4 dias em Brasília: o que fazer?

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Suas primas vêm de longe, não conhecem Brasília, não te veem há muito tempo: o que você faria com elas em 4 dias?

Eu levaria pra tomar café da manhã no Daniel Briand, ou no Dylan, ou na La Panière, e depois faria aquele passeio básico na Esplanada: Catedral, ministérios, Congresso, Praça dos Três Poderes. Se tivesse tempo e visita marcada, entraria no Itamaraty, o ministério mais lindo de todos, cheio de obras de arte e com o painel do Athos que eu amo. Daria uma passada no Palácio do Alvorada, gritaria alguns conselhos pra Dilma e jogaria uma moedinha naquele espelho d’água cheio de desejos.

A parada de almoço poderia ser no Bistrô Escondido, no Beira (e o filé à parmegiana clássico) ou New Koto (the best sushi of my life). No fim de semana, daria pra levar no Doca e comer devagar olhando pro lago. À noite, pra impressionar, iria de Grand Cru, se o clima pedisse vinho, ou de Taypá, se pisco caísse melhor. E se quisessem mais música e movimento, pegaria o rumo do Loca Como Tu Madre, nunca tem erro.

No meio do caminho, passaria em algumas das minhas lojinhas preferidas, pra elas conhecerem o que se faz por aqui. O Cobogó Mercado de Objetos seria parada obrigatória, com direito a café com bolo embaixo da árvore bonita. Depois, a Bsb Memo e a Fundação Athos Bulcão, onde elas comprariam alguma lembrança fofa da viagem, e algumas galerias bacanas (Elefante Cultural, Galeria Ponto, Referência) – afinal, são elas que salvam a arte de Brasília neste momento de sucateamento total dos museus e de outros espaços públicos.

Se a tarde fosse quente e a cerveja piscasse pra gente, daria pra levar no Kyosky da Rosa, no Cruzeiro Novo, ou no Pinella, na Asa Norte, dando uma passadinha depois no café da Torre de TV, pra ver tudo lá de cima. Mas o fim de semana tá cheio de evento, teria que dar tempo também de:

– Mimosa no Jardim Botânico, no sábado, o dia inteiro: a minha festinha diurna preferida num lugar lindo; dá pra tomar o café da manhã lá e ficar pra sempre (não perde)
– Liga-Pontos, no domingo: a feirinha com artistas da cidade no Objeto Encontrado (clique aqui)
– Domingo em San Telmo: você almoça uma comida delícia no Ancho e já passa a tarde lá, vendo o movimento (vai fundo)
– Cinema a céu aberto no CCBB, com uma programação muito legal até o dia 16 de agosto (leva a canga)

Eu poderia fazer essa maratona. Ou… esquecer tudo e ficar em casa curtindo elas, o mais novo bebê da família, e mais nada. Seria lindo também.

Você levaria suas primas onde? Ajuda aí.

No centro da sala, diante da mesa

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Eu não me considero uma pessoa muito óbvia nem pouco exigente – e é por isso que fico impressionada e feliz cada vez que conheço uma peça nova do grupo Liquidificador.

Não vi ainda a mais recente que estreia esta semana mas já posso dizer que estou com água na boca – pedindo desculpas pelo trocadilho, mas metáforas culinárias são irresistíveis e ops, I did it again.

Janta (1) te convida pra jantar. De verdade. Como costuma acontecer com as peças do grupo, atores e plateia compartilham o momento bem de perto – e, dessa vez, compartilham também o prato.

A peça põe na mesa sentimentos amorosos, confissões, reflexões e sentimentos que habitualmente compartilhamos ao redor de um prato – aliás, como gostamos de um prato pra compartilhar emoções, né? Do jantar de primeiro encontro ao petit comité de melhores amigos cozinhando a várias mãos ao teatro familiar de todo santo domingo, tudo passa pela comida.

Na peça como na vida, o convite não é para sermos espectadores dessa Janta: vamos acompanhar a atriz Karinne Ribeiro enquanto ela cozinha nosso menu, e vamos jantar junto com ela.

O cardápio me deu tanta fome quanto o convite inusitado: escondidinhos de frango e de legumes, torta de limão, bebidinhas. Melhor ainda é que a peça acontece no privilegiado espaço do Quintal f508 – se o menu seguir o padrão de qualidade desse café tão fofo, é garantia de barriga feliz.

Curte teatro? Curte comida boa? Quer se alimentar de arte (eu não resisto!)? Então bora!

