovem pelo descaso do governo!! Parabens pelo texto

      • Ei, Plinio, eu não acho ruim as pessoas de classe mais baixa finalmente terem carro. O que eu acho péssimo é que esta seja a solução encontrada pelo governo pra mobilidade urbana! A gente podia fazer assim: carros pra quem mora lonjão e metrô pra quem mora pertinho. Metrô bom, barato, conservado, capilarizado. Juro: onde tem transporte público bom ninguém liga pra carro.

      • Certo. culpar o IPI é FODA………..
        Num País onde quem ganha 700,00 pagar 500,00 de prestação de automóel. Dispensam os cometários. O IPI fica LOnnnnnnnnge..

      • “PRESIDENTA” NÃO GENTE!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! ” A PRESIDENTE”.!!!!!!
        A PRESIDENTA NÃO EXISTE NA LINGUAGEM CORRETA BRASIELIRAAAAAAA. FALOU?

    • Renato; você acompanhou o crescimento no mercado de automóveis em 2011?
      Só em São Paulo a média do segundo semestre foi de700 mil emplaca
      mentos por mês. Diz ai! Lembra de financiamento em 72 meses, sem entrada. Vai tentar compra uma casa assim! Vai tentar financiar uma cirurgia urgente em um hospital particular desta forma, porque o do Estado não faz. Tenta!

    • Tá certo Renato.
      Ter carro é importante, e é um bem caríssimo, e o IPI tinha é que ser menor ainda.O que falta é ciclovia ,e, principalmente, respeito tanto do motorista quanto do ciclista.

      • Ter carro é importante? Ele soluciona alguns problemas de locomoção e também é interessante para passeios e esportes automobilísticos. Fora isso, tem sido usado como solução BARATA para a péssima mobilidade das cidades.
        O automóvel exige grandes parcelas de solo que recortam a cidade e limitam a locomoção de TODAS as outras formas de mobilidade; exige infraestrutura caríssima e complexa que necessita de manutenção constante; envolve uma enorme quantidade de acidentes graves, lesões permanentes e mortes; sem contar o gasto com causas judiciais exageradas por causa da incapacidade do Estado de gerenciar seu uso. O carro sai caro para a população e devolve violência e morte. Não sei ele deve ser tratado como algo “importante”.

    • Não acho que ninguém quisesse sangue, Nivaldo. Acho simbólico, triste, desesperador. Pensa na família dessa moça. Ser símbolo não consola, talvez piore a dor deles. Mas necessariamente aumenta a responsabilidade de todo mundo que ficou.

  2. A “ciclovia” em questão consiste em uma listra de um palmo de largura pintada no asfalto.

    São exemplos como esse que me fazem afirmar o quanto o governo atual de Brasília é CRIMINOSO. Porque negligência , descaso e incompetência são crimes, se você se propõe a gerenciar os recursos de milhões de pessoas e faz as coisas de qualquer jeito, sem se preocupar com a qualidade e com a eficiência dos serviços.

    Tenho certeza que o GDF de Agnelo gastou muito mais recursos para propagandear a ciclovia do que gastou para fazê-la. Pintar uma listra no asfalto e chamar essa listra de “ciclovia” é um atentado a nossa inteligência, e um crime IMPERDOÁVEL contra vidas preciosas como a da Carol, um ser cheio de luz e arte que ontem infelizmente nos deixou.

  3. Isso fede a manipulação. A morte dela, por mais trágica que seja, é uma casualidade, e não um martírio. Me perdoem, dói em mim também. Sei que vou ser crucificado por essas palavras, mas acredito na verdade, acima de tudo. Não tentem se aproveitar de uma triste e trágica notícia que aconteceu, ao contrário do que afirmam, sem ligação direta com o movimento. Claro que ela era manifestante, claro que ia para a manifestação, claro que ia de bike por acreditar na mudança do sistema. Mas não foi falha do sistema que a matou. Não foi culpa do protesto, nem por causa do protesto. Ela não é nem deve ser tratada como mártir. Usar este evento doloroso desta maneira é, no mínimo, um desrespeito à sua memória. Não, amigos… por favor, não!

