A descoberta das passarelas

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Bem mais que os nossos, os olhos infantis possuem a sagrada capacidade de se surpreender. De reconhecer quando se deparam com algo novo – e de manifestar o entusiasmo que merecem as novidades, de celebra-las, emprestando para os adultos que têm a sorte de conviver com crianças rápidos momentos mágicos de encantamento, que os mais espertos de nós não deixarão nunca de aproveitar.

Foi com sacrifício que convenci meus filhos a dar uma volta de bike ontem no Eixão – e com mais sacrifício ainda que eles foram lenta e pacientemente tangidos no caminho de volta (quem disse que Brasília é plana nunca tentou convencer dois pequenos de seis anos, com sede e com fome, a subir do Eixão à W3 em pleno meio-dia).

Mas no meio do caminho havia uma passarela subterrânea. Ou um parque de diversões, a julgar pela reação deles.

Não sei se foi pelo território inusitado, subterrâneo, que eles jamais haviam notado na paisagem, ou se pela graça de brincar de eco enquanto cantavam e pedalavam e apostavam corrida pelo túnel afora – mas as passarelas subterrâneas foram sensação entre meus jovens ciclistas.

Capturada pelo momento de novidade deles, peguei emprestados os olhos novos de criança: olha, nunca tinha reparado nessa curva que o desenho do teto da passarela faz na entrada. Elas estão até limpas, hein?, essas passarelas subterrâneas. E todas pontuadas por street art – algumas, bem interessantes. Será que é seguro passear por aqui também durante a semana?

É o exercício para a semana que começa: que nossos olhos não percam nunca o hábito de procurar o novo e o instigante na beleza que, de tão cotidiana, se torna invisível. E disso, sinceramente, Brasília é um prato cheio.

Bora?
Como é mesmo o nome dessas belezas de flores que estão florindo em pleno outono? E por falar em outono, já reparou como as folhas e flores das árvores que caem levadas com o vento se parecem com uma neve colorida e tropical?

8 respostas em “A descoberta das passarelas

  1. Interessante esse post aqui hoje, sabia? Semana passada estava conversando com uma amiga exatamente sobre isso, de como é importante manter esse olhar curioso e ingênuo, o olhar infantil. E naquele dia e hoje um trecho do poema do Cairo ilustra perfeitamente o que queremos dizer:
    ” O meu olhar é nítido como um girassol.
    Tenho o costume de andar pelas estradas
    Olhando para a direita e para a esquerda,
    E de vez em quando olhando para trás…
    E o que vejo a cada momento
    É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
    E eu sei dar por isso muito bem…
    Sei ter o pasmo essencial
    Que tem uma criança se, ao nascer,
    Reparasse que nascera deveras…
    Sinto-me nascido a cada momento
    Para a eterna novidade do Mundo…”

    Beijos!

  2. As flores de agora são da paineira (ou “barriguda”). Quando vierem os frutos da árvore, vai ver que eles contêm uma espuma no interior que, quando começa a cair, também parece neve 🙂

  3. Eu sempre ia a pé de casa, na 207 sul, ate a aliança francesa, a Juilio Adnet e o IBI, que eram laaaaa depois da W3. Alguns amigos atravessavam o eixao , mas eu sempre fui pela passarela, nao sem sempre sentir um medo de ser assaltado, o que ocorreu, claro, umas duas vezes ou de me deparar com um cheiro bizarro de mijo e cocô. com o tempo, lembro bem, isso foi melhorando. Na Asa Nrote desobstruiram varias passarelas. E nas quadras onde tem estação de metrô na asa sul, sem ser ufanista, mas atravessar o eixao por baixo é de dar inveja a qualquer cidade de primeiro mundo. Tem ate escada rolante, hehehe.. Nessas passarelas onde tem metrô, o que me dá dó é ver um monte de espaço onde deveriam ou poderiam ter lojas complemtante vazios. Fico sempre intrigado com isso, poeque alil é um plugar de passagem, certamente um comercio qualquer como banca de revista, quiosque de comidas ou coisa parecida teria condições de se manter e deixaria o lugar com mais vida. As passarelas rejuvenescidas seriam apenas mais um dos tantos ganhos obvios que a cidade teria com investimentos no transporte publico decente, no caso o metrô. O buraco ja ta ali. É só os caras quererem.

    Beijocas

  4. Entendo muito bom esse sentimento. Sempre que atravesso a passarela de bicicleta paro para fotografar pois a luz que entra ali sempre me fascina. E esse sentimento de novidade, novos ares que nos faz renovar diante a rotina do dia a dia. É por isso que vez ou outra quando estou de carro e entro em uma quadra que nunca entrei antes bate aquele sentimento de nostalgia, de quando éramos crianças e tudo na cidade era novo e desbravador. 😉

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