Uma nova tradição de Páscoa

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Escrevo estas mal-traçadas linhas ainda sob o impacto da última visita ao supermercado.  Estou doida ou estão cobrando quase quarenta reais em ovos de páscoa feitos com meio quilo de chocolate? E daqueles, hein?, deliciosamente temperados com gordura hidrogenada.

Não devia me surpreender. Anúncios a respeito pipocam nas redes sociais há semanas –  o preço dos ovos de páscoa representam até quatro vezes o valor pago pelo mesmo chocolate em barra.

O mais incrível, como eu acabei de testemunhar, é que as pessoas comprem mesmo assim. Que até eu provavelmente vou comprar mesmo assim – porque uma tal de indústria do consumo enfiou na cabeça dos meus filhos que, nesta época do ano, é imprescindível ganhar um ovo de chocolate ruim com alguma porcaria de plástico dentro.

Digo isso pra vocês e pra mim: esta história pode ser diferente. E se… ao invés de simplesmente nos rendermos ao velho hábito a gente propuser uma super caça aos ovinhos de páscoa, aos bombons, aos chocolate menores e com preços menos super-explorados?

De brinde, uma verdadeira caça ao tesouro em algum jardim da cidade, debaixo do bloco, no quintal de casa… Uma brincadeira muito mais legal e que, com vários brindes pequenos a perseguir, pode durar e divertir muito mais.

Outra dica é pela pesquisa de preços nas chocolaterias especializadas. Com os chocolates industriais custando quase oitenta reais o quilo, os ovos de lojas artesanais estão longe de ser uma má ideia.

Bora?
…pensar dois minutos antes de entrar no supermercado e comprar a primeira promessa de felicidade embalada em papel celofane?

Tem como não se apaixonar por essa pessoa?

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Eu era estagiária do caderno de Cidades, então só me colocavam pra cobrir temas palpitantes, de velório à chegada do Zé Gotinha num posto de saúde. A pauta do dia era o lançamento de uma campanha de combate à hanseníase e, deus é grande, um detalhe salvou meu dia: o garoto propaganda era Ney Matogrosso, quem eu deveria entrevistar.

Tudo bem que a entrevista não tinha nada a ver com a música, a vida, o que ele pensava sobre o mundo – tudo aquilo que realmente me interessava naquele momento. Mas ok, eu estava olhando pro Ney e fazer qualquer pergunta pra ele, mesmo que fosse “como você foi parar nessa campanha?”, era só felicidade.

Sobre a pergunta aí de cima, a resposta foi a seguinte: um dia ligaram na casa dele, era um cara de uma ONG de combate à hanseníase explicando o trabalho e convidando pra participar da campanha. Meia hora de conversa depois, eles descobriram que era um engano – o cara queria falar com o Ney Latorraca. Era o Matogrosso? Putz, e agora…?

E agora que o Ney, o Matogrosso, já tinha se sensibilizado com o assunto, ficou chocado que essa doença ainda existia, e fez questão de ser garoto propaganda da causa, azar do Latorraca. Tem como não se apaixonar por essa pessoa? Não tem.

Isso tudo pra avisar, gente, que ainda tem ingresso pro show dele no sábado. Deixei pra última hora, achei que não dava mais tempo, mas ainda dá, achei melhor avisar! A turnê “Atento aos Sinais” acontece no momento em que Ney completa 40 anos de carreira, mas ele diz que é só coincidência, que o show não pretende marcar nada.

Mas é só dar uma lida no material de divulgação pra entender que vai marcar sim, com ou sem intenção: rock, performance, figurino extravagante, maquiagem carregada. Vai ser o Ney do jeito que a gente gosta, e ainda cantando Caetano, Paulinho da Viola, Criolo e Itamar Assumpção. Paixão à vista (de novo).

Bora?
Ney Matogrosso
Centro de Convenções Ulysses Guimarães
Sábado, dia 30, 21h
Ingresso: R$ 80 a 100 (inteira) e R$ 40 a 50 (meia)
Central de Ingressos do Brasília Shopping (2º subsolo)
Tel: 8130-6681 e 8260-6901

Peculiar e intensa Babilônia

Babilonia Norte_Credito_Pato Sarda?

Quantas lendas você já ouviu sobre a entrequadra 205/206 Norte? Que na verdade todas as quadras do Plano Piloto foram inicialmente desenhadas para ser como ela? Que ela foi construída ao contrário, por um erro? Que é um reduto de gente estranha?

Apelidada por alguns de Babilônia Norte, a quadra mais peculiar de Brasília ganhou um documentário sobre ela. Em plena revitalização promovida por artistas e comerciantes interessados na sua poética esquisitice, a quadra teve sua história contada em um filme do Coletivo Capadócia que convida artistas da cidade a representar o espaço em suas obras – e o lançamento deste filme-testemunho promete ser o eventinho massa da semana.

Quarta-feira, véspera de feriado para os mais sortudos, tem exibição do documentário ao ar livre lá mesmo, na quadra que o inspirou. Ao mesmo tempo, rola uma exposição fotográfica e multimídia, performances teatrais, grafite e, como de hábito, som delícia comandado pela galera do Criolina Champagne no Espaço Cena.

Pelo que eu vi por aí, a ocupação já começou.

Curiosíssima pelo filme e feliz da vida pela iniciativa de um lançamento tão público, tão de presente para a cidade, só me resta uma pergunta: já é depois de amanhã?

Bora?
Lançamento do documentário “Babilônia Norte”
Quarta, 27/03, às 19h30
CLN 205/206 – no meio da rua, como a gente gosta.