Bora?
Janta (1) no Quintal f/508
1º a 18 de agosto, às 20h
Sessões aos sábados, domingos, segundas e terças
SCLN 413 bloco D sala 1

Sobre Nós

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Eu nem entendo nem ligo muito pra moda. Eu não leio nem discuto nem penso sobre moda. Eu uso o que eu tenho vontade de usar e pronto.

É justamente porque acho difícil acontecer que me surpreendo quando alguém me convence de que moda pode ser mais do que isso: roupa. Um tecido bonitinho no corpo e pronto.

Minha xará Carol Nemoto estudou moda em Milão e voltou a Brasília com uma coleção surpreendente. Batizada de Nós, ela mistura uma estética oriental que Carol herdou no sangue, temperada com nosso jeito tão brasileiro de fazer artesanato, explorando tecidos nobres e modelagem de alta costura. O resultado é isso que vocês estão vendo: lindo.

Mas a construção conceitual da Miwa Project vai muito além: Carol pensou em roupas que vestem pessoas, desafiando o conceito de gênero de um jeito que não se restringe à já batida androginia. Vestidos para homens, blusas largas para mulheres, por que não?

Nós, então, tem esse sentido quase literal das amarrações que pautam toda a coleção, mas fala também de mim e de você – e da nossa liberdade de usar o que a gente bem entende. Viaje pela loja online que estreia hoje e olha lá como funciona!

Bora?
Miwa Project – loja online
As peças da linha Couture são feitas sob medida e sob encomenda

Domingo argentino ou carnavalesco, eis a questão

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Prepare-se que a escolha é difícil:

Opção 1 – Domingo em San Telmo
O Ancho Bistrô de Fogo, restaurante de carnes das mesmas donas do Loca Como Tu Madre, está fazendo uma feirinha no estilo San Telmo, todos os domingos, enquanto a seca durar. O clima é delícia: comida boa, drinks porteños, vinis, tango, fotografia, antiguidades e algumas redes pra você se esticar. Perfeito pra encerrar bem o fim de semana.

Com feira ou sem feira, o Ancho é um lugar para ir e voltar várias vezes. Além de ser lindo, tem a farofa de cuscuz, o choripán (sanduíche maravilhoso de pão francês com linguiça caseira, chimichurri e picles de maxixe), a kafta vegana, as carnes assadas na parrilla, a sobremesa de churros – tudo ali me deixa feliz.

Opção 2 – Aparelhinho Parque
O Aparelhinho nasceu no carnaval brasiliense, por obra do coletivo de DJs Criolina, e agora pode aparecer a qualquer época do ano, para a nossa alegria. Domingo, ele vai rodar pelo Parque da Cidade, do meio-dia até as 21 horas.

Isso quer dizer que você não precisa, necessariamente, escolher entre as opções 1 e 2. Dá pra começar o domingo na Argentina e terminar num carnaval fora de época. E boa sorte na segunda-feira!

Bora?

Ancho
Domingo, das 11h às 17h
306 sul, bloco C
Evento no face: aqui

Aparelhinho
Domingo, das 12h às 21h
Parque da Cidade – concentração a partir do meio-dia, no bambuzal perto do estacionamento 10
Evento no face: aqui

Aviso aos navegantes

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Tem experiências que colam na cabeça da gente de um jeito que mesmo horas depois, mesmo dias depois, mesmo anos depois a gente ainda ri quando lembra. Você fecha os olhos e sente o cheiro da sua vó, fecha os olhos e sente o gosto do bolo que sua mãe fazia pra você. Pois foi na sexta que eu passeei de barco, mas o por-do-sol daquele dia ainda me ilumina até agora.

As meninas do Experimente Brasília (sim, não me canso de falar delas) nos convidaram pra participar de um dos passeios inaugurais do Lago Sunset. Elas, que já nos levaram pra passear de bike, pelas superquadras e pelos versos da cidade, agora nos levam pra dentro do lago Paranoá.

Seguinte: não é um passeio – é uma festa. Não tem um tiozinho dizendo “à esquerda o Palácio da Alvorada, à direita a Ermida”. Sei lá, pode até ser que tenha, se alguém quiser, pois pelo jeito por aqui cada um faz o que quiser – mas o nosso passeio foi… pura contemplação – mais que informação.

