Atenção: Nós vamos sobreviver ao pós-feriado

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Nós, do Quadrado, fazemos um trabalho beneficente muito importante (a humildade bateu): o de combate à depressão pós-feriadão. O método é simples. Antes que o desânimo se abata sobre nós, corremos para listar o que de bom vamos ter no próximo fim de semana, que, pelo menos, está mais perto do que nunca.

A festa recomeça sábado à tarde, com um evento delicinha da Grand Cru, importadora de vinhos que abriu uma filial na Asa Sul. O Diagonal no Beco vai começar no fim da tarde, com música boa (os três DJs são demais), comidinhas, drinks e vinhos. O beco em questão é a passagem entre dois blocos da comercial, onde a Grand Cru abriu espaço para um mural supercolorido do Gurulino, personagem de arte urbana do Pedro Sangeon.

Piauíndia, o retorno
Domingo tem a terceira edição do Chef nos Eixos, evento que foi crescendo, crescendo e virou mega: serão 72 quiosques, com mais de 250 mil porções servidas ao longo do dia, o dobro da edição passada. A organização promete menos filas e mais espaço para estacionar desta vez (o evento vai acontecer no Eixo Monumental, entre a Funarte e o Clube do Choro).

Mas o motivo principal do Chef nos Eixos estar aqui é este: o Piauíndia, nosso amado restaurante indiano que fechou as portas no ano passado, deixando uma horda de fãs abandonados, estará lá, com um quiosque pra matar nossa saudade. Veja a foto acima: a comida do Evandro é o incentivo especial que vai me tirar cedo de casa e madrugar no primeiro lugar da fila.

Se você estiver num clima mais intimista (nem tanta solidão, mas nem tanta multidão), vai ter também o aniversário de um ano da Marti Discos, loja de vinil bacana, com DJs, foodtrucks e feirinha. Tá vendo? É possível ser feliz após uma folga de quatro dias. Amém.

Bora?
Diagonal no Beco
Sábado (25/04), 16h às 22h
Grand Cru – 412 Sul, bloco B
Evento no face: aqui

Chef nos Eixos
Domingo (26/04), 10h às 20h
Eixo Monumental, entre a Funarte e o Clube do Choro
Evento no face: aqui

Marti Discos – Festa de 1 ano
Domingo (26/04), 11h30 às 19h30
102 Norte, bloco D
Evento no face: aqui

Chegou o nosso dia, que dia mais feliiiz

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Recapitulando:

1. hoje é sexta-feira; 2. há feriado(s) pela frente; 3. o primeiro da lista é feriado de aniversário de Brasília com programação maravilhosa que nos aguarda.

É tanta coisa legal pra fazer que, precavidas que somos, estamos desde o início da semana divulgando o findi aqui e ali. Se deixasse tudo pra hoje ia atolar de evento no post, tipo papel atolado na impressora. Mas agora ficou sério, tem que falar de tudo hoje. Já, now, ahora.

Tudo começa amanhã, com dois eventos fofos da turma do Experimente Brasília. Eles organizam dois passeios neste sábado: de manhã, te leva pra conhecer as Asas da cidade a pé; e à tarde, faz um tour de bicicleta com foque no modernismo.

Amanhã de tarde e de noite também tem Feirinha da Vila, o evento da vizinhança mais querida da cidade. Além da feira, tem show de bandas de Brasília e programação infantil.

A partir das 18h, nosso querido Objeto faz o Festival de Whisky Alto Mar, uma degustação de whiskies informal e divertida.

Domingão tem evento de lançamento da edição em vinil da banda brasiliense Sexy Fi, com shows no mezanino da Torre de TV, a partir das 16h.

Segunda-feira começa o evento de dois dias promovido pelo pessoal do Retrato Brasília – e aqui vamos abrir um parênteses merecido, atenção todos: muito bem, paaaalmas pro Retrato Brasília, clap, clap, clap, clap.

