Quer ouvir a nova voz de Brasília?

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Na Brasília dos anos 90, ir pra show de banda conhecida era quase out. Da moda mesmo era apresentar pros amigos a banda incrível da galera da sua quadra que ninguém conhecia ainda – e que era simplesmente demais. Copiar fitinha, frequentar o Garagem, ser amigo dos músicos: nada mais in.

Fico toda nostálgica quando fico sabendo de festival de novos talentos – ainda quando ele atende pelo nome fofo de Festival de Música Candango Cantador e tem como missão específica fomentar a carreira dos músicos que vivem no Distrito Federal. Missão que, aliás, já é bem sucedida: basta dizer que Ellen Oléria foi a vice-campeã da primeira edição.

Só achei coisa legal fuçando pelo site (lindo, por sinal): a plataforma se propõe a conectar músicos, produtores e fãs, o evento é aberto a todos os estilos de música, é democrático ao ponto de prever uma categoria para a música eletrônica, as seletivas foram feitas em Planaltina – o que estimula a produção cultural longe do centro – e prevê um formato bianual para que, quando não estiver celebrando e festejando, o festival se encarregue de promover os novos talentos selecionados no ano anterior. Tudo redondo, muito bem pensado.

Fones de ouvidos a postos, navega aqui pelo som dos quinze finalistas. Gostei de tantos, de tantos estilos diferentes, que desisti de indicar meus favoritos…

Agora cereja no bolo: a final acontece este domingo, no espetacular espaço externo do Museu da República, com show de encerramento dos Mutantes. Quer mais? Tem: o evento é gratuito e aberto a todos, mas a produção do show está sorteando dois convites para a área vip pros nossos amigos do blog. Como sempre, pra participar é só comentar com nome e e-mail.

Vejo vocês no findi?

Bora?
Final do Festival de Música Candango Cantador
Apresentação dos 15 finalistas, premiação e show de encerramento dos Mutantes
Sábado, 3 de agosto, a partir das 20h
Área externa do Museu da República
Entrada gratuita. Pulseirinha vip para sortudos.

Brasília me recebeu com flores

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Foi assim que Brasília me recebeu, depois dessas longas férias: apesar dos sintomas irrefutáveis de secura – ou talvez por causa deles – os ipês estão por aí, espalhando poesia pelo céu e pelo chão. Cheguei na hora certa: os cor-de-rosa chovem, os amarelos explodem. Linda sincronia.

Encontrei a cidade a toda – e eu ali, meio por fora. Ah, é?, tem show do Tom Zé? E tem feirinha de discos? Nossa, nem sabia. Mas ficar longe tem suas vantagens: a mim, viajar serve para ver a vida em outra perspectiva. E eu, quem diria, descobri muita coisa sobre Brasília estando fora dela.

– Que existe um parque fofo que é a nossa cara na praia de Boa Viagem, em Recife. E que um bloco de carnaval muito engraçado e nada elegante compôs uma canção absolutamente impublicável a respeito.
– Que quem reclama do trânsito daqui nunca foi por aquelas bandas.
– Que nos queixamos injustamente da nossa falta de calçadas. Há capitais onde levar o bebê pra passear de carrinho é uma aventura impossível.
– Que o custo de vida é um problema generalizado no país.
– Que o medo da violência nos faz absolutamente e talvez exageradamente reféns. Ao contrário do que acontece em outras cidades, abdicamos do nosso direito de caminhar na cidade à noite – sem que os números justifiquem porque nos comportamos assim.
– Que, ao contrário do que eu pensava, a seca me atinge, sim. Respirar: #comofaz?

Tenho mais outras conclusões brilhantes, mas acho que a supracitada relação já rende polêmica o bastante!

E vocês, hein? O que aprontaram nesse mês que está terminando? E quais as boas pros próximos dias? Me contem aí porque, depois de um longo e divertido inverno, a gente acabou de voltar.

Voltamos já, fomos comprar maracujá

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Eu conheço pouca gente que gosta mais de férias do que eu. É impossível me deixar de mau humor nas férias. Eu fico rindo pras paredes. Não tem a ver com alívio de se livrar do trabalho – até porque eu gosto muito do meu trabalho. Aliás, eu adoro rotina.

Mas acho que é justamente por isso que férias me fazem tão bem. Encarar o dia inteiro pela frente como uma grande página em branco, em que você pode fazer absolutamente tudo – ou absolutamente nada – com ela. A graça é justamente isso: não ter repostas pré-concebidas. Não ter compromissos marcados. Decidir na última hora. Fazer o que der na telha – e é incrível como sempre dá na telha fazer coisas legais.

