Os eventos gratuitos fazem mal a Brasília?

gratuitos

Gente, que pergunta é essa? Será que hoje eu acordei a fim de uma polêmica?

É fato: nos tornamos nos últimos anos a capital dos eventos gratuitos. Não há um final de semana em que não haja uma festinha, um evento, um super festival onde você possa ir, se divertir, ver gente e não gastar um centavo. Semana que vem, aliás, tem Picnik – só pra você ficar sabendo.

E isso é ótimo, certo? Então que pergunta é essa? Será que eu resolvi renegar tudo o que defendemos desde que este blog surgiu? Não é (exatamente) isso.

Acontece que eu adoro olhar o que me parece uma grande verdade com outros olhos. Ouvir outras opiniões. Repensar as certezas. E é isso que estamos fazendo neste primeiro debate aqui no blog.

Convidamos dois agitadores culturais de Brasília para pensar sobre isso. Além deles, vocês também. Leiam, pensem e se manifestem. Será que a profusão de eventos gratuitos pode prejudicar a cena cultural da cidade?

SIM!, por Marcos Pinheiro, do Cult 22.

Nos últimos anos, o Distrito Federal tem vivenciado uma proliferação de eventos gratuitos em espaços e praças públicas. São shows musicais, peças de teatro, espetáculos de dança e demais manifestações culturais que tomam conta de locais como a área externa do Museu da República, o gramado do Complexo Funarte, a Torre de TV, o Parque da Cidade ou a UnB (todos no Plano Piloto), a Arena do Cave (Guará), as praças do DI e do Relógio (Taguatinga), a da Administração da Ceilândia, entre outros.

Muitas dessas produções são iniciativas do Governo local e/ou são feitas em parceria com a Secretaria de Cultura. Também são viabilizadas por meio de emendas parlamentares ou outras fontes de verbas públicas – o que, quase sempre, obrigam os produtores a não cobrar entrada ou estabelecer ingressos a preços populares.

Para o público em geral, tal “fenômeno” é uma ótima notícia, sobretudo aos que possuem menor poder aquisitivo: ter acesso a algum tipo de cultura gastando nada (ou pouco) com isso. Só que, para os artistas locais e independentes, essa tendência é uma faca de dois gumes. O que pode ser uma forma de dar maior visibilidade aos trabalhos próprios, atraindo uma plateia que talvez não os veria em outras situações, também corre risco de não surtir qualquer efeito prático.

A explicação, embora não comprovada cientificamente (pesquisas, estatísticas, etc), é baseada em fatos reais: a maior parte das pessoas que vai a esses eventos é atraída justamente pelo fato de serem de graça. Servem como grande ponto para encontrar os amigos, paquerar ou namorar e tomar uma cervejinha – ou outros “aditivos”. Pouco importa quem esteja se apresentando lá em cima no palco – a não ser, claro, que seja alguém já consagrado ou mais conhecido da mídia.

Ou seja: o que seria uma ferramenta de formação de público para esses artistas independentes, pode virar “gol contra”. Pior: com tantos eventos gratuitos, muitos deles envolvendo nomes internacionais ou nacionais de grande e médio portes, para que o público vai pagar – por mais barato que seja – para ver a galera da cidade em bares, pubs ou locais menores? Ainda mais se eles mesmos muitas vezes também se apresentam nesses espetáculos com entrada franca?

Com isso, além dos artistas, também perdem os produtores e donos de estabelecimentos dispostos a investir no independente, mas que não têm condições de fazê-lo de forma gratuita. O que também explica muito sobre a assustadora diminuição de espaços para os trabalhos próprios, sobretudo na música, onde predominam há anos os “covers” ou tributos. Melhor ter uma banda apresentando algo de outro que todos conhecem do que arriscar a deixar alguém tocar suas composições desconhecidas, né?

Soma-se a isso a falta de sensibilidade da maior parte da mídia em abrir os olhos e ouvidos para o que é feito no DF… Resultado: pessoas cada vez menos interessadas de verdade em conhecer os artistas locais.

