Free Piauí

piaui

A gente já vem falando disso há algum tempo: não dá mais pra cidade viver refém do bucolismo mal-acostumado da Brasília que um dia existiu. A cidade cresceu. A cidade está viva – e a gente devia estar achando isso bom.

A cidade quer sair, a cidade quer ouvir música, a cidade quer conversar. E essa lei do silêncio não nos convém. Ela precisa mudar. O argumento mais divertido que ouvi nos últimos tempos a nosso favor é o cálculo dos decibéis das nossas amigas cigarras, no fim do ano. Elas gritam a 80 decibéis. É o que a galera revoltada por terem fechado o Piauí está perguntando: vem cá, cês vão multar as cigarras?

Pra quem não sabe, o barzinho-oficial-das-pessoas-que-fazem-faculdade-não-tem-muita-grana-mas-têm-alegria-de-sobra foi fechado esta semana, adivinhem?, por descumprir a lei do silêncio. Oquei, a casa não tem isolamento acústico – mas vai isolar acusticamente como?, se a graça do Piauí é que a gente fica ao ar livre? Como é que se isola acusticamente o jardim, as árvores, o mundo?

Na boa, e desculpem o trocadilho, essa a gente não vai engolir calado. Hoje à noite vai todo mundo, como de praxe, pro Piauí. Com ou sem Piauí, com ou sem chuva, estaremos lá. Mostrando pra vizinhança e pra cidade inteira que não se pode calar a alegria, não.

Viver faz barulho, beibe. Conforme-se.

Bora?
Isoporzaço no Piauí
Sábado, 29/03, a partir das 19h
CLS 403, Bloco B

ATENÇÃO: Leve suas bebidas (não conte com o bom e velho Piauí…) e, principalmente, leve sacos de lixo. Seja educado com a vizinhança, limpe o que sujar, aja com urbanidade. A vizinhança do bar não é nossa inimiga – a gente quer, ao contrário, que eles achem legal conviver com a gente, que eles vejam com carinho a nossa alegria, que a gente lembre a eles os melhores anos da vida deles. Provocar a galera, fazer barulho de propósito ou deixar sujeira pra trás não ajuda nossa causa – ao contrário, só atrapalha. Nem precisava recomendar, né?

PS: Essa arte maneira é da galera dos Monstros de Brasília, que descobriu todos os monstros escondidos pela cidade que agem por aí às escondidas. Este aí da foto é o monstrinho fecha-boteco que, infelizmente, quem é daqui conhece muito bem.

O gabarito do findi

quitutes

Anota bem antes de sair hoje à noite e se estragar desnecessariamente: amanhã você tem compromisso pro almoço. Hoje você tem todo interesse de dormir cedo, acordar cedo, tomar café cedo – assim, às 13h, vai estar batendo aquela fominha delícia e você vai estar no ponto.

Vai rolar Quitutes no CCBB, com mais de 70 chefs maravilhosos por preços módicos. Só que ninguém é bobo: claro que a cidade inteira vai cair pra lá atrás de provar um Acquavit por vinte contos. Tem que chegar cedo. É aí que entra seu auto-controle nesta sexta-feira.

Mas as compensações são muitas – além de rolar muita música boa com a assinatura Mimosa durante toda a festa, no cair da tarde vai ter show da banda australiana Jagwar Ma, que promete.

E aí? Vai gabaritar o findi?

Bora?
Quitutes no CCBB
Amanhã, 29/03, a partir das 13h
Entrada franca

Edição: tinha propagandeado antes do tempo a festa Avanço, do Suvaco da Asa, que é sóóóó na semana que vem… Semana que vem falo mais. É a ansiedade! 😉

Prazer, conterrânea

nuvenzinha

Esta fofura aí em cima é a Nuvenzinha, bike genuinamente brasiliense. Uma bicicleta toda  artesanal, criada lá na década de 1970 por uma figura lendária do ciclismo da cidade, o Zé do Pedal.

A receita, que continua sendo reproduzida até hoje nas oficinas da cidade, reza que o acessório indispensável é o quadro da antiga Monareta (um nome que o simples fato de você ter ouvido alguma vez na vida já te denuncia com mais de trinta – pra dizer o mínimo). Misture com peças fofas de outras bicicletas e pronto. Um frankenstein? Claro que não. Uma verdadeira brasiliense, com pai que veio de um canto, mãe que veio de outro e o resultado não podia ser outro: linda, charmosa, cosmopolita e moderna.

