Sobre ser solteiro em Brasília

421729_10150607079102097_761547982_n

Giovanni, mudar de cidade e recomeçar a vida em outro canto é difícil mesmo. Diogo, posso dizer de causa própria: voltar é ainda mais desafiador. Mariana, às vezes, procurar um parceiro é mesmo desanimador – quem nunca teve um coração quebrado que atire a primeira pedra.

Mas, por favor, não acreditem nos que te dizem que é um problema de cidade. Desconfie de quem coloca todos vocês sob o mesmo (antiquado) rótulo. Mais: não acreditem nos que encaram a decisão de estar solteiro como um problema.

Pegaram um dado isolado, que diz que 51,7% dos que vivem aqui são solteiros, e transformaram isso num sinônimo para cidade desagregadora, que dificulta relacionamentos. Por favor, alguém me explica qual a ligação desta estatística com a conclusão de que toda esta gente está desesperada e infeliz – porque o simples número de solteiros somado a algumas entrevistas não sinaliza nada. Na melhor das hipóteses, é desespero para fechar uma pauta.

Seja como for, não acreditem neles.

Se identificar com essa mentira é acreditar que já era. É se fechar numa bolha de amargura em que muitos vivem – e para onde parecem procurar cúmplices. Gente para alimentar a má reputação de uma cidade que é adorada por 59% de seus moradores. De onde 72% de seus habitantes não pensam em sair por nada. Isso, ironicamente, segundo pesquisa realizada meses atrás pela mesma publicação.

Cidade de gente que tem uma turma de infância, outra turma do inglês, uma turma da escola, outra turma da faculdade. Cidade que casou muito mineiro com gaúcho, brasiliense com francês, carioca com pernambucano – isso há já algumas gerações.

Lugar de gente que inventou uma plataforma virtual para fazer as pessoas se conhecerem e interagirem entre si. Cidade de gente que inventa eventos para agregar pessoas, fazer a gente dançar, celebrar a paisagem da cidade.

A menina não ligou no dia seguinte? Liga pra ela! Um conhecido de vista não te cumprimenta na night? Fala com ele! O carro te segrega do mundo? Cara, vai de bike! Vai de busão! É possível!

Colocar a culpa da sua vida sentimental na cidade? Jura? Meu facebook ontem pipocou de conselhos: “é falta de grana pra terapia”, analisou o Felipe. “Se mexe, santa”, orientou a Fernanda.

Eu dou outra ideia: bora pegar leve com Brasília – e, na boa, com qualquer outra cidade onde a gente vá morar. Já temos idade suficiente pra saber que a vida é resultado do que a gente faz dela. Aqui ou na China.

Não acredita em gente amarga, não. Deixa eles lá na bolhinha deles – e vem ser feliz com a gente.

120 respostas em “Sobre ser solteiro em Brasília

  1. Olá estou na China e posso falar que mesmo não falando a língua deles, não tendo carro e não sendo rica , rs, consigo sim sair e me relacionar com um grupo que faço questão de encontrar ao menos 2 vezes por semana! As nossas escolhas que ditam a vida que temos . Não importa em que lugar ou cidade a pessoa vive, importa o que ela faz para interagir . As vezes é necessário sair da defensiva e ver que relacionar é gostoso e todo inicio de relacionameto é meio estranho, mas pode ter bons frutos 😉

  2. Carol!!!!! Parabéns!!!! Não só por esta matéria mas por todas as outras que vi rapidamente e pude notar a genialidade da sua escrita. Temas sempre muito interessantes com toques de humor e sofisticação muito pessoal, autêntico. Quero te parabenizar e dizer que você conseguiu uma coisa muito importante: VOU CONHECER BRASÍLIA! Sempre que me convidavam eu sempre tinha a mesma resposta – não tenho o menor interesse de conhecer Brasília – agora estou super curiosa e tão logo se apresente uma oportunidade estarei aí para conferir suas dicas. Mais uma vez parabéns pelo trabalho extraordinário e delicioso. Infelizmente não sou nenhuma crítica literária, sou simplesmente uma analista pedagógico que mora no interior de Minas mas que gosta de coisas boas que a tecnologia pode colocar em nossas vidas em qualquer cantinho do mundo.

