Japonês de verdade

 

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Desde que abriu, o New Koto ganhou fama de melhor japonês da cidade – tem gente que concorda com isso, e tem gente que não. Se não for o melhor, certamente está acima da média e vale o investimento, que é um pouco maior do que a média também.

Já na entrada dá pra sentir a diferença na qualidade. O rolinho primavera e o guioza vão provar que não minto, te juro. O combinado também lembra a gente de que um detalhe faz toda a diferença na cozinha: o corte, a espessura, a consistência do arroz. O sushi do New Koto é preciso, e isso é coisa rara no mercado.

Sabe aquele lugar que serve um sushi com muito arroz, muito grudado, e uma fatia transparente de peixe em cima, de tão fina? Isso não é estilo não, é enganação mesmo. E o dono do New Koto, Ryozo Komiya, tem o melhor currículo no ramo: nasceu em Tóquio e foi cozinheiro-chefe da Embaixada do Japão.

Uma coisa boa pra se fazer num bom restaurante japonês é revolucionar e não pedir sushi, nem sashimi. Peça um prato, só pra variar: tem um macarrão integral gelado com tempurá de legumes e camarão (R$ 49) e uma sopa com macarrão, tempurá, frango, shitake e gema de ovo (R$ 42). Parece estranho, e talvez seja, mas é bom.

Bora?
New Koto
212 Sul, bloco C
Terça a domingo, de 12h às 15h e de 19h às 23h (domingo, jantar até 22h).
Tel. 3346-9668

O público e o transporte

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Complete aí a frase: quando seu carro quebra, você…

(   ) manda vir o carro extra do seguro
(   ) aciona o papai, escraviza o namorado, dá uma indireta pra amiga – enfim, transforma todo o afeto distribuído recentemente em uma rede de caronas
(   ) vai de táxi, cê sabe
(   ) vai de busão

Posso estar errada mas suspeito que, na cidade que conta um carro para cada dois habitantes, muita gente não costuma sequer considerar a última opção.

Pois eu tenho amigos queridos que me encorajam ao contrário. Mesmo podendo ter um carro só para eles (como manda a anatomia brasiliense: cabeça, corpo e rodas), eles fazem esta outra escolha todo santo dia. Eles vêm de ou moraram muito tempo em outras cidades que têm o transporte público como regra e não como exceção – e se acostumaram a ter a noção de público associada à de transporte. Não conseguem pensar num sem o outro.

Pra essas pessoas, o trajeto cotidiano é muito mais do que a simples movimentação entre dois pontos. No caminho, elas fazem questão de transitar pela cidade de verdade, pelas pessoas, pela vida. Para elas, se locomover não se resume a curtir a Kiss ou a Nova Brasil FM enquanto quase atropelam as pessoas na faixa porque estavam checando seus SMS. Ver as pessoas na rodoviária, sentir calor na parada, comer um pastel, ajudar uma senhora a subir no ônibus faz essa turma viver de fato numa cidade, e não apenas passar por ela.

Tem gente, inclusive, que faz disso com muita competência uma bandeira de luta.

Neste exato momento você vai dizer: mas o transporte público de Brasília é uma droga. Acontece que esse argumento eu só aceito de quem usa o dito cujo.

Semana passada meu carro tirou férias de mim (evite atropelar tocos de cimento, amigos, dói no bolso). E eu fui de busão. E no terceiro dia da semana acumulei knowhow suficiente para chegar ao trabalho em exatos 18 minutos.

Não estou com isso dizendo que o sistema é bom – ao contrário. Do pouquíssimo que sei, há muitos problemas – e o primeiro deles é a falta de informação. É ridículo como falta. É absurdo como falta.

Imprimir cartazes com os itinerários de todos os ônibus que passam em cada parada do DF não custaria o salário de um mês de muito primeiro escalão por aí. Três alunos da UnB desenvolveriam felizes um aplicativo com os trajetos – que funcionasse de verdade. A internet abrigaria de graça, em um blog que fosse, um mapa com todas as linhas de ônibus. Então por que será que nenhum governo jamais se dignou a fazer um sistema de informações decente sobre como pegar um ônibus de um ponto X a um ponto Y de Brasília, de um jeito simples e elucidativo?

Desconfio que seja justamente porque, assim como muitos de nós, quem manda nisso tudo nunca anda de ônibus. Julgamos o transporte público de Brasília assunto de adolescente ou de periferia – como se isso merecesse descaso – e foi assim que a situação chegou aí onde está.

