Tudo pra você passar longe do shopping

papainoel

Nos últimos dias recebi alguns convites para o Pior Programa do Universo: ir ao shopping em dezembro. Quem me fez esse convite (é, estou falando de você mesmo) sabe a cara de alegria que eu faço em retorno. Afastem as crianças da sala quando eu fizer essa cara de novo.

Pois bem, já que o Natal é a época da solidariedade, vou dar algumas sugestões pra você que deixou tudo pra última hora e encontra-se, neste momento, em desespero absoluto só de se imaginar no Pior Programa do Universo.

– Para nossa alegria, o Cobogó abre as portas e reúne artistas da cidade na feira “Somos Melhor do que Shopping”. Você pode resolver todos os problemas da sua vida num único lugar, com zero estresse. Vai ter Canivete Camiseteria, joias da Thelma Aviani, pôsteres e gravuras bacanas, só amor.
Hoje e terça, das 10h às 20h. Quarta, das 10h às 14h.
704/5 Norte
Evento no face: aqui

– A importadora de vinhos Grand Cru fica aberta até as 14 horas do dia 24 e é uma fonte maravilhosa de presente coringa. Existe alguém que não goste de vinho neste planeta?
412 sul. Fone: 3541-6991

– A Urban Arts é especializada em pôster, tem pra todo gosto, mas ainda dá pra encontrar canecas, almofadas e outros objetos legais. Leia mais aqui.
115 sul. Fone: 3525-0127

– Na 5Norte, dá pra pirar com móveis da Sartto, com quadros de artistas brasilienses e com as roupas da estilista Viviane Kulczynski. Leia mais aqui.
205 norte. Fone: 3037-1609

– Uma caixinha de chocolates ou macarrons do Daniel Briand, quem não quer?
104 norte. Fone: 3326-1135

– A Endossa é uma loja colaborativa, na linha “de tudo um pouco”, o que pode te ajudar.
307 sul. Fone: 3242-2972

– Tudo da Fundação Athos Bulcão é lindo, dos azulejos às canecas, do guarda-chuva à chinela. Vale à pena passar lá.
Hoje e terça, de 9h às 20h. Quarta, de 9h às 17h.
404 sul. Fone: 3322.7801

– A Sr Mor é a loja de design argentino cheia de coisas bacanas. Impossível não encontrar nada legal. Leia mais aqui.

– Presente pra criança? Corre na Carlota Ophir, que lá é cheio de coisinhas fofas e criativas. E você ainda corre o risco de sair com um presente pra adulto também.
116 sul e 307 norte. Fones: 3245-8300 e 3546-6244

– A BSB Memo tem presentes lindos inspirados em Brasília: camisetas, canecas, ímas de geladeira, guarda-chuva, etc e tal.
303 norte. Fone: 3034-4427

– A Carol deu essa dica semana passada, mas não custa lembrar. Brasília ganhou uma livraria de rua: a Le Calmon tem vários presentes em potencial.
111 sul. Fone: 3345-6233

– Pra terminar, tem A Loja das Camisetas Legais, que é autoexplicativa.
112 Norte. Fone: 3349-1783

PS: A foto acima eu tirei num shopping, mas não digo qual. Só gostaria de dizer que fui obrigada a ir.

Hoje tem carnaval! Shhhhhhhhh

Carnaval_Silencioso_Foto_Maira_Zannon_2

Papai Noel, luzinhas piscantes, neve artificial, pinheiros de plástico e carnaval. Isso mesmo, carnaval. Quem quebra a ordem natural das coisas é a Andaime Cia de Teatro, que promove hoje o bloco fora de época mais absurdo de todos os tempos: o Carnaval Silencioso.

Eles se concentram a partir das 19h no Beirute Norte e depois descem até o Pinella, na 408. Todo mundo fantasiado, mãozinhas pra cima, latinha de cerveja na mão. Um bloco como qualquer outro, não fosse o detalhe: a música só existe pra eles, que usam fones de ouvido.

Traduzindo: o DJ Oops, do Criolina, é responsável pelo set de músicas carnavalescas. Um transmissor de rádio é ligado, criando uma emissora temporária (FM 93.2), onde os foliões sintonizam seus aparelhos e dançam silenciosamente com seus headphones.

Se você ainda não conseguiu visualizar, assista a esse vídeo aqui, do primeiro Carnaval Silencioso, em 2011. Foi assistindo que consegui entender melhor essa história e me encantei por ela. Esse pessoal carnavalesco bailando pela tesourinha, rodopiando no meio do Beira, em silêncio (aparentemente) absoluto, é bom demais.

No evento divulgado no face, eles citam a Lei do Silêncio, dizendo que o bloco festeja com bom humor e ironia a lei que tem fechado o cerco contra a apresentação musical na cidade. “Não é um protesto porque a gente não levanta bandeira. É uma intervenção artística, mas não tem como não ser político”, diz Tatiana Bittar, 34 anos, da Andaime.

Ela conta que o bloco faz parte de uma série de ações da companhia de teatro, que integram o projeto Serpentes Que Fumam (SQF). Já teve de churrasco no Buraco do Tatu a piscina inflável no Eixo Monumental. O objetivo é ocupar a rua, além de mexer com você, te obrigar a sair da ordem.

