A padaria francesa que acabou com a minha vida

La Paunière

O fim de semana está cheio de festas e eu só consigo pensar em pão. Não precisa me chamar de velha, não, porque já assumi minha idade mental avançada. A questão é mais grave, porém. Há duas semanas, abriu uma padaria francesa ao lado da minha casa e a minha vida acabou. Virou caso de dependência química, física e emocional.

La Panière é o nome dela. As portas mal se abriram e eu já estava lá, querendo beijar a mão da Laurence, uma senhora francesa de 63 anos, que mora em Brasília há mais de 30 e teve a ideia de abrir o negócio. Emocionada com aquele paraíso a 20 passos do meu sofá, saí de lá com a sacola cheia, totalmente descontrolada.

Foi aí que começou meu caso de amor com o carré (quadrado, em francês), nome que batiza o pão feito com a mesma massa da baguete, mas com textura que lembra o pão francês e com uma casca cro-can-te. Elisa, filha da Laurence, explica o segredo: “Enquanto a baguete é assada diretamente no lastro, o carré é assado na forma. É uma adaptação feita para o gosto brasileiro, porque o francês gosta de crostas mais duras.”

Aos 38 anos, Elisa se juntou à mãe para abrir o negócio. Nascida na Espanha e formada em ciências sociais na UnB, ela conta que nunca se imaginou trabalhando em comércio, muito menos em padaria. Embarcou na ideia da mãe e, hoje, fala apaixonada do novo trabalho. “É mágico ver a qualidade do pão, a reação dos clientes”, conta. “Os pães são fabricados sem química nenhuma, com método francês de fermentação. É muito delicado, exige tempo, cuidado e temperatura certa.”

La Panière é a mistura da história das duas com a de Bertrand, o padeiro de 33 anos que nasceu na Bretanha e morava no Canadá quando viu o anúncio online publicado por Elisa, em busca de um padeiro com experiência na técnica francesa. Topou o desafio e veio parar em Brasília, onde se impressionou com a velocidade com que os croissants desaparecem das prateleiras.

Uma das culpadas sou eu, viu Bertrand. Já saí da padaria com várias sacolas e, por enquanto, minhas paixões são o croissant (R$ 3,80), o pain au chocolat (R$ 4,10), o chausson com maçã (R$ 4,70) e a fougasse de queijo com castanha do Pará (R$ 9,50). Além, é claro, do meu novo relacionamento sério: o carré (R$ 4,20). Minha conta bancária poderá me xingar muito em breve, mas pelo menos o xingamento será em francês, talvez eu não entenda.

Bora?
La Panière – Pães artesanais
211 Sul, bloco A
Terça a sábado, das 7h às 20h. Domingo, das 8h às 14h. Segunda fecha.
Telefone: 3245-6280
Página no face: aqui

16 respostas em “A padaria francesa que acabou com a minha vida

  1. Não resistimos e fomos hoje mesmo depois do trampo. Aprovadissima!!!
    Por enquanto só venda dos produtos no balcão sem bebidas mas nos informaram que em breve disponibilizarão mesas para os clientes.

  2. Obrigado pela dica, padaria espetacular. Concordo com a dica da fougasse de queijo+castanha do pará. Tudo que comprei estava excelente, leve, crocante e feito com atenção e talento.

  3. Também fui conferir a dica e adorei!!! Folheados muito bem feitos, inclusive segui as dicas para as minhas escolhas, o chausson com maçã foi meu preferido. Voltarei lá em breve!! =D

  4. Pingback: Ela continua acabando com a minha vida | quadrado

  5. Pingback: A falta que faz o lugar afetivo | quadrado

  6. Muito bom e com preço justo. Não percebi abuso nos preços por se tratar de produto diferenciado. É disso que precisamos, verdade na qualidade e no preço do que consumimos em Brasília, chave para quem quer se estabelecer no mercado.

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