  3. Olha, eu concordo que temos todos idade suficiente para saber que somos responsáveis por nossa vida e 95% do que foi publicado aqui. No entanto acredito que Brasília continua sendo uma cidade na qual as pessoas não têm o hábito de se relacionar com desconhecidos de forma amigável e aberta assim como não têm o hábito de usar o espaço público. Existe uma visão bem elitista, de que só vai para o parque “curtir” eventos públicos quem não tem grana e isso se estende para utilizar serviços públicos.

    Existem sim cidades nas quais é mais fácil conhecer pessoas novas pois há o hábito cultural de se relacionar; não é tudo tão fechado em uma “bolha” como em Brasília.

    Olha, sou brasiliense e morei uma boa parte da minha vida aqui e foi um dos lugares mais difíceis de conhecer pessoas e utilizar espaços públicos.

    Nada é tão preto e branco; tanto no artigo da vejinha (artigo bem mimimi e azedo, diga-se de passagem) como nesse post.

  4. Eu concordo com muita coisa desse texto e também acho que sempre é uma questão de atitude se relacionar com gente nova. Mas é inegável que uma das provas que o brasiliense médio (e generalizar é falar de maioria, não de 100%) dificulta qualquer conversa tá na opinião de mts comentários: “não gostou? Vaza!” Bem, é óbvio que se você teve uma infância e uma adolescência em uma cidade, seja ela em Brasilia ou Pindamonhagaba, vc vai fazer mt amizade. Quando mt gnt tá na defensiva percebe-se uma falta de disposição em lidar com o outro e trocar argumentos. Pra quem vem de fora e tá acostumado a trocar uma ideia numa fila, é bem fácil sair com um sentimento de rejeição. (Enfim, neeeem sempre, eh so uma questao de tirar a media) Já sobre os milhares de recém concursados que chegam aqui eh outra história tb… Muita gente só ta interessada em trabalhar e vazar msm…

  5. Caramba, que repercussão pessoal! haha

    Bom, participei da matéria. O engraçado é que eu sou o único comprometido, mas ainda sim achei relevante.

    Não sei exatamente o objetivo exato da matéria, mas o que me fez participar dela foi muito simples e nada polêmico. Mostrar que as pessoas de Brasília são um pouco mais fechadas que em outros lugares do país. E isso não é o fim do mundo. Eu amo Brasília, não pretendo sair daqui pra nada. Não estou solteiro, mas se estivesse, como estive por muito tempo, estaria muito bem. Só acho que foi uma matéria curiosa, informativa, e talvez até sugestiva. Prefiro vê-la como uma oportunidade de fazer você estar mais aberto a novas amizades. A dar mais sorrisos e “Bons Dias”. Isso pra mim faz a diferença.

    Minha mera opinião.

    Valeu,
    Kelvin Braz

  6. Concordo com muito do que foi escrito, mas para pessoas como eu que não nasceram aqui e portanto, não tem amigos da antiga escola e nem da turma do inglês e estou construindo aos poucos da turma da faculdade, para pessoas como eu, não Brasília, mas as pessoas são segregadoras sim, vivi e vejo isso diariamente. Já morei em outros lugares também e sim, tem diferença, as pessoas aqui são mais fechadas e penso eu que por existirem os grupos bem definidos de quem nasceu aqui se torna difícil o acesso de outra pessoa recém chegada, não estou generalizando, só acho que tem muito fundamento dizer que é difícil se relacionar em Brasília, não com Brasília, mas em Brasília. Mas Curitiba é bem mais, garanto a vocês!
    Vou completar meu quarto ano em Brasília, hoje já amo muito esse lugar e às vezes viajo e sinto falta daqui, do clima, embora seco me agrada, do jeito de viver que tem quem mora em Brasília.

    =D’ Tarde boa!

  7. Bem, eu fiz parte da matéria também e a primeira coisa que disse quando entraram em contato comigo dizendo a proposta foi: mas eu não acho isso.
    Estou solteira porque estou. Porque não ando sentindo borboletas no estômago, e isso nada tem a ver com a cidade. Mas isso não anula o fato das pessoas aqui serem mais fechadas.
    Não é toda a população, e nunca será!

