Um universo lindo e paralelo perto daqui

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Você, que já entrou em uma caverna aqui por perto, já sabe como é, certo? Sabe exatamente o que se encontra no subterrâneo, a paisagem, as sensações. Só que não, viu? A verdade é o que o Alessandro, nosso guia de 27 anos que prefere ser chamado de Sandro, revela: “Quem nunca veio a Terra Ronca, não sabe o que é uma caverna de verdade”.

Como contei antes aqui, descobri a existência do Parque Estadual de Terra Ronca fuçando o site do Passaporte Verde, campanha do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) que nos convida a cuidar melhor dos lugares que visitamos. Trinta e cinco anos de brasiliense e eu ainda não sabia que tínhamos, a 390 km daqui, o maior parque de cavernas das Américas.

Uma semana depois da descoberta, lá estava eu, indo em direção ao noroeste de Goiás, quase divisa com a Bahia. São mais de cinco horas de viagem, sendo uma hora em estrada de terra, que está em boas condições, mas mal sinalizada. Pelo menos duas vezes encontramos uma bifurcação sem placa – na dúvida, seguimos no que parecia ser a estrada principal e deu certo. Mas esquente não. Aqui e acolá tem um povoado, onde dá para pedir informações.

Criado por uma lei estadual em 1989, o parque pertence ao Governo de Goiás. A região é pouco divulgada e explorada. Dentro do parque, são três as pousadas principais, todas simples e com poucos quartos, e apenas cinco guias atuantes. Não são muitos os turistas que vão até lá e têm a sorte de entrar naquele universo lindo e paralelo.

O número de cavernas do parque é incerto, mas estima-se que sejam mais de 200. Das cinco mais visitadas, tive tempo de conhecer duas: a São Matheus, considerada uma das maiores e mais bonitas do País, e a São Bernardo. Descrever as duas é uma tarefa inglória, talvez por isso eu tenha travado antes de escrever este post. Não há foto ou palavra que defina aquilo que eu vi.

A descida é íngreme até se chegar à boca da caverna, 200 metros abaixo da terra. Quando eu parei para olhar, do topo ou lá de baixo, tive algumas crises de riso. Não dava para acreditar que eu seria capaz de descer ou de subir aquela montanha de pedras – mas eu desci e subi, e foi surpreendentemente tranquilo. Um passo de cada vez.

Não dava para acreditar que eu passaria 4 horas lá dentro, andando por mais de 1 km naquele buraco gigantesco, no breu absoluto não fossem as nossas lanternas, e que eu não me sentiria agoniada, claustrofóbica, medrosa. Mas passei, e as horas simplesmente voaram, enquanto eu me hipnotizava no planeta subterrâneo, totalmente em paz.

O silêncio só é cortado pelo rio, cristalino e raso, que atravessa toda a caverna e forma pequenas cachoeiras subterrâneas. Animais ali são raros: uma aranha aqui, um bagre cego ali, e morceguinhos que só aparecem raramente e que não saem de perto do teto alto.

A cada curva que fazíamos, um novo salão se abria, com formações calcárias gigantescas – colunas de estalactites, estalagmites e outros nomes estranhos que batizam as formas mais bizarras já vistas por esta pessoa aqui. Tudo formado por um trabalho de paciência que só a natureza é capaz: a conta gotas, que escorrem entre as rochas e pingam lentamente há 600 milhões de anos.

Sandro, o guia que nos apresentou um mundo novo, reclama da falta de fiscalização nas cavernas e da visitação irresponsável, que destrói parte desse trabalho milenar. Cuidadoso, ele monitora cada passo nosso, preocupado com a nossa segurança e também com a preservação da caverna. “O ser humano é muito egoísta”, diz o baiano que caminha pelas cavernas de Terra Ronca há 15 anos. “Se todo mundo que vier aqui arrancar alguma coisa e levar para casa, daqui a pouco isso tudo não existe mais.”

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Bora?
Parque Estadual Terra Ronca
390 km de Brasília, via Formosa – mapa aqui
Cavernas mais visitadas: Terra Ronca I e II, Angélica, São Bernardo e São Mateus.
É imprescindível ir com guia – eles cobram R$ 100 por dia de passeio.
Pousadas: Estação Lunar, Terra Ronca, São Mateus.

Cuide do lugar que você visita: veja aqui

[Este post é patrocinado e faz parte da campanha Passaporte Verde]

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