Vamos pegar um filminho?

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Eu morro de saudades dos meus meninos pequenininhos, mas confesso: faço a contagem regressiva dos dias que faltam pra eles poderem ficar sozinhos em casa e a gente poder ir despretensiosamente ao cinema. Aquela coisa mais banal: ah, vamos pegar um cineminha hoje?, ah, vamos, claro, que ótimo, e pronto, vamos.

Juro, eu nem acredito que isso vai acontecer de novo. Mas vai. E eu perdi a vergonha de ficar feliz com isso. Quem tem a liberdade de um cineminha banal numa noite de semana que a celebre.

Se é seu caso, aí vai a programação do Festival Varilux de Cinema Francês. Coisa mais fofa, eles estão em vários cinemas! – na verdade, estão em várias cidades também! Avisem seus amigos de Sobral (CE), de Caeté (MG), de Tubarão (SC). Porque os filmes parecem incríveis. Eu-quero-ver-todos. Apenas. Babás, me escrevam, vocês vão ficar ricas.

Ainda não vai ser esse ano, mas Festival Varilux, estou de olho em você, ó. Tô te mirando, ano que vem (ou no outro, ou quando eu arrumar coragem), você não me escapa.

Bora?
Festival Varilux de Cinema Francês
Programação na Embaixada da França, no Cine Itaú, no Pier 21 e no Liberty

Pra não dizer que não falei das flores

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Tem o pessoal do Objeto, que resolveu estender a Feira 102 Arte Política pra fazer do Café um espaço de luta.

Tem a exposição da Frida, na Caixa Cultural, que está linda demais – e inspiradora, porque mostra a correspondência dela com amigas e artistas de sua geração, pra lembrar a gente que fazer arte é melhor junto.

Amanhã tem duas lindezas: as meninas do Brasília Faz Design inauguram na livraria Don Quixote do CCBB uma vitrine de produtos de design feitos aqui, umas coisas lindas de viver que vão te salvar quando você quiser comprar um presente e não quiser ir num shopping.

É amanhã também tem o lançamento das Jamaichanas Brasileiras, homenagem que Esperando Rei Zula (tem esse nome bizarro mas é bom, juro) faz ao Villa Lobos e ao reggae. Vai acontecer no Quarta Dimensão e eu sei que essa mistura de Villas Lobos com reggae e com Conic está te parecendo estranha, mas confie e verás.

Na quinta, grande dia de aniversário dessa cidade do céu infinito, tem PicNik no Parque da Cidade, o primeiro da seca. Vai ser uma celebração, gente. Vai ter tudo de bom que sempre tem, e de novidade tem Vai Tomar no Cover e tem a Banca Sem Parede.

A Globo conversou hoje com a gente sobre a Banca e eu conversei sobre o Longe, sobre os livros e sobre a alegria de viver.

Há flores, sim. E eu vou continuar falando delas.

Bora?
Frida na Caixa
Até 5 de junho, de terça a domingo, das 9h às 21h
Caixa Cultural, ao lado da sede da Caixa Econômica
SBS

Brasília Faz Design
Inauguração amanhã, 20/04, às 18h
Livraria Don Quixote do CCBB

Quarta Dimensão
Amanhã, 20/04, 20h
Conic

PicNik
Quinta, 21/04, a partir das 13h
Estacionamento 4 do Parque da Cidade

Feira 102 Arte Política
Objeto Encontrado
CLN 102 Bloco B

Mil coisas pra fazer

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A gente anda sumido, sim, e nesse meio tempo eu:

  • Fui pra Inhotim
  • Fiz quarenta anos
  • Fiz uma festa incrível, inesquecível, com uma amiga que me acompanha há 26 anos
  • Encontrei um amigo que não via desde o último dia de aula de 1993
  • Fiz um ateliê de livros infantis pra crianças que me deixou cheia de vontade de fazer outros (livros infantis e ateliês; crianças, não necessariamente)
  • Ganhei a visita de uma borboleta-folha linda em pleno apartamento do quinto andar da Asa Norte
  • Comecei a meditar
  • Fui em duas manifestações
  • Comecei a ler “Cidades Invisíveis”, do Ítalo Calvino
  • Continuei preparando, com a Dani e mais duas pessoas especiais, com muito amor, uma surpresa pra vocês

Significa que às vezes a gente some, mas é por boas causas. E melhor: que daí a gente volta com vontade de agradar vocês. Então lá vai.

Hoje tem Festival Inquietação Pela Democracia, no Teatro de Arena da UnB, com Cantigas Boleráveis.

Amanhã começa a exposição A Arte Monumental de Mariane Peretti, a linda autora dos vitrais da Catedral e da belezura Araguaia, meu cenário preferido no Salão Verde da Câmara.

