Quinze anos depois, o amor bateu

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A primeira vez que fui pra Chapada rendeu uma cena clássica. Em meio a uma caminhada de duas horas, sol a pino em plena seca, meu grupo escalava umas pedras, numa parte íngreme da trilha. Eis que peço a um amigo, esbaforido como eu, um papel higiênico que estava dentro da mochila dele. Ele me olha com uma cara de: nossa, ela deve estar muito mal pra pedir isso AGORA.

Ele se equilibra nas pedras, limpa o suor do rosto, tira a mochila, tira o garrafão de água, tira a maçã, tira o repelente, graças a deus encontra o papel higiênico e joga pra mim. Eu pego o papel, arranco um pedaço e, sim, limpo a minha calça, que estava com uma leve manchinha de barro.

O horror nos olhos do meu amigo marcou a nossa amizade e faz a gente rir até hoje. O episódio revela, além do meu nível de frescura, como era a minha relação com o cerrado aos 19 anos: achava lindo, de longe. O mato, pra mim, era só mato. A cachoeira, antes de linda, era muito gelada. Eu olhava a superfície, meio dura e áspera, e não enxergava a delicadeza por trás.

Agora, aos 34, reencontrei o cerrado em uma viagem inesquecível a Cavalcante, a 4 horas de Brasília. Um pouco mais longe do que Alto Paraíso, mas ainda muito mais lindo. Lá, em uma casa incrustada no meio do mato e cercada pelos cânions da Chapada, o amor bateu.

E como não bater? Pensa bem: rochas gigantes, silêncio absoluto, um rio de água transparente, araras e tucanos voando,um pôr-do-sol rosa choque e um céu com todas as estrelas do universo, incluindo as cadentes.

Pra completar, a sutileza do cerrado, que parece monocromático mas não é: explode de cor nos detalhes – e o que importa nessa vida são os detalhes, afinal. Como diz uma amiga querida, a beleza do cerrado é pra quem sabe ver. E pode demorar um pouco, mas a hora de enxergar vem.

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Bora?
Aproveita o início da seca, quando não tem mais risco de tromba d’água e, ao mesmo tempo, o cerrado ainda tá verdinho, e corre pra lá!
Eu fiquei em uma casa, mas me indicaram essa pousada em Cavalcante, dá uma olhada: Vale das Araras. Quem tiver mais dicas de hospedagem, deixa nos comentários que a gente agradece. =)

10 respostas em “Quinze anos depois, o amor bateu

  1. vale das araras sem duvida é o melhor lugar de ficar! Richard – o dono , alem de fotografo é super cuidadoso e gente fina! Se for a cavalcante, nao deixe de experimentar a cerveja artesanal de la, arace, apesar de nao ser a melhor, é legal a experiencia! Dps de trilhas lindas, como a sta barbara, na comunidade kalunga, é hora de parar p comer um pf delicioso no hernandes, em frente a praça e tomar uma gelada! A noite, leve seu vinho e va para a pizzaria (ex pizza roots) e prove a de gorgonzola com abobrinha! Dps curtir o som do karajazz, das djs residentes lara e karla. delicia é cavalcante!

  2. Recentemente, meu companheiro e eu voltamos à Chapada, depois de muitos anos. Já conhecíamos a Vila São Jorge e optamos por ficar em Cavalcante dessa vez. Também decidimos escolher uma pousada que nos oferecesse conforto, bom café da manhã, boa localização e por um preço não extorsivo. Nossa escolhida foi a Pousada Morro Encantado (http://www.pousadamorroencantado.com.br/frames-index.htm) e não nos decepcionamos.

  3. Pingback: Hospedagem na Chapada? Pergunte-me onde | quadrado

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