Isso pra dizer que o blog entra hoje em mini-férias coletivas. Eu e a Dani estaremos tão ocupadas nos divertindo que talvez venhamos aqui menos do que gostaríamos.

Para quem não está de férias ou não vai viajar, a cidade está cheia de coisas bacanas para fazer. Hoje tem show do Caetano, tem uma exposição-brincadeira do Playmobil muito legal rolando no Parkshopping, o Festival de Ópera ainda rola até domingo e a Tríade preparou uma programação especial da Trilha dos Azulejos pros pequenos conhecerem o trabalho de Athos Bulcão durante as férias.

Ou seja, motivo não falta pra vocês nem sentirem saudade da gente.

Divirtam-se!

Para quem transforma nossa hora do almoço em um inferno

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Prezado Senhor Fila Dupla,

Será que alguma vez, uminha só, o senhor reparou a longa fila de carros que se forma atrás do seu lindo veículo estacionado irregularmente – uma fila que pode chegar das 200 às 400, das 300 às 100; uma longa fila indiana de carros, que poderiam estar fluindo por uma segunda faixa, facilitando o trânsito da cidade inteira, não fosse a sua brilhante ideia de estacionar rapidinho bem em frente ao comércio de sua preferência, só para comprar pão fresco ou uma coisinha na farmácia?

Quem te disse que basta ficar atento às buzinas de um eventual motorista regularmente estacionado querendo legitimamente remover seu carro para que este gesto abominável não seja prejudicial para a coletividade? Qual é o seu problema com caminhar alguns passos e procurar vagas regulares dentro das quadras? Por que você insiste em achar que a sua urgência é maior do que a urgência dos outros? E do resto da cidade inteira?

Estacionar dentro da quadra não dói, é agradável, caminhar faz bem para a saúde. De quebra, você colabora para que todo mundo tenha um dia melhor, com um trânsito que flui.

Temos carros demais e o melhor seria que tivéssemos muito menos. Que caminhássemos mais, que déssemos mais espaço às bicicletas, ao transporte público, aos pedestres. Já somos muitos – vamos incomodar menos.

O que é público é de todos

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❤ Indiretas do bem: gente que fiscaliza a cidade que ama e bota a boca no trombone. ❤

Foi assim: Ricardo Montalvão, do grupo de amigos do Parque Olhos d’Água, viu uma obra estranha acontecendo dentro das dependências do parque. Falou com o amigo Luiz Rios, que é educador ambiental e também viu o parque nascer. Os dois gravaram este vídeo, que está rodando as redes sociais desde domingo.

Mesmo para quem não entende muito de legislação ambiental, como eu, parece meio errado ver toda aquela água limpa da nascente empoçada dentro daquele encanamento. Em pouco mais de dez dias, entraram com retroescavadeiras, instalaram manilhas, desviaram o curso da água. Mais esquisito ainda é ver que a obra ainda nem terminou e, bom, está rachando.

Pelo que os dois defensores do Olhos d’Água conseguiram descobrir até agora, o objetivo da obra é criar uma galeria para escoar águas da chuva, que causam tanto transtorno na Asa Norte durante o período chuvoso. Iniciativa salutar – mas que, para os ambientalistas, deveria ser feita com galerias de águas pluviais paralelas, independentes, sem comprometer as nascentes que dão nome ao parque mais querido da região.

De posse do vídeo, Rios e Montalvão conseguiram que a Polícia Militar Ambiental suspendesse a obra – pelo menos até que se comprove que ela possui todos os documentos exigidos para se construir em área de preservação ambiental. A Promotoria do Meio Ambiente do MPDFT também se envolveu, pedindo informações e providências do Ibram, que deveria ser responsável por qualquer intervenção no Parque.

Até mais do que levantar cartaz e fazer passeatas, são iniciativas assim que me fazem ter certeza de que vivemos realmente novos tempos. Em que finalmente nos demos conta de que o que é público é de todos, que com a máquina fotográfica do nosso celular e alguns telefonemas podemos realmente fazer a diferença – e fazemos.

“Vivemos num tempo em que já percebemos que o governo é incapaz de atender todas as demandas da sociedade – não dá para contar só com o governo”, diz Luiz Rios. “Quando estamos diante de uma situação de urgência, temos quase que a obrigação moral de ir atrás”.

Foto: Luiz Rios