Para quem transforma nossa hora do almoço em um inferno

tesourinha

Prezado Senhor Fila Dupla,

Será que alguma vez, uminha só, o senhor reparou a longa fila de carros que se forma atrás do seu lindo veículo estacionado irregularmente – uma fila que pode chegar das 200 às 400, das 300 às 100; uma longa fila indiana de carros, que poderiam estar fluindo por uma segunda faixa, facilitando o trânsito da cidade inteira, não fosse a sua brilhante ideia de estacionar rapidinho bem em frente ao comércio de sua preferência, só para comprar pão fresco ou uma coisinha na farmácia?

Quem te disse que basta ficar atento às buzinas de um eventual motorista regularmente estacionado querendo legitimamente remover seu carro para que este gesto abominável não seja prejudicial para a coletividade? Qual é o seu problema com caminhar alguns passos e procurar vagas regulares dentro das quadras? Por que você insiste em achar que a sua urgência é maior do que a urgência dos outros? E do resto da cidade inteira?

Estacionar dentro da quadra não dói, é agradável, caminhar faz bem para a saúde. De quebra, você colabora para que todo mundo tenha um dia melhor, com um trânsito que flui.

Temos carros demais e o melhor seria que tivéssemos muito menos. Que caminhássemos mais, que déssemos mais espaço às bicicletas, ao transporte público, aos pedestres. Já somos muitos – vamos incomodar menos.

9 respostas em “Para quem transforma nossa hora do almoço em um inferno

  1. Acho muito importante levantar a questao, mas duvido q vc nunca tenha feito isso uma vezinha só, que seja. Nao quer dizer que isso te impeça de levantar a bandeira. Quem sabe a polemica crie uma nova consciencia nos motoristas leitores. Quem tem bom senso, faz o maximo para evitar, da voltas e voltas na tesourinha (como eu), para na quadra se der. Mas as vezes a sua urgencia nao atrapalha tanto assim a urgencia alheia. Quer dizer q nesses casos pode? Dificil imaginar os comercios locais sem a classica fila dupla. Vcs devem conhecer o intuito original de L. Costa. Era deixar td virado pras quadras e que a rua fosse so embarque e desembarque de carga…. Mas o que viraram os comercios locais também contam um pouco sobre nosso modo de ser brasiliense. Que sonho mudar esse habito! Talvez ainda seja cedo demais….

    • Flavia, quem nunca, não é mesmo?! Pensei nisso quando escrevi este post: ele me dá a obrigação moral de nunca mais fazer isso! 😉
      Até porque depende de cada um de nós, e de mais ninguém, mudar esse hábito. Não é um sonho distante.
      Eu acho – e acho mesmo – que o trânsito que se forma nas quadras na hora do almoço é motivo o suficiente para que todo mundo comece a agir já. Nunca mais fazer, principalmente na hora de rush, e nunca mais tolerar este tipo de comportamento.
      Em hora de trânsito, eu acho que o governo devia multar, devia GUINCHAR esses carros que ficam estacionados em fila dupla. O que mais me revolta é que TEM VAGA. Já morei em cidade em que, de fato, não tinha. Em que você chega a andar vinte minutos para estacionar. Não é o caso em Brasília.
      Dentro da quadra sempre tem vaga. E na hora de trânsito, que é sempre de dia, não tem motivo plausível para não caminhar um pouco mais. É pura preguiça e o velho comodismo e egoísmo de sempre.

  2. Em Brasília temos o péssimo hábito de estacionar sempre muito perto dos locais para onde vamos. Eu posso dizer que nunca parei em fila dupla. Primeiro, acho desrespeitoso demais e morro de vergonha. Segundo, tenho medo de ser multada de repente (às vezes eles passam multando de surpresa. eu já vi). Terceiro, sempre paro nas quadras para evitar os guardadores de carro e acho muito interessante ser “obrigada” a conhecer as quadras. Mas o hábito da fila dupla é horrível. Em Brasília ainda é civilizado. Vi coisas inimagináveis no Rio de Janeiro. Enfim, questão de educação. Minha filha de 5 anos não me deixa estacionar se não tem “uma vaga pintada no chão” 🙂

  3. Pois eu nunca! Há 9 anos morando em BSB e nunca me acostumei com esse hábito horrível. O unico lugar em que o meu carro fica “solto” é no trabalho, com o guardador, que tem a chave, por ser simplesmente impossível empilhar os carros no estacionamento dos Ministérios. E nunca fiquei sem vaga nas quadras, basta caminhar. Tem gente tão abusada que, de manha cedinho, com vagas sobrando do outro lado da rua, insistem em estacionar em fila dupla na porta da padaria. É um enorme desrespeito. A solução, para mim, passa por instalação de parquímetros, como existem em Porto Alegre, e de câmeras, como em Londres, onde, em frente da minha casa na época, bastava o cara parar 2 minutinhos que já vinha um policial multar e guinchar. O uso do espaço publico como se fosse privado é um problema serio em Brasília – vide as milhares de faixas de anuncio poluindo a cidade.

  4. Apoiada. Eu nasci em Brasília, Taguatinga na verdade, mas freqüento o plano piloto desde a época da faculdade e me orgulho em dizer que NUNCA parei em fila dupla. Ja desisti de parar em alguns lugares por nao achar vaga, mas nao estaciono de jeito nenhum justamente pq me incomoda esperar que seja 30 segundos para alguém tirar um carro estacionado irregularmente atras de mim. É muito comodismo das pessoas e pouca preocupação em perturbar o próximo. Pq tem gente que se acha tão importante que nao pode caminhar 5 minutos para chegar ate o carro?

  5. Esse texto é para ser aplaudido de pé! E eu que achava que só eu ficava indignadíssima com esse péssimo hábito de tantos motoristas brasilienses! Já vi gente estacionando em fila dupla em frente a uma vaga vazia! Ou seja, a toupeira não entra na vaga e nem deixa que outra pessoa a use! É muita preguiça, ou muita falta de bom senso…ou os dois, mesmo!

  6. Que bom ler a respeito disso aqui! Às vezes acho que estamos caminhando para a barbárie no trânsito. Já fui fechada umas 3 vezes por gente que desce do carro e não volta tão cedo. E você, que parou na vaga certa, tem que esperar 15, 20 minutos para que a outra pessoa tome vergonha e venha tirar o carro. Já liguei para a polícia, que me disse que não poderia fazer nada. Tem de tudo atualmente: gente que vira no meio da quadra, ao invés de dirigir um pouquinho mais e fazer o balão, que vira nas tesourinhas para “cortar” caminho, e que estaciona nas curvas de entrada das comerciais. O que acho mais trágico é o pessoal (que vejo todos os dias!): em nome da pressa para caminhar no parque Olhos Dágua, deixa o carro na curva, ao lado do balão, fechando uma pista da comercial. Se caminhar é saudável, porque não parar o carro em um lugar decente, um pouco mais longe, dar uns 100 passos a mais, e contribuir para a vida coletiva… eu não entendo. Definitivamente.

  7. E eu, chegando em BSB agora, fiquei indignada quando vi isso. Onde está o que chamamos em São Paulo de CET???? Ou seja, o “guarda de transito” que deveria estar ajudando a organizar o transito e multar aqueles que que desrespeitam o próximo e a civilidade da cidade?

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