    • Anônimo,
      Apesar de você não se identificar, o que eu acho uma pena, porque aqui estamos numa conversa de amigos e de pessoas que assumem suas ideias, vou te responder porque você toca numa dúvida que também é minha.
      Eu tive muitas dúvidas sobre escrever sobre isso, mas decidi fazer isso porque acho que este drama é simbólico demais para se passar ao largo. Está assim de gente que está manifestando “teoricamente”. Que vive enfiado em shopping e nunca ouviu falar em ônibus e que está aí levantando cartaz. Não é o caso dessa moça. Quem a conhece testemunha que ela viveu a utopia de um mundo diferente. Considero sua morte triste como toda morte, mas maior e simbólica, não só pela maneira como ela morreu mas principalmente pela maneira como ela viveu.
      Minha opinião.
      E minhas desculpas de antemão se algum amigo dela, ou parente, se sentiu agredido pelas minhas palavras. Basta um aceno nesse sentido e este texto sai do ar.
      Um beijo a todos.

      • Opinião sua que eu respeito. Como disse, acho desrespeito usar a morte dela como isso de “símbolo”, especificamente falando. Esta é a minha opinião: ela não é uma mártir de algo específico. Foi uma casualidade que, em esfera maior, deixa de ser uma casualidade e reflete um triste caso de desrespeito à vida, fato este que é presente, infelizmente, diariamente na vida de todos. Ainda assim, creio que “usar” sua morte como símbolo tem um ar de manipulação. E foi isto o que li aqui, já que não está especificado que se trata de opinião pessoal. Desculpe se entendi errado, mas acredito que clareza no texto é fundamental, ainda mais quando é claro que as pessoas SEMPRE têm problemas de interpretação textual.

      • Hmmm, como eu te chamo? De “Sério?”?
        “Sério?”, só pra ficar claro: TUDO o que está publicado aqui neste blog se trata da opinião pessoal de quem escreve – ou minha, ou da Dani. No caso, minha.
        Aqui ninguém manipula nada. Eu, no máximo, manipulo uns ingredientes pra fazer bolo de vez em quando.
        Beijoca.

  4. Deixei de correr e de andar de bike na ciclovia do Lago Norte pois simplesmente não há respeito pela faixa da ciclovia! Quem desrespeita são , primeiramente, os moradores da comunidade. É revoltante ver esta pobre gente rica a desrespeitar o direito dos outros !!!

  5. E o que o IPI tem a ver com isso???Tem é que baixar mais ainda oras.Carro no Brasil é caro pra caramba, o que é necessário é a criação de ciclovias, e a reeducação tanto do motorista e principalmente do ciclista…Já vi muitos ciclistas quererem “competir”, por assim dizer, espaço em vias, arriscando a própria vida.

    • Eu não discordo, não, Rayara! Pode baixar mais! Pode zerar imposto, se o governo quiser. Quanto menos impacto pras pessoas, melhor. Mas se for pra escolher entre baixar IPI ou melhor transporte público, eu prefiro que melhore transporte público. Se for pra escolher entre baixar IPI e construir ciclovia, eu prefiro que faça ciclovia.

      • Eu não discordo de vc não querida.Mas o governo, depois da criação do estádio, tenho certeza que é capaz de realizar as duas coisas sem ficar no vermelho.O transporte público é uma questão óbvia.Tenho carro, mas ando muito de ônibus, gasolina é cara.Mais uma coisa para se reduzir os impostos.

      • aqui no df os combustíveis fazem parte de um cartel que só não vê quem não quer, ninguém respeita as ciclovias, que como diz o amigo aí em cima não passa de uma pintura, o carro no Brasil é caro pq as montadoras querem ganhar o máximo possível, o IPI diminui um mínimo no carro!! Quem comprou um carro sabe disso, o carro passa de 21000, para 20.000!! este desconto não era o que impedia as pessoas de comprarem carros!! Os ciclistas são muito imprudentes também!! muitos já me cortaram várias vezes!

  6. Ele não se identificou, mas a opinião é minha tbm: “Isso fede a manipulação. A morte dela, por mais trágica….”

    Isso foi um preço alto para um movimento que não sabe direito o que quer, na minha opinião o sistema é o culpado? A baixa do IPI.

