O primeiro mapa astral de uma cética

genillson

Aos 34 anos, marquei meu primeiro mapa astral profissional, com hora marcada, endereço comercial e tudo o mais. O primeiro mapa de alguém que se diz 100% cética, ou 99% e uns quebrados. Sou capricorniana, logo não acredito em astrologia.

O que eu estava fazendo lá então? Era o que a cética se perguntava – sem arrependimento, só curiosidade com aquela contradição. Aí percebi que a pergunta vinha com essas duas palavras que me ajudavam a entender: curiosidade (pelo diferente, pelo olhar alheio, o novo) e contradição (seria uma vontade de expor, e quem sabe aceitar, a minha incoerência?).

Genillson, o astrólogo. Diretor de teatro, escritor e psicoterapeuta, ele te oferece um café, acende um cigarro e vai conduzindo a conversa misturando planetas, mitologia grega e terapia. O foco é a análise da personalidade, das virtudes e fraquezas, sem previsões do futuro.

Os conselhos que vieram foram provocações. Genillson não indica o caminho mais fácil, nem se preocupa com o politicamente correto. Ele surpreende. Vai na sua ferida, dá uma mordida e sugere uma solução que pode passar pela dor, quem sabe, mas o ruim se transforma sempre em desafio.

Mais de dez dias se passaram e ainda penso muito sobre aquela tarde. Continuo achando que meu destino está nas minhas decisões – e em nenhum momento foi dito o contrário na consulta. Se eu saí de lá acreditando em astrologia ou não, é o que menos importa.

O fato é que fui esperando uma conversa de 1 hora e meia, mas rendeu 4 horas e ainda joguei tarô. Eu, a cética, pedi pra jogar tarô. O presente que recebi em troca foram várias impressões de um olhar externo sobre mim. E a sensação de sair provocada (a pensar e a agir) e isso não é pouca coisa.

Genillson atende na Casa de Mãe Joana, onde ele e outros profissionais trabalham com horário marcado, no subsolo de um prédio da 107 Norte. Na sala, vários deuses coexistem e a cozinha guarda um aconchego de casa de avó.

O único porém do astrólogo, preciso alertar, é o charme. Os olhos azuis podem te distrair um pouco, tipo… Hein? Plutão o quê? (Isso é um afago deliberado e sincero à sua lua em leão, Genillson. Obrigada.)

Bora?
Casa de Mãe Joana
107 Norte, bloco A, loja 5, subsolo. Entrada em frente ao Eixinho.
Telefone: 9966-6604
Página no face: aqui

10 respostas em “O primeiro mapa astral de uma cética

  1. o que gosto muito dos (nós) capricornianos é essa capacidade de se permitir ver, ouvir, experimentar o novo mesmo que não seja algo que goste ou acredite previamente.

  2. Se você gostou da experiência, recomendo fortemente a leitura do livro “Um adivinho me disse”, de Tiziano Terzani, um cético (mas virginiano) que resolve, como você, dar uma chance para o “além”.
    Beijos!

  3. Dani,

    Eu sou um cético total em relação ao esotérico. A Lis, que vive se metendo nessas “aventuras”, frequentemente me cutuca para tentar essas novas experiências. Como estou com um problema chato no ouvido (zumbido) que está me tirando do sério, entrei em parafuso sem saber como lidar direito com isso.

    Eu sou aquele cara que curte a solidão e o silêncio absoluto para ler e refletir sobre a vida, o universo e tudo o mais e essa chiadeira nos ouvidos está acabando com a minha paz de espírito. Estou ainda pesquisando com um otorrino e iniciando uma terapia com um psicólogo..

    Então, contei para a Lis e ela me sugeriu, só de sacanagem, quebrar um pouco os meus paradigmas e fazer uma loucura que, no caso, seria me conhecer um pouco melhor por meio de algo que fugisse ao meu lado racional. Ela me mostrou esse seu post e eu resolvi também vencer minhas ideias preconcebidas e ver que bicho dá.

    Vou ligar pra ele e marcar uma consulta (ou seria uma sessão?). Bem depois eu conto aqui como foi. Beijos.

  4. Ontem, sexta-feira, eu fui à Casa da Mãe Joana (adorei o nome) ver o Genilson. Realmente, ele é uma figuraça e tanto. Posso dizer que curti muito a experiência. Claro que é uma sobrecarga de informações que ele passa, principalmente para quem não está habituado com a coisa. Tinha horas que eu me perdia todo e dizia: peraí, cumequié? Quem está na casa de quem mesmo? Onde plutão entra na história e a lua não estava lá e agora está aqui, como assim? Ascendente, descendente, meu deus do céu, o que eu faço com isso tudo?

    Mas achei legal pois muitas coisas que ele disse bateram certinho (muitas coisas que as terapeutas diziam também) e achei engraçado que para todas as que não bateram ele dizia: você é assim (tá vendo só marte na casa do c…), só que luta contra isso. Eu só ficava rindo. Dizia: pô, assim é covardia.

    Não dá para negar que ele é muito charmoso e insinuante. É difícil resistir. E um ótimo papo, também. Fiquei lá papeando umas 3 horas. Só não fiquei mais pois tinha um exame de ouvido depois. Na despedida, ele me deu um abraço tão apertado e caloroso que me balançou todo e me deu uma coisa lá dentro, sei lá. Que abraço foi aquele?

    No geral, adorei o jeitão dele e acho que a dica está aprovadíssima.
    Beijos.

  5. Adorei essa postagem, é muito bom ver pessoas praticando um ceticismo saudável, que questiona e investiga com a mente aberta. Parabéns. Adorei o blog.

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