Um filme lindo que a gente vai ver no ano que vem

Drive-in

E se eu não gostar do filme, o que eu vou falar?, foi a primeira coisa que pensei depois de ler a mensagem do Iberê Carvalho, me chamando pra participar de um mini teste de audiência do primeiro longa dele: O Último Cine Drive In, em fase de montagem.

Não é possível que eu não goste, continuei falando sozinha. Do pouco que conheço do Iberê, jovem cineasta com curtas premiados mundo afora, dá pra saber que vou encontrar no filme duas coisas, pelo menos: talento e sensibilidade. Então relaxa, vai lá e dá a sua opinião pra ele.

Opinar, do verbo julgar. Dirigi até a casa onde seria exibido o filme pensando que é muita, mas muita responsabilidade dar opinião sobre o trabalho de alguém. Ainda mais um trabalho com T maiúsculo, movido à paixão. Anos de desejo, de muita batalha e expectativa para, numa tarde de sábado, submeter aquilo tudo à opinião de alguém como eu, que não tem ideia do que é fazer cinema no Brasil e em Brasília, especialmente.

Pensei nos anos em que me dediquei a dar opinião em jornal impresso – de forma explícita, em artigos, ou mascarada, sob o nome fictício de imparcialidade. Já que falar bem não dá ibope, o treinamento que recebemos (todos nós, seja como jornalista ou como usuário do facebook) é falar mal sempre que houver uma possibilidade de ter razão, ou mesmo que não haja.

Foi preciso sair da imprensa para pensar no quanto eu não pensava sobre isso: em como forjamos certezas e inventamos realidades, todos os dias, na esperança de nos sentirmos mais confiantes e inteligentes. Demonstração de dúvidas é para poucos – é raridade na profissão e na vida social. E é do lado dos que têm dúvidas, muitas dúvidas, que eu tenho preferido ficar.

Talvez por isso eu tenha saído da sessão-teste de O Último Cine Drive In tão feliz. Iberê reuniu cinco pessoas e se abriu, com humildade rara no mercado, para ouvir nossas impressões. Compartilhou suas dúvidas com a gente, e nós compartilhamos as nossas com ele.

Produzido por três produtoras brasilienses, o longa será finalizado pela paulista 02 Filmes e distribuído pela Vitrine Filmes, a mesma de O Som ao Redor. Como ele só deverá ser lançado no fim de 2014, depois de rodar pelos festivais, não posso falar muito além do que está na sinopse.

Só posso dizer que a história e as imagens me deixaram orgulhosa pra caramba, sem nenhum merecimento, de ter uma coisa linda dessa produzida aqui, no meio da gente.

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