Café da manhã de mil horas

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Venho de duas semanas de pequenas viagens gostosas que mudaram meu ritmo. Pela frente, tenho agora Brasília a perder de vista. É hora de reinventar a rotina aqui, pra não deixar os ares de férias se perderem no dia-a-dia.

Ótima pedida são os cafés da manhã eternos do Jardim Bom Demais, no Jardim Botânico, o único lugar de Brasília em que o piquenique é institucionalizado e você pode ter serviço de restaurante ao mesmo tempo em que se esparrama pelo chão (igual a batatinha quando nasce).

Tem aquelas mesas mais sérias ali atrás, mas o grande charme do lugar são esses tablados pelo chão, com serviço garantido, pratos deliciosos e espreguiçadas incluídas no preço. Piquenicar pulando a parte das compras, de carregar mil coisas, de ter de arrumar tudo depois – simplesmente genial.

Vem nimim, findi.

Bora?
Bistrô Jardim Bom Demais
Menu de café da manhã a partir de R$ 41 para duas pessoas (no final de semana, é bom reservar)
Jardim Botânico de Brasília – Setor de Mansões Dom Bosco, Área Especial, Lago Sul
3366-5732
Terça a domingo, das 9h às 17h

Acabou!

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Hoje deu vontade de festejar, de sair pelas ruas oferecendo abraços grátis, coxinhas gourmet e caviar da promoção. Festejar não o resultado da votação, mas algo milhões, zilhões de vezes melhor: o fim das eleições.

Finalmente, poderemos discutir coisas mais importantes do que o gaguejo de uma e o olhar vidrado do outro. Vamos nos reconciliar ao som do Hino Nacional tocado pela Timbalada e, num grande abraço coletivo, voltaremos a brigar por futebol, que é o que interessa neste país.

Chegaremos em casa correndo para abrir o facebook e postar a foto do prato do almoço, numa felicidade quase melancólica: “Época boa aquela, quando eu curtia o purê de batata do meu amigo”.

E por falar em amigo, vamos esquecer, deletar da nossa memória esses meses deprimentes em que pudemos conhecer a visão de mundo de alguns amigos, aqueles que espumam ódio no canto (direito ou esquerdo) da boca. Era tão bom quando nos conhecíamos menos…

Uma vez que descobrimos que a superficialidade é essencial para a manutenção da vida social, vamos festejar, porque nada menos profundo do que um abraço embriagado de euforia. Porque quando olhamos lá no fundo, bem no fundo do estômago de alguém, dá pra ouvir a amargura gritando: Vida, vida, vida, vida bandida.

24 horas com o Dylan

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Adoro, adoro, adoro pão [alô, Deus, não me dê alergia a glúten, por favor]. Naturalmente, estou amando essa onda de padarias novas na cidade, com pães de todos os tipos, cores e credos. E nessa minha busca por felicidade, ontem fui conhecer o Dylan, meio padoca australiana, meio café descolado que fica na 315 sul.

Saí de lá com uma embalagem tamanho GG que me garantiu basicamente 24 horas de refeições. Começou com o almoço: uma salada de cuscuz marroquino com frango, bem gostosa e fresquinha (R$ 16) e uma tartelete de limão siciliano (R$ 7,90) – gostosa também, mas um pouco cítrica demais pra mim.

No fim de tarde, o café veio acompanhado de um bolinho maravilhosamente fofo, feito com chocolate e pera, uma delícia (R$ 6,50). À noite foi a vez do pão de azeitona com alecrim (R$ 12) – textura e gosto diferentes, gostei!

Consequência do casamento de um brasiliense com uma argentina que se conheceram na Austrália, o Dylan é especializado em sourdough, um tipo de pão feito com fermentação longa e natural, sem produtos químicos. Os únicos ingredientes dele são farinha, água e sal, e seu gosto característico é amargo, quase azedo, por causa do ácido láctico produzido na fermentação.

