Quer carnaval? Pergunte-me como.

confete

Este é o segundo carnaval do Quadrado e digo logo: desta vez, deu mais trabalho fazer essa lista, e isso é um ótimo sinal. Sinal de que somos testemunhas do nascimento de um carnaval diferente em Brasília: existe vida além do Pacotão!

Eu sei que a gente ainda sofre bullying quando diz por aí que Brasília tem carnaval (se você ainda disser que é divertido então, coitado…). Mas segundo a Sarah, aquela que traz a pessoa amada, em breve estaremos tendo o seguinte diálogo: “Lembra quando Brasília não tinha carnaval?”, “Não, não lembro”. Acredite na previsão da Sarah, vamos chegar lá.

Aí vai a nossa lista de blocos e festas preferidas:

SEXTA

Realce: quanto mais purpurina melhor!
O sempre carnavalesco Balaio Café abre os trabalhos com uma festinha comandada pelas DJs Pati Merenda e Karla Testa. Entrada gratuita.

Quando: Sexta, a partir das 20h
Onde: Balaio Café, 201 Norte
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Baile de Carnaval do Bondinho
O bonde é democrático. Eles prometem samba de raiz, batucada e samba rock misturado com pop, black, indie e eletrônico. No som, vai ter Daniel Black, KK Guima, Guto Moraes e convidados.

Quando: Sexta, a partir das 22h
Onde: Oásis 300, no Sudoeste
Evento no face: aqui

SÁBADO

Babydoll de Nylon
“O menor, mais ridículo e menos promissor bloco de carnaval de Brasília” deu tão certo, que eles precisaram migrar pra um lugar maior. É o lugar para “os amantes de uma sensualidade de peito peludo”. Vai fundo!

Quando: Sábado, 15h
Onde: Praça do Cruzeiro (Eixo Monumental, em frente ao Memorial JK. Bem ali, onde tem uma cruz).
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Antibloco
O 5uinto, festa eletrônica mais tradicional da cidade, faz seu carnaval alternativo e gratuito pela segunda vez. Doze DJs se revezarão com sets de uma hora cada, entre eles Komka, Hopper e Weirdo.

Quando: Sábado, das 14h às 2h
Onde: Setor Bancário Norte, quadra 2, estacionamento em frente ao Ed. Via Capital.
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Sci-fi rockers
Essa vai pra galera do roquenrol (viu aí, Carol? Sou eclética). Os DJs que vão botar o som são: Gus , Coletivo Índios, Spot, PG Martins e Weird Rockers.

Quando: Sábado, a partir das 22h
Onde: Velvet Pub  – 102 Norte (ingresso R$ 15 até meia-noite e R$ 20 depois)
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DOMINGO

Bloco das Perseguidas
O carnaval debochado e feminista sai com tudo na pracinha da 201 Norte.

Quando: Domingo, a partir das 14h
Onde: em frente ao Balaio Café
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Bloco da Tesourinha
Desde 2007, o bloco homenageia a cultura popular ao som da banda de pífanos Ventoinha de Canudo e com o mestre do frevo Jorge Marinho e o grupo Passista de Brasília. Tem ainda participação especial do Maracatu Tamnoá.

Quando: Domingo, concentração a partir das 15h. Abertura às 16h.
Onde: Da praça da Prefeitura da 410 Norte, o bloco sai pra dar um rolê na tesourinha da quadra.
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Confronto Soundsystem
A festa, sempre gratuita, inclui o ragga e o hip-hop na carnaval candango.

Quando: Domingo, a partir das 16h
Onde: Setor Bancário Norte, ao lado da Administração de Brasília
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Populares em pânico
Mais uma opção roquenrol pra quem não gosta mesmo de música de carnaval – e este é um bloco de rua mesmo, com toda cara carnavalesca, mas com o repertório totalmente rock. É o quarto ano que esses inimigos de Momo colocam o bloco na rua e, desta vez, o tema da galera é Star Wars. Que a força esteja com você.

Quando: Domingo, a partir das 14h
Onde: EQN 504/505
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SEGUNDA

Carnaval de Olinda no CCBB
Pra que gastar dinheiro com passagem, enfrentar o vuco-vuco nos quatro cantos? Olinda é aqui! Frevo, maracatu, bonecos gigantes e, melhor, as bandas pernambucanas mais legais de todas vão passar o carnaval com a gente. Orquestra de Frevo Henrique Dias, Banda Eddie, Siba e Mombojó.