Além de te apresentar nossa conterrânea fofa, quero falar dos artistas que fabricaram esta Nuvenzinha aí da foto. A Commute é a loja de bike mais bacana da cidade. Especializada em bicicletas urbanas, é muito provavelmente de lá que saíram essas lindezas mortais que você vê desfilando pelo Eixão todo domingo.

Instalados até ontem na 306 Norte, eles estão de mudança para uma mega estrutura de três andares na 315 Sul. Agora, além das bikes urbanas, vai ter mountain bikes e bicis de corrida, além de todo tipo de acessórios.

E amanhã, dia da inauguração, vai rolar sorteio de duas bikes maneiríssimas. Eu, que sou boa de ganhar concurso, passo por lá com certeza.

Bora?
Commute Bike Studio
Inauguração sábado, 29/03, das 9h às 18h
CLS 315, Bloco C, loja 37
3877-9299

A fotografia cansou de me esperar

foto hannah

Uma das minhas promessas de Ano Novo foi fazer algum curso de fotografia, para aprender o beabá das máquinas reais, aquelas que não têm um símbolo de maçã mordida. Bem, o ano já não está tão novo assim e até agora não tomei uma atitude, mas o destino parece estar a favor: cansada de me esperar, a fotografia decidiu correr atrás de mim.

Primeiro, fui apresentada ao trabalho lindo – lindo mesmo – das meninas do Estúdio Cabine. A Antúria e a Amanda fotografam casamentos, noivos e famílias com um olhar superdelicado, romântico e vintage. Dá uma olhada nas lindezas.

Duas ou três vezes por ano, elas oferecem também um curso intensivo de fotografia, para quem, como eu, ainda engatinha no quesito fotômetro, diafragma e cia. O próximo vai ser nos dias 5 e 6 de abril – um fim de semana com aulas teóricas e práticas, ideal para quem quer dar o primeiro passo.

“Para nós é sempre muito gostoso receber os alunos, é uma injeção de ânimo! Renova nosso gosto pela fotografia e também nos põe em contato com quem admira nosso trabalho”, conta Antúria.

Fotografia autoral
Poucos dias depois, tive a sorte de conhecer outra fotógrafa, Hannah Gopa, que me contou sobre o projeto que está desenvolvendo na Galeria Ponto: o Núcleo de Produção em Fotografia Contemporânea.

A ideia é juntar um time brasiliense de jovens fotógrafos autorais e criar uma ponte entre eles e o mercado: além de discutir novas linguagens e ajudar a montar o portfólio, a Hannah quer facilitar encontros com colecionadores, curadores e galerias de arte, e incentivar a inscrição em prêmios e salões de fotografia.

Hannah tem 23 anos e uma cabeça com 23 mil ideias. Morou três anos fora – a maior parte do tempo em Nova York, onde estudou na International Center of Photography, e em Berlim, onde foi selecionada para uma residência artística chamada Picture Berlin. Podia muito bem ter continuado por lá, desbravando o mundo, mas decidiu voltar. Por quê?

“Porque acredito que estamos num momento de mudança em Brasília que eu quero fazer parte. Quero aproveitar que coloquei um pé no futuro e posso participar da construção de algo legal aqui, especialmente dentro da fotografia, mas pensando projetos com a nossa cara e não só exportando o que vem de fora”, diz Hannah, essa pessoa nem um pouco óbvia, que gosta de criar com provocações, estímulos, incitando mais dúvidas do que certezas (a foto acima é dela, e você pode ver outras clicando aqui).

Agora é com você
A seleção para o Núcleo de Produção em Fotografia Contemporânea já se encerrou, mas a boa notícia é que a Galeria Ponto tem outros cursos com inscrições abertas. Entre eles, o workshop de fotografia urbana “Arquitetura e Cidades”, com a fotógrafa bacaníssima Joana França. Esse é pra quem já tem um pouquinho de intimidade com a câmera.

Tem também o Espaço f/508, com inscrições abertas para cursos básico, intermediário e avançado, além de outros temáticos. Pra terminar, o Estúdio Cabine vai te dar 5% de desconto se você falar que soube do curso pelo Quadrado. Olha aí… Se você leu este post, acho que é um sinal, hein: a fotografia também cansou de te esperar.

Bora?
Curso do Estúdio Cabine
5 e 6 de abril, das 9h às 15h, e das 15h às 19h.
Onde: 215 Norte, bl D, sala 49
Matrículas: cursos@estudiocabine.com.br – 9207-4320 e 3034-7506
Valor: R$ 480 à vista ou 2 x R$ 250 (diga que você soube pelo Quadrado e ganhe 5% de desconto)

Cursos da Galeria Ponto: aqui

Cursos do Espaço f/508: aqui

O melhor de dois mundos

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Você já imaginou, um dia, ter ao alcance das mãos, na hora que desejar, um livro sobre tradições de outro lado do mundo, lindamente ilustradas, que te façam mergulhar numa realidade distante, mágica e inspiradora?