Bora?
Enquanto a informação não chega, façamos old school: pergunta pro seu colega qual a melhor linha pra chegar até em casa e ouse – vá de busão.

O maestro mais teimoso do mundo

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Só fiz esse programa uma vez na vida, uma vergonha, então essa sugestão vai pra mim mesma: a Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional abriu a programação deste ano e toda terça, às 20 horas, tem concerto de graça na Sala Villa Lobos. Hoje, a regência é de João Carlos Martins – ele sozinho já vale a ida.

Martins foi tema de livro, de enredo de escola de samba, de documentário franco-alemão, e está tendo sua vida filmada pelo cineasta Bruno Barreto. É fácil explicar porque ele é o cara: considerado um dos melhores pianistas do mundo – no auge, conseguia dedilhar 20 notas por segundo (hein?) –, enfrentou uma série de problemas nas mãos e passou por cima deles como um trator. Sua vida parece filme mesmo.

Antes dos 30 anos, rompeu um nervo da mão direita em uma partida de futebol. Depois, veio uma doença degenerativa. Um tratamento intensivo fez com que ele recuperasse parte dos movimentos, e o pianista desenvolveu uma técnica para tocar só com a mão esquerda. Em 1995, veio um assalto na Bulgária e um golpe na cabeça tirou, novamente, o movimento de suas mãos.

Parar? Claro que não, né. O ex-pianista decidiu começar a estudar regência em 2003. Ele não consegue segurar a baqueta, nem virar a partitura, mas bobagem. Martins passou a memorizar cada nota e passagem. “Não é superação, é teimosia!”, costuma dizer.

Resumindo bem a história, é essa pessoa que vai reger a Orquestra Sinfônica hoje, com homenagem a Mozart.

Bora?
Concertos da Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional
Toda terça, às 20h
Sala Villa Lobos
Entrada gratuita
Programação completa

Uma enorme feira de troca de experiências

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Foi a proposta mais poética que eu recebi nos últimos tempos: um belo dia minha amiga Dani Cadena me diz que queria praticar francês comigo, e que em troca me ensinaria algo que ela sabe fazer bem (e ela sabe fazer bem muitas coisas). Topei na hora e bolei um modelo otimizado para resolver isso: me aproveitando do seu talento de chef, passamos a ter aulas de culinária em francês.

Todo domingo ela me manda uma lista de ingredientes (en français, s’il vous plaît!) e na segunda de noite nos encontramos pra cozinhar, praticar francês e rir um bocado. A experiência é de uma riqueza inacreditável: estreitamos nossa amizade e aprendemos uma com a outra – sem gastar um centavo.

Já pensou quanta gente talentosa você tem por perto e com quem poderia realizar trocas assim? Minha irmã faz design na UnB e, junto com o grupo de trabalho dela, teve uma ideia super bacana: criar uma plataforma experimental no Facebook para aproximar os vizinhos das quadras por aptidões, favorecendo esse e outros tipos de troca.

Eles começaram pela 203 Norte e no final de semana passado fizeram até um eventinho por lá para conhecer os vizinhos e apresenta-los uns aos outros. A ideia é cadastrar quem quer participar e ir organizando grupos de interesse, para que os vizinhos possam navegar pelas ofertas dos outros e propor trocas interessantes – de produtos, por que não?, mas principalmente de serviços, de talentos.

O projeto experimental foi batizado de Pilotis e já está aberto para participações – mas ele é apenas uma porta de entrada. O mais importante é a gente estar atento para nossos próprios talentos e a para a possibilidade infinita de conexão com os outros que nos rodeiam – e, que nesse lindo século XXI em que vivemos, depende muito menos de escolas, institutos e universidades do que única e exclusivamente de nós mesmos.

Bora?
A página do Projeto Pilotis é por aqui.
A fanpage no Face é por aqui.
Mas o contato do seu amigo que você pode convidar para mudar o mundo – ou só mesmo a sua vida e a dele – só você mesmo é que tem.

Peixe bom e fresco tem filial

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A Feira do Guará nem era uma feira de fato, do jeito que a gente conhece hoje, e a Peixaria Ueda já estava lá, numa banquinha instalada em 1970. Ela continua na feira, mas desde o ano passado também está na asa sul – e saber disso foi de uma felicidade de quem descobre um parque de diversões perto de casa.