A galera estava ali pra curtir junto, pra sentir o vento no rosto, pra se estatelar no sol do inverno, pra olhar pro céu lindão, pra olhar pro lago, pra olhar pra vista. Pra curtir música junto (teve playlist do Hamu do Objeto, terá sonzera do Criolina, só luxo), pra tomar uma cervejinha, pra bater o papo melhor do mundo que eu e o Beto batemos com a Zuzu, com o Pezão, com a Pati e com o resto da turma.

Tudo é delicadamente pensado. Do som bom à cervejinha, da saladinha de bacalhau ao drink da cor do céu começando a ficar alaranjado para deixar o sol ir se deitar atrás das nuvens. Teve até paradinha pra um mergulho, mas confesso que eu tava com frio e fiquei curtindo a paisagem.

Agora um alerta: passeio altamente instagramável. Impossível não resistir a tirar fotos de todos os ângulos, de todas as luzes, de todos os lados desse cartão postal incrível que é o céu de Brasília – e o lago, e o verde, e o colorido todo. Sem falar na embarcação propriamente dita: a Maria Maria, uma escuna de madeira diretamente trazida de Paraty e toda trabalhada na lindeza colorida.

Sob medida pra você se sentir em casa, entre amigos, à vontade – só que com vista pro mar, ops, pro céu, e pro lago, e pro por-do-sol.

Imperdível. Irresistível. Delicioso. Resista (e não instagrame) se puder.

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Bora?
Lago Sunset, do Experimente Brasília
A partir de 25 de julho, sempre aos sábados
Saídas às 15h30 do deck do Coco Bambu
A Maria Maria também está disponível pra todo tipo de privatização – basta entrar em contato com o Experimente Brasília no email: info@experimentebrasilia.com.br

Spicy, pero no mucho

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Texto – Lara Haje, especialmente e lindamente para o Quadrado ❤

Quando provei o primeiro prato na Índia achei que não fosse conseguir dar a segunda garfada. Não bastava um copo de água inteiro para todo o ardido passar. Os pratos picantes que já havia provado em restaurantes indianos em outros lugares do mundo não me prepararam para aquela primeira experiência em Nova Dheli. Foi lá que descobri que os restaurantes indianos na parte ocidental do planeta adaptam a comida para os nossos paladares.

É o que também faz o novo restaurante indiano de Brasília, Ashram. Legítima comida indiana mas menos picante. Spicy, pero no mucho. E eu, como legítima ocidental, gosto mais assim – pelo menos para o dia-a-dia.

Fui ao Ashram na hora do almoço, quando as opções são pratos aromáticos com base de arroz e os chamados thalis – ou prato feito. Por recomendação do garçom, pedimos o arroz que mais sai: com tomate, amendoins e especiarias, que vem acompanhado de uma saladinha, pão indiano torrado e um molhinho delicioso. Também comemos um thali, que naquele dia era composto por arroz integral, refogado de grão de bico, ensopado de legumes, espetinho de queijo grelhado e a mesma salada e  torradas acompanhando. Os pratos que compõem o thali variam a cada dia, segundo o garçom. Todas as opções são vegetarianas.

Achei tudo bem feito e muito gostoso, com preço justo (uma refeição para dois saiu por R$ 60), além de ter sido servida rapidamente por garçons atenciosos. Não parava de chegar gente para o almoço de sexta-feira, incluindo muitos estrangeiros, e a equipe em poucos minutos montava novas mesas para atender a todos.

Na Índia, o tratamento costuma ser assim: simpático e generoso. E a equipe multicultural do restaurante, que conta com brasileiros, indianos, paquistaneses e um cozinheiro de Bangladesh, de fato faz de tudo para que o cliente se sinta em um ashram indiano – para quem não sabe, a palavra significa local de retiro.

Outros amigos que foram lá depois me relataram um cenário um pouco mais caótico, de esperas mais longas e comida chegando fria na mesa. Espero que seja a adaptação para uma procura, quem sabe, maior do que a esperada para uma casa que abriu há apenas cerca de dois meses. Brasília estava carente de um restaurante indiano – isso está bem claro.

No dia do almoço, fiquei já de olho no cardápio do jantar, que traz opões de curry ou garam masalas, no vocabulário indiano. Já sei até qual será meu pedido: curry de vegetais com cogumelos. Também quero matar as saudades dos pasteizinhos chamados samosa, recheados de batatas, ervilhas e especiarias.

Na minha viagem à Índia, na medida em que os dias se passavam, meu paladar se acostumava e eu acabei curtindo, em muitos momentos, o excesso de condimentos. É uma experiência sensorial: aquilo te toma por inteiro e, de repente, te enche de energia. Talvez, da próxima vez que for ao Ashram, peça extra-picante, para uma experiência ainda mais legítima.

