Uma expo ao invés de vitrines

Algo me chama a atenção cada vez que vou numa exposição aqui em Brasília: como somos poucos.

Mesmo o Gormley: tendo em vista a amplitude do trabalho do cara e que a exposição é toda de graça, somos, sim, poucos. No resto, nem se fala. Fui ver a Pneumática que estava em cartaz na Caixa e só tinha eu.

Não estou com isso dizendo que Brasília é cheia de exposições imperdíveis – mas há muita coisa interessante sendo mostrada por aí. Há muita coisa nova aparecendo, e obras de uma geração que representa honrosamente a cidade – e que merece sua visita muito mais do que as vitrines dos shoppings da cidade que, taí, vivem lotados.

A Clarice Gonçalves, que já tem fãs entre os modernos da capital, está expondo esta semana em um espaço inusitado e que eu quero muito conhecer. As edições da mostra Brasília Contemporânea acontecem em um prédio residencial da 307 Norte que funciona como galeria – galeria mesmo, o que significa que as telas estão todas à venda.

No espaço cultural Renato Russo acontece até fevereiro a mostra de desenhistas argentinos “Tivemos que fazer rir” (“Nos tocó hacer reír”), com reproduções monumentais de nomes como Quino, o criador da Mafalda – e mais uma centena de outros cartunistas. A mostra sobre histórias em quadrinhos foi criada para representar a Argentina na feira de livro de Frankfurt, na Alemanha, e agora roda o Brasil contando como o humor foi – e continua sendo – a melhor resposta dos argentinos aos momentos mais difíceis de sua história, como a ditadura.

Isso sem falar nas salas de exposição da cidade mantidas por entidades públicas, como o CCBB, a Caixa Cultural e o Museu dos Correios. Temos sorte dessas instituições continuarem apostando na cultura apesar da nossa baixa audiência.

É uma questão de hábito mesmo – que para ser mudado, exige uma mudança de posição. Se um dia um doido não tivesse inventado de mandar a gente parar em cada faixa de pedestre da cidade, talvez essa cultura nunca tivesse sido criada. No caso da arte, não precisa – e nem cabe – uma lei para isso. Basta vontade de gastar nosso tempo desenvolvendo um senso crítico, nos deixando tocar pelo que os artistas dizem sem palavras.

Vá ver uma expo. Você – e a cidade – só tem a ganhar.

Bora?
Aos passos, mostra de Clarice Gonçalves
Até domingo, 2 de dezembro
SQN 307, Bloco I – Salão Térreo
Info: 9369-5002 / 8304-5386

Tivemos que fazer rir (Nos tocó hacer reír)
Até 3 de fevereiro, diariamente das 9h às 18h
Galeria Rubem Valentim – Espaço Cultural Renato Russo (508 Sul)

Além, claro, da programação do CCBB, Caixa Cultural, Museu dos Correios

2 respostas em “Uma expo ao invés de vitrines

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s