O resultado, em mim, foi uma mistura de diversão e tristeza. A diversão veio com a festa, a criatividade bem humorada. Coisas assim me fazem lembrar que uma cidade sem artista na rua é uma cidade careta, sem poesia, entediantemente normal.

A tristeza veio com a provocação implícita no escracho. Enxerguei no silêncio justamente essa caretice entediante, que tem medo de catarse e se aborrece com música até no carnaval.

Imagino que muita gente deseja não só um carnaval silencioso, mas uma cidade inteira silenciosa. Grito, só no travesseiro. Música, só no pensamento. Eu, que tenho tentado ser cada vez menos careta e cada vez mais feliz, teria vontade de arrancar os fones de ouvido deles e pedir, peloamordedeus: divide a alegria comigo?

Bora?
Carnaval Silencioso
Hoje (19), concentração às 19h, no Beirute da 107 Norte
Depois o bloco segue para o Pinella, na 408 Norte
Leve seu rádio portátil, seu fone de ouvido e sua fantasia
Para os esquecidos, a organização vai distribuir 30 fones e algumas peças de fantasia
Foto: Maira Zannon/Divulgação

Meu presente de Natal

foto (17)

Outro dia uma amiga me disse: “menina, eu posso estar enganada, mas acho que vi uma livraria de rua ali no final da Asa Sul”. E eu pra ela: “miragem, amiga. Já perdi as esperanças”.

Pois eis que ontem eu entrei na miragem. Eu vasculhei livros na miragem. Eu fui atendida por vendedores que sabem quem é Jane Austen e Tolstói na miragem. Eu encontrei livros infantis bem legais na miragem. Eu tomei um chá e comi um delicioso bolo de laranja com limão na miragem. E estou começando a achar que não é miragem. Sim, existe uma nova livraria de rua em Brasília!

Pelo que apurei informalmente, a Le Calmon é de um casal de advogados que tem uma editora jurídica e outra que publica títulos em geral. Isso explica uma boa seção de livros que farão a alegria de concursandos. Mas a livraria está longe de se resumir ao juridiquês.

Encontrei várias referências excelentes, clássicos, coisa nova, edições caprichadas, coleções muito legais pra crianças e adolescentes, livros de cozinha muito bem escolhidos.

Sério, eu não precisaria aqui elogiar o café se não fosse o caso. A livraria já é um motivo bom o suficiente. Mas os goles do chocolate quente que eu surrupiei dos meus filhos e o bolo de laranja-limão realmente me surpreenderam.

Ganhei um presente de Natal, pessoal. E agora vocês também ganharam.

Bora?
Le Calmon
Livraria e café
CLS 111 Bloco C Loja 22
3345-6233
Abertos de segunda a sexta, das 9h às 21h

Procurando a minha turma

index

Um pulinho rápido por aqui pra falar do Index DF, que acontece até amanhã.

Essa turma fez um catálogo incrível que reúne todos os grandes do negócio do livro no Distrito Federal. Bibliófilos, pesquisadores, editores, designers, encadernadores, ilustradores, restauradores, impressores, papeleiros em geral – todo mundo está aí.

O evento tem programação enxuta e certeira, com interventores que vão falar do livro como objeto nada banal, do livro como resultado de um processo, do livro como paixão. E o catálogo, disponível virtualmente, é uma mão na roda para todo mundo que pensa em criar e quer conhecer iniciativas ambiciosas feitas aqui mesmo em Brasília.

O livro é o lugar onde eu nasci e cresci e virei quem eu sou – essa galera é minha turma.

Bora?
Index DF
Até amanhã no Museu da República.
Hoje às 19h tem debate com o escritor Nicolas Behr, o livreiro Jorge Brito e o bibliófilo e pesquisador Oto Reifschneider.
Programação completa aqui.
Catálogo lindo aqui.

O findi promete

discos

Tá pronto? Lá vai:

O sábado começa na Ceasa com o Xepa Disco Brasília, o programa mais legal do planeta, que eu gostei tanto de falar que falei até antecipado, na semana passada. De lá, se você curte moda, cai pra inauguração da Aloja, da Layana Thomaz.

De tarde tem lançamento de uma exposição muito poética no Espaço Cultural Elefante: Paisagem Provisória, de Gabriela de Andrade, reúne desenhos de paisagens que passaram rápido demais pela janela do carro – e depois foram capturados lindamente por ela.

De noite, duas opções: se você é light e artístico, tem a vernissage da linda exposição do Glênio Bianchetti.

Senão, ou também, tem o momento tão aguardado das festas de fim de ano: o especial de Natal do rei Roberto. Mas eu não tô falando de programa de TV, não. É do Criolina Emoções, a festa do Criolina só com músicas do Robertão que acontece num lugar muito, mas muito legal mesmo: a Ilha do Parque, bem no meio do Parque da Cidade.

Domingão nada de preguiça, que nessa época do ano todo dia é dia útil. Café da manhã no Cobogó, que está em plena maratona de fim de ano. De lá, você cai pra Feira de Discos do Conic, que abre às 11h.