Tivemos todas as críticas a este projeto, como vocês bem se lembram, mas é preciso admitir: essa galera mandou bem na programação de aniversário. Convocaram a galera daqui, a turma de ponta da cidade em um monte de iniciativa legal, envolveram vários movimentos que a gente adora e o resultado são eventos incríveis que prometem marcar o grande dia do aniversário.

Clica aqui pra programação completa, que é gigante. Tudo muito legal, mas o que eu não perco de jeito nenhum é o grande dia no Cine Brasília. Pool party do Objeto e essa sessão pen-drive que eu achei genial.

E no grande dia de aniver, todo destaque e toda alegria do mundo pra ultra festa de três anos do Picnik! Viva o Picnik! Feirinha, música e espetáculos circenses, a partir das 13h, no Estacionamento 4 do Parque da Cidade, em frente ao Gibão.

Dentro da programação do GDF, tem ainda apresentação da Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional (18h30), seguida do Baile do Almeidinha, show com Hamilton de Holanda, Rosa Passos e Ellen Oléria (20h), na Torre de TV.

Quinhentos mil motivos pra ser feliz, não é mesmo? Sem querer ser chata, posso acrescentar mais um na minha listinha: estou saindo de férias. Rapidão, vou ali gritar pro céu e já volto.

PS: Quase me esqueço! Hoje tem show do Aloízio, ex-Lafusa, na Play! Ele tá lançando o som novo dele, primeiro disco solo, que eu curti muito ouvir. Junto com ele tocam os Boogarins, uma banda de Goiânia que gravou em NY.

Tipicamente brasiliense

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Pode ter alguma coisa mais bonita que uma intervenção cultural e artística que já nasce com a missão de se tornar uma festa típica de uma cidade ainda quase recém-nascida, ainda em busca de sua identidade, de sua cara, de seu jeito?

Seu Estrelo e o Fuá do Terreiro nasceu do desejo de contar pelo olhar do cerrado a criação de Brasília. Como eles mesmos se definem em sua página, eles inventaram sua brincadeira, seu samba, sua escola: o Centro Tradicional de Invenção Cultural. Junto com o grupo Circênicos, o Circo Inventado, Dona Nelma, Seu Sergio e tantos outros moradores criaram a Vila Cultural.

Esse fim de semana a Vila se junta pela décima primeira vez para festejar o aniversário dessa cidade inventada Festa de Abrição de Seu Estrelo e no Aniversário dos Circênicos.

Vai ser bonita como sempre é, essa invenção-apropriação-construção do que é nosso, do que é tipicamente brasiliense, essa festa que responde à frase do TT Catalão que virou a força-motriz de um bocado de gente que está transformando Brasília:

“Se esta não é sua cidade, invente uma. Aqui mesmo sem se mudar. Mude a cidade.”

Bora?
Centro Tradicional de Invenção Cultural
Avenida das Nações 813 Sul, na Vila Cultural, perto da Embaixada da China
Mapa: http://seuestrelo.blogspot.com.br/search?q=mapa+ponto+de+cultura

Sexta, 17/04
21h – Quarta Roda do grupo Seu Estrelo e o Fuá do Terreiro

Sábado, 18/04
19h – Mamulengo Presepada de Chico Simões
20h – Filhos de Dona Maria
22h – Seu Estrelo e o Fuá do Terreiro com sua sambada
0h – Passarinhos do Cerrado

Entrada Franca, com comidas e bebidas à venda no local nos dois dias (apenas a dinheiro)

Cadê Roger?

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Sabe Roger, de quem Chico Science nos fez querer amigo, procurando desesperadamente por ele em Macô? E sabe Lia, representante autêntica da cultura popular pernambucana, dona dessa ciranda que quem me deu foi Lia, que mora na Ilha de Itamaracá?

Bom, se você não tem a menor ideia do que estou falando, uma pausa. Está faltando pernambucanidade na sua vida. E isso faz falta na vida de uma pessoa, aviso logo. Vá pernambucar-se um pouco, isso não é possível.