Quando: segunda, a partir das 14h30
Onde: CCBB
Mais info: aqui

Aparelhinho
O aguardado bloquinho do Criolina volta neste ano com mais potência. Depois de fazer vaquinha via crowdfunding, eles prometem um carrinho de som de primeira – e com música boa, como sempre. A festa começa de dia e continua noite adentro, já que uma parte do pessoal emenda com a festa abaixo, no Outro Calaf.

Quando: segunda, a partir das 15h
Onde: Setor Bancário Sul
Evento no face: aqui

Móveis Axé 90
Atenção, essa festa aí promete. A turma do Criolina abre as portas para o Móveis Coloniais de Acaju apresentar releituras de hits do axé anos 90, que, vamos combinar, foi a melhor época da música baiana. Se você nasceu na década de 90, não me conte isso, obrigada.

Quando: segunda, a partir das 22h
Onde: Criolina – Outro Calaf (antecipado R$ 30, no Balaio Café – 201 norte, Loca como tu madre – 306 sul, e Bendito Suco – 413 norte)
Evento no face: aqui

TERÇA

Essa boquinha eu já beijei
Bloco novo na área, esse vem com direito a roda de samba formada por 10 mulheres. Nos intervalos, tem ainda as DJs Marie Assis e Pat Merenda.

Quando: Terça, a partir das 15h
Onde: Balaio Café – 201 Norte
Evento no face: aqui

O mapa da mina

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Vocês estão conseguindo pensar em outra coisa? O carnaval está batendo na nossa porta – eu só consigo pensar em uma coisa: as fantasias que vamos aprontar este ano.

Uma informação muito óbvia mas desconhecida de quem chegou há pouco tempo em Brasília é que o Plano Piloto não é lugar para se comprar adereços festivos. Há algumas boas lojas para caso de emergência (como a Casa&Festa, na 706/7 Norte) mas as opções e os preços são incomparáveis com os da meca das lojas de festas, a saber: Taguatinga.

Há coisa de duas semanas, juntei minha família inteira, pulei no metrô na 102, desci do metrô na Praça do Relógio e mergulhei nas lojas de festas mais legais do mundo. Desencavei uma meia de bruxa listrada de branca e vermelha, máscaras horripilantes pros meninos e uma cartola de mágico super linda (que custou doze reais).

Nas imediações do Taguacenter, em Taguatinga Norte, a oferta é ainda muito maior – mas aí não tem passeio de metrô de brinde.

Outro enorme achado das produções carnavalescas são as peças maravilhosas da Fernanda Ferrugem. A gata, que já arrasa normalmente nas produções do resto do ano, está com uma coleção carnavalesca de babar, como esse lindo turbante alegremente desfilado pela Danyella Proença. Carmem Miranda, aí vou eu!

E pra crianças ou adultos com tem uma pegada mais fofa (oi?, alguém chamou?) não perca as máscaras lindas da Enfeltrados, que eu acabei de descobrir agora, depois que escrevi este post.

E você, hein? Vai de que?

Bora?
Taguacenter
CNG 02 Área Especial Setor G Taguatinga Norte
3354-3422 e 9632-0516

Fernanda Ferrugem
QE 19 Conjunto J Casa 11, Guará I
3567-7442

Enfeltrados
Pedidos ali na página do face ou no email: enfeltrados@gmail.com 

Quer dançar?

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Eu quero. Mas eu não sei. Mas eu queeerooo. Mas eu não seeei. Mas eu quero.

Toda vez é igual: meu dilema da pista de dança, que invariavelmente termina por um “sim”, que por sua vez invariavelmente é precedido de uma sequência desajeitadinha de um pra lá um pra cá, eu tentando inconstitucionalmente conduzir o parceiro, algumas risadas e, eventualmente, uma pisada de pé.

Sou fraca em dança de dois, mas tudo bem. Eu me divirto e divirto o parceiro – pra disfarçar, falo besteira ou invento passos acrobáticos. Não são os passinhos ensaiadinhos dos casais produzidos das aulas de dança, mas passa.

Hoje terei uma boa oportunidade pra mostrar toda a minha desenvoltura criativa. Acontece o pré-carnaval do Baile do Almeidinha, o baile de samba de gafieira capitaneado por ninguém mais ninguém menos que Hamilton de Holanda.

Repertório de qualidade com execução musical de virtuose: bem defronte de toda uma pista de dança para a gente dançar de se acabar, como se não houvesse amanhã. Uma excelente notícia para uma quinta-feira é que o baile começa às 21h – vamos ver se é só no papel ou se é pra valer.

