O sanduíche que te apoia nos momentos difíceis

Semana passada eu cumpri a promessa do pré e do pós-jogo, mas não dei a dica para o durante. Não sei se alguém percebeu, mas resolvi pagar minha dívida de qualquer jeito – devo, não nego, aquela coisa toda…

O importante é que a dica não perdeu a validade, temos alguns jogos pela frente e, além do mais, não é só na Copa que a gente precisa do Boi Laranja – o trailer do Paulão, na 306 sul, que vende sanduíche de verdade, na chapa e sem frescuragem: pão francês, bife, ovo, salsicha, bacon, queijo, cebola e tomate.

Essa é a receita do Boi Com Tudo, o carro-chefe da casa. Para os menos desesperados, o Dog já basta: pão, salsicha, fatias de tomate e cebola. Não é um cachorro-quente tradicional, e eu adoro o clássico, mas vou te dizer: apaixonei por esse diferente.

Talvez porque eu já estivesse com a sobriedade prejudicada no intervalo do jogo. Talvez porque aquele Dog tenha salvado a minha vida – e o foco da minha visão no segundo tempo. O fato é que o sanduíche é muito bom, confie em mim. Ele te ajudará nos momentos mais difíceis.

Parte de uma família de comerciantes, Paulão já teve três bares na comercial onde trabalha até hoje, até abrir o trailer. A inspiração veio dos avós, que vendiam pão com bife no interior de Minas. “Resolvi inventar uma coisa diferente, mais original, e lembrei do cheirinho que sentia quando era garoto”, diz o mineiro de 59 anos. Além dos sanduíches, que custam entre R$ 5 e R$ 8,50, o trailer serve omelete e até macarrão instantâneo.

Conversando com Paulão, descobri um motivo especial para dar essa dica durante a Copa. Ele se mudou para Brasília em 1959 porque o pai, Edson Galba, veio jogar na primeira seleção de futebol da cidade. Galba, segundo os registros da época, era o craque do Planalto (olha ele na foto abaixo: é o segundo da direita para a esquerda, em pé).

edson_galba

Bora?
Boi Laranja
Trailer na comercial da 306 sul, de frente para o supermercado Comper
De segunda a sábado, entre 18h e meia-noite
Tel: 8565-1604

Dica pós-jogo: overdose de forró e arraiá

forróO jogo começa cedo, então dá tempo de se estragar, se recuperar e se estragar de novo. Então, anote aí: amanhã à noite, vai ter um arrasta-pé dos bons no Setor de Mansões do Lago Norte. A festa Forró Sem Dó tem DJs padrão Luiz Gonzaga de qualidade – Tiago Pezão e Cacai Nunes – e a banda Chinelo de Couro, formada por quatro mulheres que tocam o melhor forró de todos: o pé de serra, de raiz, sem muita invenção tecnológica.

O pessoal promete ainda fogueira, quentão, barraca do amor, cadeia, quadrilha e comidas típicas. Os ingressos serão vendidos no local, a R$ 20, e fiquei sabendo que homem não paga nada até as 23 horas. É a primeira vez que vejo incentivo para homem entrar em festa e não o contrário, é isso mesmo Arnaldo?

Dormiu, acordou e está pronto para outra. Se não achar excesso de festa junina por metro quadrado, corre para o CCBB que vai ter arraiá, com Pedro Luís e Chico César cantando Jackson do Pandeiro e mais de 30 barraquinhas de comidas típicas. O incansável Cacai Nunes também vai estar lá, com seu projeto Forró de Vitrola.

As barraquinhas serão comandadas por restaurantes da cidade: Balaio Café, Universal Diner, Crepe Royale, 4Doze, Panelinha e vários outros. A notícia ruim é que, neste ano, o arraiá não é gratuito, mas, pelo menos, o ingresso é democrático: R$ 10 a inteira e R$ 5 a meia. Você pode comprar antecipadamente na bilheteria do CCBB ou pela internet.

Bora?
Forró Sem Dó
Sábado, a partir das 20h, no Atelier Lourenço do Bem
SMLN MI 8, conjunto 2, casa 18
Ingresso no local: R$ 20 (homem entra de graça até as 23h)

O Brasil de Jackson do Pandeiro
Domingo (29), a partir das 16h, no CCBB
Show com Pedro Luís e Chico César – 20h30
Ingresso: R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia)
Compra antecipada: bilheteria do CCBB e pela internet

Dica pré-jogo: sexta de leilão

taigo

Nesta semana em que todo mundo só pensa em onde roer as unhas no sábado, venho por meio desta oferecer uma dica para o pré-jogo, uma para o durante e outra para o pós.