Eu sou uma fã declarada destes nossos tempos, de tecnologia ao alcance dos dedos. E quando vejo um trabalho como o que a Luda Lima fez com o ebook Arjuna, o guerreiro notável, fico ainda mais encantada.

Já pensou colocar a delicadeza da aquarela, com suas cores suaves e sua textura quase palpável, dentro da tela de uma tablet? Pois a Luda fez isso. E, transformando seus desenhos leves e sonhadores em ilustrações animadas, contou a história épica hindu que vai te teletransportar diretamente pra Índia, com suas cores, seus mantras, sua cultura.

O lançamento deste trabalho lindo desta que é uma das artistas mais incríveis da cidade acontece daqui a pouco, no Objeto Encontrado.

Bora?
Lançamento do ebook Arjuna, o guerreiro notável
Hoje, 25 de março, às 18h, no Objeto Encontrado
CLN 102, Bloco B (nos fundos da Drogasil)
Vai ter mostra dos originais das ilustrações e venda de cartazes com os desenhos do livro.

Um findi franco-brasiliense

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Você já foi no Bazar da Francofonia?

Todos os anos, a Aliança Francesa e a Embaixada promovem eventos super legais nesta época do ano: filmes, shows, palestras e um bazar bem legal, em que embaixadas e empresas de alguma maneira ligadas ao DNA francês levam seus produtos para expor ao pessoal.

Este ano, a festa acontece nos jardins da própria Aliança e motivos não faltam pra você aparecer: tem os pães da Boulangerie, os patês deliciosos do Realejo, queijos de cabra, vinhos… E tem também livros, presentes, produtos das embaixadas. Eu e o Dani vamos levar a Rua de Todo Mundo e o Chéri à Paris para lá também.

No sábado, estou de olho em um evento bem mais tipicamente brasiliense: o lançamento do jornal Pimba – produção da galera baseada no Sindicato, que marca mais um grande momento dos quadrinhos do quadradinho. Estou aguando pra ver a produção.

Ou seja, sábado meu coração é entusiasmadamente brasiliense, domingo mon coeur rentre en France pendant quelques heures.

Bora?
Lançamento do Jornal Pimba
Sábado, 22 de março, a partir das 15h
Sindicato, SHIGS 705, bloco A, casa 35

Bazar da Francofonia
Domingo, 23 de março, a partir das 10h
Aliança Francesa, SEPS 708/908

A gente não quer estacionamento subterrâneo na Esplanada

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A gente quer ônibus. A gente quer metrô. A gente quer bonde. A gente quer tramways. A gente quer políticas públicas que desestimulem os carros mono-ocupados.

A gente quer calçadas. A gente quer vias fechadas para o tráfego de carros, que transformem em verdadeiros pontos de encontro urbanos. Queremos que mais dias da semana sejam um domingo no Eixão.

A gente quer ciclovias. A gente quer vias de rodagem onde a convivência de ciclistas e carros seja pacífica, possível. A gente quer vias que funcionem numa velocidade mais humana.

A gente quer bicicletas de aluguel – que sejam baratas, pagáveis, ou que tenha um sistema de empréstimo para quem não puder pagar. Porque, ao contrário do que ouvimos quando éramos crianças, a gente não tem cabeça, tronco e rodas, não. A gente tem pernas – e queremos utilizá-las.

A gente quer parques. A gente quer praças. A gente quer gente na rua. A gente quer iluminação pública, pra ter gente na rua mesmo de noite. A gente quer segurança pública. A gente quer quadras poliesportivas. A gente quer comércios abertos próximos a esses lugares, onde a gente possa comer e beber, que dê movimento de pessoas. A gente quer eventos públicos e gratuitos.

A gente não quer estacionamento subterrâneo na Esplanada. A gente não quer mais estacionamento em lugar nenhum. A gente quer que as pessoas tenham tantas ofertas boas, fáceis, acessíveis de transporte que elas não queiram tirar seus carros da garagem. Que, aliás, elas nem queiram ter um carro. Que elas nem se lembrem que carros existem.

A gente quer que todo mundo leia isto e isto antes de optar por uma solução simplória de quem resolve problemas sem levar em conta não o que somos hoje, mas o que queremos ser.

Entendeu?

Bora?
O Correio Braziliense está fazendo esta enquete. Pense bem em que cidade você quer viver e opine.

* foto emprestada daqui.