Em Brasília, 18h

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Eu posso ter desejos bem específicos às vezes. O atual é: tomar uma cervejinha cedo, antes do sol se pôr, em alguma região de muitos escritórios ao redor.

Acho que é um desejo autêntico de happy hour, de viver coletivamente aquela sensação de fim de obrigação, aquela alegriazinha boba de ter matado o leão do dia e ter pela frente algumas horas pra ficar bestando. Escrevendo agora lembrei dos comentários que o Lúcio Costa fez quando revisitou a rodoviária do Plano Piloto – é um desejo de Brasil de verdade, de lastro popular, que andamos precisando disso, de vida real, decidida longe de gabinetes e salões verdes e azuis.

Dia desses sentei sozinha no Cine Centro São Francisco. Outro dia descobri essa lindeza aí da foto: um samba de happy hour no Setor Comercial Sul, de uns amigos que tocam na Praça dos Artistas, em frente ao Churrasquinho Express. Mas indo lá encontra-los, esbarrei em outras iniciativas parecidas em outros pontos do SCS. Já coloquei na lista dos desejos.

É isso. Se de repente surgir um desejo específico de happy hour em região de muitos escritórios ao redor, já sabe: me chama.

**EDIÇÃO: Pessoal, atenção! Fiquei sabendo que, por causa do feriado, não vai ter esse sambinha do SCS hoje. Sexta da semana que vem eles retomam os trabalhos.

Bora?
Do trabalho para o samba, no Churrasquinho Express
Hoje, às 18h
SCS Quadra 5

O mundo vai acabar – e ela só quer dançar

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Amores da minha vida, serei curta e delicada: sou jornalista e trabalho no Congresso, então meu mundo está bem de pernas pro ar essa semana. Não está dando tempo de pensar em nada.

Mas minha irmã me o-bri-gou a escrever este post pra vocês porque as pessoas precisam saber da piscina, da margarina, da gasolina, porque esse mundo não é só feito de delações premiadas e ministros impensáveis. Esse mundo também é feito de iniciativas incríveis de gente que faz essa cidade pulsar – e é hoje à noite que isso acontece.

Quarta dimensão é um projeto incrível de uma pá de gente talentosa da cidade que está lotando o Dulcina numa vibração de renascimento e ocupação, com o trabalho de artistas, músicos, grafiteiros, com bandas de rock autorais dividindo espaço, mostrando a que veio, fazendo a galera dançar.

Entra aqui no face deles, assiste esse vídeo incrível e, por favor, vá. Vá e aproveite a sua vida – que é o que acontece de fato enquanto essa galera briga por poder.

Bora?
Quarta Dimensão
Hoje, 16/03, a partir das 20h
Teatro Dulcina, no Conic
SDS Bloco C, s/n

 

Gabarito da folia

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Chegou, né, gente? E chegou chegando, cheio de bloco novo, cheio de gente com vontade de ir pra rua, cheio de alegria e, bom, cheio de militância – porque carnaval em Brasília virou militância.

É o assunto de todos os blocos mais engajados da cidade: a reivindicação do direito de carnavalizar. Essa briga que já está ficando gasta contra essa Lei do Silêncio que insiste em calar a cidade virou marchinha de carnaval, virou tema do novo Bloco das Divinas Tetas, virou uma questão de honra.

Porque sabe folia? Música? Fantasia? Alegria? Confete? Serpentina? Vai ter. Desculpaê quem não é de folia mas, pelo menos pelos próximos dias, vocês vão ter que lidar com a ofegante epidemia.

Aqui embaixo tem uma seleção dos nossos blocos mais queridos de todos. Claro que tem muito mais que isso rolando, mas é que as opções cresceram tanto que corre o risco da galera começar a ficar confusa. Então a gente foi gente fina como sempre e fez a peneira.

Tem vários que você já conhece dos anos passados: Babydoll, Tesourinha, Aparelhinho. Mas quero destacar lindezas novas que estão chegando, começando pela lindeza do Bloco do Amor, que revolucionou o pré-carnaval brasiliense com festas inacreditáveis na Star Night, casa noturna de frequência nada familiar no Setor Comercial Sul, e que agora vai levar essa lindeza cênico-musical pra embelezar a rua que poeticamente batiza o bloco: a S2. S2, gente, é a rua do Bloco do Amor! Como pode ser mais poético e mais Brasília? Que lindo isso. ❤

Destaque também pro primeiro bloco lírico de Brasília, o Alvorada do Planalto. Depois do Galinho e do Suvaco, um resgate do carnaval pernambucano no que ele tem de mais emocionante: os blocos líricos que desfilam no Recife Antigo. Vai ter frevo antigo, vai ter um monte de coroa lindo do amor, vai ter fantasia caprichada, vai ter coral feminino como deve ser.

