A dica de hoje é inaugurar maio amanhã

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Amanhã é feriado e para aproveitar o clima de sexta-feira, fui em busca das festinhas boas de hoje, mas quer saber… O que eu quero mesmo é não gastar toda a energia hoje e tentar acordar mais cedo amanhã (não tão cedo, é claro) pra aproveitar o dia. Quero inaugurar maio, meu mês preferido em Brasília.

Maio é o equilíbrio perfeito. O céu azul, o sol quentinho e a sombra fria, o vento gelado. A chuva já passou, mas a seca não chegou. A cidade verde, toda verde e linda, diz o tempo todo: vem pra rua!

Então a dica é: hoje só amanhã. Acordar bem, sair de casa e dar um beijo em maio – só me falta chover amanhã, pra acabar com o resto da minha credibilidade.

Você pode fazer um piquenique na sua quadra, ou no calçadão da Asa Norte, ou na Península, ou sei lá, jogar uma canga à beira do eixão. Pode ver as exposições que estão rolando pela cidade. Pode aproveitar a ciclovia, almoçar ao ar livre, dar uma volta no Jardim Botânico, se jogar numa rede

Maio não é pouca coisa, não. Aproveita!

Bora?
CCBB – Começa hoje a exposição Movie-se, que traz um panorama dos 150 anos da animação. Outra exposição bacana faz uma retrospectiva do trabalho de Abraham Palatnik, artista brasileiro pioneiro da arte cinética.
Visitação de terça a domingo, das 9h às 21h, entrada gratuita.

Museu Nacional dos Correios – Uma das exposições em cartaz no museu – Memórias Femininas da Construção de Brasília – traz imagens de mulheres que contribuíram com a criação da capital.
Visitação de terça a sexta, das 10h às 19h, e sábado e domingo, das 12h às 18h, entrada gratuita.

Embaixada da Argentina – Em comemoração aos 203 anos da Revolução de Maio, a embaixada argentina no Brasil organizou uma série de atividades culturais.
– Tondos: Carlos Pamparana, com gravuras do artista argentino – foyer da Sala Villa Lobos, Teatro Nacional, das 10h às 18h.
–  Brasil/Argentina/Gráfica, mostra de gravuras que propõe um diálogo entre 18 artistas brasileiros e 16 argentinos – Sala Rubens Valentin, Espaço Cultural Renato Russo (508 sul), das 10h às 18h.
– Abuelas de Plaza de Mayo: 35 anos de luta, com fotografias que mostram a história do grupo de mulheres argentinas que até hoje lutam para encontrar seus netos roubados durante a ditadura militar – Embaixada da Argentina (Setor de Embaixadas Sul, quadra 803, lote 12), das 10h às 18h.
Programação completa na página da embaixada no face: aqui.

A plateia como resumo da cidade

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Dia do aniversário de Brasília, Esplanada dos Ministérios. O bandolinista brasiliense Hamilton de Holanda, um dos mais respeitados do mundo, apresenta sua obra mais erudita – a peça sinfônica que compôs em homenagem ao aniversário de Brasília. Pouco depois, acompanhado da Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional, ele recebe Milton Nascimento como convidado especial.

No adiantado do espetáculo, Hamilton anuncia que começa ali a última parte do show – e é recebido com uma constrangedora comemoração, em tom de “até que enfim”, por um público ávido pela próxima atração, a banda Teatro Mágico. A reação se repete umas duas ou três vezes, levando o músico ao microfone para pedir paciência: “Também gosto do Teatro – mas calma, pessoal, deixa a gente acabar aqui com nosso show”.

Não é de hoje que se reclama de indiferença, de arrogância ou de falta de entusiasmo do público brasiliense. Costumo defender, argumentando que nosso público tem senso crítico e não se seduz à toa – mas confesso que fiquei envergonhada com o episódio.

Daí resolvi ouvir o Hamilton sobre a reação da plateia naquela noite. E ele, que já na hora contornou a situação com muito jogo de cintura, me pareceu ainda mais ponderado e contemporizador. “Adorei o aniversário de Brasília, memorável no melhor sentido. Acho que a programação deve ser variada mesmo, para todo gosto, afinal o aniversário era da cidade”.