Peixe bom e fresco, só na Feira do Guará. Nem sei se essa máxima, que escuto desde a infância, ainda vale totalmente, mas continuo seguindo a regra fielmente. Principalmente se o prato envolver peixe cru: nenhum outro lugar no mundo é seguro, e ponto final.

Ir à feira é ótimo pra sair com um monte de outras coisas e, além da Ueda, tem uma peixaria bem em frente a ela que também é ótima (não lembro o nome, alguém me ajuda?). Mas na correria, e se for perto de você, a Ueda da Asa Sul tem a mesma qualidade e o mesmo preço da Feira do Guará.

Os atendentes são ótimos e rápidos, e grande parte deles trabalha na empresa há mais de 20 anos, como é o caso da Socorro, que saiu do Guará pra ajudar na filial da asa sul. “Somos uma família aqui”, diz ela, enquanto outra funcionária lava constantemente a vitrine. É a peixaria mais limpa que eu conheço.

No Guará, o dia do peixe mais fresco é a quinta-feira. Na asa sul, além da quinta tem a terça-feira, quando chegam atum, salmão (chileno), robalo e camarão. A Ueda tem um barco próprio de pesca no Maranhão, e as delícias chegam em caminhão frigorífico, mas também tem pescado de outros estados do Nordeste e do Sul.

Tem de tudo, e dá vontade de levar tudo. Peça pra limpar o peixe do jeito que você quiser. Dá pra sair de lá com um filé pronto pra virar sashimi, sem medo e sem trabalho.

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Bora?
Peixaria Ueda
– 408 sul, bloco A
Terça a sábado, 8h às 18h. Sábado, até as 17h.
Telefone 3242-0061
– Feira do Guará
Quinta a sábado, 7h30 às 17h. Domingo, até as 15h.
Telefone 3381-6488
Entrega em casa: compras acima de R$ 200.

De boa em casa de neguinho

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Pois é, chegou a hora. A melhor notícia recente em termos de música brasiliense vai lançar seu primeiro CD com um show por aqui, em casa de neguinho, como eles tinham adiantado pra gente.

Sábado agora é dia de ouvir ao vivo o som delícia que nos impressionou no ano passado e tentar garantir nosso CD exclusivo, com encarte desenhado pela galera da Samba. Confesso: vou esperando muito. Dançar, encontrar o povo e a vibe das festinhas de rock anos 90. Será, hein?

Com toda a marra própria do vocabulário de brother brasiliense que é a marca da banda, preciso dizer que fiquei de cara que o esquema vai ser mesmo de festa na casa de neguinho. Não é onda. Cada um leva sua cerveja (boa, por favor, e em quantidade, pra não estragar a festa), quem tem a manha (= quem é chegado) nem paga ingresso, e o resto é aquilo: show de rocha e uns DJs cabulosos tocando som de vinil. Já pensou? Voltei pra UnB e esqueceram de me avisar.

Bora?
Show Sexy Fi – lançamento do CD Nunca te vi de boa
Sábado, 23 de fevereiro, 21h
Na casa de neguinho: SHIN QI 7 Conjunto 3 Casa 11
R$ 10 ou de graça, pra quem tem a manha. Levar cerveja (boa e sem zurar).

Guerra de macarrons

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Provavelmente você já conhece a Cacahuá, um dos melhores chocolates da cidade, né. Mas já sabia que eles estão fazendo macarrons agora? Finalmente alguém resolveu competir com o Daniel Briand – e competição nesse ramo é a melhor coisa pra gente.

Na Cacahuá, os sabores são mais variados do que no Briand. De amora a amêndoas, de limão siciliano a champanhe, disso e daquilo. São lindos e o recheio é cremoso, como deve ser. O Daniel Briand mora no meu coração, mas os macarrons da Cacahuá… Bom, o convite é pra você fazer o teste e eleger o seu melhor. Boa sorte!

Se alguém aí não conhece a Cacahuá ainda, além dos chocolates, dos macarrons e do cardápio do café (com quiches, salgados e docinhos), você pode se perder na sessão de tortas. Uma que é excesso e sucesso na certa é a Torta Três Mousses: chocolate branco, ao leite e meio amargo, com uma crosta de amêndoas torradas. Uma bomba estratosférica de açúcar, inacreditável não ser enjoativa. Vai sem culpa, seja feliz.

Bora?
Cacahuá
207 Sul, bloco A
Terça a sábado, das 10h às 20h. Domingo, das 12h às 20h.
Tel. 3443-0430
Cardápio: aqui