Caio Prado abalô meu coração

caio prado

Outro dia confessei no face que, hoje, só sairia do meu confortável sofá para um show grande, desses de estádio, se a atração fosse George Michael ou Gloria Estefan (sim, sou brega). Cheguei a essa conclusão após intensa reflexão, e isso significa que: 1. Sou tão velha que acho que George ou Gloria ainda enche um estádio; e 2. Toda a minha playlist é feita por pessoas mortas ou na faixa dos 40 pra cima.

Essa preguiça com a descoberta de novos talentos é minha antiga conhecida. Enquanto meus amigos já sabiam na véspera que uma banda alternativa da Nova Zelândia estava prestes a se formar, eu ainda estava ouvindo pela 764ª vez a trilha sonora do Dirty Dancing (sim, sou brega) ou dançando minhas músicas preferidas – 80% cantadas por gente que não está mais entre nós.

Só que vez ou outra acontece um acontecimento realmente incrível: eu descubro, sempre muito atrasada, uma voz nova e me apaixono. Caio Prado. Já ouviu? Letra fortes, voz suave, tudo lindo e macio e potente. Veja esse vídeo aqui ó. Foi onde me apaixonei.

Caio se apresenta pela primeira vez em Brasília nesta sexta (22), na festa Abalô, no Outro Calaf. É festa pra dançar muito – com os DJs Sandro Biondo (Mimosa), Donna (Boombap) e Tutu Morais, de São Paulo. Mas é festa de palavras fortes também, de celebração da diversidade, que é o que estamos precisando, mais do que nunca.

Bora?
Abalô
Sexta (22), às 22h, no Outro Calaf
Ingressos: R$ 30 no pré-venda pelo site Sympla Evento no face: aqui

 

Férias pra todo mundo

carcassonne

Não sei qual o meu problema, porque eu demorei tantos anos pra descobrir o Carcassonne Pub.

Vocês já devem estar cansados de saber desse barzinho que oferece centenas de opções de jogos de tabuleiro, tradicionais e modernos, capazes de fazer a alegria, a animação, a empolgação de qualquer turma de amigos.

Um bar com jogos é sempre legal: perfeito pra ir com aquela turma mais desanimada, porque faz dar a liga. Gostoso com a galera com quem você sai sempre, porque finalmente traz uma oportunidade pra mudar o assunto da pauta política de toda sexta-feira.

Mas pra quem tem filhos grandinhos, naquela idade que jogam de tudo e conseguem ficar acordados até mais tarde (o que é o meu caso), um bar com jogos é algo próximo do paraíso, porque tira os meninos dos eletrônicos e faz todo mundo interagir o tempo todo: brincar, conversar, jogar, brigar, fazer as pazes, se amar e se divertir muito.

E comer e beber bem, porque o melhor de tudo é isso: que ter jogos é quase um detalhe pra esse lugar. O Carcassonne Pub é efetivamente um bar bom. Um bar bem bom mesmo. E confia em mim porque de bar eu entendo.  Ele é todo medieval e fofo, tem comidas deliciosas e cerveja própria. A vibe da galera que vai é incrível, todo mundo parece se conhecer e ser amigos há décadas. (Tipo assim: não acredita muito na foto da mulherada pirando na pishta que tem no site, não. Como você deve imaginar, é um bar de gente normal, legal à beça e meio nerd. E isso é um elogio.)

Pode ser melhor? Pode. Fica a dois passos da minha casa.

Bora?
Carcassonne Pub
CLN 203 Bl. C lj 37
(61) 9968-4186
Terça a quinta, das 18h à 0h, sexta e sábado, das 18h à 1h

Ode ao glúten

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Texto – Lara Haje

Eu amo glúten. Macarrão, pizza e especialmente pão. E, desde que fui à França, tenho certeza de que pão faz bem, assim como queijo, café e vinho. É tanta gente magra comendo tranquilamente seu pão com queijo e bebendo seu vinho e seu café, que você duvida que aquilo possa fazer mal. Dizem que eles degustam tudo em quantidades absurdamente pequenas, mas esta é uma outra história.

De uma coisa eu tenho certeza: mal faz ingerir excesso de produtos industrializados. Mal fazem os aditivos químicos e conservantes contidos nos pães industrializados. Eu não gosto de comer nada que eu não sei o que é, como o conservador propionato de cálcio, presente entre os ingredientes da maior parte dos pães vendidos no supermercado.

Por isso, é com alegria que se assiste em Brasília a uma proliferação de padarias de pães artesanais. Isso significa ausência de conservantes e estabilizantes. Em muitos casos, também significa utilizar processo de fermentação natural – em vez de fermento biológico industrializado. Em outros, uma atenção com a qualidade da farinha de trigo.

No caso da Varanda – Pães Artesanais, na 215 Norte, significa essas três coisas juntas. A farinha de trigo utilizada é orgânica, derivada da agricultura familiar, com produção sustentável e livre de agrotóxicos. Que aconchegante: você come uma guloseima e ainda acha que está sendo saudável e ajudando o mundo.

Me chamou a atenção o pão de chocolate com laranja (delicioso, mil vezes delicioso) e o cinnamon roll, uma espécie de rosca de canela, comum nos Estados Unidos. Mas, diferentemente do cinnamon roll americano, o do Varanda é crocante. Como se fosse um croissant com filamentos de canela.

Lá também é possível encontrar diversos tipos de queijos de cabra da marca Kapra, produzidos em Sobradinho, e as fantásticas coalhada seca de queijo de cabra e geleia de tangerina com conhaque de O Realejo Brasserie, marca do chef Eduardo Sedelmeier.

Talvez cada uma das padarias artesanais da cidade tenha um produto que seja seu ponto forte. O pão de cereais e o pãozinho de sal da já tradicional La Boulangerie (306 Sul e 212 Norte), para mim, são imbatíveis. A La Panière (211 sul) tem uma baguete recheada com gorgonzola que é sensacional. No Ernesto Café (115 Sul), onde também há uma padaria com produção própria, gosto especialmente do pão de figo e nozes. No Daniel Briand (104 Norte) – que, assim como o Ernesto, é muito mais do que uma padaria – minha iguaria preferida é o croissant de amêndoas.

No Dylan Café (315 sul) – meio padaria, meio café – gosto de ir com calma no domingo para comer o enorme sanduíche de abobrinha e berinjela ou torradas com ovos e bacon. Na recém-aberta L’Amour du Pain (115 sul), me encantei com um tal de ruban, uma tira de massa de croissant com coberturas diversas: queijo gruyere com presunto cru, queijo de cabra com conserva de pimentão…  Outra padaria de pães artesanais na cidade é a La Boutique, na 413 Norte, mas esta  ainda não conheço bem a ponto de nomear um produto predileto. Vá lá e depois me conte.

Viva essa proliferação de padarias artesanais na cidade, viva o glúten e a alegria que ele traz para a gente!

(Foto: Ernesto Cafés Especiais)