Um post todinho só pra ele

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Não é a primeira, nem a segunda vez que o Objeto Encontrado dá as caras no Quadrado, mas antes que me acusem de falta de criatividade, de preguiça pré-fim de semana, quero deixar uma coisa clara aqui: este post não é sobre o Objeto Encontrado. É sobre o cheesecake do Objeto Encontrado, o que é totalmente diferente, concorda? Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa, a regra é clara.

Dito isso, posso admitir que nunca fui fã de cheesecake na vida – sempre achei um pouco incoerente esse negócio de misturar doce com salgado na sobremesa. Mas o interessante da vida é que, logo após apontar o dedo contra a contradição alheia, a gente vira a próxima vítima. É claro que agora eu amo cheesecake de coração, e o do Objeto Encontrado é uma coisa tão linda que merece um post todinho pra ele.
 
O pedaço é grande, não é pra fraco não. E a calda pode ser de amora ou de framboesa (uma é mais doce do que a outra, não me lembro qual é qual, mas eles vão te explicar). Fica a dica, então, pra esse tempo cinza: depois de passar pela Semana da Francofonia, dá um pulo no Objeto. Um café, um cheesecake, um dia nublado = tudo vai ficar bem.
 
Bora?
Objeto Encontrado
102 Norte, bloco B
Seg a sex, das 12h às 21h
Sábado, das 10h às 21h
Tel. 3326-3504

Contribuindo para o aparelhamento do estado

foto

 

Não sei se já deu pra perceber mas, culturalmente, eu sou uma grande entusiasta desses nossos tempos. Esses tempos em que a linguagem artística se multiplicou, abrindo um milhão de novas possibilidades em todos os cantos, sem respeitar fronteiras, sem exigir credenciais. Sem que isso signifique perda de qualidade – ao contrário: assistimos a experiências estéticas absolutamente conectadas com o público e mesmo assim inesperadas, e que encontram nesse vínculo direto, sem intermediadores, uma possibilidade de retroalimentação que muitas vezes leva a resultados ainda mais incríveis. Nesse nosso tempo de blogs, de posts, de redes sociais, quem faz fala direto com quem gosta – e quem gosta constroi junto: curtindo, opinando, patrocinando.

Isso tudo pra dizer: sou uma enorme entusiasta do crowdfunding.

Dessa vez quem chama a gente a curtir e fazer acontecer é um dos maiores agitadores culturais da cidade, o Criolina, com um de seus projetos mais livres, leves, loucos – o Aparelhinho. Esse monstrengo meio pick-up, meio vitrola, meio robô, meio carrinho de pipoca se propõe a agitar as baladas brasilienses com música de carnaval num portátil muito heterodoxo – onde só entra música boa. Isso aí. Só entra música boa. Porque sair… já são outros quinhentos.

Quem foi no Aparelhinho de carnaval este ano pode dizer: sobrava animação, mas faltava som. E é aí que a gente entra. O Aparelhinho precisa da nossa ajuda para se fazer ouvir – para comprar uma estrutura definitiva, para ganhar potência e, com isso, fazer ainda mais bonito nas festas da cidade.

Eles abriram um crowdfunding que se encerra em pouco mais de quinze dias e ainda precisa levantar dez mil. A ideia pra dar um gás nessa reta final é a cara deste tipo de iniciativa: ao invés de ficar sentado no canto reclamando que o governo não ajuda, a galera mobilizou mais de trinta djs da cidade pra uma festa que promete durar mais de oito horas. Toda a grana arrecadada vai ser revertida para carnavalizar nossa cidade com um Aparelhinho ainda mais bacana.

Como eu já disse uma vez há algum tempo, viver neste nosso tempo já implica em lidar com violência, spam e engarrafamentos. Que a gente faça parte – e viva intensamente as coisas boas.

Bora?
Todo mundo empurrando o Aparelhinho
Amanhã, 22/03, a partir das 22h
no Arena Futebol Clube – Setor de Clubes Sul, trecho 3
Mais informações aqui.
Para contribuir direto no Catarse, por aqui.

Felicidade do dia: comida caseira delivery

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Eu sei, eu sei que eu deveria ter publicado isso mais cedo, mas a dica vai servir pra amanhã, ou melhor, pro mês inteiro, se você quiser.

Quem precisa pedir comida em casa ou almoçar no trabalho sabe como é a saga diária em busca de uma comida com gosto de comida – aquele temperinho caseiro, simples e gostoso que não enjoa. Dá um certo desespero, entendo.

Para a alegria geral da nação, a Dani Façanha, cozinheira de mão cheia, resolveu se lançar no mercado das quentinhas e abriu o Prontinha da Cumadi. É muita felicidade: hoje recebi um yakissoba de legumes delícia no trabalho, feito em casa, e pelo preço camarada de R$ 10 (incluindo a taxa de entrega).

O cardápio de março inclui, a cada dia, duas opções: uma com carne e outra vegetariana. É legal ligar com antecedência porque, até o fim do mês, é a própria Dani quem faz as entregas.

A partir de abril o negócio vai crescer e as opções idem: além do prato de carne e de vegetal, vai ter um terceiro com frango, mais sobremesa e suco. E a entrega vai ser com motoboy, ou seja, vai dar pra ligar de última hora e salvar seu almoço. Vai dizer… Bom demais, né?

Bora?
Prontinha da Cumadi
Cardápio na página do face: aqui
Tel: 8194-7324 e 8212-3326