#vemproparquinho

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Uma mãe e um filhinho, um sábado de sol, um parquinho instalado numa área pública na 204 Norte. Imaginou a cena? Agora imagina que de repente desce uma moradora dizendo que o parquinho (daqueles de plástico) foi comprado pelo condomínio e que aquela criança não tem o direito de brincar ali.

A mãe que estava num momento feliz com o filhote dela ficou tão chateada – e todos os amigos dela também – que fez uma carta para o condomínio, criticando a atitude, e espalhou um convite, que virou viral, para que todo mundo participe de uma visita coletiva ao parquinho neste sábado de manhã. Bora?

Há muito tempo que quero abordar este tema por aqui. Já encontrei parquinhos instalados em área pública fechados a cadeado na SQN 202 e na SQSW 303 – e quase infartei de raiva. Cheguei a entrar em contato com o GDF e com o Ministério Público, mas ninguém nunca deu muita bola – até porque existe uma eterna polêmica sobre se os jardins dos prédios são áreas públicas ou se são das construtoras.

Para mim, sinceramente, isso importa pouco. A menos que o parquinho esteja trancado numa sala de jogos (que pena dessas crianças…), na boa, ele é de todo mundo! É da cidade! É seu, meu, nosso! Tem alguma coisa mais triste que um parquinho vazio?

Além de convidar todo mundo a visitar o parquinho da SQN 204 amanhã de manhã, quero convidar também pessoas legais, que moram em quadras, condomínios ou ruas que têm parquinhos legais, e que acham que não tem nada mais legal do que um parquinho com crianças brincando e se divertindo, a compartilhar seus parquinhos. A compartilhar informações sobre parquinhos legais e que estão de braços abertos para a alegria.

Já começo fazendo propaganda do meu quintal: quer conhecer o parquinho da SQN 304? Ele é todo de madeira, bem legal, ensombreado por uma árvore fofa que tem até uma plataforma que funciona como casa na árvore! Super legal!

#vemproparquinho!

Descubra o enigma e ganhe…

nicolas

Hoje segui um conselho da Carol e fui ao viveiro do poeta. Saí de lá, claro, com planta e poesia.

No livro Brasífra-me, lançado neste ano, Nicolas Behr escreve poemas-enigmas, cada um sobre um local ou pessoa ou paisagem da nossa cidade. Ao final, uma lista com a resposta de todos os mistérios e um lembrete: “A dúvida é sempre mais importante do que a resposta”.

Para o seu fim de tarde, aí vai um poema, um enigma e um presente. Quem decifrar primeiro ganha um… (adivinhe esse mistério também).

em pé co
ma
um pe
da ci
nh  oc!

tradicional
na cidade
sem tradições

É isso o que chamam de vanguarda

 

Plano B trouxe, pra mim, o maior presente do Festival de Cinema deste ano – independente de qual será o resultado de logo mais.

Sem o filme de Getsemane Silva, eu nunca teria conhecido este outro documentário de 1967, “Contradições de uma cidade nova”, que me leva pra dentro das fotos da minha infância, me entristece pelos mais de quarenta anos que se passaram sem mudança de perspectiva no nosso abismo social – e me impressiona em muitos outros sentidos.

Pela beleza das imagens, pelo rigor na apuração, pelo ritmo narrativo, pelo texto que foge do piegas e, principalmente, pela profundidade do posicionamento do documentarista diante dos dilemas da cidade recém-nascida, “Contradições…” parece que foi rodado ontem.

Não: descortinando uma cidade impressionantemente deserta, ele parece mesmo rodado há mais de quarenta anos – mas pelo olho de um visionário, de alguém muitos anos à frente do seu tempo.

Dá o play aqui, vai. E deixa a última frase dessa grande novidade de 1967 remoer no seu coração de brasiliense dia e noite – até a gente virar esse mundo em festa, trabalho e pão.

Me sinto morando num Classificados

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Este poderia ser um post sobre as faixas irregulares de Brasília – mas não. Já falamos sobre isso e continuamos acompanhando com fé o trabalho das tesouras mais rápidas do Centro-Oeste, que fazem um trabalho de formiguinha mais eficaz que o do governo na tentativa de coibir essa prática horrorosa.

Mas as faixas são, aqui, só uma alegoria. Porque este post é um manifesto contra a enorme influência do mercado imobiliário na pauta das nossas singelas vidas brasilienses.

