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Intervenção urbana do Coletivo Transverso

Em resposta ao abaixo-assinado da Associação dos Proprietários e Moradores da Orla do Lago Norte – que pede o cercamento e a proibição de eventos no Calçadão da Asa Norte -, o Picnik, o Balaio Café e nós do Quadrado estamos lançando hoje outro abaixo-assinado: contra a cerca, contra a proibição e, principalmente, a favor da democratização da orla do Lago.

Clique aqui para participar.

A petição pública é resultado do debate promovido pela Administração de Brasília na última terça, sobre o uso de espaços públicos por eventos culturais. Em um auditório lotado, na Funarte, o idealizador do Picnik, Miguel Galvão, fez uma apresentação do evento que deu vida ao Calçadão – até então, um espaço tão lindo quanto desconhecido dos moradores da cidade.

O debate, que começou às 20h e ultrapassou as 23h, foi marcado pelo desabafo de produtores culturais e artistas. Saí de lá mais fã ainda de quem movimenta a cidade, numa luta bizarra contra a burocracia, a intolerância e, de brinde, contra algumas leis e normas arcaicas.

A boa notícia é que o administrador de Brasília, Messias de Souza, se mostrou preocupado, assim como nós, com a pauta conservadora encampada por várias associações de moradores, não só a do Lago Norte. Sobre a pressão para que a Administração deixe de autorizar eventos em área pública, Messias falou: “Na verdade, nós precisamos é usar mais os espaços públicos. Só preservamos bem os espaços públicos que usamos bem.”

O debate foi fundamental para que a seguinte ficha caísse: as pessoas que não concordam com essa pauta conservadora, que ganha corpo na cidade, precisam se organizar de alguma forma para se contrapor a ela. Mais de 2 mil pessoas assinaram o documento da associação do Lago Norte. Esse não pode ser o único peso na balança da Administração de Brasília; cadê as pessoas que pensam diferente?

O post que publicamos sobre isso na semana passada (“Atenção, moradores de Brasília: o espaço público é público”) teve mais de 9 mil compartilhamentos no facebook. Esse é um termômetro importante, mas não pode parar só aí. E nem pode parar no abaixo-assinado, que por si só não resolve tudo, claro, mas é preciso começar por algum lugar. Que o começo seja: ei, nós existimos. E somos muitos.

Bora?
Participe do abaixo-assinado: aqui!
Somos:
– Contra o cercamento do Calçadão da Asa Norte.
– Contra a proibição de eventos no Calçadão da Asa Norte e no Setor de Clubes Norte.
– A favor da instalação de posto de polícia no Calçadão da Asa Norte, bem como banheiros públicos e bicicletário.
– A favor da regularização dos atuais prestadores de serviços instalados no Calçadão da Asa Norte.
– A favor de eventos gratuitos em áreas públicas, livres de qualquer coerção, conforme a Lei Distrital 4821/2012.
– A favor da destinação de recursos regulares para manutenção das áreas de lazer e convivência da cidade.
– A favor da construção de ciclovias em toda a Orla do Paranoá, à beira lago.
– Pela democratização da Orla do Lago Paranoá com o combate permanente de invasões de áreas publicas e construções ilegais.
– Pela reavaliação dos parâmetros de emissão de ruídos estipulados na Lei Distrital 4.092/2008 (Lei do Silêncio).
– Pela transparência e caráter educativo em detrimento do repressivo das ações fiscalizatórias da Agefis e Ibram.
– A favor de um mapeamento, feito pela Administração Regional de Brasília com participação da comunidade, das áreas urbanas destinadas para uso 24 horas no Plano Piloto.

Foto: Coletivo Transverso

32 respostas em “Se você quer uma cidade mais livre, assina aqui!

  1. Não seria, a priori, a Agefis responsável por combater invasões de áreas públicas e construções ilegais na Orla? E isso seria feito de forma ‘educativa’? Talvez o único ponto que tenho divergências na pauta. No mais, estamos de acordo. A não ser, claro, que eu esteja enganado quanto a competência da Agefis.

