Traia-me

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Você vê que o mundo não está perdido quando os cafés que você mais ama ir na cidade não se consideram concorrentes entre si. São todas empresas, todas vendem o mesmo produto, todas têm mais ou menos o mesmo perfil e público-alvo – mas elas não se odeiam, ao contrário. Elas se amam e amam você.

O Objeto Encontrado, o Café Clandestino, Laika e Los Baristas se uniram numa ação muito bacana: um cartão infidelidade que te estimula a circular pela cidade e a descobrir as sutilezas dos cafés tirados em quatro dos lugares mais legais de Brasília.

A ideia é que você percorra as quatro cafeterias durante o mês de outubro, provando o espresso em cada uma delas. Quem tiver todos os carimbinhos, ganha o quinto espresso na cafeteria que preferir. Não é massa? Não te entusiasma?

A mim, me interessa muito. A promoção começa amanhã, dia internacional do café, e vai até o final de outubro.

Bora?
Cartão Infidelidade
De 1º a 30 de outubro, a cada quatro espressos em cada um dos cafés, um é grátis
81414881 e 30818383

Clandestino Café e Música
CLN 413, Bl D, Asa Norte

Laika Cafés Especiais
Gilberto Salomão, QI 5, Lago Sul

Los Baristas Casa de Cafés
SCLN 404, Bl C, Asa Norte

Objeto Encontrado Galeria Café
CLN 102, Bl B, Asa Norte

A aula de costura da Lara

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Texto – Lara Haje, convidada especial do Quadrado ❤

Tinha sido uma semana especialmente difícil para mim – energia pesada no trabalho, insônia – e eu cheguei ao Espaço Moulage no fim da tarde de sexta-feira assim: morta de cansaço. Minha vida, assim como a de quase todas as mulheres que eu conheço, especialmente aquelas com filhos, tem sido parecida com uma gincana, com tantas tarefas a cumprir, que muitas vezes a gente encara até os compromissos de lazer como mais uma etapa dessa gincana. Eu havia comprado uma hora de aula de costura no Moulage durante o evento de arrecadação de recursos para o filme Em Defesa da Família, e, apesar do cansaço, fui lá fazer a aula que já havia marcado dias antes. Minha primeira aula de costura da vida. Ou melhor, segunda, depois de ter aprendido a pregar botões com a minha mãe na adolescência.

Só que essa etapa da gincana  eu não cumpri fácil nem rapidamente. Pedal, volante, alavanca de retrocesso, alavanca para subir e descer a agulha: eram partes demais para eu lidar ao mesmo tempo e, por diversas vezes, me esqueci de alguma delas e errei em exercícios primários de costura. A linha reta saiu torta. Eu pisava forte demais no pedal e passava do ponto onde tinha que terminar a costura. Me esquecia de coisas básicas, como descer a alavanca para fincar a agulha no tecido. A Rosa Cordeiro, uma das donas do espaço, me falava: é como dirigir, parecem muitas tarefas ao mesmo tempo, mas depois você as faz de forma automática, facilmente. Mas me lembrei de que, eu, quando comecei a dirigir, bati o carro inúmeras vezes.

Foi assim que, no meio da aula de costura, eu descobri: eu não estou presente. É por isso que sou um absoluto desastre em tarefas manuais. Se tenho um forte poder de concentração para tarefas mentais, como ler e escrever, minha capacidade de desligar a mente e me focar em minhas mãos é pífia. Não cozinho, não costuro, não planto, não pinto, não desenho. Assim como tantas outras mulheres de minha geração, me concentrei na carreira profissional, me foquei em desenvolver minha capacidade mental. E acabamos, muitas de nós, deixando toda uma parte de nós de lado. A desenvolver. Uma parte importante, que pode nos ajudar justamente naquilo que às vezes parece impossível: desligar a mente.

“Tudo bem errar”, disse a Rosa. Ela desfez calmamente as costuras que eu tinha errado, para eu refazer, ligou uma playlist de rock, puxou um banquinho, sentou ao meu lado e batemos papos ótimos. “A gente quer que as pessoas sejam felizes aqui”, ela ressaltou. E me contou que mulheres chegavam para a aula semanal com um garrafa de vinho, jogavam conversa fora, riam um monte. Sem metas ou prazos a cumprir.

Eu mesma, no meio daquele bate papo com a Rosa, me esqueci do tempo, me esqueci de que aquela não era a última tarefa da minha gincana aquele dia, relaxei. Nesse estado, mais presente, consegui até me focar nas minhas mãos e terminar uma pequena necessaire que a Rosa havia me proposto fazer e que no início da aula me parecia uma possibilidade distante. Só que uma hora de aula virou duas – tempo que a Rosa me deu com a maior calma do mundo, como se não houvesse um mundo lá fora nos esperando.