Queridos amigos, eu não aguento mais conversar, ouvir falar, ver, esbarrar em faixas, receber panfletos sobre venda, compra, reforma, investimentos e assuntos afins. Eu não aguento mais encontrar o quiosque de uma construtora quando estou andando de bicicleta no eixão. Eu não aguento mais viver cercada de gente que passa os dias a economizar seus centavos para comprar um apartamento, colocar móveis planejados, comprar outro maior ou investir em um terreno.

Cadê meus amigos empreendedores? Cadê as pessoas que querem mudar o mundo? Cadê a turma que dorme e acorda pensando em como renovar o rock brasiliense? Cadê o grupo empresarial que vai investir pesado para transformar Brasília no polo cultural mais pujante do país?

As faixas me entristecem diariamente, mas sei lá se é só porque elas enfeiam a cidade esteticamente. Acho que é mais porque elas enfeiam a cidade subjetivamente – se elas fossem de declaração de amor, se elas fossem de alguém que propõe um coletivo de autores literários ou de uma banda que busca um guitarrista novo talvez eu nem me importasse tanto.

O mundo é grande, a vida é imensa, tem um montão de coisa aí esperando ser feita. Para que cada um de nós tenha uma vida mais interessante – e a cidade, no final das contas, se torne um lugar mais interessante também.

Feijoada fresca, pero no mucho

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Se eu sou fresca com feijoada, não deveria sugerir uma feijoada pro seu sábado, certo? Errado. Porque esta vai ser uma dica fresca de feijoada mesmo, assumida e bem resolvida. E pra ficar mais politicamente correta ainda, ela vai vir com um programa cultural junto.

Calma. Fresca, pero no mucho. A feijoada do Bistrô Bom Demais, que fica no CCBB, vem em uma panelinha de ferro que satisfaz duas pessoas com uma fome dentro dos padrões médios da humanidade. Eu só como o feijão, a linguiça e o paio, mas também encontrei pedaços não identificados do porco ali dentro. Ou seja, satisfaz clientes corajosos.

Arroz, couve, laranja, toucinho crocante e farofa. Tudo o que se tem direito, com parcimônia, mas com muita caloria e felicidade, e por um preço razoável: R$ 50.

Depois desse almoço levíssimo, você aproveita e dá uma caminhada pelo CCBB e vai ver a exposição “Um olhar sobre o Brasil – A fotografia na construção da imagem da nação”. Entre as fotografias que fazem parte da coletânea, estão algumas ótimas do início de Brasília.

Bora?
Bistrô Bom Demais
Feijoada aos sábados, das 12h às 17h.
R$ 50, serve duas pessoas.
CCBB – tel. 3108-7029

Um olhar sobre o sobre o Brasil
A exposição fica em cartaz até o dia 20 de outubro
Terça a domingo, das 9h às 21h

Vem matar essa saudade

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Ah, Cine Brasília. Que emoção te reencontrar.

Parece que foram cem anos que você passou fechado. Parece que faz mil primaveras que não vejo seu painel vintage estampando uma programação quase sempre hermética – e por isso mesmo fundamental.

Hoje é sua grande noite. Você vai estar mais lindo do que nunca – não só pela reforma merecida, atrasada, imperfeita, mas principalmente porque todos nós, emocionalmente ligados a você, estaremos lá para matar as saudades.

Na semana passada, infiltrei o Festival do FAC só para te ver de roupa nova – e, olha, foi muito bom te rever. De poltronas novas. De ar condicionado novo. De sistema de projeção antigo, né?, porque parece que ninguém nunca pensa no mais importante. A iluminação indireta da sua última fileira – tinha quase esquecido do seu maior charme.

Eu quero, sim, ver os filmes todos. Tem amigos competindo este ano. Tem filmes que eu estou doida pra ver há tempos. Mas eu quero principalmente te reencontrar, Cine Brasília.

Conversar sobre cinema, sobre Brasília, sobre eu e sobre você. Como nos velhos tempos.

Bora?
A programação completa deste lindo reencontro está aqui

Super-heróis das superquadras

diegobresani

Já disse isso outra vez: tem coisas que a gente quer compartilhar aqui e que dispensam longos comentários. O ensaio Super-heróis das Superquadras, do Diego Bresani, de quem a gente já falou por aqui, é desses.

O Diego fez um ensaio fotográfico incrível com os porteiros da infância dele. Fotos impactantes acompanhadas de reflexões que falam tudo sobre o que é viver e crescer em Brasília – e sobre os dilemas sociais desta cidade, que não passam, não saem, não aliviam.

Veja as fotos. Leia o texto. E, por favor, guarde a criança que existe em você.