    Leio o blog e vejo que você divulga eventos que eu adoro frequentar, exatamente pelo “clima de amor”, mimosa, picnik e por aí vai. Inclusive, adoro o blog. Mas, pelo menos eu, também conheço outro “quadradinho” dessa Brasília, aonde bacana é comprar um Schultz por mês e baixar o combo da bebida mais cara da boate. E se você morar numa casa bem grande no lago, melhor ainda.

    Pode não ser a nossa realidade, mas não podemos negar que ela existe. No meu ponto de vista, Brasília tem dois mundos bem diferentes. E a frase: “eu faço amigos rápido” foi o resultado da edição para todo um relato sobre como eu tenho sorte de me relacionar com pessoas interessantes e queridas nessa cidade. E sim, jornalismo de massa precisa fechar pauta, editar o que lhe convém e escrever o que é vendável – na opinião de alguém. Isso não é nenhuma novidade, e eu acredito que pessoas com um pouco mais de refino intelectual também possuem essa consciência.

    Eu amo Brasília, com aquele amor de quem sabe todos os defeitos do outro e ainda assim é capaz de amar. O transporte público é lamentável, a calçada acaba no meio do caminho, a vida noturna termina, quase sempre, às 2h da manhã e há pessoas mal educadas, individualistas e interesseiras (e nem os eventos que exalam amor escapam delas). Mas isso não me impede de cantarolar alto e desafinada por aí “céééééu de Brasília, traaaaaço do aaaaaarquiteto… gosto tanto dela assim” ou ainda “Deus, mas que cidade linda!”.

    Xô bolha de gente amarga! E xô redoma de vidro!
    Pois, como diz A Rosa do meu livro preferido de toda a eternidade, “é preciso que eu suporte duas ou três larvas se quiser conhecer as borboletas”.

    Enfim. Bora pegar leve com Brasília, bora pegar leve com a reportagem que escolheu focar um ponto de vista sobre um assunto. Bora pegar leve com as pessoas que fizeram parte delas. Acha que eu não quis morrer quando vi que saí na mesma reportagem que um ex-aspirante a BBB?!?!?! Mas, quer saber, e daí?
    É só uma reportagem, é só uma revista. Tenho histórias de relacionamento suficientes para escrever um livro. Não é um parágrafo que vai resumi-las fidedignamente!

    • Eu de entrevista, fiz fotos na Torre de Tv e não publicaram nada. Liguei pro repórter e ele nem atende. Acho um absurdo tomarem meu tempo e depois me descartarem sem dar explicação. Eu falei bem mal do povo daqui e nem uma linha. Renata, eu me identifiquei muito com o que vc disse na revista. Aqui as pessoas são mais fechadas mesmo. O povo é tão provinciano que essa reportagem gerou criticas pesadas no face. Queria ver se todas as vezes que um jornal falar que o paulista é rabugento a população iria perder tempo fazendo post do tipo “não acreditem nisso… E tudo mentira”. Agora convenhamos: sugerir que vá de buzão ou bike pra balada é foda! Queria ver esse repórter da Vejinha fazendo isso.

  8. Gostei da Matéria !!!
    …eu fui uma das pessoas que participaram da reportagem !
    Com o passar dos anos nós assim como a cidade de Brasília e suas Cidades Satélites vamos nos desenvolvendo (faz parte, Brasília é nova)
    espero que a cidade crie uma Cultura mais Sociável e Humana , porque linda ela já é !
    .Te AmO Brasília ! 😉

  9. Tá! Fiz muitas dessas sugestões muito “politicamente humanas e sensíveis” e….?????? NADA!!!. Brasília é isso sim e pronto! Coisas de cá….rsrsrsrs.

