Onde hoje é silêncio, amanhã será cigarra

cigarra

Quando procurei um apartamento pra alugar, o critério número um era a janela – tinha de ser ampla e com uma linda árvore na frente. A muito custo, consegui encontrar uma janela pra chamar de minha, com um abacateiro gigante e verde praticamente grudado à sala. Atrás dele, um flamboyant vermelho pra completar a perfeição.

Sim, eu ainda acreditava na perfeição como algo atingível. Não, eu não sabia que embaixo dessas árvores vivia um exército de milhões de cigarras, que sairiam de baixo da terra todas ao mesmo tempo e invadiriam os galhos do abacateiro (aquele, grudado à sala), prontas para gritar mais do que criança com fome no shopping.

Aliás, devo um agradecimento especial à Carol por me ensinar que as cigarras podem passar até 17 anos embaixo da terra. Obrigada, amiga, por me presentear com a imagem dessa cena perturbadora: o dia em que as cigarras-zumbis saem da cova para assombrar a nossa vida.

Incentivada pelo conhecimento zoológico da minha companheira de blog, resolvi pesquisar sobre a vida das cigarras e encontrei outro dado assustador. Diz o pessoal da internet que a cigarra costuma urinar na hora em que ela foge da gente – ela elimina o excesso de líquidos para levantar voo com o corpo mais leve, o que facilita a fuga.

Peraí: então as 189 cigarras que já entraram no meu apartamento e que fugiram de mim, enquanto eu corria e gritava jogando revista pela janela e batendo a cabeça na tela do computador, ainda fizeram xixi como loucas na minha sala? Obrigada, Carol. Obrigada, internet.

Queria dizer que ainda amo você, janela. Você também, abacateiro. Não me arrependo de ter me juntado a vocês, não, nem por um segundo. Só aprendi que perfeição não existe e que, para ter o paraíso 11 meses por ano, é preciso um mês (ou até menos) de sacrifício. Claro que vale à pena.

PS1: Este texto é dedicado à cigarra que deu um “oi” pra mim ontem. Num gritinho rápido, ela me disse: “Cheguei.”

PS2: A foto acima é do meu amigo, meu salvador, meu super-homem, me salvando de uma cigarra transgênica. Foi tirada da fresta da porta da cozinha. Obrigada, Mateus.

27 respostas em “Onde hoje é silêncio, amanhã será cigarra

  1. hahahahaha, o melhor título e o melhor texto ever. obrigada por me apresentar esses dados tão precisos sobre as cigarras, que eu também desconhecia.

  2. Uma vez vi um espetáculo de dança por aí que tinha uma cortina de cascas de cigarras com luz atrás. Era a coisa mais linda de se ver. Foto clássica cigarril!

  3. Dani, você tem gato? Eles são sensacionais em caçar as cigarras (e qualquer outro inseto que se mexa). Inseticida ecologicamente correto (e confesso que adoro vê-los torturando as cigarras que invadem meu apê…rs…)

  4. Apenas um comentário: HAHAHAHAHHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHAHAHAAHHAHAHAHAHAHAHAHAAHHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHAHAHHAHAHA.
    Beijos.

  5. O melhor das cigarras, pra mim, é o sinal de que a chuva tá vindo. Claro, a seca é o meu período favorito em Brasília, mas depois de meses infinitos (e da cidade estar marrom de tanta seca), a chuvinha é sempre bem vinda. 🙂
    Existe um equilíbrio aí entre a época de seca e a época de chuva, né? Quando a gente cansa de uma, vem a outra…

  6. Quando mudei pra Brasília, há 9 anos, escrevi a crônica “A mentira de La Fountaine”, sobre estes bichos enormes. Passei a sair de férias em outubro para sumir da cidade, morta de medo. Agora tenho telas removíveis em todas as janelas do meu apê e sou muito, muito mais feliz! Rs

  7. E eu um dia fingindo q tinha coragem de pegar a cigarra!!!!
    No final eu é Mateus fomos humilhados pela intimidade q a Nima tinha com esses seres!
    Ela pegou com a mão, numa boa!!!

  8. ponha aquelas telas fininhas, muito comum nos apartamentos do plano piloto porém muita gente ainda não usa. nunca mais você precisará se preocupar com elas DENTRO da sua casa, nem nenhum outro bicho

  9. Pois eu mudei de país e sinto uma falta danada do canto das cigarras… claro que dentro de casa já é um pouquinho demais, mas concordo que a tela contra insetos ou o gato ajudam bastante. Mas veja bem, tela OU gato. Se não um gruda no outro e o outro gruda no um. 😉

  10. Dani,
    Adorei! As cigarras povoaram o meu imaginário quando criança e eu ficava horas imaginando como bichinhos tão pequenos cantavam tão alto!! Um tempo depois conheci a fábula “A História da Cigarra e das Formigas” e aí ferrou tudo! Bichinha egoísta essa cigarrinha! Eu não sabia das cigarras zumbis, e nem das mijonas!! Eu sei que elas cantam tanto que largam a pele! Ficam parecendo umas cigarras fantasmas!!! Ou serão ZUMBIS??
    😘

  11. Olá, muito legal o blog! Acabei descobrindo não sei como, não me lembro, mas provavelmente tentando procurar se também tinha gente que gostava de Brasília.

    Mas acho surpreendente como esse blog está em sincronia com o que está acontecendo: hoje de manhã encontrei uma cigarra malandramente repousando na beira da minha janela. Mas sem nenhum alvoroço, ela ficou ali, de boa, uma meia hora, até eu botar ela pra correr. Parecia o black kamen rider do cerrado. Até tirei uma foto.

    Outro dia li um texto da padaria, que fica do lado da minha casa, também. E que alguém também tinha comentado comigo no elevador. Quando li aqui comecei achar que era pegadinha.

    Enfim, parabéns pela iniciativa de mostrar que Brasília também tem seu charme.

  12. kkkkkkkkkkkk
    amei!!!!!
    tô ficando loucas com as cigarras e vim parar nessa página!
    há males que vem para o bem
    melhor título e texto sobre cigarras em Bsb!
    favoritei a página para sempre

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