A vida adulta e o Festival de Cinema (ou: tô velha)

cinebrasilia

A foto não mostra, mas dá pra ver, não dá? Esse cenário aí em cima fervilhando de gente e você encontrando amigos aleatórios aqui e ali. No meio do povo, ops, um ator, um diretor que você ama. Um filme totalmente novo na tela, comentários cabeça do seu amigo cineasta, da sua amiga que tem um blog de cinema, uma cervejinha no final.

Ah, meus tempos. Ah, meus bons tempos. Em que eu chegava ali pelo finalzinho da tarde, ficava a noite toda, noite após noite, repetindo o script acima. Há dez anos, hoje seria o dia mais feliz do ano pra mim.

Tenho tentado ensaiar o mesmo entusiasmo. Organizo toda a minha vida, escalo marido, pai, mãe, babá, tias – e consigo ir um dia. Dois, no máximo. Eu tento, mas não tem a mesma graça.

A graça do Festival de Cinema é ir em tudo. É ir todo dia. É comparar o filme de hoje com o filme de ontem, é ter o seu preferido, é estar torcendo por alguém.

Hoje à noite, enquanto eu estiver revisando o dever de casa com o João e o Pedro, centenas de pessoas vão estar executando com maestria meu script da noite perfeita no Festival do Cinema. Se for o seu caso, aproveite sem moderação. E pense em mim na hora que a luz se apagar devagarzinho e filme estiver prestes a começar.

Bora?
Programação completa do Festival do Cinema, de hoje a 23 de setembro.
Noite de lançamento hoje apenas para convidados.

5 respostas em “A vida adulta e o Festival de Cinema (ou: tô velha)

  1. Ah, Carol… super compartilho da sua nostalgia. Mas sabe o que eu sempre penso? Quando as crianças estiverem crescidas (a minha hoje tem 5), voltaremos a ser ratas de festival. Festivais de cinema, de teatro, bienal do Livro, abertura de exposição, e de tudo o mais que rolar de bom nessa cidade. Você conhece o Coutinho? É um professor aposentado da UnB, de Arquitetura. Está beirando os 80 anos e é absolutamente onipresente em todos os eventos culturais buena onda da nossa cidade. Pode reparar, ele está sempre lá. Quando me ocorre de aparecer em um evento desses, invariavelmente dou de cara com o Coutinho. Meu ídolo! Eu sempre olho para ele e imagino: eu quero ser assim. Me recusarei a envelhecer e me deixar vencer pelo Alzheimer, pelas dores de coluna, pelo medo da multidão. Vou continuar consumindo cultura, enfrentando filas para os eventos gratuitos, respirando o ar do burburinho, apreciando as boas vernissages. Se preciso, sentarei no chão para assistir a uma peça (que nem o Coutinho) ou a um filme inédito do Festival. Brasília tem lá os seus defeitos, mas é uma boa cidade para criar filhos. E também é uma boa cidade para envelhecer. Ah, e enquanto esse nosso auge senil não chega… levar as crianças à versão mirim do Festival é uma boa. É assim que a gente transmite a eles o gosto pelo que é bom da vida.

  2. Uma vez – há décadas – falei para minha chefe, após quase um ano de trabalho exemplar: esta semana tem o festival de cinema de Brasília. Chegarei de ressaca todos os dias.

  3. Carol, tenho a mesma sensação… Ainda mais que morei minha vida toda na 106 sul e 306 sul. Ia andando. Lembro de um ano em que o ingresso para um filme terminou e lembrei que o ingresso era igual ao vendido no cine Karim. Fui no Karim, comprei ingresso e entrei no Festival. Tb. lembro das festinhas que tinham após as exibições. Era fácil encontrar Rodrigo Santoro no ano de Bicho de Sete Cabeças na festa de encerramento e Selton Melo na porta da festa da Vivendo. A última vez que fui, eu não consegui sentir as mesmas emoções e necessidade de estar lá daquela época. Bons tempos…

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