Cada pão tem 500 gramas, por isso continuei abraçada ao meu no café da manhã de hoje. Às sextas-feiras, além do sourdough, tem também bagel e chalá, pão trançado que é consumido no Shabat e nas festas judaicas. Mariela é argentina e tem origem judia e polonesa, daí a mistura de referências ali.

Deu vontade de voltar no fim de semana e experimentar o café da manhã também (ovos mexidos, tomate assado, torradas, bacon e rúcula – R$ 18). O interessante do Dylan é que, a cada dia, o cardápio é diferente, você vai sempre encontrar uma novidade. E quase esqueço de dizer: o lugar é uma graça.

Bora?
Dylan Cafe & Bakery
315 sul, bloco A
Segunda a sexta, das 9h às 20h, e sábado, das 8h às 20h.
Tel: 3363-1294
Página no face: aqui

Café com inspiração

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Livraria Cultura, final da tarde de ontem, encontro uma das minhas pessoas aleatórias preferidas. Dessas que você conhece não sabe muito bem como, não convive quase nada e mesmo assim quase ousaria chamar de amiga. Daquelas essas que a gente esbarra com frequência do nada, sem combinar, só porque o acaso jogou seu jogo. Tipo ontem, final da tarde, na Livraria Cultura.

No caso, minha pessoa aleatória era a Maria Vitória. Eu gosto de tudo o que eu já vi e ouvi sobre ela – que é pintora de parede, cenógrafa curiosa, cantora poderosa e querida profissional. E ela me contou que vai cantar neste sábado num lugar tão especial quanto ela. Foi quando eu vi que o acaso tinha acabado de nos dar este texto de presente.

O Quintal f/508 habita meus post-its mentais descolentos e desorganizados de tudo o que eu preciso contar pra vocês. Um café pra se ir sem pressa, instalado dentro do Espaço f/508, ponto de encontro de fotógrafos e curiosos da imagem. Um canto inspirador dentro de um lugar fundamental da cidade.

Não bastasse ser totalmente acolhedor e com comidinhas deliciosas, o Quintal foi criado como ponto de encontro. Todas as quintas, acontecem bate-papos tão bem pensados que um dia eu já liguei pra dona de lá, me aleatorizando toda como pessoa, só pra contar pra ela que queria muuuuito ir mas não ia dar porque não tinha babá. [Detalhe: ela não me conhece. Eu só precisava dividir meu encantamento com a proposta e minha consequente frustração pela impossibilidade]

Amanhã, o papo é com a Bete Coutinho, artista plástica que mistura foto e outros suportes, e que vai falar de Brasília. Sábado, a Mavi e seu irmão Tico de Moraes apresentam repertório de jazz e música brasileira pra embalar um café da manhã que, nossa, promete ser lindo.

Dá pra acreditar que vou estar em Recife e, de novo, não vai dar pra eu ir? Juro: não vou ligar pra dona de lá dessa vez. Deixa estar que o acaso de novo há de jogar seu jogo.

Bora?
Quintal f/508
SCLN 413, Bloco D

Quinta no Quintal, papo com Bete Coutinho
Amanhã, quinta, 23/10, às 19h

Café com Violão, com Tico Moraes e Vitória Dutra
Sábado, 25/10, às 9h30

Expresso Acarajé. Só tenho isso a dizer.

acarajé

Eu nem me lembrava da última vez que havia comido aquilo. E eu adoro acarajé, por que passei tanto tento sem comer, por quê? Porque ainda não tinha descoberto essa coisa maravilhosa chamada Expresso Acarajé, um serviço criado pelo baiano Iuri Barbosa, que entrega na sua casa tudo o que você precisa pra ser feliz.

O kit é formado por 30 minibolinhos já fritos, um pote de vatapá, outro de camarão seco e um sachê de molho de pimenta – tudo congelado. Basta levar os bolinhos ao forno, o vatapá ao micro-ondas e o camarão seco à frigideira, dar uma esquentadinha e pronto. A festa está garantida por R$ 60.