A Rosa, publicitária em ritmo frenético durante vinte anos, desacelerou a própria vida há dez meses, quando resolveu mudar seu rumo profissional e se associar à Andrea Patsch no Moulage, após seis meses fazendo aula no espaço. Formada em artes cênicas e moda, a  Andrea já mantém o ateliê e dá aula de costura há seis anos, além de ser uma premiada figurinista de teatro e cinema. A parceria das duas deu dão certo que elas mudaram, em julho, para um espaço maior, na 110 norte, que chamam de “o novo Moulage”. É um espaço lindo e acolhedor, além de fresquinho (informação importante nesses dias).

O esquema lá costuma ser assim: três horas de aula, uma vez por semana, em turmas de até dez pessoas. Eu disse pessoas, e não mulheres, ouviram bem? Cinco por cento dos alunos já são homens e eles são muito bem-vindos. As donas do espaço contam que já teve até casal que foi lá fazer curso juntos! Além dessas aulas regulares durante o semestre, elas dão cursos pontuais, principalmente em períodos usuais de férias, como julho, dezembro e janeiro. Em julho, já rolou colônia de férias de costura para crianças.

O espaço também está aberto para eventos específicos. Outro dia vi no Instagram uma foto de um grupo de amigas que foi ao Moulage comemorar o aniversário de uma delas e, olha, elas pareciam bem felizes. Elas passaram a tarde de sábado produzindo cada uma sua própria bolsa, conversando e bebendo espumante, com ar condicionado geladinho (estou fixada neste ponto específico né?). Altas da gincana da vida, uma tarde inteira com amigas, uma bolsa nova, bebida gelada, desacelerar a mente: fiquei bem a fim. Espaço Moulage, volto logo!

Bora?
Espaço Moulage
SCLN 110 bloco A sala 101
3349-1169 / 8478-8272 / 9802-8778

Delícia cremosa refrescante

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42º C. Eu vi isso. Juro. Num termômetro de rua, ontem.

E dei um dane-se que a gente estava atrasado. Dane-se que eu tinha me matado na esteira na tarde anterior. Dane-se que os meninos não têm autorização de comer besteiras durante a semana. Eu só conseguia pensar em uma coisa: sorvete.

A Saborella ficava bem na nossa rota e eu tinha um motivo a mais pra desejar que fosse lá nosso pitstop: um sabor novo que eu provei semana passada e que jamais esquecerei. Leche Merengada, amor eterno amor verdadeiro.

Tem a base dos sorvetes doces que embalam meu coração. Sorvete, sorvete mesmo, com leite, e um toque meio caramelado, que se é pra investir na gordice, façamos direito. Só que daí vem um quê de limão com mais um tchans de canela. O resultado é uma coisa assim… indescritível de boa. Refrescante e gordinho, e delícia, e feliz.

Acho que vou lá hoje de novo. Hoje é sexta, né?, já é praticamente fim de semana (vou jogar essa desculpa pros meninos).

Bora?
Saborella
SCLN 112, Bloco C, Lojas 38/48
3340-4894

Os nomes dos blocos

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Outro dia li uma crônica fofa do Rubem Braga em que ele falava que ao invés de dar nome de gente às ruas a gente devia dar nomes de ruas às pessoas.

E ficou lá divagando poeticamente sobre como ele seria, se fosse rua: “eu acho que daria uma travessa triste, mas movimentada, como aquelas perto do Mercado; ou então uma rua qualquer de subúrbio, meio calçada, meio descalçada, que começa num botequim e termina num capinzal, e tem um córrego do lado” – e termina, lindamente: “Faço questão do córrego”.

Fiquei imediatamente pensando em que quadra eu queria pra mim, ou que bloco, ou que cantinho de Brasília escolheria, se fossem dadas às pessoas comuns tamanho privilégio.

E acho que seria um pilotis de prédio – um pilotis de piso rústico, nem de mármore nem de granito, onde se pudesse andar de patins e bicicleta sem infringir cláusula pétrea de estatuto de condomínio.

Tinha que ter árvores altas ao redor, de preferência daquelas com flores laranjas que a gente chamava de xixi-de-macaco – que nas chuvas dão brotos muito úteis pra guerrinhas infantis e, na seca, deixam folhas secas bem crocantes de pisar. De um lado, um parquinho. Do outro, uma quadra esportiva.

Tinha que fazer calor e bater sol direto – e tudo bem se fosse de frente pro eixo. Tem movimento de gente chegando pra trabalhar, indo embora, e eu quero ser um pilotis atravessado, usado, habitado. É pra isso que servem os pilotis: pra passar gente.