Começaremos com o pré: sexta-feira pode ser seu dia de sorte em outro quesito. O antiquário Pé Palito vai fazer um leilão de arte com uma mistura interessante: nomes consagrados e a nova geração de artistas plásticos e fotógrafos de Brasília, tudo junto.

Isso significa juntar Athos Bulcão, Antônio Poteiro, Francisco Galeno e cia com Diego Bresani, Flora Egécia, Silvino Mendonça, Hannah Gopa, Taigo Meireles, etc, etc, etc. São muitos os nomes e muita gente boa. Dá até medo de participar.

O leilão começa às 20 horas e você pode participar pessoalmente, lá no Pé Palito (112 Norte) ou pela internet, basta se cadastrar antes no site. O catálogo vai estar exposto hoje e amanhã na loja, das 14h30 às 19h, e também pode ser acessado aqui.

As dicas para o durante e o pós eu mando depois, tenha fé.

Bora?
Leilão de arte “Em Foco”
Sexta-feira (27)
19h – coquetel
20h – pregão
Endereço: Pé Palito Antiquário & Arte (112 Norte, bloco D, salas 201 / 205)

Imagem acima: Taigo Meireles – “Gol do Pelé”

Missão do dia: levar minha amiga para ver fotografias

amanda

A Carol acha graça de mim por estar pensando em exposição de arte durante a Copa. A minha querida amiga fanática futebolística está absorvida pelo campeonato que – segundo ela diz, mas ainda duvido – a transforma num ogro histérico em frente à televisão. Então aqui está minha árdua tarefa: convencer a Carol e todos os outros cidadãos monotemáticos que a vida lá fora continua, que os ipês já começaram a florir e que dá tempo de escapar para um universo paralelo, aquele onde não há bola, nem gol.

Amanhã, por exemplo, não tem jogo do Brasil, mas sabe o que tem? A abertura da Mostra de Fotografia Contemporânea na Alfinete Galeria, com participação de artistas de Brasília, São Paulo, Caracas, Berlim e Copenhague. A curadoria é da fotógrafa Hannah Gopa, que voltou para Brasília há pouco tempo e já movimenta a cidade com boas ideias.

A mostra reúne trabalhos que questionam os limites da fotografia clássica e misturam seus trabalhos com outras linguagens, como colagem, performance e instalação. Parte dos artistas da mostra integrou o primeiro Núcleo de Produção em Fotografia Contemporânea, organizado por Hannah na Galaria Ponto. É o caso da brasiliense Amanda Ourofino, formada em artes plásticas e com mestrado em Comunicação.

Amanda está presente com a série En(caixa)tada, na qual ela mesma é a personagem, presa e liberta. “Eu encenei uma visão do meu inconsciente em que a caixa é parte de mim e do meu corpo, buscando investigar sentimentos como o medo, a baixa autoestima, a autoimagem e a limitação de mim mesma”, conta.

Além de Amanda, participam da mostra: Claire Laude, Diana Rangel, Fernando Xavier, Gregório Soares, Helena Wolfenson, Julie Nymann, Maria Bilbao, Renato Perotto, Silvino Mendonça, Thalita Perfeito, Thales Noor, Yana Tamayo e Vinícius Fernandes.

O pouco que vi das fotos já foi muito. Retratos lindíssimos, sensíveis, longe do comum. Vamos, Carol? De lá, te levo na Mimosa Junina, no Objeto Encontrado, para te provar por A+B que é possível ser feliz sem o Galvão.

Bora?
Mostra de Fotografia Contemporânea
Alfinete Galeria – 116 Norte, bl B
Abertura: Sábado (21), às 17h
Visitação: de 24 a 28/06
Evento no face: aqui

Mimosa Junina
Objeto Encontrado – 102 Norte, bl B
Sábado (21), das 16h às 22h.
Evento no face: aqui

Bem-vindas, gentes!

10458308_10152106440381640_2376195273342848701_n

A Copa é legal. O Brasil jogar hoje é muito massa (especialmente se ganhar, e vai ganhar). Mas a melhor parte é andar por aí e ver a cidade cheia de turistas curiosos, decididos a descobrir o que é Brasília tem.