Bora?
Ashram – restaurante indiano
103 Norte, bloco A
Aberto todos os dias, das 11h às 13h e das 18h às 22h
Tel: 3541-5670
Página no face: aqui

Um filme em defesa da família (quer fazer parte?!)

Leitores e amigos queridos, este post é um pedido de ajuda, para que não haja dúvida. Uma ajuda pra fazer um lindo projeto de documentário em curta-metragem sair do papel! Vamos lá, vou começar do começo.

Apresentei esse projeto de documentário ao final de uma oficina que fiz na Câmara dos Deputados, como parte de uma seleção de curtas que seriam produzidos pela TV Câmara. A oficina começou no ano passado, em outro momento político, mas a seleção só ocorreu neste ano, já com a nova configuração do Legislativo.

Não havia a menor possibilidade de uma família de duas mães ser tema de documentário na Câmara neste momento, eu sabia, então pus o projeto no bolso e fui pra casa desanimada, triste com o cenário não só político, como social que vivemos neste momento – e repito a palavra momento para me lembrar de que a História é feita de idas e vindas, de avanços e retrocessos, e que esse movimento é contínuo, mas algumas conquistas não voltam atrás.

Aí me lembrei da frase que minha amiga Lara ouviu de uma deputada que respeito muito, depois de escutar lamentos e frustrações sobre esse cenário conservador: “Minha filha, a desesperança desmobiliza.” Ela, uma deputada de 80 anos, há décadas dando murro em ponta de faca, deu uma aula de coragem em uma frase. E aí, semanas depois, o professor da oficina de documentário me manda a mensagem: “Vamos produzir seu curta?”

Era o Get, cineasta premiado no Festival de Brasília, colocando equipamentos, estrutura e equipe à disposição pra gente começar a filmar o documentário de forma independente – a melhor forma que poderia existir. Outras pessoas foram se juntando a nós, e foi tanta gente legal, envolvida emocionalmente com a história e com seu propósito, que a frase da deputada passou a me visitar com frequência. Mas, desta vez, era eu agradecendo a esperança e a mobilização. A chance de ter uma voz, de reagir de alguma forma.

“Em defesa da família”, bandeira preferida dos parlamentares conservadores, é também o nome do filme, que mostra o cotidiano de uma família absolutamente comum e especialmente bonita: a família de Vanessa e Marília, juntas há 13 anos e mães de três filhos – Samuel, Felipe e Mateus. As imagens passeiam pela rotina deles, igual à de qualquer outra família: o almoço de domingo, o café da manhã, a festa junina na escola. Enquanto isso, o som ambiente é invadido, em tom cada vez mais agressivo, pelos discursos de parlamentares dentro do Congresso Nacional.

As intenções são várias, mas talvez haja uma principal: focar o olhar no que realmente importa, que são as pessoas reais que habitam nos discursos de medo e de raiva. É preciso focar o olhar nas pessoas, que vivem suas vidas a despeito das invasões agressivas em seu cotidiano. As pessoas são mais importantes. O amor é mais importante, e acredito que ele pode ser mais didático do que as palavras.

Porque estranhar uma realidade distante de você, que não integra seu universo social, é de certa forma compreensível, apesar das famílias de duas mães ou dois pais serem cada vez mais visíveis no mundo inteiro, felizmente. Mas para incluir qualquer grau de agressividade, de raiva ou de vontade de combater a existência do outro, de impedi-lo de ter direitos iguais, certamente é preciso uma boa dose de infelicidade e desamor.

Para encerrar, volto ao assunto da primeira linha: precisamos da sua ajuda! Para pagar a equipe técnica desse filme, colocamos no ar hoje uma página de financiamento coletivo. Tem várias formas de contribuir, para todos os gostos e bolsos. Sem vocês, gente, esse filme não sai. Conclusão: é claro que ele sai! :o)

Bora?
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E, se puder, faz barulho também?! Compartilhe com os amigos, com a família, com o vizinho, com o porteiro!

PS: Marília, Vanessa, Get, Hiran, Cícero, Cecília, Luda, Allison, Raul, Café Savana, Stans Chocolates, Adriana, Giovanna, Assis e todo mundo que ainda vai participar dessa história – vocês são um presente. Muito, muito obrigada. Um abraço especial na personagem principal deste filme: uma família querida, amorosa e cheia de coragem.