Agora se você sabe do que estou falando, certamente está ansioso para saber o que pode unir Roger, Lia e Brasília no mesmo post. Lá vai:

Pioneiro da ocupação cultural de rua no Recife, Roger criou ano passado uma festa em torno de uma Rural Wyllys velha, batizada de Som na Rural. Em plena rua da Aurora, no centro da capital pernambucana, ele revolucionou o conceito de som automotivo convidando bandas, músicos, artistas, djs, para animar as sextas-feiras da cidade (pronuncia-se cidaDi e não cidadchy, como a gente costuma dizer por aqui).

Agora, meus amigos, o Som da Rural chega a Brasília para três festas que prometem. Roger, Lia e Filhas de Baracho prometem temperar a gente com toda a ciranda, o frevo e o mangue beat que a gente merece sexta, sábado e domingo.

Se eu perder, eu xóxe.

Bora?
Som na Rural em Brasília (gente, tô emocionada, isso vai acontecer mesmo?)
Sexta, 17/04, no Pátio do Museu da República, às 20h45
Sábado, 18/04, na Feira da Torre de TV, às 20h
Domingo, 19/04, no estacionamento do Parque da Cidade, às 21h

Foto: Holanda Junior, da Setuc Ipojuca

O que me toca é meu também

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Já começa pelo nome, que é lindo. “O que me toca é meu também” é um espetáculo de circo e de dança que, depois de três anos de estrada, tem duas apresentações gratuitas este final de semana na Funarte.

Do mesmo jeito que você topa um dia com um escrito que te encanta, uns desenhos que te representam, tropecei nesse nome e acabei captada de repente por essas moças que fazem poesia com o corpo. A sincronia, a cumplicidade, a elasticidade dos movimentos. Pode parecer viagem, mas sabe no que eu pensei?, em duas irmãs, brincando, conversando, trocando e fazendo nada numa longa tarde qualquer.

Pois foi mesmo o nome, sem dúvida, que me capturou. Fui puxando o fio pra umas imagens, esse vídeo, até chegar ao catarse que essa turma inspirada está fazendo para conseguir levar essa experiência linda até o festival Pisteurs d’Étoiles, um dos mais importantes eventos de circo do mundo.

Tudo isso me tocou – e agora é meu também. Bora ver essa lindeza? E bora ajudar também essas poetas do corpo a ir ainda mais longe.

Bora?
O que me toca é meu também
Amanhã, às 21h e domingo às 20h
Teatro Plínio Marcos na Funarte
Eixo monumental, entre a Torre de TV e o Clube do Choro
Entrada Gratuita

Por ocasião dos meus 39 anos

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Era uma vez uma mulher de 39 anos que tinha a maior dificuldade de se definir como “uma mulher de 39 anos”. Um dos seus bobos dramas pessoais é pensar que ela deveria se vestir mais como uma adulta, falar mais como uma adulta, agir mais como uma adulta porque afinal de contas se com 39 anos ela ainda não for uma adulta, desiste, minha filha.

Acontece que no seu aniversário ela recebe uma blusinha toda estampada de picolés de uma loja chamada So Cute. Uma blusinha de picolés de uma loja chamada So Cute não combina com seu projeto adulta e ela decide ir trocar a blusinha por algum outro item mais compatível com sua maturidade recém-assumida.

Mas aí…

Ela entra na loja e é abduzida pela sua criança interior. As paredes floridas, as roupas idílicas, as estampas desenhadinhas, a modelagem de vestidinho de princesa… Descontrole fashion. Ou melhor, descontrole regressivo. Descontrole infantil.

Essa marca fofíssima foi criada por uma estilista daqui mesmo de Brasília quando ela tinha só dezoito anos. Três anos depois, com loja virtual bombando e lojas físicas no Sudoeste e em Taguatinga, a So Cute é irresistível pra quem gosta de fofuras – e é um universo arriscadíssimo pra quem está tentando a duras penas crescer finalmente e deixar de gostar de fofuras.

