A feira linda que vai salvar minha semana

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Em tempo de ódios profundos e certezas superficiais, o mergulho na arte e na delicadeza é mais salvador do que qualquer tarja preta. A Lara falou ontem no restart que ela costuma dar em Alto Paraíso. Pois bem, o meu restart desta semana turbulenta será no Café Ernesto, que promove no domingo a feira de livros independentes “A Outra Margem”.

Eu e Carol, que há mais de três anos fazemos este blog juntas, temos as nossas viagens individuais também. E essa feira, sem intenção, juntou a gente. E juntou tanta gente legal, tantos trabalhos bonitos e especiais, que vou confessar: me sinto orgulhosa de participar.

A Carol vai estar lá com seus dois lindos livros infantis – “A Rua de Todo Mundo” e “A História de Você” – e ainda vai dar um workshop para pequenos escritores (restam pouquíssimas vagas, gente, corre lá).

Eu vou estar com o “Paúra – um mergulho na síndrome do pânico”, livro que fiz com outros três amigos: Lara Haje (sim, a mesma Lara do primeiro parágrafo), José Maria Palmieri e Daniela Ktenas.

Vai ter muita gente bacana, editoras de fora também, como a incrível A Bolha, sem falar nos bate-papos e lançamentos. É um evento feito por quem ama escrever e ilustrar, e tenta, de forma independente, fazer com que seu trabalho chegue às pessoas.

Não é tarefa fácil. Vocês devem acompanhar as notícias sobre a crise no mercado literário. Se é difícil para editoras gigantes, imagine o que é tentar viabilizar sua escrita com o próprio bolso. É tarefa para quem ama com devoção. E amor, atualmente, é tudo o que a gente precisa.

Bora?
A Outra Margem, feira de livros independentes
Domingo (20/03), das 13h às 19h
Café Ernesto – 115 Sul, bloco C
Página no face: aqui

Alto Paraíso, bairro de Brasília

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Texto de Lara Haje, especialmente para o Quadrado ❤
Fotos de José Maria Palmieri

Se você acha que a política está dureza, para quem trabalha com isso está pior ainda, acredite. Mas eu sou do tipo que acha que um refúgio no mato resolve muitas coisas nesta vida. Foi assim que comecei a me comportar como se Alto Paraíso, Goiás, fosse um bairro de Brasília. Nos fins de semana, meu destino poderia ser uma casa em um dos condomínios nos arredores da cidade, mas escolhi a Chapada dos Veadeiros como lugar no mundo para chamar de meu.

No sábado logo cedo, cato duas mudas de roupa e sigo em busca de autocura para as neuroses inventadas na cidade grande e, sobretudo, de desconexão. Porque durante a semana são pelo menos oito horas por dia na frente do computador ou do smartphone. E a gente começa a se comportar como se a vida fosse o que vemos ali. Perdemos a dimensão do nosso tamanho e importância: pequenos. Na Chapada dos Veadeiros, dou o restart.

Para começar, duas horas e meia na estrada só ouvindo música: já considero isso um descanso. No caminho, já vou com água na boca para comer meu sanduíche preferido no mundo, o Sanduflor do Cravo e Canela. Peça com hambúrguer de grão de bico (ou de acarajé, se for chegado numa pimenta) e com mandiopiry – a maionese de alho à base de mandioca. Lá também tem vários sucos de frutas da região e um açaí delicioso.

De tarde, um banho em uma das cachoeiras mais acessíveis e próximas, como Loquinhas, São Bento, Almecegas e Cristal, já faz o dia valer a pena. Na Cristal, não deixa de finalizar a tarde com um pastel. Outras opções de lanche no fim do dia estão na Tapiocaria maravilhosa da praça principal da cidade. Além da tapioca, as sopas e o bolo de cenoura também valem a pena.

Se preferir esperar o jantar, sugiro a pizza na mão da Vila Chamego, onde até a de brócolis é gostosa. Mais chiquezinho (e mais caro, mas vale a pena) é o Jambalaya, restaurante à la carte com opções de peixe, carnes, saladas, risotos. Além de tudo ser uma delícia, o ambiente tem luz difusa e almofadas aconchegantes.

Para dormir, as opções são variadas, dependendo do gosto e de quanto se quer gastar. Para quem quer o mesmo conforto da cidade grande, tem, por exemplo, a Casa da Lua  e as Casas Gengibre (a Dani já falou delas aqui), a uma média de R$ 400 a noite. Para quem quer uma opção mais em conta (média de R$ 120 a diária para casal), ou para quem prefere lugares mais no meio do mato, mesmo que tenham menos conforto, tem as pousadas Casa Rosa, do Sol e Caminho de Santiago.

Elas têm mais cara de casa do interior, mas oferecem o benefício do silêncio absoluto e de um encontro fortuito com araras. Neste quesito – “melhor encontro com araras” –, a Pousada do Sol é imbatível. Mas o café da manhã deixa um pouco a desejar. Nesta época de chuvas, espere um cheirinho de mofo nesses lugares. Mas tenho a tendência a achar que um pouco de desconforto às vezes é até bom: lembra o quão privilegiados somos.