De tarde tem Bsb Tudo uma feirinha só de produtos tipicamente brasilienses que acontece no Balaio Café – e ainda bem que é lá, porque você também vai querer passar na Liga-Pontos, no Objeto Encontrado, rua acima.

Vai resolver todos os seus presentes de Natal, vai se divertir, vai ser feliz, vai ver lindezas. E não precisa agradecer.

Bora?
Disco Xepa Brasília
Sábado, 13 de dezembro, a partir das 8h
Ceasa

Aloja, de Layana Thomaz
Sábado, 13 de dezembro, das 10h às 20h
CLS 206 bloco A sobreloja 30 (entrada entre as lojas Avanzzo e Lady)

Paisagem Provisória, da Gabriela de Andrade
Vernissage sábado, 13 de dezembro, às 16h
Elefante Centro Cultural
SCLRN 706, Bloco C, Loja 45

Exposição Glênio Bianchetti
Sábado, 13 de dezembro, às 20h
SMLI MI 8 Conjunto 2 Casa 17

Criolina Emoções
Sábado, 13 de dezembro, às 23h
Ilha do Parque

Cobogó
Aberto também aos domingos, das 10h às 20h
SCRN 704/705 bloco E lojas 51/56

V Feira de Discos
Domingo, 14 de dezembro, das 11h às 19h30
Conic

Bsb Tudo
Domingo, 14 de dezembro, das 15h às 21h
Balaio Café
CLN 201 Bloco B

Liga-Pontos
Domingo, 14 de dezembro, das 15h às 21h
Objeto Encontrado
CLN 102 Bloco B

15 minutos em troca da vida de alguém

andré

Há anos eu tinha vontade de me cadastrar como doadora de medula óssea e não sei por que demorei tanto. A gente adia coisas tão fundamentais, por pura falta de prioridade, que é simplesmente injustificável.

Aí eu li a história do André, um menino de 8 anos que é amigo dos filhos da Carol e foi diagnosticado com leucemia. Ele começou a fazer quimioterapia há algumas semanas e vai precisar fazer um transplante de medula óssea, provavelmente no primeiro semestre do ano que vem.

O pai dele publicou um apelo no facebook, pedindo que as pessoas façam o cadastro no Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome). Foi preciso sentir o problema mais próximo de mim para eu levantar da cadeira e ir até o Hemocentro, onde passei 15 minutos (QUINZE MINUTOS).

Não é doação de sangue, eles colhem só 5 ml e basta levar a carteira de identidade. Não precisa de jejum nem nada, é tudo muito rápido e simples. Muito mais rápido e simples se comparado ao problema em questão: a vida de alguém.

Como o banco de dados é nacional, ao fazer o cadastro você pode ajudar não só o André, mas qualquer pessoa em qualquer parte do Brasil. Enquanto duraram os 15 minutos, fiquei pensando na alegria que seria se eu fosse compatível com alguém. Em como seria especial poder ajudar a acabar com um sofrimento tão intenso, de pais, filhos e amigos. Seria algo grande. Grande demais.

Fiquei pensando também no porquê dos adiamentos injustificáveis. E desejei, para mim mesma, uma mudança de postura diante da vida e dos outros. Que eu não espere um problema me atingir pessoalmente para agir. Que eu não me sensibilize só com a dor de quem é próximo. Que eu não adie o inadiável. Amém.

Bora?
Hemocentro
Ao lado do HRAN, próximo ao Shopping Liberty Mall
Das 7h às 18h, de segunda a sábado
Telefone: 160 – opção 2

Uma verdadeira confra

pilotis

O meu pilotis preferido é o do bloco K da 204 sul – mesmo que, em termos de arquitetura, ele nem seja lá nada de tão especial. Nem cobogós, nem chão setentinha.

Simplesmente foi lá que eu passei minha primeira década de vida, brincando de pique-esconde, barra-manteiga, clubinho, casinha, quatro cantos, queimada e o que mais você puder imaginar.

Essa pergunta poética é feita pelo livro novo do Nicolas Behr, A Teus Pilotis, que vai ser lançado amanhã na 5Norte.

O livro é uma co-produção com as meninas do Experimente Brasília, nossas parceiras queridas nessa cidade – e a festinha de lançamento será uma verdadeira confra de fim de ano, reunindo o que a gente mais ama por aqui. Tem Criolina nas pickups, Corujinha foodtruck, Corina cervejas especiais e a energia boa do pessoal da 5Norte.

E, claro, a poesia do nosso poeta-Brasília, presente perfeito pra inspirar seus amigos nesse fim de ano.

Os pedacinhos que li instalaram por aqui a saudade gostosa do meu pilotis preferido virado pro eixo – que me dava o ritmo da vida indo e vindo, misturava o barulho com o silêncio, a alegria da infância com uma melancoliazinha poética que, né?, é bem o resumo da vida.

a única coisa que tenho
a lhe oferecer
é solidão
com vista pro eixão

Bora?
Lançamento de “A Teus Pilotis”, do Nicolas Behr
Quinta, 11 de dezembro, das 18h às 22h
CLN 205 Bloco C loja 25