Gentil, minimizou a falta de educação de parte do público. Compreensivo, disse que realmente era difícil para a plateia suportar o atraso de mais de duas horas: “olha, com um atraso de mais de duas horas é natural que as pessoas fiquem ansiosas. Não acho que tenha sido uma reação à música instrumental – e se foi, eram dez pessoas contra vinte mil que estavam curtindo o som. Inclusive eu pedi para a galera ter calma, agradeci a paciência”.

Para ele, o público de Brasília, em geral, adora música, seja qual for o estilo. “O que me marcou foi ver um monte de gente chorando de emoção com o show. Isso é que fica”.

Sem que ele tenha citado, não teve como não lembrar dos Bailes da Vida, do mesmo Milton que dividia o palco com ele naquela noite: ir até onde o povo estar, não se importar se quem pagou (ou não pagou, no caso) quis ouvir. Uma generosidade só possível por meio da arte – que, no caso, alivia mas não deixa de servir de lição.

Fiquei pensando como o exercício de “ser plateia” é uma excelente imagem de como somos como cidade, como cidadãos. Nossas reações coletivas falam muito sobre nós – e não podemos nos dissociar desse todo com o argumento fácil de que “são os outros”.

Se, ainda bem, já não somos violentos como fomos – nenhuma ocorrência grave marcou os dois dias de shows na Esplanada – acho que ainda podemos ser mais gentis, respeitosos, generosos com quem vem compartilhar sua arte com a gente. Ser uma plateia melhor, mais calorosa, é, também, ser uma cidade melhor.

Rensga!

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Eu assumo: tinha preconceito. Eu, adolescente brasiliense, tinha preconceito de nascença contra goiano, mais especificamente goiano de Goiânia. Achava que era atávico, tinha que ser assim e pronto.

Daí que, de repente, uma avalanche de bons goianos caiu na minha cabeça. Goianos poéticos, goianos artistas, goianos roqueiros, goianos gente-finíssimas, goianos melhores amigos, goianos engraçados, com um teor ultra-ácido de humor, companheiros, hospitaleiros… A lista é infinita.

Resultado é que agora eu tenho preconceito, só que ao contrário. Quando alguém me diz que é goiano – a menos que tenha muita bossa de agroboy – eu já curto logo de cara. Já gosto de graça.

Parte desta responsabilidade é dos meninos do Objeto Encontrado. É difícil encontrar um lugar mais cool e mais hospitaleiro ao mesmo tempo. Foi por lá que conheci o trabalho do goianíssimo Oscar Fortunato, artista plástico autor das serigrafadas que já ocuparam as varandas do café.

A ideia, que volta a ocupar o Objeto amanhã, é simples: o Oscar traz de Goiânia as artes prontas de várias de suas peças. A gente leva camisetas, bolsas, moletons – qualquer suporte em algodão está valendo. Por R$ 20, pronto, levamos uma peça devidamente serigrafada pelo Oscar.

Na última edição o tema era Pessoas Soltas. Desta vez, ele desenvolveu umas artes sob medida para nossa capital – na melhor delas, JK, obviamente, é de Jack Kerouak. Por que?, você tinha pensado outra coisa? ;o)

Pelo que andei bisbilhotando no insta do @oscarfortunato, vai rolar também a série maneiríssima de adesivos goiano-bairristas que ele desenvolveu – como, por exemplo, o quadradinho com o símbolo do Césio na tabela periódica. Humor auto-derrisório da melhor categoria.

O trabalho do Oscar me deixou tão curiosa que fui atrás de entender o adesivinho amarelo aí da foto. Vai, vizinhos: ensina aí pra gente do quadradinho o que quer dizer “rensga!”.

Bora?
Serigrafada do Oscar Fortunato no Objeto Encontrado
Sábado, 27/04, a partir das 16h
CLN 102, fundos do bloco B
3326-3504

Ah, a lua…

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Ainda nem é maio, mas já está rolando o clima. Noites e manhãs geladas, o céu de fim-de-tarde desenhando uma nevoazinha que anuncia a seca que se avizinha, e com ela… Com ela vem chegando discretamente nossa personagem principal, nossa protagonista: a lua cheia redonda, a lua amarelo-queijo, a lua da seca, a nossa lua de Brasília.

