Artesanalmente francês, diretamente do Guará

230793_322067934578202_554838699_n

 

Quando você mora fora e começa a conviver com os hábitos locais, há aqueles com que você se identifica de cara, aqueles com as quais você se acostuma com o passar do tempo e aqueles outros que você jura que não vai incorporar nunca. Eu era assim com as charcuteries.

É assim que os franceses chamam toda suas receitas a base de embutidos – que por lá são tão famosas e celebradas quanto os mundialmente conhecidos queijos. Eu demorei longos anos para me entregar a esses patês feitos de miúdos, gordura e sabe-se lá o que mais dentro. Durante muito tempo resisti às ofertas dos pratos feíssimos que desfilavam pela mesa na hora da entrada: terrines, patês, rillettes. Até que… claro, me apaixonei.

Desde que voltei, andava meio órfã dessa parte da culinária francesa. Ao contrário dos pães e sobremesas, assuntos em que o mercado brasiliense não nos deixa na mão, as charcuteries exigem algo de artesanal, de savoir-faire, que me parecia quase impossível de se encontrar por aqui.

Ledo engano. Outro dia, na casa de amigos, esbarrei no profissionalismo e na simpatia da proposta do Realejo, invenção e obra do artesão charcutier Eduardo Sedelmaier.

Ele mesmo prepara cada um dos patês de aves confitadas com pistache que entrega na sua casa dentro de uma mini-marmita toda charmosa. O sabor não fica atrás dos melhores confits que provei na França. No cardápio, há ainda o patê campestre, coalhada seca e uma geleia de tangerina do cerrado que juram ser um pecado ambulante.

Aviso aos acostumados com os enlatados: patê francês não é pastinha homogênea de supermercado, não. É comida de verdade. Tudo bem se você torcer o nariz por longos anos ainda. Sobra mais pra gente.

Bora?
O Realejo
Patês (R$ 35 e R$ 24), coalhada seca de leite de cabra (R$ 18), geleia de tangerina (R$ 18)
Pedidos pelo telefone 9974-3899

13 respostas em “Artesanalmente francês, diretamente do Guará

  1. Uau! A coalhada de leite de cabra é de subir nas paredes! E o patê! Que sabor divino! Pena que demorei pra pedir e a geléia de tangerina já tinha acabado…

  2. Pingback: Círculo vicioso do bem | quadrado

  3. Pingback: A quermesse é chique, mas tem quentão | quadrado

  4. Pingback: Um sábado de gula à beira do lago | quadrado

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s