Claro que esse problema não é exclusivo do DF e não acontece quando se tratam de eventos internacionais e nacionais de maior porte. Por mais absurdos os valores cobrados, a turma paga – e lota os espaços. Logo, não falta grana ao brasiliense em geral – falta mesmo é vontade e conhecimento em procurar algo novo. Um quê de colonialismo cultural do eixo Rio-São Paulo ainda paira na capital da República. E, sinceramente, não acho que seja com uma profusão de eventos gratuitos que isso irá se solucionar.

Que tal, por exemplo, uma política que invista na inserção dos artistas locais na mídia – real e virtual? Mesmo que com menos força de outrora, os jornais, as revistas e as emissoras de rádio e TV ainda são veículos de massa – e, por consequência, formadores de público e de opinião. A cantora Ellen Oléria já era um talento nato há mais de seis anos para os brasilienses mais antenados. Mas precisou ganhar um reality show na maior emissora de TV do país, no final de 2012, para ser (re)conhecida de fato pela grande maioria do público daqui. De ignorada, hoje todos se “orgulham” dela – o mesmo aconteceu com Legião Urbana, Capital Inicial, Plebe Rude, Cássia Eller e Zélia Duncan, só pra citar exemplos musicais!

Marcos Pinheiro é jornalista, produtor e apresentador do programa de rock Cult 22 há 22 anos e coordenador de imprensa do Festival Porão do Rock desde 1998. Foi diretor da Rádio Cultura FM e proprietário por dois anos do Cult 22 Rock Bar.

NÃO!, por Sandro Biondo, da festa Mimosa

“Morar em Brasília é como viver numa maquete”. Ah, por favor, tire o seu clichê do caminho, que a minha cidade quer passar.

Para quem conviveu por décadas com o peso existencial de ser considerada fria e sem personalidade, a Brasília que se frequenta ao ar livre já não faz feio diante de muitos RJs, SPs e adjacências.

Não há um só fim de semana em que não haja um show, uma festa, um evento coletivo e aberto onde se reúnem milhares de pessoas, em geral de graça, em clima harmônico e sem carão.

Foi-se o tempo em que os shows limitavam-se às salas de teatro e bares fechados a poucas dezenas ou centenas de pessoas. Restringir a apresentação das bandas e artistas, pra que, se tem piqueniques, satélites, celebrares, quitutes, t-bones e minifestivais por aí abrindo as portas a quem faz e a quem ouve?

As asas ganharam pio e plumagem para voar livres. O brasiliense descobriu que não precisamos de esquinas para marcar um encontro. Que dá pra ir de bike, que dá pra sair com os amigos e fazer novos deles, que dá, sim, pra ser feliz sem praia, montanha e (obrigado, Cosmos!) Starbucks…

Nós somos a materialização do sonho de Lucio Costa, que desenhou este Plano como um lugar onde se pisa no chão e olha para o céu. De todas as cidades que conheço nenhuma tem essa mesma vocação: áreas abertas e verdes, 180 graus de nuvens, sol e lua, uma juventude que pulsa, pensa e sabe que o que vale é ser bom e simples e leve e livre.

Não somos mais uma ilha de desfantasia. Não somos mais a cidade dos shoppings. Somos muito mais que uma Esplanada e seus lamentáveis burocratas de terno, gravata e pouca elegância. Como num divã coletivo, finalmente encontramos o caminho de nossa auto-estima. É preciso tocar na vida. E deixar que ela nos toque. De preferência, juntos.

Sandro Biondo é jornalista e DJ. É o responsável pela festa Mimosa.

25 respostas em “Os eventos gratuitos fazem mal a Brasília?

  1. Não mesmo! Concordo com o Sandro. A cidade foi pensada pra isso e é o máximo vermos isso acontecendo de fato.
    Não concordo com argumento de que ninguem presta atenção no artista. Conheci e passei a gostar de muita banda, cia de teatro, etc em eventos gratuitos! E provavelmente não conheceria em outra oportunidade. E sejamos realistas: embora os eventos super caros lotem, o público presente em sua maioria é beeeeem diferente.

  2. Estou totalmente com o Biondo! Agora, finalmente a cidade está perdendo aquela cara de cidade fria e permeada por concreto, onde você não via ninguém na rua. Antes as pessoas só estavam ou em shoppings ou isoladas em seus carros. Agora, finalmente, estamos sabendo explorar a cidade-parque em que vivemos.