Nestas pousadas, o wi-fi muitas vezes vai funcionar de forma precária. O que considero um benefício imenso. Talvez você até se sinta inclinado a ler um livro, veja bem. Há quanto tempo mesmo não se dedica a isso? E talvez descubra que facilmente lê 60 páginas seguidas sem o seu smartphone ou computador por perto.

Depois de tudo isso, é possível que ainda seja 9 da noite. Porque sem internet e TV, o tempo passa de outra maneira: lentamente. Maravilhosamente lentamente. Não haverá compromissos, o que te possibilitará dormir 10 horas no mínimo nesta noite.

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Segundo dia
No domingo, mais um banho de cachoeira. Perto de Alto, adoro Anjos e Arcanjos, só 1 km caminhando, mas com subidas e pedras que deixam o trajeto com dificuldade média. Há muitas outras possibilidades, um mundo a se descobrir. Sertão Zen, Cachoeiras dos Couros e Macacos estão na minha lista para os dias que tiver ânimo para uma caminhada mais longa. Mas às vezes fico meio preguiçosa no domingo de manhã.

Para o almoço de domingo, descobri recentemente o Alquimia, self-service vegetariano com as mesmas cozinheiras do Oca Lila (que fechou e deixou saudades). Para quem faz questão de algum tipo de carne, tem o Tapindaré, que fica numa construção horrorosa (a humanidade perdeu muito quando o blindex deixou os boxes dos banheiros e foi transportado para portas e janelas), mas oferece um self-service com muitas opções bem feitas. No caminho de volta, tem quem considere indispensável um café no Portuga.

O mesmo fim de semana em São Jorge, também na Chapada, terá mil outras possibilidades. E Cavalcante então é outra história, que um dia eu conto por aqui.

De volta a Brasília, às 18h, depois de menos de 40 horas fora da cidade, fica a impressão de ter vivido realmente uma experiência à parte do meu mundinho – conectado demais, virtual demais, veloz demais. A informação é essencial e, em tempos de comunicação por “memes”, assimilar quilos de informações diversas me parece mais importante ainda. Mas é preciso tempo para digeri-las, distanciamento, contato com outras realidades, não mediadas. É precisa temperar informação, inclusive a informação do entretenimento, com poesia e espaço para a criatividade. Como outro dia me alertou o filósofo Edgar Morin, se você busca momentos poéticos acaba esbarrando na felicidade.

O mundo vai acabar – e ela só quer dançar

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Amores da minha vida, serei curta e delicada: sou jornalista e trabalho no Congresso, então meu mundo está bem de pernas pro ar essa semana. Não está dando tempo de pensar em nada.

Mas minha irmã me o-bri-gou a escrever este post pra vocês porque as pessoas precisam saber da piscina, da margarina, da gasolina, porque esse mundo não é só feito de delações premiadas e ministros impensáveis. Esse mundo também é feito de iniciativas incríveis de gente que faz essa cidade pulsar – e é hoje à noite que isso acontece.

Quarta dimensão é um projeto incrível de uma pá de gente talentosa da cidade que está lotando o Dulcina numa vibração de renascimento e ocupação, com o trabalho de artistas, músicos, grafiteiros, com bandas de rock autorais dividindo espaço, mostrando a que veio, fazendo a galera dançar.

Entra aqui no face deles, assiste esse vídeo incrível e, por favor, vá. Vá e aproveite a sua vida – que é o que acontece de fato enquanto essa galera briga por poder.

Bora?
Quarta Dimensão
Hoje, 16/03, a partir das 20h
Teatro Dulcina, no Conic
SDS Bloco C, s/n

 

Com delícias, com aconchego, sem glúten nem lactose

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No meu planeta, bolos são feitos com farinha, leite, ovos, açúcar e um tiquinho de fermento. Desde que me entendo como boleira. Naturalmente, sempre olhei curiosa pras amigas da Bela Gil que substituem algo disso por farinha de linhaça, por exemplo. Meda. Mas aí eu visitei a Komboleria e meu preconceito arrefeceu.

Começa que o lugar é fofo como poucos cafés da cidade. Mesão no centro da sala ganha pontos comigo. Você interage com outros clientes, dá um clima de casa de vó, aquece o coração.

Daí vamos pro que interessa: os pães e os bolos. Juro: não dá pra acreditar que não tem lactose. Que não tem glúten. É tudo saboroso, leve, original, bem cuidado. Os pães, feitos com batata, abobrinha e outros itens diferentes, são servidos quentiiinhos, com azeite. Os bolos, com cobertura ou sem, foram aprovados pelos exigentes paladares de João e Pedro, acostumados à nata do trash fast food. Eles comeram, amaram e repetiram.

Tem celíaco e alérgico na família? Vá. Não tem, mas curte comidinha saudável? Vá. Não curte, mas gosta de bolinho fofo, cafezinho bom? Pois vá. Você não vai se arrepender.

Bora?
Komboleria
CLN 106 bl C loja 38
Seg a sex, 10h – 18h30, sáb, 9h30-18h, com brunch até às 12h