    As pessoas exageram demais, sim nosso sistema de transporte público é uma merda.. Mas to vendo por aí muita informação errada (nao estou falando desse site em específico). USA está sendo usado como exemplo de transporte público, assim como a França…. Vamos lá: mês passado NY teve um aumento de 11% no transporte (sem manifestações). Eeee no resto do país, a fatia do gasto mensal com transporte público é de 30% do salário de um cidadão, lá eles gastam mais com transporte do que com a moradia, todo mundo compra carro e são apenas algumas capitais grandes e famosas que o transporte público funciona. Além disso o país vive um aumento da desigualdade social e uma falência do sistema de saúde. Já na França existe um transporte público lotado de super carregado. O centro de Paris funciona muito bem, mas o entorno é lotado e perigoso (vivi isso pessoalmente); sim Paris tem, talvez, o melhor metrô do mundo. Mas o resto do país não, e ainda eles vivem uma onda de desigualdade e desemprego muito grande… o que nao falta na capital é mendigo nas ruas.

    Não me entenda mal, estava nas ruas nos movimentos de Brasília.. pelo fim da pec37 // contra corrupção: pelo julgamento do mensalão tucano que vai prescrever e prisão para os mensaleiros condenados // contra a cura gay // contra o estatuto do nascituro…. Coisas que muita gente vem lutando tem tempo. Como a lei da ficha lima (de iniciativa popular), como a ONG Contas Abertas, como a marcha da ré, como as vadias.. O brasil acordou tem muito tempo, nossa cidadania organizada está mais ativa do que nunca. Mas algumas pessoas nesses movimentos atuais não acordaram e sim estouraram.. Não desmereço a luta, pq faco parte dela, mas desmereço sim que manipula informação (como os gastos com a copa, que estão sendo divulgados errados/ como as informações sobre outros países/ como a avaliação das leis/ como o combate contra a corrupção que não sabe nem da existência do mensalao mineiro).. Começar um movimento com informações manipuladas, apenas para criar alarde é dizer que os “fins justificam os meios”..

    E cuidado, julgue antes de ler, pq a internet aliena assim com a globo. Vamos nos organizar e entender o que combater..

    Mas o estimulo na industria dos carros pode não ser o foco, nem a baixo do IPI; nem o corte federal do PIS e Cofins no transporte do estado de SP. (coisa que ninguém divulga)

    • Stella, concordo plenamente que a autora não foi muito feliz em algumas de suas afirmações, entendo o sofrimento dela como a de uma pessoa próxima a vitima. Entretanto, também entendo seu terceiro parágrafo como desnecessário. Sim, também tive oportunidade de conhecer Paris, USA e outros lugares na Europa, todos eles tem seus problemas, por vezes adoramos demais o sistema de transporte público deles a ponto de esquecermos suas falhas, pois a grama do vizinho é sempre mais verde. Porém é inegável que, pelo tempo que passei lá fora, o transporte público era a menor das minhas preocupações, o transporte lá é eficiente, não é o paraiso, muitas vezes peguei trem e onibus lotados, mas nessa questao deve-se ter o minimo de compreensao com os horarios de rush. Minha realidade daqui do Brasil é Salvador, a incerteza do transporte público reina aqui, nao há aquele que confie 100% no horário que o onibus deva passar em tal ponto, tem dias que você chega e ele ta lá, tem dias que você até tenta correr atrás mas nao dá e tem dias que você pensa numa alternativa estrambolica de pegar uns 3 tipos de onibus diferentes pra chegar no mesmo lugar, pq as rotas menos mal servidas sao as rotas principais. Diante dessa situação e com o que se é arrecadado pelas empresas de onibus, diga-se de passagem que são lucros extremamente altos, nada mais justo do que se exigir um transporte público eficiente. Concordo que temos prioridades maiores e que resolvendo tais prioridades será mais facil “arrumar a casa”, mas da forma que foi escrito o terceiro paragrafo transparece que para você o transporte público não é problema, até porque nos outros lugares ele não é a maravilha que se pinta. Então não é porque lá ta errado que aqui possa continuar errado, talvez só nao devamos nos inspirar tanto neles. Outra vez, entendo sua posição em relação às prioridades mas no minimo transporte público é uma delas.

  7. Pingback: A lei seca da corrupção #canalnocult | naoveja.tv

    • Gustavo. Foi na segunda o acidente mas ela acabou nao resistindo e morrendo na terça. O mais absurdo e ironico é que a forma que ela encontrou pra protestar foi justamente indo de bicicleta, protestando contra os 0,20 centavos (nao so isso, claro), e acabou morrendo atropelada. Isso só prova como ainda nao podemos ficar independentes do sistema publico e como nao temos a minima infra estrutura necessaria pra nada. nao só para os ciclistas… Se esses 0,20 centavos fossem usados para melhorar o nosso sistema de transporte acho que os brasileiros nao estivessem tao indignados com o aumento, mas nao.. esse dinheiro nao é visto sendo colocado para melhora alguma, so para o bolso dos politicos.
      A irma dela Gabriela Scartezini tem facebook ( Gabriela Scartezini Battisti) acho que vc poderia entrar em contato para mais detalhes, mas vale a pena uma materia sim!!!
      O da Carol é Carol Scartezini Battisti!!

