Sobre o sorteio do Processo Criativo

Atenção você que quer participar do sorteio de uma vaga no curso Processo Criativo. Não, o resultado ainda não saiu, mas juro que na sexta-feira ele sai!

A questão é: percebi que muita gente interessada está esquecendo de colocar um contato nos comentários. Não esqueça de acrescentar, no seu comentário, um e-mail ou telefone, caso contrário seu nome não vai ser incluído no sorteio, ok?

Até sexta!

O clique – e o que está por trás dele

perspiration

Primeiro você tem uma ideia. Uma ideia maneira. Você gosta dela, resolve apostar, realizar. Papel em branco, panela e ingredientes, tela do computador – tudo pronto. Primeiros traços, primeiras linhas e aí… nada sai exatamente como você tinha pensado. E você, adivinha?, desiste.

Quantos milhares de projetos você já não abandonou nesse estágio? Eu, muitos. No ano passado, pela primeira vez, eu terminei um projeto. Terminei bem terminadinho. Terminei e mandei pra gráfica e distribuí e tive a alegria de celebrá-lo com centenas de crianças, como vocês sabem.

E sabe de uma coisa? A melhor parte da minha ideia – quem leu A Rua de Todo Mundo sabe qual é – não existia quando eu quis escrever um livro sobre multiculturalismo. Ela só nasceu no meio daquela loucura de textos, madrugadas, desenhos, retoques – quando eu já estava escrevendo o livro.

Toda ideia legal é fugidia, mutável, maleável. O que tem de transformadora, tem de transformável. Mas ela nunca, nunca mesmo, cai pronta do céu – ela só nasce com muito trabalho em cima. Trabalho e informação.

Estou contando tudo isso porque Brasília recebe mais uma vez, em maio, o curso Processo Criativo. Uma grande oportunidade pra quem quer dar um empurrãozinho na criatividade, entender seus caminhos, seu funcionamento e fazer andar os projetos que estão há tanto tempo no fundo da gaveta.

Aqui você lê mais sobre o curso e aqui, uma entrevista bacana com Charles Watson, o professor que tem uma fama inspiradora e polêmica – adorado por uns, temido por outros – e que parece agregar muito mais do que o óbvio no assunto criatividade. O curso não é lá muito barato – mas quem já fez assegura que vale a pena.

Quer participar mas está sem grana? Boa notícia: o Quadrado tem uma vaga para sortear. Comente aí, com seu nome e uma forma de contato, e-mail ou telefone.

Boa sorte! – e boas ideias!

Bora?
Processo Criativo – módulo II
De 8 a 10 de maio, no Instituto Cervantes
SEPS 707/907, lote D
Inscrições: R$ 480 (em até doze vezes)
Informações: processocriativo@virginiamanfrinato.com.br, 9974-4633 e 8188.2757

A cidade construída

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Madrugada no Planalto Central. Os primeiros minutos de 21 de abril de 1960. Todas as autoridades do país estão reunidas para a missa em ação de graças celebrada ao ar livre em um altar montado na entrada do Supremo Tribunal Federal. O cardeal-arcebispo de Lisboa, que comandou a celebração, trazia o crucifixo de ferro usado na primeira missa do Brasil. Só o altar estava iluminado – Brasília inteira ouvia em silêncio e às escuras as bênçãos que lhe desejavam. De repente, durante a execução do Hino Nacional Brasileiro pela Banda dos Fuzileiros Navais, toda a iluminação da Esplanada dos Ministérios é acesa de uma só vez. Na primeira fila de cadeiras, o presidente Juscelino Kubitschek chora

Um trabalho incrível me levou a ler muito, nos últimos tempos, sobre a inauguração de Brasília. Antes disso, eu nunca soube desse grand finale – que era na verdade, um grande começo – da madrugada daquele dia há 54 anos. Confesso que quase chorei junto com JK lendo essa descrição.

Num movimento duplo, tenho, ao mesmo tempo, me distanciado como nunca do discurso saudosista de todo 21 de abril. Me emociono com a inauguração da cidade com olhos bem abertos pro presente – pra galera que ocupa a cidade, pro PicNik, pros Criolinas, pro Forró de Vitrola, pras camisetas do Verdurão, pros monstrinhos de Brasília.

A cidade construída pela teimosia de um cara, com o trabalho duro de milhares de cabras da peste que ergueram na força do braço uma capital monumental em apenas três anos, está, finalmente, se construindo por conta própria. Está existindo. Brasília, agora, é.

Andamos feriadando bastante nos últimos dias, mas não poderia deixar o dia acabar sem lembrar vocês: PicNik bombando no Calçadão Norte, Orquestra Sinfônica no Olhos d’Água, Nação Zumbi e Paralamas na Esplanada. Escolha seu destino e comemore Brasília: ela é você.