    E para uma cidade majoritariamente elitista e excludente como Brasília, nada como os eventos abertos ao público para tentar mudar um pouco essa cara. E não entendi essa história de políticas para inserção de artistas na mídia. Ora, as políticas para trazer os artistas gratuitamente ao público já existem. Cabe agora aos veículos de comunicação divulgar isso da melhor forma. Não precisamos de políticas públicas para que os jornais, tvs e revistas façam o seu trabalho. Ou precisamos?

    Por uma Brasília mais aberta e viva! \o/

  3. A questão da política de valorização dos artistas locais levantada pelo Marcos é importante de fato, se faz necessária. Mas ao mesmo tempo, não acho que o volume de eventos, festas e festivais gratuitos, fazem mal a Brasília. Eu passei a conhecer novos artistas (não apenas da musica, mas do artesanato e do teatro) nestes eventos e passei a prestigiá-los (comprar seus produtos) depois disso.

    Os novos artistas e bandas são convidados para estes eventos de graça, mas também existem as casas de show, pubs, festas com entrada cobrada e muitas vezes nada barata, o que pode ajudar na divulgação e no retorno financeiro destes.

    O que se deve é fomentar a cultura destes novos artistas, ao mesmo tempo em que podemos curtir um evento de graça.

  4. bacana o debate, muito valido, parabens mais uma vez quadrado.

    Gosto muito da linha argumentativa do Marcos Pinheiro, vez que durante muito tempo fiemos parte da turma que produzia festas com ingresso, sendo que os eventos gratuitos sempre canibalizaram nossos esforços.

    o Picnik, do qual sou coordenador responsável, brotou dos questionamentos: como fazer um evento gratuito que ao inves de triturar a cena iria é contribuir com o desenvolvimento e competitividade dos artistas locais? e mais, totalmente independente, sem depender do estado para acontecer?

    sucesso a todos, Brasília aos trancos e barrancos esta encontrando a sua formula.

    • Conheço muita gente da música, do teatro, das artes e do artesanato pelos eventos gratuitos da cidade! A gratuidade te dá coragem de conhecer o novo! Se for algo de qualidade, o povo de Brasilia paga sim, se necessário… A própria Ellen Oléria, conheci num evento no museu e depois disso, paguei VÁRIAS vezes por ela!
      Acho que o brasiliense tem orgulho sim de tudo de bom que saiu, sai e ainda está saindo daqui! E é muito antigo esse papo de que a gente só dá valor pro que vem de fora!
      Os eventos gratuitos são nosso patrimônio!

  5. Estou muito com o Marcos nessa! E falo como membro de produção de alguns eventos públicos e pagos da cidade. O Museu da República perdeu a verve de espaço cultural: virou um espaço de encontros etílicos (e haja álcool). A festa lá não tem se destacado por sua personalidade, como nos idos de Cena Contemporânea no Museu. Deixou o conceito praça de lado para se assimilar a festas de arrancada automotiva. E o brasiliense está mal acostumado com valores de ingressos e tem saído em busca da festa pela festa, não importando o que lhe é apresentado,desde que seja gratuito. Uma pena!

    Os eventos diurnos são lindos e necessários à nossa Brasília. Picniks e mimosas são cada dia mais bem aceitos porque nossa cidade esteve muitos anos associada a hábitos notívagos. Talvez, a cobrança de valores irrisórios seja uma proposta educacional ao público e um passo para a valorização dos eventos.

    O que vejo é isso: produtores que dependem de dinheiro público (tenham pena!) sofrem como o quê! Tem gente que não entende o quanto é difícil gerir o (pouco) recurso destinado à cultura, o quanto é sofrida a liberação destes recursos e o quanto é caro manter uma estrutura montada em espaços públicos. Os produtores do âmbito privado também não têm vida mansa: muito poucos sabem acertar sua produção e fazer algo realmente direcionado ao público, as falhas de estrutura, segurança, técnica são incontáveis e o público é cada dia menor.