Desde que este blog nasceu, quero escrever este post sobre o lugar ideal para se ver a lua nascer. Pra mim, a chegada da lua cheia é o evento mais imperdível de Brasília. Dá de mil na troca da guarda. Goleia a troca da bandeira. É “o” grande momento da nossa cidade. Tenho uma amiga paulistana que presenciou seu primeiro nascer de lua (da verdadeira lua brasiliense) de dentro do meu carro, em pleno Eixão – e posso dizer: ela parecia abduzida.

Desde que descobri o Clube de Astronomia, encontrei a fonte perfeita na minha busca pelo observatório ideal. Então, com a palavra, Maciel Sparrenberger, um dos responsáveis pelo clube:

“O lugar ideal para ver a lua nascer é qualquer ponto alto da cidade que tenha o horizonte leste desobstruído, sem prédios ou árvores. O alto dos prédios de regiões em declive, como a Asa Norte, podem render bons observatórios”, explica ele. Entre os lugares públicos, a plataforma superior da Rodoviária, por exemplo, é um bom ponto – mas nada recomendado em termos de segurança.

Maciel aposta também nos monumentos propositadamente construídos nos pontos considerados os mais altos de Brasília e do DF: a praça do Cruzeiro, atrás do Memorial JK, e a região onde foi construída a Torre Digital, no caminho para Sobradinho – que, embora não seja aberta à visitação durante a noite, oferece garantia de boa visibilidade mesmo da altura do chão.

A previsão do tempo para hoje não é das melhores: céu parcialmente encoberto. Mas ainda assim, como primeiro dia oficial de lua cheia, fica o convite: vamos ver a lua nascer?

PS: E vocês, hein? Onde vocês gostam de ver o nascer da lua?

Bora?
Segundo o Weather Channel, a lua cheia de abril faz sua estreia hoje às 17h54. Se ontem já estava linda, imagina só hoje.

Praça do Cruzeiro – Eixo Monumental, ao lado do Memorial JK
Torre Digital – Estrada Parque Contorno, Grande Colorado, Sobradinho. Aberta à visitação  apenas aos finais de semana, das 9h às 17h. Informações: 3321.7944

* A linda foto é da @moraesgeorgia

Swing, rock, sinfônica: tudo ao mesmo tempo agora

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Aqui vai um aviso: não invente farra por hoje. A maratona de shows não acabou – e, a partir de amanhã, você vai precisar de energia. Shows legais e de graça – e sem precisar passar pela gincana dos ingressos porque é de graça mesmo, em lugar aberto, é só chegar e se juntar.

Amanhã rola mais uma Noite Cultural no T-bone, a impensável mistura de açougue e centro cultural tipicamente brasiliense. O convidado da vez é o swingman Ed Motta, que vem acompanhado da Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional. A julgar pelo casamento maravilhoso do erudito com o popular que vimos na Esplanada no domingo, quando a Orquestra tocou com Hamilton de Holanda e Milton Nascimento, o encontro promete.

No final de semana, o projeto Toca Raul!, que reuniu uma boa turma no CCBB final de semana passado, está de volta. Como no domingo que passou, a fórmula é reunir músicos em releituras de alguns sucessos do roqueiro psicodélico. Neste domingo estarão entre nós Zeca Baleiro, Katia B, Marcelo Nova e O Terno, além da DJ Vivi Seixas.

E aí? Estão dentro?

Bora?
Noite Cultural T-Bone com Ed Motta e Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional
Amanhã, 25/04, a partir das 19h
Açougue Cultural T-Bone – SCLN 312, Bloco B, Loja 27
3963-2070

Toca Raul!, com Zeca Baleiro, Katia B, Marcelo Nova e O Terno, e DJ Vivi Seixas
Domingo, 28/04, a partir das 16h
CCBB – SCES, Tr. 2, Conjunto 22
3108-7600