  2. Meu único questionamento que põe em dúvida se devo apoiar ou não a atitude quanto ao calçadão, é se essa medida de querer cercá-lo não significa que por se tratar de um espaço próximo à área residencial, fazer evento ali esteja incomodando a vizinhança.

      • para inibir excessos não bastaria instalaçao de posto policial no local? se funcionasse, este chocaria com eventos ilegais (sem devido alvara), arruaceiros de plantao, som de carro durante madrugada, crackeiros etc.

        e olha, não somos CONTRA a lei do silencio, e sim a favor de sua REVISAO. Vai um argumento de um amigo (Gabriel Gomes):

        Qualquer grupo de 10 pessoas conversando normalmente ultrapassa os 55db. O decreto também não específica detalhadamente como essa medição deve ser realizada (se na janela do apartamento ou se na boca da caixa de som).

        Dessa forma, abre-se um precedente para multar todo e qualquer bar, uma vez que todos eles desrespeitam o decreto, e torna a fiscalização uma atividade essencialmente política (por isso pede-se tb transparencia de alguns órgaos).

        Isso é péssimo pois não protege nem os interessados no papel cultural dos estabelecimentos, que querem trabalhar dentro dos limites da razoabilidade e amparados pela lei, nem o morador interessado no seu sossego.

      • O item que propõe a reavaliao da lei do silêncio me impede de assinar a petição. De resto, concordo.

  3. concordo com a petição e assino embaixo (com ressalvas de horário para o término dos eventos, claro). uma coisa que eu acho irônica, no entanto, é que já fui ao balaio várias vezes e a área – pública – do pilotis do prédio estava cercada e eles cobravam para entrar…então, se eles ainda fazem isso, acho bastante incoerente encabeçarem um movimento por uma “cidade mais livre”…

    • Tb pensei nisso, Henrique! Super apoio e concordo com a petição. Mas o Balaio perdeu mtos pontos comigo qdo vi o local todo cercado…. Bastante incoerente da parte deles.

  4. Agora a prefeitura da minha quadra (204 sul) está fazendo um abaixo contra a construção de uma creche em uma área pública entre 204/205 sul. Felizmente, no meu prédio, só vi assinatura de duas pessoas…rs

  5. Apoiado. Entretanto, deve-se ter em mente também a proibição de utilização de espaço público por comerciantes também. Não faz muito tempo, o próprio Balaio cercava com um grande tecido, parte da pracinha, restringindo a entrada! Devemos começar com nossos próprios exemplos. Isso vale para todos. Eu, algumas vezes, infringi isso também! Acho que é um exercício de autocrítica e cidadania. Não é fácil, mas devemos começar! Valeu!

  6. Pingback: Porque é preciso mudar a Lei do Silêncio | quadrado

  7. O CEBB – Centro de Estudos Budistas Bodisatva de Brasília considera a iniciativa do Picnik muito importante. Nos tempos atuais conseguir reunir pessoas em torno de questões positivas e saudáveis é muito mais que louvável. Esse é um espaço democrático, de diálogo, interação e integração. Em todos os Picniks que participamos é muito precioso ver as pessoas sorrindo, interessadas nas criações e histórias de outras pessoas, colaborando umas com as outras. Gente que quer e está construindo um novo paradigma para trocas, compartilhamentos e também um espaço para a economia criativa e artística.
    O Picnik se tornou uma vitrine de “uma outra visão de mundo é possível”, e é de se esperar que venham as críticas e tentativas de desconstrução. Consideramos importante manter o propósito, mesmo que seja necessário realizar algumas adaptações que também preservem o patrimônio público.
    Fazemos votos e intenções que todo o debate sobre o tema seja imensamente produtivo e mobilizador para que boas iniciativas como o Picnik possam ocupar os espaços públicos de forma inteligente, criativa e saudável.

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