    Além disso, os cachês andam mais e mais altos no Brasil. Nosso país é o lugar mais caro para se contratar figurões e mais sujo e vil para se promover o novo (salve a internet!). Com o público menor e planilhas de custos que crescem vertiginosamente, as despesas acabam sendo cobertas em valores de ingressos, cada dia mais caros (como temos visto). E talvez isso dê insegurança suficiente aos produtores para não fazerem, por exemplo, um show da Gaby Amarantos ou da Teresa Cristina em Brasília, com cobrança de ingressos.

    Por fim, e por importância master, deve-se pensar nos espaços que recebem eventos em Brasília. Gente, praticamente não temos lugares bacanas e com identidade para produzirmos eventos pagos de qualidade! NÃO TEMOS! Não vou falar de nenhum, mas pensem um pouco e procurem o nosso Circo Voador, o nosso EstúdioSP, a nossa Concha Acústica (BA), o nosso Clube Fantoches (BA) ou aquela antiga cadeia de forró no Rio Grande do Norte. E quem tem coragem de abrir casas de shows nessa cidade?

    PS: Marcos, acho que mais do que o apoio da imprensa, falta circulação entre os próprios artistas, que precisam se conhecer, estabelecer contato. A imprensa faz o possível de vez em quando, mas não podemos nos apoiar em assessoria de imprensa mais. Sabe por quê? Porque nenhum veículo de comunicação nem ninguém terá mais atenção a um projeto do que o criador deste. Eu brinco que o artista precisa ser seu próprio veículo de comunicação: ele é o mais indicado para falar do seu trabalho. E ter parceiros, sabemos, nunca fez mal. Seria lindo se a cena cultural da cidade fosse a primeira a se alimentar de cultura! Eu venho do teatro e posso dizer: se o teatro de grupo de Brasília não fosse tão unido, não haveria mais teatro em Brasília.

  6. De repente Brasília descobriu suas praças. A praça Portugal é uma praça? Só nas plantas baixa ou no nome. Algumas vezes foi praça, está na memória dos antigos de Brasília que iam lá fazer serenatas, tocar violão, olhar estrelas e outras coisas mais. Hoje é um pedaço de terra expremido entre vias, esquecido. Os eventos públicos gratuitos têm criado as praças de Brasíllia. Praças móveis que vão ocupando os espaços e criando história neles. O brasiliense quer ocupar sua cidade, vivê-la, encontrar-se e encontrar e fazer novos amigos. E isto tem ocorrido nas praças delimitadas pelos eventos gratuitos. Daí o enorme sucesso! Que continuem e properem!

  7. Ser gratuito ou não, nos deixa sempre a sensação que o fazer cobrando ou gratuito irá custar sempre para alguém. O processo para disponibilizar a sociedade do DF um evento gratuito, leva de um produtor cerca de 1 ano a 1 ano e meio de trabalho, captação de recursos, de planejamento de trabalho e condições para a equipe de pré produção.
    Nesse caso o cidadão já pagou o valor do ingresso no momento de poder se beneficiar de uma programação de qualidade, de arte independente e principalmente, poder ter acesso a novas expressões da arte nacional e internacional.
    Há quem pague o preço que for para assistir a shows carissímos em espaços sem condições de acústica e de atendimento sem noção.
    Por isso acredito que dar retorno a sociedade das produções da arte independente vem de encontro a transformação de uma sociedade sedenta de conhecimento.
    Marcos e Sandrinho admiro infinitamente a nossa acreditância nos novos modos de mudança do nosso Distrito!!!!!
    Axé, Evoé, Amém!!!!!

  8. Se o artista for bom, se a banda for boa as pessoas irão curtir sim. Na minha rua tem a Lira Jahya Reggae, uma super banda de reggae que, com muito esforço e luta está se firmando no cenário musical de Brasília, participando de eventos gratuitos ou não.

  9. Me parece que a segunda opinião é um pouco romantizada. O fato de as pessoas se encontrarem em espaços públicos – ótimo – não significa que se misturem. Muitas vezes é um “conjunto de pessoas separadas”. O outro problema, de fundo, é a falta de transparência: os eventos são “gratuitos” no sentido de não cobrarem entrada, mas são pagos com recursos orçamentários, e raramente sabemos a que preço e segundo que critério. Nada disso significa que não sejam positivos: sim, a ocupação dos espaços, em algum nível, é sempre positiva.