Bora?
Pré Carnaval – Baile do Almeidinha
Hamilton de Holanda e Orquestra convida Alexandre, do Natiruts
Discotecagem de Cacai Nunes
Hoje, a partir das 21h
Arena Futebol Clube
Sces Trecho 3 S/N Lt 1 (em frente ao Clube do Exército)
Meia a R$ 30 (contra apresentação de um quilo de alimento ou um livro)

Não fazer nada pode ser muito

ferias

Pela primeira vez na vida, tirei férias do trabalho e não programei nenhuma viagem para fora da minha zona de conforto. Uma semana foi destinada a ficar aqui mesmo, em Brasília, sem compromisso. Os 12 dias restantes foram dedicados ao silêncio: uma casa no meio do mato, entre São Jorge e Alto Paraíso.

Nesse lugar, sem internet, televisão e nenhum sinal de civilização ao redor, o único programa era não ter programa algum. A cachoeira estava ali, pertinho, mas só se desse vontade. Comer, dormir, ler, acordar – as coisas aconteciam na hora perfeita da vontade e não da necessidade.

Essas férias me fizeram lembrar de uma amiga especial que me apresentou outro paraíso, no litoral de Alagoas, e costuma dizer: “O fuso deste lugar respeita o nosso corpo. A gente faz tudo na hora que ele pede”. Algo tão simples e tão raro na rotina insana de todos nós: dormir quando sentir sono; acordar quando estiver refeito; comer quando estiver com fome.

Adoro conhecer lugares novos, me surpreender, aprender. Visitar pontos turísticos, acordar com mil possibilidades de programas – isso também é ótimo, cada coisa no seu tempo. Mas esses 12 dias na Chapada me fizeram dar mais valor, mais ainda do que sempre dei, ao ato de “não fazer nada”.

Coloquei aspas aí porque é uma bobagem acreditar que, na pausa, você faz menos do que em uma maratona de compromissos e agitos. Observar pássaros, beija-flores, plantas, nuvens; assistir a uma incrível tempestade de raios no sábado à noite; brincar com bichos por horas a fio – isso pode ser um programa meio haribô demais, eu sei, mas estive mais presente nessas horas e nesses dias do que em mil outros abarrotados de agitação.

De brinde, consegui ler dois livros e começar um terceiro, um recorde do mundo moderno facebookiano, no qual a gente está sempre cansado de fazer muita coisa desimportante. Fora o café quentinho de manhã cedo, a preguiça depois do almoço, as boas conversas, o olhar no olho, o tempo para ouvir, para falar e para pensar.

Não fazer nada pode ser muito, nas férias ou não. Você nunca percebeu uma certa ansiedade nas pessoas em listar todas as atividades que elas cumprem ao longo do dia, numa tentativa de autoelogio?

Não estou falando dos que estão batalhando no emprego ou em casa, resolvendo problemas reais. Estou me referindo aos estressados por opção: os que fazem mil cursos, mil viagens, vão a mil eventos e compromissos irrecusáveis para se lamuriar que a vida é uma loucura. Falo também dos que pensam fazer muito, mas na verdade fazem tão pouco, porque nunca estão presentes no presente. Sempre esperam ter mais tempo para o essencial, mas nunca têm.

Eu já fui essa pessoa, e ainda sou ela às vezes. Mas espero ser cada vez menos e menos.

Eu não disse que a alegria voltava?

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Voltou!

Sim, é sábado agora, também conhecido como depois de amanhã, que sai o bloco de frevo mais brasiliense de todos. Em outras palavras, Olinda será aqui.

No ano passado eu fiz as devidas apresentações deste que é meu bloco preferido do carnaval (do pré-carnaval, na verdade) brasiliense. Acho que, este ano, o Suvaco ganha novas cores pra mim justamente neste debate mais expressivo do uso das áreas públicas.

Quando o Suvaco nasceu, em 2006, meus filhotes estavam na minha barriga e nós éramos uma meia dúzia de 40 ou 50 amigos cantando frevos e pulando que nem doidos pelas ruas do Sudoeste. As pessoas chegavam nas janelas – muitos riam das nossas coloridas caras, outros acenavam, dançavam juntos. Alguns desceram e, desde aquele dia, passaram a suvaquear também.

Essa experiência – e o que ela se tornou nos anos seguintes, crescendo, ganhando adeptos, tornando-se parte do calendário das folias de Brasília – foi certamente fundamental pra me fazer valorizar tanto a espontaneidade dos eventos públicos. O Suvaco é, pra mim, a prova de que pra ser feliz basta querer. Quem tá a fim, faz até o Sudoeste virar Olinda.

Pra quem tem filhotes, uma dica: chegue cedo. A partir das 10h, o Suvaquinho tem pula-pula, pintura de rosto e essas coisas que os pequenos gostam. Pra todo mundo, outra dica: não perca.

