Seu livro novo está aqui

ernesto

Não é puxando a brasa pra nossa sardinha, não (ok, até é), mas sabe o que me dá quando eu entro nessas livrarias grandes? Desespero. E não é desespero de sair comprando, não. É desespero de sair correndo, mesmo.

Uma seção gigante de esotéricos. Outra de auto-ajuda. Outra de livros de globais. Outra de livros de youtubers. Outra de livros enaltecendo personagens políticos que (spoiler) não vão resistir ao julgamento implacável da História.

Tudo bem a gente gostar de tudo isso. O problema é quando você, como eu, não gosta. É difícil mesmo encontrar opção. Está cada vez mais difícil entrar numa livraria megastore e cravar um #MeRepresenta.

É nessa hora que a gente entra, bora, Dani. Tcharããns!

Eu e meus amigos do Longe escrevemos livros fora da caixinha. Livros sobre o estranhamento, de que já falamos mil vezes aqui – inclusive dos meus filhos A Rua de Todo Mundo e A História de Você. A Dani e a turma dela escreveu o Paúra, um livro lindo sobre a síndrome do pânico.

Nós, e mais uma turma grandona, estaremos pela segunda vez domingo que vem no Ernesto Café, participando da feira A Outra Margem. Só livros de editoras independentes, de selos literários e gente sendo feliz.

Bora?
A Outra Margem
Domingo, 26/06, das 14h às 22h
Ernesto Café
CLS 115 Bl. C lj 14

Quando eu sou a criança que mora em mim

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Confissão de segunda-feira: eu  às vezes compro roupa de criança. Assim: pra mim. Eu amo vestir roupa de criança, devo ter algum problema mal resolvido na infância, sei lá, vou perguntar pra minha psicóloga. Eu simplesmente não resisto!

Eu amo as estampas! Eu amo os modelos! Eu amo a cara de feliz dessa galera nesses editoriais com essas roupas divertidas! Eu-me-identifico.

Também, gente, olha as irrestibilidades que as pessoas estão fazendo ultimamente! Conhece essa marca fofíssima daqui de Brasília, a ? Eles fazem roupas de brincar! De vestir, de ficar lindo e fofo demais, e de brincar. (Ok, eu não comprei um macaquinho com capa, mas eu queria.)

Fim de semana passado, conheci essa linda marca Wazo, que vende pela internet. A Marion, francesa que mora no Rio, faz roupas de criança com um charme parisiense louco, combinação de cores fofíssimas e umas estampas exclusivas que… por favor, dá pra fazer um pouco maior?

Quer surtar de fofura? Vai lá.

Bora?
Bé Faz a Ovelha
Do Meu Jeito
CLS 404, Bloco A, Loja 13

Wazo
Vendas online

Uma quadra como antigamente

Panelão da Arte anos 80 2

Em junho a SQN 312 completa cinquenta anos, e o meu amigo querido Beto Seabra nos mandou um texto lindo sobre a vida que ele testemunhou por ali.

Eu dei a sorte de crescer numa quadra pulsante e unida, a SQS 204 da década de 1980, e o azar de ver meus filhos crescerem numa quadra meio desagregada, sem crianças brincando pelos pilotis – onde, note-se, não pode brincar de bola, andar de bicicleta nem de patins. Daí que leio o relato do Beto com os olhos meio úmidos.

É pra ler, se inspirar e ir lá reviver o que, pra mim, é uma quadra como antigamente.

“Celeiro de artistas, a quadra sempre esteve presente no imaginário dos moradores do Plano Piloto. Foi lá que surgiu, nos anos 1980, o Panelão da Arte com a apresentação de vários artistas da Quadra (“Panelão da Arte! Para acabar com a panelinhas!”, este era o mote) .

Também foi na SQN 312 a experiência piloto da Mirinzada, que formou atletas em várias modalidades, entre os quais futuras estrelas do voleibol nacional.

E vem de lá também o Açougue Cultural T-Bone, que mostrou ao Brasil que a arte não precisa de templos monumentais para estar presente.

Sem apoio oficial durante décadas, a 312 Norte produziu sua arte como e quando pode.

Mas o atributo mais importante da SQN 312 é a sua gente. Mesmo depois de várias gerações, que moraram ou ainda moram na quadra, o local não perdeu seu jeito de vila.

Cinquenta anos depois de inaugurada, ela permanece sendo uma quadra única, onde famílias mantêm os laços de amizade iniciados nos anos 1960, continuados entre seus filhos, netos e bisnetos.