Quinta tem a primeira edição de Vagô Dançô, um festival ao ar livre que vai ocupar o Setor Comercial Sul. Sob o comando da Corina Cervejas Especiais, toda quinta-feira vai ter apresentações, oficinas, música, feirinha de empreendedores locais, comiditas e claro cervejitas.

Tipo de evento que me lembra algo: vocês tão ligados que a seca tipo já começou, né? Esse céu aí, esse sol, essa boa vibe. Não há tempo a perder. Piquenique no eixão esse findi já.

Bora?
Festival Inquietação Pela Democracia
Hoje, a partir das 17h
Teatro de Arena da UnB

A Arte Monumental de Mariane Peretti
De amanhã (6/4) a 5 de junho
Museu Nacional da República

Vagô Dançô
Toda quinta-feira, de 7/4 a 19/5, das 16h às 23h
Setor Comercial Sul, Quadra 4, Bloco A
Em frente ao Museu Nacional dos Correios

A feira linda que vai salvar minha semana

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Em tempo de ódios profundos e certezas superficiais, o mergulho na arte e na delicadeza é mais salvador do que qualquer tarja preta. A Lara falou ontem no restart que ela costuma dar em Alto Paraíso. Pois bem, o meu restart desta semana turbulenta será no Café Ernesto, que promove no domingo a feira de livros independentes “A Outra Margem”.

Eu e Carol, que há mais de três anos fazemos este blog juntas, temos as nossas viagens individuais também. E essa feira, sem intenção, juntou a gente. E juntou tanta gente legal, tantos trabalhos bonitos e especiais, que vou confessar: me sinto orgulhosa de participar.

A Carol vai estar lá com seus dois lindos livros infantis – “A Rua de Todo Mundo” e “A História de Você” – e ainda vai dar um workshop para pequenos escritores (restam pouquíssimas vagas, gente, corre lá).

Eu vou estar com o “Paúra – um mergulho na síndrome do pânico”, livro que fiz com outros três amigos: Lara Haje (sim, a mesma Lara do primeiro parágrafo), José Maria Palmieri e Daniela Ktenas.

Vai ter muita gente bacana, editoras de fora também, como a incrível A Bolha, sem falar nos bate-papos e lançamentos. É um evento feito por quem ama escrever e ilustrar, e tenta, de forma independente, fazer com que seu trabalho chegue às pessoas.

Não é tarefa fácil. Vocês devem acompanhar as notícias sobre a crise no mercado literário. Se é difícil para editoras gigantes, imagine o que é tentar viabilizar sua escrita com o próprio bolso. É tarefa para quem ama com devoção. E amor, atualmente, é tudo o que a gente precisa.

Bora?
A Outra Margem, feira de livros independentes
Domingo (20/03), das 13h às 19h
Café Ernesto – 115 Sul, bloco C
Página no face: aqui

Um convite ao mergulho

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Eu e Carol somos duas pessoas esquisitas. Temos profundo orgulho dos nossos filhos – o que tivemos juntas (este blog) e os que geramos separadas, mas às vezes somos envergonhadas deles. Gostamos de nos expor, já que vivemos criando objetos de exposição, mas odiamos nos expor. Queremos jogar nossos filhos no mundo, mas queremos escondê-los a sete chaves.

A gente fica num abre-e-fecha de casulo que não tem fim. E rimos de nós mesmas, das nossas contradições, do nosso querer e não querer que, na verdade, fazem parte de uma coisa só: a gente. Somos assim mesmo, seguras e inseguras, cheias de certezas e de dúvidas. E tudo bem.

Digo isso porque, claro, eu fiquei em dúvida se escrevia este post. Escrevo, não escrevo, escrevo, não escrevo. Então escrevo: hoje, às 19h30, vou respirar fundo e dar uma palestra no auditório da Livraria Cultura, no Iguatemi Brasília, sobre transtorno do pânico. Eu e o psicólogo Fábio Augusto Caló, especialista em Análise do Comportamento.

O evento vai marcar o novo lançamento do “Paúra – um mergulho na síndrome do pânico”, livro que fiz junto com meus amigos Lara Haje, José Maria Palmieri e Daniela Ktenas, e que passa a ser vendido nas Livrarias Cultura de todo o País. Sobre ele, a Carol já escreveu lindamente aqui.

O incrível é que, por uma conjunção astral e à nossa revelia, o lançamento do Paúra e do segundo livro dela caiu no mesmo dia. Ela vai estar no Cine Brasília, com “A história de você”, enquanto eu vou estar lá, mergulhando em mim mesma e tentando superar meu nervoso de falar em público.