Indie-gestão

indiegestao

Tem gente que trabalha. Tem gente que rala muito. E tem gente que faz milagre – como a minha amiga Flavia, que toca o Centro Cultural Elefante.

Um centro cultural com exposições de ponta, escolhidas a dedo entre os melhores artistas contemporâneos de Brasília e do mundo todo. Com cursos, formações em temas contemporâneos com professores extremamente bem formados. Instalado num bequinho da W3 Norte, com um charme indie incrível, pra que tudo fique ainda melhor.

Investir na formação e promoção da arte contemporânea no Brasil, e em Brasília especificamente, muitas vezes parece como semear no deserto. E não é a Flavia que fala isso, não – sou eu mesma. Eu, que vejo meio de longe, como a neófita que sou em arte, a luta dela pra erguer o centro, encontrar pautas incríveis, divulgar, construir uma cena artística de ponta, sempre com um sorrisão no rosto.

O Elefante está com uma agenda incrível este mês. Duas exposições bacanas, cursos com professores que têm formações incríveis – e hoje vai rolar um bate-papo imperdível para pessoas que, como a Flavia, dão um duro danado pra dotar a cidade de uma cena decente em arte contemporânea.

Uma conversa com Samantha Moreira, do Ateliê Aberto de Campinas, e Joana Meniconi, do JA.CA Jardim Canadá Centro de Arte e Tecnologia, de Belo Horizonte, que vão falar sobre gestão de espaços autônomos de arte. Lugares tipo o Elefante – e, quem sabe, aquele que você sempre sonhou em abrir.

É a chance de conhecer esse espaço maneiro – da melhor forma possível.

Bora?
Conversa aberta com Elefante Centro Cultural
Hoje, 17/04, 18h
Elefante Centro Cultural
W3 norte, 706 comercial, entreblocos B/C, Loja 45
(atrás das Óticas Brasilienses)
3541-3146 (salva o telefone no seu celular!)

Aleeeecrim, alecrim dourado

alecrim

O feriado está chegando e eu só penso em uma coisa: chocolate. Comida. Almoço de Páscoa. Os quilos que eu terei ganhado na semana que vem. Mentira, não estou pensando nos quilos ainda, que eu não sou estraga-prazeres.

A hora agora é de colecionar receitas. Depois, fazer as compras. E torcer pra ainda estar animadinha assim quando o domingo chegar.

Se você também é um feliz cozinheiro de final de semana, mas não tem tanto saco assim pra receitas, compras, louças sujas e o eterno medo de alguma coisa dar errado no meio do caminho, essa sugestão vai te cair como uma luva: essa turma chamada Alecrim teve a ideia mais legal de todas. Eles te ajudam a cozinhar em casa.

Você escolhe o menu. Eles te entregam em casa tudo o que você vai precisar para realizar seu grande prato, com instruções detalhadas. Os ingredientes vêm em porçõezinhas já prontas – como se a assistente da Ana Maria Braga já tivesse deixado tudo no jeito pra você. Na tampa de cada porçãozinha, um número que mostra em que passo da receita entra cada ingrediente. (Ideia providencial, quando pensamos que há pessoas por aí que confundem abobrinhas com pepinos, né, Beto?)

Daí é só entrar em cena, misturar isso com aquilo, dar seu toque de classe, tirar uma foto pro insta e tcharans: servir sua beleza de almoço.

Não é demais a ideia? Se impressionar sua família e amigos está nos seus planos pro feriadão, corre: hoje é o último dia pra fazer pedidos do menu de Páscoa.

Bora?
Alecrim
Pedidos pela página no facebook ou pelo email oialecrim@gmail.com

Um brownie, dois brownies, três brownies pra mim

foto

Meus filhos tem uma relação intensa com aqueles pedacinhos de pecado embalados em papel brilhoso que estão sempre – demasiadamente – ao alcance das mãos nas gôndolas de mercados e padarias de Brasília: o tal do Mister Brownie.

Basta dizer que, na competição entre a padoca da esquina e o café chique que ficam na nossa quadra, eles normalmente  escolhem a padoca para começar o sábado – com o fortíssimo argumento de que, adivinhem, lá tem Mister Brownie (que se danem os croissants chiques).

Fiquei super feliz de descobrir, lendo a embalagem, que esse sucesso astronômico é manufaturado aqui mesmo em Brasília, logo ali na 108 Norte. Daí, numa incursão que em muito me lembrou a Fantástica Fábrica de Chocolate (em tamanho mini), fomos conhecer como são feitos esses bolinhos deliciosos.