Bora?
Suvaco da Asa
Sábado, dia 15/02, a partir das 10h
No quiosque da Codorna, no Cruzeiro Velho.
SRES Quadra 10, Cruzeiro Velho (de frente à QRSW 8).
Um recadinho dos suvaqueiros: querem ajudar a garantir o Suvaco 2015? Então pedimos que comprem suas bebidas nas barracas oficiais do bloco distribuídas pelo percurso!

O fla-flu

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Todo mundo tem aqueles dias em que está vendo flores pela rua e dias em que se irrita ao ser acordado com o canto dos pássaros. Dias bons e dias ruins. Não cheguei a me irritar com o canto dos pássaros, mas já vou logo avisando: hoje estou num dia ruim. E o motivo é: estou cheia dessas nossas polêmicas vazias.

Os justiceiros contra os defensores dos direitos humanos. Os comunistas contra os reacionários. Os black-blocs contra os defensores da lei e da ordem. Os que curtem BBB contra os que detestam. Os homofóbicos contra as pessoas livres. Até na maternidade, olha que ridículo: mães a favor do parto natural contra mães que tiveram cesariana, mães que amamentam contra mães que alimentam seus bebês com leite artificial.

Tudo na base do exagero, da irracionalidade, do xingamento, da gritaria.

Sobre o tema polêmico aqui do blog, especificamente: nunca, em momento algum, defendemos o barulho, a confusão, a falta de isolamento acústico, a falta de regulamentação sobre horários. Somos a favor de tudo isso. Mas também somos a favor de festas ao ar livre, somos a favor que, em alguns dias do ano (oi, carnaval, te amo) a gente tenha paciência com os foliões. Somos totalmente a favor do respeito ao próximo – inclusive ao próximo bêbado cantando a jardineira. Mas, próximo, por favor, faça xixi no banheiro químico.

Eu estou de saco cheio dos fla-flus por tudo. Uns fla-flus vazios, de argumentos bobocas, de acusações irresponsáveis, de gritos em caixa alta em centenas de comentários. De saco cheio de gente que se arroga o direito de falar em nome de uma sociedade difusa e plural. Que, independente do que tenha lido, responde como se seu interlocutor fosse um radical sem noção – sem perceber que é ele que se transforma num radical sem noção ao fazer isso.

Isso não quer dizer que não queremos discutir, ao contrário: é tudo o que queremos. Adoro quem pensa diferente de mim e, com equilíbrio e bons argumentos, me faz repensar, mudar de ideia, ou pelo menos ampliar meu conhecimento sobre um assunto. Nem sempre é o que vemos.

Bora discutir sério, sem acusações irresponsáveis e radicalismos. Não foi pra isso que a gente veio aqui. E mais: deixe a sua tia do primário orgulhosa e leia o que está escrito – leia de fato o que está escrito. Não o que você quer entender do que está escrito.

Recado dado, amanhã voltamos à nossa alegria habitual.

O problema do bom senso

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Vocês foram no isoporzinho? Eu fui, claro. E eu ia perder uma festa popular dessa?

A piscininha foi a parte mais legal – e inusitada – da farra. Andar de bike, como sempre fazemos, e poder dar um mergulho depois, já pensou? É como colocar a cobertura em cima do sorvete: o delicioso por cima do que já é muito bom.

Mas não eram só famílias que estavam por lá: muitos jovens, gente fazendo piquenique, gente só tomando sua cervejinha, rodinha de samba, batucada. Uma parada realmente plural, inesperada, espontânea.

Tão espontânea que, às 20h, quando voltava pra casa de outro lugar, mais de seis horas depois de ter saído do isoporzinho, vi que a farra ainda estava correndo solta na altura da 105 sul. Uns carros do detran tentavam, sem sucesso, reabrir o eixão para o tráfego e um montão de gente ainda estava chegando pro evento, atravessando os eixinhos pra cá e pra lá.

Daí eu não sei se fiquei muito feliz, sabe?

O gramado estava uma sujeira imensa, o domingo já estava se despedindo, o órgão de trânsito tentando abrir o tráfego como normalmente abriria, meio sem saber o que fazer. Fiquei sabendo depois que eles começaram a multar os carros irregularmente estacionados nos acessos ao eixão e em cima da grama – e só assim o pessoal desmobilizou.

Fico pensando que, se a gente reivindica o uso livre dos espaços públicos, a gente podia muito bem fazer nossa parte, não é mesmo? Não deixar lixo no chão, estacionar regularmente nas quadras, se tocar que está na hora de ir embora quando o eixão normalmente reabre pro tráfego. A festa começou às 11h – é demais se desmobilizar às 18h?

Como diria uma amiga muito sábia, o problema do bom senso é que todo mundo acha que tem.