O que é público é de todos

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❤ Indiretas do bem: gente que fiscaliza a cidade que ama e bota a boca no trombone. ❤

Foi assim: Ricardo Montalvão, do grupo de amigos do Parque Olhos d’Água, viu uma obra estranha acontecendo dentro das dependências do parque. Falou com o amigo Luiz Rios, que é educador ambiental e também viu o parque nascer. Os dois gravaram este vídeo, que está rodando as redes sociais desde domingo.

Mesmo para quem não entende muito de legislação ambiental, como eu, parece meio errado ver toda aquela água limpa da nascente empoçada dentro daquele encanamento. Em pouco mais de dez dias, entraram com retroescavadeiras, instalaram manilhas, desviaram o curso da água. Mais esquisito ainda é ver que a obra ainda nem terminou e, bom, está rachando.

Pelo que os dois defensores do Olhos d’Água conseguiram descobrir até agora, o objetivo da obra é criar uma galeria para escoar águas da chuva, que causam tanto transtorno na Asa Norte durante o período chuvoso. Iniciativa salutar – mas que, para os ambientalistas, deveria ser feita com galerias de águas pluviais paralelas, independentes, sem comprometer as nascentes que dão nome ao parque mais querido da região.

De posse do vídeo, Rios e Montalvão conseguiram que a Polícia Militar Ambiental suspendesse a obra – pelo menos até que se comprove que ela possui todos os documentos exigidos para se construir em área de preservação ambiental. A Promotoria do Meio Ambiente do MPDFT também se envolveu, pedindo informações e providências do Ibram, que deveria ser responsável por qualquer intervenção no Parque.

Até mais do que levantar cartaz e fazer passeatas, são iniciativas assim que me fazem ter certeza de que vivemos realmente novos tempos. Em que finalmente nos demos conta de que o que é público é de todos, que com a máquina fotográfica do nosso celular e alguns telefonemas podemos realmente fazer a diferença – e fazemos.

“Vivemos num tempo em que já percebemos que o governo é incapaz de atender todas as demandas da sociedade – não dá para contar só com o governo”, diz Luiz Rios. “Quando estamos diante de uma situação de urgência, temos quase que a obrigação moral de ir atrás”.

Foto: Luiz Rios

8 respostas em “O que é público é de todos

  1. Que bom que os posts voltaram. Achei que meu leitor de feeds estava maluco…

    É fogo, mas esse descaso ambiental em Brasília é tão gritante! Neste caso em especial, ao menos não tenta (aparentemente) atender aos interesses do mercado imobiliário. Mas veja Vicente Pires, Condomínios, etc… Não consigo achar a matéria agora, mas um especial recente do correio braziliense sobre uso da terra em Brasília mostrava algo em torno de 50% dos moradores vivendo em imóveis irregulares… Isto na capital do país… É mais do que vergonhoso. Alguns argumentam e criticam a lentidão do governo para resolver o problema habitacional, e que isso justifica as invasões. Não sei não, pois os bandidos que começam as invasões lucram horrores só por terem sido os espertinhos que começaram o “loteamento”. Enfim…

    Mas de fato é muito legal ver que nossa ação, registrando, ligando, etc, pode mudar algo de verdade!

    Estes dois videos que passaram no Cidades e soluções (infelizmente a Globo tirou do ar, acho que por serem muito antigos) dão uma ideia interessante do tamanho do problema (achei no archive.org e blip.tv):
    http://archive.org/details/Mcrost01-CidadesESoluesApontaPrincipaisProblemasDaPeriferiaDeBra990

    http://archive.org/details/Mcrost01-BolsesDeMisriaNaPeriferiaDeBrasliaContrastamComAOrgani207

    Não sei se vai dar pra ver, consegui assistir enquanto ainda tinha no portal da globonews….

  2. Clima estranho. Podemos aproveitar para dar voz as crianças que perderam o parquinho do Olhos d´Água. Alguém sabe do cronograma de renovação dos brinquedos?

  3. As manifestações nas ruas são sinais de um novo tempo. Lutas como a que fazemos em prol do Parque Olhos D’Água devem surgir com força e com a agilidade potencializada pelas redes sociais. Assim, veremos as coisas melhorarem.

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