Eu confesso: virei relações públicas de Brasília. Trabalho dentro de uma das imensas esculturas de Niemeyer que naturalmente atrai os turistas nas imediações. Então, desde a semana passada, tenho me divertido dando informações, ajudando a encontrar entrada, saída, descobrir horário de visitação. Acho que vou mandar fazer uma camiseta “Posso ajudar? Can I help?”, que nem vendedor de loja.

Depois que um amigo salvou um casal de perdidos que procurava o Calaf numa tarde em que nada acontecia por lá, preparei um kit de sobrevivência: um papel onde anotei o endereço de vários pontos legais da cidade. Bares, lugar pra ver o por do sol, CCBB pro piquenique, meus restaurantes favoritos. Agora vivo em busca da minha próxima vítima: o próximo gringo a quem vou repassar meu mapa da mina brasiliense.

Ou seja, o quadrado agora virou um pedaço de papel escrito num inglês porco e cheio de rasuras. Não é bonitinho como isso aqui, mas é uma desculpa pra ajudar, interagir, fazer o que pessoas aleatórias já fizeram por mim em Londres, em Praga, em Buenos Aires – e que mudou meu jeito de olhar pra essas cidades.

Sabe?, ter um blog é legal, mas ser legal é mais legal ainda.

Foto roubada do @felipecampbell

A Copa espinhosa

foto (3)

 

Metade dos meus amigos não está nem aí pra Copa. A outra metade, onde eu me incluo, não consegue pensar em outra coisa.

Notícias da minha metade do mundo: bandeirolas, cornetas e bandeiras estão em fase de extinção nas melhores lojas do ramo. Se você ainda não enfeitou sua casa e sua vida, corra.

Sim, há festas pipocando pela cidade, mas nada que ainda tenha me enchido os olhos. Acho que a galera vai é ficar em casa e comemorar – se Deus quiser – onde der na telha depois. Aqui tem uma listinha de bares com telões, se você estiver nessa vibe. E se você tem dicas, compartilha com a gente nos comentários.

Pra outra metade: o Objeto Encontrado lançou o Copacaguey, uma iniciativa engraçada e meio nonsense. E senão, tem sempre cinema, parque, bike, as delícias de sempre da cidade. Que, se depender de mim, estarão beeeeem à disposição de vocês.

Claro que não estou embarcando nesse trem com o coração leve. Como todos vocês, penso nisso com muita frequência. Ao mesmo tempo em que me emociono vendo isso e quase não consigo ficar sentada na cadeira vendo isso. Aqui, uma matéria que escrevi há quatro meses, em que exponho todas as contradições que carrego comigo sobre a Copa.

Com contradições ou sem contradições, hoje tem Copa. Bora, Brasil!

Volta, Balaio!

balaio

O Balaio Café não é só um café. É um ponto de encontro. É uma filosofia de vida.

É um lugar onde nós – que somos cultura, movimento negro, homossexuais, nós, que somos heterossexuais, que somos trans, que somos tudo, nós, que somos igualdade, que somos noite, que somos dia, que somos café, cerveja e pinga, nós, que somos família, que somos periguetes, que somos samba, que somos modernos, que somos rock, nós que somos paixão, que somos paquera, que somos casamentos longos e duradouros, nós, que somos alegria – nos encontramos diariamente.

Cada dia, um show, um lançamento de livro, uma sessão de cinema. Cada dia, um motivo para sair de casa, encontrar gente, celebrar a vida.

Nós somos o Balaio. O Balaio que foi fechado ontem sob o mesmo argumento de sempre: descumprir a Lei do Silêncio. A Lei do Silêncio que nos impõe um limite de produção sonora restrito aos 55 decibéis que são produzidos, sozinhos, pelos carros que passam na rua em frente ao Balaio. Essa lei não nos convém, já falamos disso. Essa lei serve de desculpa para os que não querem a cidade viva – e, quem sabe, para aqueles a quem a nossa diversidade incomoda um bocado.

O Balaio assinou hoje um termo de ajuste de conduta e deve reabrir as portas em breve. Enquanto isso, é hora de voltar a discutir a mudança na lei. E assinar aqui, em apoio ao Balaio – que somos todos nós.