Por tudo isso, a 312 Norte, ou simplesmente “A 12”, como chamam seus ex- e atuais moradores, merece uma comemoração à altura de sua história. Moradores da quadra e amigos, além dos síndicos de cada bloco, estão se organizando para celebrar seus cinquenta anos, com uma festa que pretende relembrar momentos do passado, bem como aumentar a integração entre os moradores atuais e os antigos.

O grupo SOM+AR, com apoio do pessoal do Picnik, vai cuidar da infraestrutura e do som contando com toda sua experiência na realização de eventos desta proposta e organização. A Administração de Brasília vai entrar com estrutura de apoio (tendas, palco, banheiros etc.), além do apoio dos Síndicos da Quadra e do Conselho Comunitário da Asa Norte – CCAN.

Mas a festa, quem vai fazer, somos nós!”

Me senti ultra convidada, já tô lá.

Bora?
Festa de 50 anos da 312 Norte
Sábado, 18 de junho, a partir das 13h.
Entrequadra 311/312 Norte (área verde atrás da igreja)

Vai ter food trucks e brincadeiras para crianças. Músicos e poetas da quadra também preparam apresentações. Se você tem fotos antigas e atuais da 312 Norte, não deixe de levar – vai rolar um Varal Fotográfico.

 

Vamos pegar um filminho?

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Eu morro de saudades dos meus meninos pequenininhos, mas confesso: faço a contagem regressiva dos dias que faltam pra eles poderem ficar sozinhos em casa e a gente poder ir despretensiosamente ao cinema. Aquela coisa mais banal: ah, vamos pegar um cineminha hoje?, ah, vamos, claro, que ótimo, e pronto, vamos.

Juro, eu nem acredito que isso vai acontecer de novo. Mas vai. E eu perdi a vergonha de ficar feliz com isso. Quem tem a liberdade de um cineminha banal numa noite de semana que a celebre.

Se é seu caso, aí vai a programação do Festival Varilux de Cinema Francês. Coisa mais fofa, eles estão em vários cinemas! – na verdade, estão em várias cidades também! Avisem seus amigos de Sobral (CE), de Caeté (MG), de Tubarão (SC). Porque os filmes parecem incríveis. Eu-quero-ver-todos. Apenas. Babás, me escrevam, vocês vão ficar ricas.

Ainda não vai ser esse ano, mas Festival Varilux, estou de olho em você, ó. Tô te mirando, ano que vem (ou no outro, ou quando eu arrumar coragem), você não me escapa.

Bora?
Festival Varilux de Cinema Francês
Programação na Embaixada da França, no Cine Itaú, no Pier 21 e no Liberty

O piquenique perfeito

piqueniques

Não sou muito dada a perfeições: pra mim o perfeito é o espontâneo, é o menos complicado e, principalmente, o que de fato aconteceu. Se a gente gasta tempo demais elaborando uma vida de Pinterest corremos o sério risco de paralisar e deixar escapar a vida real.

Isso é especialmente verdade quando o assunto é piquenique – porque, vamos combinar, piquenique de Pinterest dá trabalho. Fazer comidinhas lindas, fazer arranjo de flores, ter a toalha perfeita e ainda por cima levar tudo isso até um jardim agradável, prender bandeirinha, encontrar uma sombra… Só de listar já perdi a coragem.

Minha estratégia normalmente é menos glamurosa e mais prazerosa: pensar num lugar com um parquinho, fazer meia dúzia de sanduíches gostosos, comprar uns cookies prontos, botar cervejinha pra gelar e já é. Sejamos reais.

O problema que tenho enfrentado é a dificuldade de arrastar pra esse programa as pessoas que me ensinaram a amar piquenique décadas antes de isso ser moda: minha mãe e meu pai. Tá complicado pros coroas ficarem sentados na toalhinha xadrez sobre o gramado. Doi o bumbum, doem as costas – eles passam quinze minutos, dão a desculpa que têm de visitar a tia da vizinha e se mandam.

Por isso achei bem útil a ideia do Piquenique-se, uma marca de móveis de piquenique, mesas baixinhas, pufes confortáveis – tudo pra você curtir o programa sem ter dor nas costas. Bonitinho, né?

Essas belezinhas estão em exposição no Ernesto Café, em cafés da manhã especiais de domingo, já há algumas semanas. Amanhã é a última edição, que já está com as reservas esgotadas. Mas vale piquenicar nos gramados ao redor e dar uma olhada no seu próximo investimento de piquenique perfeito.

