Ode ao glúten

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Texto – Lara Haje

Eu amo glúten. Macarrão, pizza e especialmente pão. E, desde que fui à França, tenho certeza de que pão faz bem, assim como queijo, café e vinho. É tanta gente magra comendo tranquilamente seu pão com queijo e bebendo seu vinho e seu café, que você duvida que aquilo possa fazer mal. Dizem que eles degustam tudo em quantidades absurdamente pequenas, mas esta é uma outra história.

De uma coisa eu tenho certeza: mal faz ingerir excesso de produtos industrializados. Mal fazem os aditivos químicos e conservantes contidos nos pães industrializados. Eu não gosto de comer nada que eu não sei o que é, como o conservador propionato de cálcio, presente entre os ingredientes da maior parte dos pães vendidos no supermercado.

Por isso, é com alegria que se assiste em Brasília a uma proliferação de padarias de pães artesanais. Isso significa ausência de conservantes e estabilizantes. Em muitos casos, também significa utilizar processo de fermentação natural – em vez de fermento biológico industrializado. Em outros, uma atenção com a qualidade da farinha de trigo.

No caso da Varanda – Pães Artesanais, na 215 Norte, significa essas três coisas juntas. A farinha de trigo utilizada é orgânica, derivada da agricultura familiar, com produção sustentável e livre de agrotóxicos. Que aconchegante: você come uma guloseima e ainda acha que está sendo saudável e ajudando o mundo.

Me chamou a atenção o pão de chocolate com laranja (delicioso, mil vezes delicioso) e o cinnamon roll, uma espécie de rosca de canela, comum nos Estados Unidos. Mas, diferentemente do cinnamon roll americano, o do Varanda é crocante. Como se fosse um croissant com filamentos de canela.

Lá também é possível encontrar diversos tipos de queijos de cabra da marca Kapra, produzidos em Sobradinho, e as fantásticas coalhada seca de queijo de cabra e geleia de tangerina com conhaque de O Realejo Brasserie, marca do chef Eduardo Sedelmeier.

Talvez cada uma das padarias artesanais da cidade tenha um produto que seja seu ponto forte. O pão de cereais e o pãozinho de sal da já tradicional La Boulangerie (306 Sul e 212 Norte), para mim, são imbatíveis. A La Panière (211 sul) tem uma baguete recheada com gorgonzola que é sensacional. No Ernesto Café (115 Sul), onde também há uma padaria com produção própria, gosto especialmente do pão de figo e nozes. No Daniel Briand (104 Norte) – que, assim como o Ernesto, é muito mais do que uma padaria – minha iguaria preferida é o croissant de amêndoas.

No Dylan Café (315 sul) – meio padaria, meio café – gosto de ir com calma no domingo para comer o enorme sanduíche de abobrinha e berinjela ou torradas com ovos e bacon. Na recém-aberta L’Amour du Pain (115 sul), me encantei com um tal de ruban, uma tira de massa de croissant com coberturas diversas: queijo gruyere com presunto cru, queijo de cabra com conserva de pimentão…  Outra padaria de pães artesanais na cidade é a La Boutique, na 413 Norte, mas esta  ainda não conheço bem a ponto de nomear um produto predileto. Vá lá e depois me conte.

Viva essa proliferação de padarias artesanais na cidade, viva o glúten e a alegria que ele traz para a gente!

(Foto: Ernesto Cafés Especiais)

16 respostas em “Ode ao glúten

  1. Nossa, enumerou as minhas padarias preferidas rsrs acrescentaria só a Panneteria D’Oliva, essa fica no Guará, mas sempre que vou visitar minha Vó dou um jeito de dar um pulinho nela, inclusive hoje 😉

      • Eu ia fazer a mesma observação, a Paneteria D’Oliva é uma preciosidade. A produção deles é totalmente artesanal e é m escalas não industriais. O pão de gorgonzola, as baguetes e o brownie de cereja com nozes é pra comer rezando. Recomendo para os que não conhecem!

  2. Diria ainda a Casa do Pão, na W3 Sul, q têm criado pães bem diferentes como o de açaí com guaraná e o de canela com pimenta. Imperdível as torradas temperadas.

  3. Lara, na La Boutique você pode provar o pão que tem vinho e calabresa na massa. A baguete deles também é uma delícia! O pão de chocolate da Varanda vive nos meus sonhos, salivei só de lembrar. Um viva às padarias e aos padeiros!