  10. Participei da matéria. Sou o cara que conheceu cada capital do país por força do trabalho, mas que hoje mora em Florianópolis. Gostei da reportagem. Não é porque o jornalista fez um juramento de imparcialidade que precisa apresentar simultaneamente todos os lados da realidade. Reportagens se fazem com abordagens, com perspectivas, com personagens, e é inegável que o cenário apresentado pelo repórter existe. Não foi inventado. Todo mundo já ouviu de alguém, seja dentro da cidade, seja em viagens pelo Brasil, que a capital federal é um lugar frio, onde as pessoas não conversam. Neste momento, também vai aparecer alguém pra dizer: “Já ouvi exatamente o contrário!” Lógico que ouviu! Existem diversas visões, diversas opiniões por aí… E um outro veículo de imprensa pode dar uma capa mostrando que “Brasília é a capital intergaláctica da pegação. Todo mundo trai, os casamentos não duram cinco anos, e a vida é uma festa.” Mais uma vez, vai ter gente subindo pelas paredes e levantando poeira vermelha pra defender o quadradinho, e dizer que a verdade é totalmente diferente.
    Ano após ano, cresce uma milícia radical no DF que defende a capital de qualquer tipo de crítica. Levam qualquer análise negativa sobre a cidade como ofensa pessoal e batem o pé quando dizem que não sairiam de Brasília pra nada. “Já que boa parte do Brasil critica, vamos ser a resistência.” E daí começa o ufanismo planaltino de dizer que o pôr do sol de Brasília é o mais bonito do Brasil, que o Lago Paranoá é a praia do brasiliense, que os bares são a alma da cidade, que o Parque da Cidade é o Central Park brasileiro… Só isso já mostra o quanto é destemperada a discussão.
    Faço um caminhão de críticas à cidade, mas também enumero uma enorme quantidade de elogios. Mas dizer que um forasteiro chega à capital federal e é bem acolhido, que conhece gente no bar, que anda no Centro da cidade e esbarra com pessoas interessantes, é mais um devaneio coletivo semelhante àquele que repete como um mantra que “não existe qualidade de vida como a de Brasília”.
    Dificilmente alguém de fora se apaixona à primeira vista por Brasília. Para quem chega no DF, o amor vai germinando, brotando, até que floresce. Comigo não aconteceu… Mas entendo que, com vários, tenha acontecido. Vou criticar? Claro que não! Vou torcer pra que sejam felizes para sempre…

  11. Concordo que o problema não é a estatística e que existe uma questão de atitude que permeia toda a questão. Mas o fato de Brasília receber mal ‘sozinhos’ forasteiros é concreto. Quem não faz parte da turminhá da escola, da quadra é segregado sim. É um lugar difícil de fazer amizades pra quem vem de fora sozinho sim, pra não dizer impossível. A maioria não sai daqui porque tem emprego estável, não por causa das maravilhas da cidade. Entendo que tem algum lado bom, senão não estaria aqui há quase quatro anos, mas me polpa de falar que Brasília é essa terra perfeita de gente amável. Não é mesmo.

  12. Brasília é uma cidade de gente ma, que tem preconceito de classe. Pessoas grosseiras, que não se misturam. Pobre não mistura com rico, nem casados com solteiros, nem gays com heterossexuais, nem homens com mulheres e por aí vai. Gente ruim, que não se gosta e se trata mal, e tratam mal quem não conhecem. E se você falar é ofendida na mesma hora. Tem que gostar de ouvir o povo contar vantagem, bater palmas e abanar o rabinho. Senão vai sentir a crueldade das ofensas dos brasilienses, que acham que são perfeitos e moram em uma cidade perfeita e não suportam ouvir críticas.

    • é verdade mas idaí! existe sempre um grupinho de boa índole! levante a sua bandeira para mudar realmente a diferença social é alarmante! mas não leve isso como um problema a se relacionar, simplesmente ignore e seja humilde, acredito ainda que pessoas boas de coração são aceitas em qualquer lugar.

  13. fantástico! o problema é que somos defensivos demais e preconceituosos, por ser uma cidade com altos indices de desigualdade social, idaí? talvez aquele playboy que tanto te incomoda pode ser o seu melhor amigo em um futuro, vamos pegar a Bike e curtir a paisagem brasiliense.

  14. Também sou muito feliz aqui e isso tem tudo a ver com a cidade e sua qualidade de vida. Quanto as pessoa com quem me relaciono, não tenho carências, reclamações, mas isso não tem nada a ver com a cidade e sim comigo mesmo apenas.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s