Uma quadra como antigamente

Panelão da Arte anos 80 2

Em junho a SQN 312 completa cinquenta anos, e o meu amigo querido Beto Seabra nos mandou um texto lindo sobre a vida que ele testemunhou por ali.

Eu dei a sorte de crescer numa quadra pulsante e unida, a SQS 204 da década de 1980, e o azar de ver meus filhos crescerem numa quadra meio desagregada, sem crianças brincando pelos pilotis – onde, note-se, não pode brincar de bola, andar de bicicleta nem de patins. Daí que leio o relato do Beto com os olhos meio úmidos.

É pra ler, se inspirar e ir lá reviver o que, pra mim, é uma quadra como antigamente.

“Celeiro de artistas, a quadra sempre esteve presente no imaginário dos moradores do Plano Piloto. Foi lá que surgiu, nos anos 1980, o Panelão da Arte com a apresentação de vários artistas da Quadra (“Panelão da Arte! Para acabar com a panelinhas!”, este era o mote) .

Também foi na SQN 312 a experiência piloto da Mirinzada, que formou atletas em várias modalidades, entre os quais futuras estrelas do voleibol nacional.

E vem de lá também o Açougue Cultural T-Bone, que mostrou ao Brasil que a arte não precisa de templos monumentais para estar presente.

Sem apoio oficial durante décadas, a 312 Norte produziu sua arte como e quando pode.

Mas o atributo mais importante da SQN 312 é a sua gente. Mesmo depois de várias gerações, que moraram ou ainda moram na quadra, o local não perdeu seu jeito de vila.

Cinquenta anos depois de inaugurada, ela permanece sendo uma quadra única, onde famílias mantêm os laços de amizade iniciados nos anos 1960, continuados entre seus filhos, netos e bisnetos.

Por tudo isso, a 312 Norte, ou simplesmente “A 12”, como chamam seus ex- e atuais moradores, merece uma comemoração à altura de sua história. Moradores da quadra e amigos, além dos síndicos de cada bloco, estão se organizando para celebrar seus cinquenta anos, com uma festa que pretende relembrar momentos do passado, bem como aumentar a integração entre os moradores atuais e os antigos.

O grupo SOM+AR, com apoio do pessoal do Picnik, vai cuidar da infraestrutura e do som contando com toda sua experiência na realização de eventos desta proposta e organização. A Administração de Brasília vai entrar com estrutura de apoio (tendas, palco, banheiros etc.), além do apoio dos Síndicos da Quadra e do Conselho Comunitário da Asa Norte – CCAN.

Mas a festa, quem vai fazer, somos nós!”

Me senti ultra convidada, já tô lá.

Bora?
Festa de 50 anos da 312 Norte
Sábado, 18 de junho, a partir das 13h.
Entrequadra 311/312 Norte (área verde atrás da igreja)

Vai ter food trucks e brincadeiras para crianças. Músicos e poetas da quadra também preparam apresentações. Se você tem fotos antigas e atuais da 312 Norte, não deixe de levar – vai rolar um Varal Fotográfico.

 

12 respostas em “Uma quadra como antigamente

  1. Não tem como negar! Quem morou na 12 sempre será na da 12. Especialmente aqueles que passaram sua infância na quadra nos anos 70 e 80. Tive sorte! Curti o Panelão da Arte, competi na Mirinzada, fui e sou amigo dos mitos da quadra. Reginaldo, Zé Ivan, Ricardinho, Alceu, Vila, Pedro Daldegan, Dirceu. Uma galera que defende a quadra até debaixo do Paranoá.

    Morar da 12 era viver um permanente exercício de autoestima. Não era mole ser de uma quadra que já nasceu com cara de velhinha, com tijolinhos vermelhos, lembrando casas populares em plena cidade modernista. O baixo poder aquisitivo dos moradores contrastavam com os vizinhos das 300, que já exibiam suas varandas e arquiteturas arrojadas. E aturar os playboys da Asa Sul, com suas roupas de marca?

    A galera tinha mais era que ficar unida mesmo e valorizar suas raízes. E assim, muito antes dos anos 90 e a onda de formação de identidade brasiliense, na 312, a molecada já batia no peito para dizer com orgulho: o Fagner morou no bloco E, o Ney Matogrosso logo ali, do lado da escola, os irmãos Clodo, Clésio e Climério fizeram tal música naquele prédio. Sou da 12!

    E as bandas que subiam para tocar no Panelão, faziam o contraponto das que tocavam no Projeto Cabeças. Beirão, Cupins de Aço, Ligação Direta e Baseado no Rock honraram a quadra com a melhor trilha sonora que poderia ser feita, e eu estava lá vendo isso tudo.
    Por isso, nas comemorações dos 50 anos da 12, estarei em frente ao palco. Vamos, Iaciara, Pedro, Herbert, vamos lá! Vamos festejar nossa história!

  2. Que legal morei lá em 68, lembro-me do Clôdo, Clésio e Climério (Som Piauí). O rock era por conta do Berão. Boas recordações!!!!

  3. Eu sou a Teka! uma das moradoras mais antigas da 312, irmã do Pedro Paulo (já falecido) Quem não conheceu o Pedro do bloco i !,grande figura: motoqueiro,amante do Rock e também poeta! Que linda foto!! Pedro, Beirão ivanzinho, Nilvan…Quantas saudades!! Do “Conserto Cabeças” “Panelão da Arte” e dessa quadra maravilhosa onde passei uma vida!

  4. Eternamente GD! Tive o privilégio de nascer e crescer na 12, fui da GDM a GD, rs. As históricas partidas de bete, quando criança assistia a Mirinzada da janela de casa do J, ouvia os ensaios do Márcio André, as grandes incursões a planalto pegar material para fabricação dos carrinhos de rolimã. Não entendo como a criançada de hoje se vira sem as inúmeras peripécias da GD, inimaginável.
    Os Parabéns são para todos os moradores, atuais e principalmente os pioneiros que fizeram dessa quadra uma grande família! GD!

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