  4. Até gosto muito do pão de sarraceno da Varandas. A diferença é que na França ou na Itália ou em Portugal qualquer um vai na padoca, pede o pão, pega o bichinho e pronto. Aqui, a exemplo da Varandas ou da que fica na quadra de baixo,,, este processo é uma cerimônia sem fim e poseuse, uma decoração desnecessária, um mimimi sem fim. O procedimento operacional passa por umas três pessoas e muitas vezes o dono fica lá de flozô e nunca vai pro balcão. Essa parte é bem desagradável.

    • 🙂 Eu também nunca entendi muito bem o que o dono fica fazendo ali na frente, sem nem servir, nem operar o caixa, nem apresentar os produtos, nem dar um caloroso bom diaaaa pra quem chega. Ele fica ali, parado. Mas não me irrita, não, Ulisses, só acho engraçado! 🙂

      • Eu conheci o dono do Varanda lá mesmo, batendo papo. Foi logo q a padaria abriu. Ele quis saber como eu havia sabido da padaria, ensinou como congelar e descongelar os pães, foi bem agradável. Acho esse um papel importante q o proprietário de qualquer estabelecimento deveria fazer. Mas isso pode ser feito do lado de lá do balcão, sem dúvida. Ficar parado feito um “dois de paus” é esquisito, mesmo.

    • Ulisses, em todos esses países (exceto itália que não conheci) eu tive ambas experiências, de lojas mais cheias atendimento rápido e lojas mais vazias onde você olha com mais calma. Não acho que tem a ver com mimimi ou elitização e em todas era uma pessoa atendendo e outra no caixa, da mesma forma que no varandas , la boutique e etc. Paris, lisboa, londres etc podem ter padarias bonitas e decoradas, mas aqui não? Tem publico e gosto pra todos em todas essas cidades.

  5. Eu acho que tem a ver com a cultura nossa de Casa Grande e Senzala. Em Lisboa, entrei numa padaria minúscula e lotada de manhã cedo. O dono estava no balcão e contava apenas com um funcionário para ajudar. Fui atendido em segundos, bem como os demais clientes. E ai de você se ficar na dúvida no que vai escolher. Eles já gritam; “Próximo!”. No Varandas o dono me abordou no primeiro dia. Depois,,, nem aí. Eu acho que ele deveria encostar a pança no balcão. Na padoca chique da 413 os donos nunca estão lá. Não sei pra que aquele ambiente de Versailles com espelho gigante na entrada. Se a “ambiance” fosse mais simples, bem como os serviços, teríamos pão de qualidade a preços mais justos e mais eficiência no atendimento Mas aqui é assim. Tem de elitizar tudo. O bom gosto acaba virando cafonice pela atitude. Mas como na França do século XVIII, diria Maria Toinha: “Se não tem pão, comam brioche!”

  6. Olá Ulisses, tudo bem? Obrigado por comprar nossa baguette de sarraceno, fico feliz pois vários clientes têm achado bom trazermos esse tipo de produto, tão comum fora do Brasil, mas pouco ofertado aqui em Brasilia. Acredito que a aparência do meu estabelecimento não é “mimimi”, pois foi cuidadosamente projetada e tem sido objeto de muitos elogios dos nossos clientes. Sou daqueles que acredita que “comemos com olhos” e que o bom visual da loja e boa música agregam valor ao produto também.
    Em relação à minha postura diante do atendimento, faço questão de estar presente para dar suporte aos clientes, tirar alguma dúvida e, caso precise, “ir pro balcão” também. Gosto de ficar ali na frente para observar como o processo de venda funciona e se posso melhorar alguma etapa dele. Mas além de oferecer o melhor produto que posso, é muito importante para mim conhecer meus clientes e cultivar uma amizade, o que acontece bastante e me deixa muito feliz. Esse é o espirito da Varanda, não é o tipo de padaria que gritamos “próximo” na cara do cliente como se quizéssesos vender logo tudo e ir embora. Nosso processo ainda requer muito aperfeiçoamento e agradeço sua crítica. Ainda estamos no começo e temos muito o que melhorar.

    • Parabéns ao proprietário por ter sido tão gentil mesmo que o cliente acima não merecesse já que os comentários dele foram tão maldosos, incoerentes e sem qualquer senso lógico.

    • Ótimas dicas do blog. Querer pressa e correria ao ir numa padaria, penso o contrário, ainda bem que existem padarias em que não se grite “próximo” ,numa pressa louca para atender mais e mais rápido. A vida é é melhor se for levada mais leve..

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