  10. O problema que vejo é o uso incoerente e a falta de ética e clareza na utilização de recursos públicos para fazer os eventos “gratuitos”, entre aspas mesmo pois o custo está embutido nos impostos que pagamos. A mesma banda que recebe R$20mil para tocar no RJ ou SP chega a brasília com cachês até 5x maior, afinal criou-se uma cultura de mamar nas tetas da cultura em brasília que já vem de décadas passadas e continua até hoje.
    E além disso, o descaso com empresários e produtores locais da área de entretenimento, que geram emprego e investem alto em suas empresas (casas noturnas, produtoras de festas e shows…) e são pegos de surpresa com eventos gratuitos promovidos ou financiados pelo gdf e secretária de cultura, divulgados com 1 ou 2 semanas de antecedência, não permitindo que os empresários e produtores se ajustem ao calendário dos eventos “gratuitos” e arquem com o prejuízo de uma concorrência desleal. E também a supervalorização dos artistas de alto escalão e cachês exorbitantemente superfaturados contra a desvalorização massiva e continua do artista local.
    Acho que os eventos gratuitos não fazem mal a cidade, desde que sejam orçados de acordo com a realidade do país, com prestação de contas claras e com calendário definido e divulgado com antecedência para não prejudicar os empresários e produtores locais.

  11. Entendo e compartilho da preocupação dos produtores e artistas que foi muito bem apresentada pelas palavras do Marcos Pinheiro, porém sou obrigado a lembrar que essa é uma postura reativa e pessimista, que se nega a buscar oportunidades nessa nova forma de viver a cidade. Ao longo dos dez anos que moro aqui, nunca havia visto a cidade tão viva e fervilhante culturalmente. A pergunta que fica, na minha opinião, é: como fazer o que é bom para o público ser bom também para quem vive (ou quer viver) de cultura (artistas, produtores e demais profissionais do meio)?

    • Welton, que fique claro: não sou “contra” os eventos gratuitos. Apenas coloquei no meu texto os males que eles podem fazer para a cadeia produtiva. Abraços

      • Claro, Marcos! Também não acho que eles tenham apenas coisas boas, como disse “entendo e compartilho” os pontos levantados por você. Meu comentário foi mais no sentido de que mesmo os pontos negativos podem ser transformados em oportunidades, se mantivermos a mente aberta e a criatividade em dia!

        Abraço!

  12. Não. A gente vive em uma cidade com o custo de vida altíssimo e que exclui maior parte da população, das satélites principalmente (os estudantes quebrados da asa norte tb). Cultura deve ser difundida e cultura deve ser gratuita pq ela é tão importante quanto educação, moradia e saúde. Cansei de ver varias pessoas não saberem o que é um peça de teatro, um festival de cinema, festival de música de qualidade, uma exposição de arte. Ok muita gente comparece pra encher a cara e dar uns “pegas” em alguém, mas vira e mexe um artista se sobressai (as vezes pra uma unica pessoa ou um pequeno grupo) e cai nas graças do povão! Arte para elite já existe há muito tempo! Vamos mudar isso! Até porque convenhamos tem gente (eu xD) que não tem dinheiro nem para o “pão” (ou RU).
    Beijas ;*

  13. Adoro os eventos gratuitos, participo como público, como artista e também como produtor, isso não é uma realidade de hoje, isso acontece em BSB já tem tempo, obviamente nos últimos 5 anos tivemos mais eventos dessa natureza do que nos 15 anteriores.

    Sei como é difícil organizar e promover um evento assim, e quem faz (da forma correta, ou seja, realizando de fato o prometido e pagando todos os envolvidos) faz por amor à cidade e à cultura. TENHO MUITO ORGULHO DE TODOS VOCÊS!

    Esse lance de que evento gratuito atrapalha a vida dos donos de casa noturna é a maior balela que já ouvi, em BSB não existe histórico de casas noturnas que respeitam os artistas e até mesmo o público. Todos querem uma formula mágica, achar uma banda ou artista que bomba a casa e apostar tudo nisso, visando simplesmente o lucro, mas não os condeno, cada um sabe de sí e as contas que tem pra pagar no fim do mês, mas cada um colhe o que planta também.

