A arte de viver

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Eu ia escrever um post pra vocês sobre viajar. Há coisa de três semanas, fiz uma viagem de quatro dias da qual eu ainda não voltei totalmente.

Viajei pra Itaparica, tive a sorte de aproveitar três dias e meio da alegria e da hospitalidade da Neusa e do Christian, e ia escrever sobre viajar e se entregar, viajar e se envolver – sobre como a gente nunca mais volta o mesmo de uma viagem que se faz com o coração. Quando se entra na casa e na vida de outras pessoas, quando se prova outra experiência de vida, quando se olha o mundo através de olhos totalmente diferentes dos seus.

Mas aí um atentado atroz atingiu bem em cheio os meus planos. O Christian é francês – e eu não consigo mais falar da beleza dos dias que passamos juntos sem pensar na art de vivre, no jeitão francês de aproveitar a vida, que foi atingido em cheio na sexta-feira passada.

Esse saber-viver feito de sabores simples, da alegria banal de conversar, de resolver o futuro da humanidade ao redor de um bom prato de comida e uma bela taça de vinho, esperando solenemente a lua cheia iluminar nosso jantar. E falar da lua, e falar da comida, e explicar, com palavras que quase têm cheiro e sabor, como cada prato foi feito.

Essa teimosia francesa de insistir em viver bem, de envelhecer indo ao teatro e ao cinema e a concerto de música, de não deixar nunca de celebrar a vida com os amigos – um rouge numa mão, um queijo gorduroso na outra. Era mais ou menos isso que cada uma das pessoas assassinadas estava fazendo quando foi morta.

Eu ia escrever sobre as suas férias de fim de ano: para que você se lembre que viajar é descobrir outras vidas, é conhecer pessoas, entender a vida sob os infinitos outros pontos de vista possíveis. Fazer novos vínculos – e, se possível, novos amigos.

Mas resolvi escrever sobre a vida, apenas. Aproveite a sua. Faça dela sua obra de arte particular.

5 respostas em “A arte de viver

  1. Sou suspeito pra falar de viagens em si. Viajar é entender a vida sob os infinitos pontos de vida possíveis, sim. Eu nem sempre busco contato com outros humanoides. Pelo contrário, estou cada vez mais buscando isolamento quase completo, natureza, animais, florestas, montanhas, trilhas e etc. Mas no fim das contas, viajar, cada um ao seu jeito, é um saber-viver como você descreveu magistralmente. Com muita emoção, aprendizado, desprendimento, reflexão e, como você também bem escreveu, “a gente nunca mais volta o mesmo de uma viagem que se faz com o coração”.

  2. que bonita! é isso, Mana, uma quarta a tarde, subir pruma xícara de chá. que a gente possa fazer muitas e muita vezes. viajando ou não. te amo, minha francesinha!

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