E num mundo onde tudo o que é industrializado é feito com fórmulas, pós esquisitos, conservantes e afins, fiquei feliz de ver ovos, leite, chocolate, doce de leite – tudo o que existe numa cozinha de verdade, só que em tamanho ampliado. Talvez isso não torne nosso amigo brownie num exemplo de lanche propriamente equilibrado e saudável – mas sem dúvida faz dele um exemplo de lanche deliciosamente delícia, que os meninos amam e que adoraram conhecer mais de perto.

Lá na loja da 108 dá para comprar modelos de sabores variados, diferentes do tradicional que vemos por aí. Rola, ainda, de encomendar em maior quantidade – e até numa embalagem toda lisa, prateada ou dourada, bacana de personalizar para festas de aniversário e de casamento.

Agora, para a Páscoa, tem ainda umas embalagens especiais, sugerindo trocar os tradicionais ovos de chocolate por esses bolinhos simpáticos. Além da oportunidade de espiar a pequena fábrica de onde saem dez mil delícias todos os dias.

Bora?
Mister Brownie
SCLN 108, bloco D, loja 66/72 (pelos fundos do prédio)
3347-0208

Sobre publicar um livro

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Publicar um livro é: colocar um pedaço de você no papel. Você ali, na mesa, na prateleira, exposta, acessível, ao alcance de outras pessoas. Outras pessoas que vão interagir com o pedaço de você, vão sonhar junto, imaginar – e transformar aquilo em outra coisa.

Eu, que escrevo para crianças – e crianças são generosas – posso dizer que recebi delas, com este livro, muito mais do que coloquei no papel. Descobri com elas milhares de sentimentos, sonhos, imagens que eu não tinha quando escrevi meu livro. Elas escreveram comigo, ampliaram meu livro – a Rua de Todo Mundo é hoje muito mais do que era há quatro meses, quando ficou pronto.

Quando eu me apaixonei pela ideia de falar de todas as crianças do mundo, meu livro era basicamente sobre multiculturalidade. Sobre o amor às diferenças, a simplicidade da infância, a falta de preconceitos e a falta de barreiras de que são dotadas as pessoas nessa fase linda e complexa da vida. Com as crianças, aprendi que a Rua é também um livro sobre o protagonismo infantil, sobre dar a elas a voz para que se exprimam – e sobre como elas fazem coisas maravilhosas quando têm a oportunidade. Percebi que é também um livro sobre o meu próprio protagonismo – sobre como, a partir da inspiração e da força dos meus amigos do Selo Longe, eu ter me dado o direito de escrever, desenhar e publicar. E sobre como cada um de nós pode e deve fazê-lo.

Eu acreditei muito na ideia que tive quando quis escrever esse livro. Mas acreditar não bastou, não – descobri que se apaixonar por uma ideia e não realizá-la pode ser muito perigoso. Como numa paixão platônica, a ideia é sempre mais bonita enquanto não vira realidade – mas como numa paixão platônica, se isso não mudar ela será irreal pra sempre.

Dezenas de noites de pouco sono, em que fiquei acordada até às três da manhã – para em seguida me levantar às seis e retomar a rotina de todos os dias – foram necessárias para que o texto ficasse como eu queria, os desenhos ganhassem forma e cor, as páginas se organizassem numa sequência que me agradasse.

E ele ficou pronto. Pronto e imperfeito, como são todas as ideias realizadas. Pois foi imperfeito mesmo que ele cresceu e ganhou as casas de centenas de crianças.

Os mil exemplares que imprimi já estão quase no final. E não bastasse o reconhecimento de quem entende de literatura infantil com o coração, A Rua de Todo Mundo foi agora reconhecida também por quem entende por profissão. Minha historinha escolhida para ser lançada na Bienal do Livro e da Leiturae hoje, no finalzinho de tarde, vou levar o restinho da tiragem para compartilha-la com aquela galera inacreditável que está ali no canteiro central da Esplanada.

Coincidência ou não, são três e meia da manhã e eu estou aqui, na maior insônia do mundo, esperando essa hora chegar. Como se eu e minha ideia ainda tivéssemos trabalho a fazer, estou aqui, lutando mais uma vez com as letrinhas – dessa vez, para convidar você para vir compartilhar esse momento comigo.

Bonita e descansada eu não vou estar, não. Provavelmente nem calma. Mas feliz, com certeza.

Bora?
Lançamento da Rua de Todo Mundo na II Bienal do Livro e da Leitura
Hoje, segunda-feira, 14/04, às 18h
Café Literário, II Bienal do Livro e da Leitura
Canteiro central da Esplanada dos Ministérios, na altura do Museu da República