    Esse papo também de que as pessoas vão aos lugares públicos só pra se embreagar e usar drogas e que não ligam pro artista que está ali mostrando seu trabalho, é também pra dar risada, né? O artista importa e muito, tanto que o público que frequenta a festa de fim de ano do GDF cheio de bandas de pagode e sertanejo não é o mesmo que frequenta o Picnik ou o Satélite 061 (que tem outro direcionamento artístico).

    Como se os pubs, bares, clubs e lugares que tem bilheteria das mais baratas às mais caras, onde a promoção da casa não se basei nos artistas ou o conforto que elas oferecem, mas sim que tem a champanhe mais cara da cidade ou por ser dose dupla a noite toda, não tivesse em suas mesas pessoas bêbadas e em seus banheiros outros perdidos nas carreiras de pó, comprimidos e afins. Fala sério!

    A mídia candanga ainda precisa abrir mais suas páginas à produção cultural local, a grande maioria só dá créditos e pauta pra quem pode pagar para ter um assessor no calcanhar deles ou para os que são amigos/conhecidos, relacionados aos que fazem a pauta.

    A submissão cultural que temos do eixo rio-sampa ainda é forte e precisamos combater isso, temos artistas maravilhosos em todos os campos, temos pessoas capacitadas e com vontade de mostrar para o que vieram, precisamos ajudar essas pessoas a se realizarem e a maior recompensa que teremos disso tudo é poder desfrutar aqui em nossa cidade de coisas feitas com amor e dedicação, por pessoas que estão aqui, ao nosso lado na parada de ônibus, na nossa frente na fila do cinema ou segurando a porta do elevador.

    No mais parabéns a todos nós, galera de BSB, que estamos saindo de casa e apoiando a criação de espaço para a cultura local.

    Peace!

  14. Entendo a preocupação de alguns com a questão da exploração de grupos artísticos que não fazem parte dos “grandes circuitos”. Isto é uma realidade que não podemos deixar de considerar. Mas considerar que os eventos gratuitos poderiam ser um “mal” é entrar em uma lógica invertida que associa a exploração destes grupos ao eventos gratuitos e não a uma lógica capitalista perniciosa que segrega sempre “os eleitos” e “o restante”. A luta contra a exploração dos grupos artísticos alternativos é a mesma luta a favor dos eventos gratuitos. Menos capitalismo selvagem e mais inclusão social!

  15. Vou pela mesma linha do Sandro Biondo. Acho que a cidade ganhou auto-estima e se encontrar na rua, se reconhecer no outro, é parte disso. Sinceramente, não acredito que os eventos gratuitos prejudiquem a cena local de cultura. Acho que os artistas brasilienses ganham porque a valorização da cidade e também a valorização do que é produzido nesta cidade.

  16. Concordo com o Marcos Pinheiro em partes.

    O maior problema não é exatamente o show “de graça”, o problema é que estamos pagando ele, querendo ou não. Esses shows, são pagos com os impostos das crianças começam a trabalhar na 5ª série para ajudar os pais, imposto de quem mora no sertão e depende do bolsa família, além dos nossos próprios. Quando isso ocorre, além dos artistas menores perderem espaço, eles só conseguirão algum espaço sendo amigos de políticos, por peixada.

    Basta conversar com qualquer músico profissional que vai ver isso. Ou você é amigo de quem bota as pessoas para dentro ou vai viver de festivais independentes (que graças a deus ainda existem).

    Isso é muito diferente de quando uma T-Bone faz um grande evento (isso é, se não receberem do governo para fazer), porque eles estão gastando do próprio dinheiro. Essa pequena diferença já faz eles pensarem no público, porque estão querendo algo em troca.

  17. Outra coisa, não acho que os eventos gratuitos tiram o público dos eventos pagos. Acho que os altíssimos preços dos ingressos (mais caros que qualquer outro lugar do país) dos grandes eventos pagos é que mandam a gente pros eventos gratuitos!

  18. Pingback: O fla-flu | quadrado

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