    • Acho que a morte é real e doi – e acho que respeitei essa dor no meu texto. Mas discordo que a morte não seja símbolo nunca, Bárbara. Posso citar um milhão de mortes que foram símbolo de um montão de coisas. Beijo pra você.

  8. Acho um completo absurdo, uma verdadeira irresponsabilidade, voce qualificar como fatalidade sem ter um laudo tecnico da ocorrencia, sem haver uma pericia que determine como aconteceu e ofereca base para apontar os culpados.

    • Acho um completo absurdo, uma verdadeira irresponsabilidade, vc tentar qualificar a mensagem pretendida pelo blog como “um completo absurdo, uma verdadeira irresponsabilidade”. É o tipo de comentário desnecessário nessa hora, que não acresce em nada na discussão e/ou intenção que o autor teve. Soa como aquela pessoa que diz ” Vou criticar por criticar”. Fatalidade, meu caro senhor, nesse contexto, não tem nada a ver com culpados, perícias e etc, tem a ver com a dor de perder uma pessoa tão cedo e de maneira tão trágica.

      • oh nescio, ignaro, estuda um pouquinho mais o portugues e talvez voce possa entender q fatalidade eh algo inevitavel e provocado pelo acaso. como alguem pode afirmar isso sem saber o que e como aconteceu. ha um laudo tecnico da ocorrencia? voces estao tao acostumados a ter seus direitos vilipendiados q nem atentam para o fato q sim pode ter sido um crime, passivel de punicao. q chance tem uma familia na corte de obter uma condenacao se vao logo afirmando ser ‘fatalidade’. fatalidade o carajo! ou o estado eh culpado, ou a garota errou, ou o motorista do veiculo eh o culpado. fatalidade fica pra igrejinha onde voce reza aos domingos.

  9. A redução de IPI é, sim, péssima, concordo com você Carol. Porque representa uma política de governo de renúncia fiscal em prol da… indústria automobilística. A indústria automobilística é uma indústria antiga, ultrapassada. Veja Detroit, uma cidade que já teve 8 milhões de habitantes e era o símbolo dessa indústria, hoje tem ares decadentes, com menos de 1 milhão de habitantes. Claro que o carro ser mais acessível a todos é um efeito positivo, mas os efeitos negativos são bem maiores. Como medida usada na época da crise, vá lá. Mas a permanência dela até hoje mostra cada vez mais seus efeitos perniciosos. Essa história de que carro é muito caro no Brasil já contou com várias análises — inclusive a que aponta que, além do “custo Brasil”, tem o “lucro Brasil”, as empresas lucram bastante. E, não se engane: a redução do IPI, ainda mais como política pública permanente, não vai diminuir esse lucro.

  10. muito triste. reconheci a moça das andanças por bsb. sinto muito a perda da familia e amigos.
    nada a ver a relaçao com ipi mesmo… como exemplo, seria + justo culpar lucio costa por uma cidade onde o transporte motorizado eh quase indispensável.
    nada a ver tambem vincular a morte à manifestacao. um titulo infeliz.

  11. Meus pêsames aos parentes da vitima, estou indignado com essa noticia, a pessoa vai de bicicleta para o manifesto e morre, quando essas mortes pro atropelamento vão acabar? Na minha opinião tinhão era que acabar com todos esses carros que poluem o meio ambiente, matam todos os dias, e ainda por cima pagasse muito caro por um carro. Ando de bicicleta com os primos dela os Scartezini e sei que eles estão tão indignados quanto eu!

  12. Acho uma falta de consideração com a família da menina o que vocês estão fazendo. Imagina a dor da mãe ao saber que sua filha havia morrido. Vocês não deveriam usar o nome dela e relacionar a morte dela com a manifestação, visto que foi uma fatalidade que poderia acontecer qualquer outro dia. Pensem um pouco nos sentimentos da família, não faz nem um dia que isso aconteceu e eles tem que ficar lendo sobre a filha deles por pessoas que nem tem certeza das informações que estão dando.