Não são ridículos os nomes de blocos que essa gente dá pros prédios aqui em Brasília? Nome de filho de empreiteiro, de esposa de empreiteiro, palavras impronunciáveis em francês. Melhor ganharia a gente se os prédios tivessem nome de gente feliz que morou por ali. O meu, por exemplo, cairia como uma luva no bloco K da 204 sul.

Mas nem precisa ser o nome do prédio, não. Eu só faço questão mesmo do pilotis.

Dia de deixar o carro em casa

CINEBIKEIN

Hoje é o dia mundial sem carro – data que, aqui em Brasília, não pode passar sem uma reflexão. Acostumados à piadinha de termos nascidos com cabeça, tronco e rodas, os brasilienses precisam enfrentar o debate sobre formas alternativas de locomoção – pra ousar mudar e pra reivindicar mudanças. Dia ideal pra contar duas coisas:

Primeiro, falar da iniciativa bacaníssima do meu querido Igor Silveira: doi2 a pé é um blog sobre pessoas sem carro em Brasília. Igor e seu amigo Vagner Vargas contam as aventuras, roubadas e belezas de quem decidiu ver a cidade de perto, dispensando o enquadramento da janela do carro. É o empurrãozinho que faltava pra gente ver que não, não é impossível viver sem carro em Brasília.

Segundo, um convite pra um programa massa: com o apoio do Rodas da Paz, uma galera do pedal e do amor vai comemorar esse dia fundamental pra mudança de consciência com um Cine Bike-In! Pode haver algo mais fofo que essa iniciativa? Um passeio de bike até o cine drive-in, pra assistir um filme que tem o ciclismo como pano de fundo (” A Grande Volta”, sobre o Tour de France), com foodtrucks e foodbikes esperando pra fazer a festa.

Bora?
Cine Bike-In
Hoje, 22/09
Concentração a partir das 18h, na plataforma superior da Rodoviária
Pedalada rumo ao Drive-In a partir das 19h
Sessão começa às 20
R$10,00/pessoa (nos carros), R$5,00/pessoa (pedestres e ciclistas)

Filme: A Grande Volta (2012 – Laurent Tuel) – 98min
François (Clovis Cornillac) é um homem apaixonado pelo Tour de France. Após ser demitido pelo patrão e abandonado pela esposa, ele decide encarar o desafio de fazer a “Grande Volta”, saindo com um dia de vantagem em relação aos atletas profissionais. A proeza de François vira notícia e os organizadores do Tour ficam enfurecidos. Alguém precisa detê-lo.

Let’s be xóvens

contraplano

Lembra quando eu escrevi este texto inspirador pro ano que tinha acabado de chegar? Eu menti. Eu não estou deboísta, não – eu estou velha, mesmo. Pelo menos este é o diagnóstico das minhas amigas.

A cada convite pra uma festa que vira a noite, eu penso no meu travesseiro fofinho, no dia lindo que vai brilhar na manhã seguinte, nos eventos ao ar livre, em andar de bicicleta, ler livros, etc – tudo o que eu falei no post do deboísmo, no começo do ano, e que pras minhas amigas não é deboísmo coisa nenhuma: é velhice.

Pois amanhã elas vão ver só. Decidi: esse ano eu vou na Contraplano, a mais oficial das festas alternativas do Festival de Cinema. Eu vou, juro. Já estou com o ingresso na mão.

E desde ontem que ouço Don’t stop me now no repeat – que eu nem sei se vai tocar por lá, mas que é a música oficial para despertar a xóven que existe em mim. Até agora está funcionando, e acho que dura até amanhã.

Se empolgou? Atenção, então: os ingressos acabaram online, mas pelo que sei ainda dá para comprar no Colorbar/Morceguinho Foodtruck, nos jardins do Cine Brasília.

Agora, duas dúvidas:

  1. Acabo de me lembrar que domingão tem Quero Melancia nos jardins do Festival de Cinema, lançando uma coleção incrível baseada na Missão Cruls (uma marca que faz moda ensinando história do DF, o que pode ser mais incrível?). Estarei eu viva pra aproveitar isso? Eu preciso estar!, diz a velha deboísta dentro de mim.
  2. Se a música que desperta o xóven em você foi feita em 1979… significa?

Bora?
Contraplano Take #9
Sábado, 17/09, naquela hora de festa em Brasília, ou seja: tarde
Mansão dos Arcos
SMPW 2 Quadra 7 Conjunto 3

Quero Melancia – lançamento da coleção Missão Cruls
Domingo, 18/09
Nos jardins do Festival de Cinema
Cine Brasília – EQS 106/107