O economista Iuri, 40 anos, trocou Salvador por Brasília no ano passado, após 11 anos trabalhando numa empresa de refeições coletivas. Vinha sempre pra cá visitar o irmão e a afilhada, até que se apaixonou pela cidade. Apesar da saudade da praia, ele é só elogios: “Tenho uma qualidade de vida incrível aqui. Conheci pessoas fantásticas, a cidade é organizada, tem um trânsito bom comparado a outros lugares, uma noite ótima e um dia e um céu maravilhosos.”

A ideia do delivery veio em uma conversa de bar, conta ele. “Perguntei para um amigo se ele gostava de acarajé, e ele me disse que amava, mas tinha preguiça de ir na Torre. Por isso, ele estava há anos sem comer”, diz. “Daí me veio a ideia de levar o acarajé até a casa das pessoas. Imaginei que, como ele, deveria ter milhares de brasilienses.”

Iuri é danado. Vende de 80 a 100 kits por mês, pretende abrir uma loja física no Sudoeste após o carnaval e, até o final de 2015, quer começar com as franquias. “Gente do Brasil todo já me ligou pra fazer negócio.”

A receita do acarajé é familiar e os bolinhos vêm de avião, diretamente de Salvador. E o mais importante: são uma delícia. Expresso Acarajé, por que demorei a te conhecer?

Bora?
Expresso Acarajé
Encomendas: 3526-8304 e 8304-7788
Kit Acarajé – R$ 60 (taxa de entrega de R$ 5 a R$ 10)
Página no face: aqui

Meu novo boteco da vida

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Sábado passado eu conheci um lugar que me deixou presa numa fenda espaço-tempo. Pra mim ainda é sábado.

Vira e mexe, eu me lembro de alguma coisa que me transporta automaticamente de volta pro Kiosky da Rosa. O cheirinho da carne que chegou quentinha. A macaxeira derretidinha. A vontade de ficar de bobeira, aproveitando o sol. As crianças jogando bola, no campinho ali logo ao lado, a tarde inteira. A cerveja geladinha. Os amigos queridos, alguns que eu não via há tempos, que pude aproveitar longa e deliciosamente.

Instalado no coração do Cruzeiro Novo, este lugar é um oásis. Tudo do cardápio é farto, gostoso e com um preço pra lá de honesto – mas o melhor é o ambiente que envelopa o lugar. Clima de cidadezinha. Vizinhos batendo papo. Crianças que incluem seus filhotes no jogo de bola. Um atendimento caloroso. Até os ambulantes (voltarei ao assunto em breve) são uma atração à parte.

Sinceramente, Kiosky da Rosa, eu demorei muito pra conhecer. Deixe estar que a demora será compensada.

Bora?
Kiosky da Rosa
Segunda a sexta das 17h30 às 23h, sábados de 11h às 16h. Fecha aos domingos.
Quadra 1303, Bloco B, quiosque s/n
3361-3159

A loja dos bons motivos

poesia

Quero convidar você pra dar uma passadinha numa das minhas lojas preferidas da cidade, a Sr Mor. E o que não faltam são motivos.

Em primeiro lugar, acontece por lá até sábado um concurso criativo de poesias, com o jogo de ímãs mais fofo do mundo. O monta-poesia com palavrinhas em português, inglês e espanhol, que é vendido na loja, está à disposição pra você inventar seu poema e concorrer. As três poesias mais legais ganham prêmios – quer motivo mais lindo e poético pra fazer umas comprinhas?

Segundo motivo: a loja está fazendo uma campanha inclusiva pro dia das crianças. Também até sábado, você pode deixar roupas, brinquedos, livros – tudo o que imaginar para dar sentido pra essa data tão comercial.

E se você mora ali pertinho, tem mais um motivo: vizinhos da Sr Mor tem desconto na loja. Aproveite!

Uma lojinha e três bons motivos: estímulo ao comércio de vizinhança, à solidariedade e à poesia nas nossas vidas. Sr Mor é amor.

Bora?
Sr Mor
SCLS 407, Bloco C, Loja 26