    • vamos lá, anonimous, a família comentou por aqui também, talvez quem não saiba o que diz é você:

      “Bruno Scartezini
      em 19 de junho de 2013 às 11:52 disse:
      Obrigado Carol, em nome de toda a família.”

    • não tem a ver com a manifestação em si, ou com os supostos loucos e vândalos que dizem estar nela, mas sim com a CAUSA da manifestação, que é sim todas a insatisfação do povo brasileiro com o sistema que prioriza grandes corporações em detrimento do que é público.

  13. O melhor é “…pegar seu carrinho, estacionar num lugar seguro…” pra quem mora pelo menos relativamente perto do lugar onde ocorre a manifestação vá lá, mas sai lá de Taguatinga e vem pro Estádio de bike pra andar pra caramba na manifestação e voltar pra casa de bike depois. Criticazinha desnecessária aí, hein.

  14. Carrodependência e Motorcracia. Duas palavras que aprendi mês passado. E que dizem muito.
    Dizem que há um modelo, uma crença, uma prática que se cristalizam aos poucos no ideário coletivo. Dizem que nossas prioridades estão cada vez mais vinculadas a um sistema de produção/consumo que apresenta sinais de fadiga.
    Motorcracia e Carrodependência. Duas palavras que precisam ser lidas, estudadas e compreendidas por nós e por nossos filhos, pra que as gerações futuras possam ir além do que já conseguimos, com menos desgastes e mais qualidade de vida.

    • lembrando que a família agradeceu o post, portanto, talvez nem tão raso ou sem fundamentos assim, daniela.

      “Bruno Scartezini
      em 19 de junho de 2013 às 11:52 disse:
      Obrigado Carol, em nome de toda a família.”

      • Não foi um agradecimento ao texto. É só dar uma olhadinha ali em cima que você verá qual foi o contexto do agradecimento.

      • bom, se não tivessem de acordo com o conteúdo, duvido que agradeceriam qualquer coisa, em qualquer contexto. ao contrário, seriam os primeiros a pedirem respeito e criticarem o texto.

  15. O mundo em que eu quero construir as pessoas não morrem abandonadas em hospitais públicos por falta de atendimento médico, não morrem na miséria por falta de comida, não morrem na rua por falta de um lugar pra morar. Esse sim é o foco da manifestação.
    A morte dela foi uma fatalidade que poderia acontecer a qualquer hora em qualquer lugar do mundo (vide Amsterdam, onde o transporte público funciona perfeitamente, ciclistas são mais importantes que pedestre e ainda assim acontecem casos de atropelamento). Se ela estivesse indo pra um teatro, a morte dela teria alguma coisa a ver cm isso? A fatalidade que ocorreu não tem relação nem direta nem indireta com a manifestação. Muito menos com a redução do IPI.
    “Para ela, manifestar não se tratava de pegar seu carrinho, estacionar num lugar seguro, escrever palavras de ordem num cartaz e gritar meia dúzia de palavras.”
    Então o fato de ir de carro pra manifestação reduz o engajamento politico? Por que alguém vai de bicicleta ou a pé isso faz da manifestação da pessoa mais legitima do que a de quem vai de carro?
    A morte dela foi uma fatalidade, assim como todas as mortes que acontecem diariamente no Brasil por maneiras injustas. Não acho certo “sensacionalizar” e transforma-la em um mártir.

  16. Pelo amor de Deus galera! Isso foi uma fatalidade!
    Meus pêsames e sentimentos à família da vítima.
    Agora, por favor, falar que isso é culpa do sistema/governo é pegar pesado demais não acham? Na minha opinião estão querendo encontrar um mártir para o movimento, assim como na ditadura tiveram muitos.
    Contextos e situações são totalmente diferentes.
    Quer dizer que se o transporte público melhorar e com isso diminuir o número de veículos nas vias, bem como se aumentar o número de ciclovias, não mais existirão mortes por atropelamento? Quer dizer que em países desenvolvidos, onde há transporte público adequado, de qualidade, não acontecem mortes por atropelamento?
    Por favor…os protestos são legítimos. Participei na segunda feira, mas não estou de acordo com essa visão… estão apelando demais.
    E mais uma vez meus pêsames aos familiares.

    • lembrando também que o post não fala contra o movimento, mas sim que a moça em questão lutava e vivia a causa – e que essa causa é muito mais ampla do que é exposta, envolvendo inclusive as ligações profundas entre governos e grandes corporações (essas que tem mais direitos do que nós, os cidadãos a quem o estado deveria servir).