Julguem-me, eu nem ligo. Eu não sou uma coroa de quarenta anos com síndrome de Peter Pan, não. Porque quarenta, sabe?, é sóóóóóóó no ano que vem.

Bora?
So Cute
SQSW 302 bloco A loja 48 – Sudoeste
QNE 4 lote 2 loja 2 – Taguatinga

Rollemberg, por favor, mude o nome da ponte

ponte

No dia em que o golpe militar completou 51 anos, dez escolas do Maranhão que homenageavam pessoas acusadas dos mais diversos e terríveis crimes contra os direitos humanos foram rebatizadas, numa decisão bonita do governador Flávio Dino.

Por que diabos estou falando do Maranhão? Porque cá estamos, 51 anos depois das atrocidades que todos nós sabemos quais foram, e a nossa ponte Costa e Silva continua homenageando o presidente dos “anos de chumbo”. O responsável pela morte do resto de liberdade política e de imprensa que ainda resistia, pelo AI-5, pela profissionalização da tortura, dos assassinatos e dos desaparecimentos: é esse o cara homenageado por uma obra pública na nossa cidade. Até hoje.

Uma das recomendações do relatório final da Comissão da Verdade, divulgado no final do ano passado, é de que os governos (federal, estaduais e municipais) mudem os nomes de locais públicos que homenageiam pessoas ligadas à ditadura e responsáveis por crimes contra a humanidade. Em alguns lugares, o Ministério Público e entidades de direitos humanos já estão atuando para isso, mas não deveria ser necessário o esforço de promotores ou campanhas populares, deveria?

Não, mas tudo bem. Aqui já teve gente se mobilizando pela mudança do nome da ponte. Em 2012, estudantes do Levante Popular da Juventude do Distrito Federal fizeram um ato rebatizando a ponte de Honestino Guimarães. Um pouco antes, o Coletivo Transverso fez uma intervenção ótima e a placa ganhou o nome de Ponte Bezerra da Silva. Muito melhor, não?

Iluminados por essas ideias, os deputados distritais aprovaram um projeto de lei no fim de 2012, garantindo que a população escolheria o novo nome da ponte, dentre 14 opções. Eba, finalmente, é isso aí! Só que não. Você sabia que o ex-governador Agnelo Queiroz vetou esse projeto? Eu não sabia, não li em lugar algum, só descobri agora, pesquisando para este nobre texto. Pois é, foi vetado e nunca mais se falou no assunto.

O fato é que não deveria precisar de projeto de lei, de Ministério Público, de pressão popular, deste post, de nada: bastaria o mínimo de consciência política, de respeito à história e aos direitos humanos por parte de um governador qualquer. Espero que seja você, Rollemberg.

Só do relatório da Comissão da Verdade é possível tirar 434 ideias de um novo nome para a ponte – esse é o número de mortos e desaparecidos políticos listados no documento. Gente como o Epaminondas de Oliveira, artesão e líder camponês sequestrado no interior do Maranhão em 1971 e morto sob tortura nas dependências do Exército, em Brasília. Epaminondas tinha 68 anos, e seus restos mortais só foram entregues à sua família no ano passado.

Vamos pra rua?
Em tempos de polarização política, a defesa da democracia deveria ser unanimidade, e assustadoramente não é. Quero crer que aqueles que defendem a ditadura e um novo golpe militar sejam poucos e sofram de um transtorno psíquico grave, mas o simples fato deles existirem já torna essencial a manifestação de hoje, que vai acontecer na Praça dos Três Poderes.

O nome do evento é: “Samba da Resistência – ditadura nunca mais, por verdade, justiça e memória”. Em qualquer época, a memória é importante para nos lembrar do que somos capazes e do que não queremos ser. Numa época como esta, lembrar é fundamental. Além de tudo, será um protesto artístico, com samba e amor. Vai ser lindo.

Bora?
Samba da Resistência
Hoje, na Praça dos Três Poderes, 18h30
Evento no face: aqui