Vocês, como sempre, estão convidados para os nossos momentos mais especiais.

Bora?
Lançamento do “Paúra”, com palestra sobre transtorno do pânico
8/12, às 19h30, na Livraria Cultura – Iguatemi Brasília

Lançamento de “A história de você”
8/12, às 19h, no Cine Brasília – EQS 106/107

O meu segundo filho livro

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Um dia ele soltou da minha mão e foi. Sem olhar pra trás, sem medo – sem precisar de tradutor pro mundo. Simplesmente foi. Em algum lugar bem no meio do caminho entre assustada e entusiasmada, percebi que meus filhos estavam se tornando eles mesmos.

“A história de você” nasceu daí. Quis escrever e desenhar sobre a mais simples e mais profunda das histórias: a vida. Nascer, crescer, tornar-se um. Alguém que é muito mais que uma consequência lógica do que viveu e aprendeu com o lugar de onde veio: alguém que é ele. Alguém que vai, também ele, girar a roda da vida adiante – e sobre como isso é mágico e misterioso.

Para fazer as crianças pensarem sobre o antes e o depois – sem tabus nem complicações. Para fazer os adultos falarem sobre ciclos, sobre etapas, sobre amor e apego: sobre a beleza de criar, ajudar a crescer – e deixar ir. Com uma piscadinha pra quem não tem filhos mas tem tese, tem uma arte, tem um livro que hesita em terminar, em executar, em fazer acontecer: já pensou, você também, sobre deixar seu “filho” ir pro mundo?

Passei o último mês gastando papeis, pinceis e gizes de cera até suspirar hoje, aliviada e feliz, que meu segundo filho livro nasceu. E nesta terça-feira ele vai ganhar o mundo.

Junto com meus companheiros inseparáveis do selo literário Longe, faremos um lançamento dessa nova safra de ideias que reafirma nosso amor pela autopublicação. Que celebra, também, a chegada de novos amigos no pedaço – pois cumprimos nossa promessa de abrirmos as portas para quem acredita na literatura e na independência de suas ideias.

Vou estar lá acompanhada do meu primogênito, que estava esgotado mas está de volta numa edição ainda mais linda e charmosa. Mas principalmente acompanhada do meu caçula, que ainda tem muito pra me ensinar sobre tudo isso de que ele fala. A prova é que, taí, demorei mil horas pra escrever esse texto.

Bora?
Selo Longe – Lançamento de novos títulos
Terça-feira, 8 de dezembro, às 19h
Cine Brasília
EQS 106/107 – Entrada pelo Eixo W
Informações: 8137-0707
www.muitolonge.com.br
www.carolinanogueira.com

Se perder e se encontrar

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Eu tinha dezesseis anos e separava o mundo em áreas estanques: matemática era matemática, literatura era literatura, diversão era diversão e física era insuportável.

Um ano mais tarde, já na UnB, meu queixo cairia quando eu descobrisse que existia também sociologia e antropologia e filosofia e todas as outras disciplinas que têm como função precípua desfazer fronteiras – mas naquela época já me foi um choque suficiente meu professor de literatura declarar com todas as letras do seu lugar catedrático defronte ao quadro-negro:

“Entre os poetas contemporâneos, destaco Arnaldo Antunes”.

Como assim?, eu me perguntei. Você tá brincando. Arnaldo Antunes? Arnaldo-Titãs-Antunes? Arnaldo-bichos-escrotos-Antunes?

Ele mostrou alguns poemas e explodiu em pedaços um muro das minhas certezas internas: então um cantor que canta palavrão pode ser um poeta, que o professor ensina junto com Manoel Bandeira e todos os outros. Primeiro passo para passar o resto da vida descobrindo que físicos são também pintores, que músicos são matemáticos, que uma jornalista pode ser desenhista e gostar muito, muito mesmo de pensar em cidades e em urbanismo.

Estreia amanhã no Museu dos Correios uma exposição da poesia concreta do Arnaldo Antunes, chamada palavra emmovimento. São colagens, pinturas, gravuras, adesivos reunidos ao longo dos últimos trinta anos – colagens, pinturas e gravuras que me ensinaram que se perder pode ser se encontrar.

Para o professor Guilherme, com uma 😉 de muito obrigada.

Bora?
Palavra emmovimento – exposição da poesia concreta de Arnaldo Antunes
Abertura amanhã, 10/09, às 19h
Museu dos Correios
SCS, Qd 4, Bloco A
Visitação de sexta, 11/09 a 8/11
Terça a sexta-feira, das 10h às 19h, sábados, domingos e feriados, das 12h às 18h