  17. Meus pesames ao familiares. Nao existem culpados, existem fatalidades. Que descanse em paz, com o sentimento de que fazia o que queria e o que entendia ser o correto.

  18. Morreu pq foi inocente e imprudente em ter saido de bicicleta, ta pensando que Brasil é Europa? Todo dia tem varias mortes por atropelamento no Brasil, a maioria de bicicleta, basta ler e ver os jornais. Esse pais nao tem mais solução. Ha mais de 500 anos que começou errado e ainda continua errado, enquanto o povo não aprender a votar direito, nada vai mudar. A melhor arma é o voto.Infelizmente a maioria troca voto por bolsas disso e daquilo. Nada vai mudar enquanto agirem assim.

    • Elena,
      esse país tem solução sim. É exatamente isso que essas manifestações estão buscando.
      politicos melhores, saúde decente para todos, educação e acima de tudo respeito!

      o Brasil não começou a 500 anos, nossos antepassados já estavam aqui muito antes disso. E não é porque tem 500 anos de merda que vamos querer mais 500 assim. A Carol sabia bem que o Brasil não é a Europa, e tinha muito orgulho disso! Lutava por um Brasil melhor e não por uma cópia da Europa. E mesmo assim, na história da Europa tem muito mais de 500 anos de merdas, mas eles mudaram esse quadro.. e ainda vem mudando. O Brasil também precisa mudar, mas precisa mudar para ser O BRASIL.
      Realmente tem várias mortes por atropelamento. Que merda, não? E ai? O que fazer? Ficar só repetindo que o Brasil não tem solução não vai ajudar.
      Foi tentando mudar que a Carol morreu, deixando muita saudade. muita saudade mesmo.

  19. Acho que o problema é neste caso principalmente de educação e gentileza no trânsito, não respeitamos as motos e agora as bicicletas…Dia 8/junho as 10h, um domingo, a faixa reservada para ciclistas do eixo monumental era invadida por vários carros e taxis todo momento, um ciclista vinha passeando e quase foi atropelado com as invasões. Isso é também uma vergonha. Precisamos deixar de ser a nação da dúzia de 13, das filas furadas, abandonar o “jeitinho brasileiro”. É tempo de reforma geral.

  20. Só tenho uma coisa a dizer… “País desenvolvido não é aquele onde os pobres andam de carro e sim onde os ricos andam de transporte público!” E eu entendi o ponto de vista de quem formalizou o texto. O problema é as pessoas pegarem um trecho do que foi dito e usar como um todo! Meus sinceros pêsames pela morte da menina e se ela era tão expressiva em protestos a ponto de querer nem ir de carro pra mostrar algo ela talvez tenha deixado seu legado!

  21. Fiquei com preguiça de ler todos os comentários, mas concordei com um tal de Plínio que disse que todo mundo deveria ter pelo menos um carro em casa. Eu não tenho nenhum e viver em Brasília sem carro é uma gradecíssima bosta. Porque às vezes a gente precisa mesmo do carro ou não tá afim de demorar muito tempo para chegar em algum lugar. E concordo mais ainda quando ele diz que o negócio seria não ter a necessidade diária de usá-lo. Me pergunto se isso um dia vai acontecer.

  22. A culpa é do sistema? Pelo amor de Deus…

    Ou a culpa foi do motorista, ou a culpa foi da pobre moça. Parem de satanizar a existência dos carros, nem todo mundo mora a uma distância razoável do lugar de trabalho, nem todas as cidades são planas (quero ver alguém ser bicicleteiro em ouro preto ou bh), e acima de tudo nem todo mundo é obrigado a se exercitar para chegar aonde quer, isso é escolha individual.

    Ter carro é caro, dá trabalho, quebra toda hora, em suma, ter carro é CHATO e gente como eu (que mora longe pra dedéu do trabalho) deixaria o carro na garagem se tivesse metrô decente por toda a cidade ou serviço de ônibus de qualidade. (Metrô sim é transporte de massa, bicicleta é tão individual quanto carro)

  23. Pingback: Memória e luta | quadrado

  24. Tô chegando atrasado, mas qualquer ataque ao “direito da pessoa ter carro só pra ela, sufocar as vias, reclamar do trânsito e de eventual multa” é bem polêmico. Valeu, Carol, por mostrar que nem todo mundo segue a cartilha.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s