Bora?
Piquenique-se no Ernesto Café
Amanhã, 5/6, das 7h às 22h
CLS 115 Bloco C Loja 14
3345-4182

Consuma Brasília

 

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Blusa Laletá e saia Quero Melancia: 100% Brasília

 

Texto – Lara Haje
Especial para o Quadrado

Talvez esteja acontecendo com muita gente o mesmo que comigo. Um movimento contínuo e repetitivo, assim: eu desanimo com tudo e perco a fé na humanidade, especialmente ao ler as notícias e mais ainda ao ler os comentários das pessoas nos sites de notícias, e aí acontece algo, normalmente na vida concreta, fora da internet – uma frase de um dos meus filhos, uma cena na rua, uma iniciativa bonita de alguém – que me faz voltar a ter esperança de que o mundo pode caminhar para melhor. Esse movimento-sentimento vem se repetindo, dia após dia.

Aconteceu, por exemplo, no dia em que eu conheci a Pop Up Store Natural de Brasília. Eu andava de carro pelo início da Asa Norte e pensava como a cidade está piorando em muitos aspectos. O Balaio Café, um espaço de promoção de artistas locais e ponto de encontro de gente descolada, fechou, assim como a Marti Discos, que, além de ter uma oferta de LPs incríveis, fazia uns eventos ao ar livre super aprazíveis, com música boa e gente interessante ocupando o gramado com suas cangas. Além disso, neste dia, como em tantos outros, as ruas estavam cheias, lotadas, de carros (inclusive o meu), e não era nem hora do rush, e continuavam vazias de gente.

“Que cidade careta, que capitalismo selvagem, quantos novos prédios espelhados horrorosos”,  pensei. Sim, estes são pensamentos que ainda passam pela cabeça de uma esquerdopata compulsiva, como eu, para plagiar o termo cunhado pelo colunista Gregório Duvivier.

Até que, na mesma tarde à toa, fui parar na Pop Up Store das meninas do Experimente Brasília e do Instituto Brasil de Economia Criativa, que até 9 de julho está sediada no Liberty Mall, antes de partir para outros shoppings da cidade. E, ufa, me lembrei instantaneamente, ao entrar na loja, de que Brasília também anda pra frente, e não só para trás. A loja temporária reúne peças de alguns dos melhores estilistas, designers e artistas da cidade. Tem roupas da Quero Melancia, Helmet e Laletá, por exemplo, peças de prata da Joana VP e jóias orgânicas (de borracha) sensacionais da Flavia Amadeu. Se não conhece estas designers, procure conhecer.

Resumindo: é o paraíso para pessoas como eu, loucas por moda, mas que não querem mais consumir frenética e inconscientemente produtos feitos por mão-de-obra quase escrava em países da Ásia (sim, nós, esquerdopatas compulsivos, pensamos nesse tipo de coisa). Eu quero saber quem faz os produtos que consumo e quero apoiar essas pessoas.

Já sei que todos os meus produtos eletrônicos são feitos da mesma maneira, por trabalhadores que também não têm direitos básicos respeitados, que vou continuar comprando um monte de coisas sem conhecer o processo de produção delas, blablablá. Mas quero mudar no que for possível mudar. OK? Pode ser? Eu, Lara Haje, 38 anos, há cerca de apenas um ano, não sou mais viciada em roupas da Zara e assim caminho, um passinho de cada vez.

Pois então: uma maneira muito fácil de apoiar esta “gente que faz” da cidade é justamente comprando delas. Brasília não vai ter seus designers, estilistas, artistas de todo o tipo, se a gente não fizer a opção consciente, a cada vez que for comprar algo, de escolher um produto local. Para Brasília não ser só funcionalismo público, política, prédios espelhados, carros e também respirar arte e criação – enfim, para ter um pouco de beleza contrapondo-se à dureza – é necessária a colaboração de todos.

Lá no Liberty Mall mesmo, logo atrás da Pop Up Store Natural de Brasília, tem outra loja recheada de estilistas locais, o Coletivo Cria Brasília, e, em frente a ela, a Fulanitas de Tal, com sapatos legitimamente brasilienses. Na Apoena , na 403 Norte, tem roupas de linho e peças bordadas lindíssimas. Se precisar comprar um presente, passe na BSB Memo, na 303 Norte, no Cobogó, na 704 Norte, ou na Fundação Athos Bulcão, na 404 Sul. Estas são apenas algumas das opções – que não faltam, garanto. Pesquise e faça sua pequena, pequeníssima parte.