Outras novidades linda são o carnaval tropicalista do Divinas Tetas, que vai engrossar o caldo do Aparelhinho, e o Bloco do Rabisco, um bloco dos criativos e desenhistas que vai ocupar o Conic.

Bora pra rua, gente! Traga seu bom humor, sua educação, sua gentileza, sua alegria, sua animação. Seu respeito a quem quis ficar em casa, também. Alalaô não vai faltar.

Edição importante: os dois blocos e a festa de segunda-feira, como bem disse o Bernardo nos comentários, são no Setor Bancário Sul (SBS) e não no Setor Comercial, como eu tinha dito inicialmente.

Bora?
Sábado, 6 de fevereiro
Babydoll De Nylon – 14h na Praça do Cruzeiro
Berro das Perseguidas – 16h na Praça dos Prazeres (201 Norte)

Domingo, 7 de fevereiro
Bloco do Amor – 13h na S2
Tesourinha – 15h na 410 Norte (dentro da quadra residencial)
Carnaval do Confronto – 14h na Praça do Trabalhador (SCS)
Bloco Lírico Alvorada do Planalto – 17h no Clube de Vizinhança (108/9 Sul)
Forró de Vitrola – 22h no Cresspom

Segunda, 8 de fevereiro
Bloco Das Divinas Tetas – 15h no SBS
Aparelhinho – 15h no SBS
Móveis Axé 90 – 22h no Novo Calaf (SBS)

Terça, 9 de fevereiro
Bloco do Rabisco – 11h no Conic
Tesourinha – 15h na 410 Norte (dentro da quadra residencial)

Mó astral

folkies

É meu evento musical favorito na cidade. Acho que assim começamos a conversar.

Eu amo o Green Folkies. Amo o repertório desse rock leve e descompromissado, com essa pegadinha folk. Amo a fineza do som dos caras. E amo os caras, também, que estão entre os mais gente-boas daqueles amigos que você encontra menos do que deveria.

Também eu amo o Ernesto Café. E amo a vizinhança do Urban Arts – que diverte os olhos e a alma com inspiração e beleza.

Amo mais ainda que o Folk & Café acontece de tardinha, no gramado, com luzinhas – e quem me conhece sabe que luzinhas configuram um diferencial inescapável da minha escala de amor e preferências.

Acho que tá dito. Acontece no último sábado de cada mês – e este sábado, é a última edição do ano. Eu amo. E ponto.

Bora?
Folk & Café
Banda Green Folkies no Ernesto Café
Sábado, 28/11, a partir das 18h
CLS 115 Bloco C Loja 14

Let’s be xóvens

contraplano

Lembra quando eu escrevi este texto inspirador pro ano que tinha acabado de chegar? Eu menti. Eu não estou deboísta, não – eu estou velha, mesmo. Pelo menos este é o diagnóstico das minhas amigas.

A cada convite pra uma festa que vira a noite, eu penso no meu travesseiro fofinho, no dia lindo que vai brilhar na manhã seguinte, nos eventos ao ar livre, em andar de bicicleta, ler livros, etc – tudo o que eu falei no post do deboísmo, no começo do ano, e que pras minhas amigas não é deboísmo coisa nenhuma: é velhice.

Pois amanhã elas vão ver só. Decidi: esse ano eu vou na Contraplano, a mais oficial das festas alternativas do Festival de Cinema. Eu vou, juro. Já estou com o ingresso na mão.

E desde ontem que ouço Don’t stop me now no repeat – que eu nem sei se vai tocar por lá, mas que é a música oficial para despertar a xóven que existe em mim. Até agora está funcionando, e acho que dura até amanhã.

Se empolgou? Atenção, então: os ingressos acabaram online, mas pelo que sei ainda dá para comprar no Colorbar/Morceguinho Foodtruck, nos jardins do Cine Brasília.

Agora, duas dúvidas:

  1. Acabo de me lembrar que domingão tem Quero Melancia nos jardins do Festival de Cinema, lançando uma coleção incrível baseada na Missão Cruls (uma marca que faz moda ensinando história do DF, o que pode ser mais incrível?). Estarei eu viva pra aproveitar isso? Eu preciso estar!, diz a velha deboísta dentro de mim.
  2. Se a música que desperta o xóven em você foi feita em 1979… significa?

Bora?
Contraplano Take #9
Sábado, 17/09, naquela hora de festa em Brasília, ou seja: tarde
Mansão dos Arcos
SMPW 2 Quadra 7 Conjunto 3

Quero Melancia – lançamento da coleção Missão Cruls
Domingo, 18/09
Nos jardins do Festival de Cinema
Cine Brasília – EQS 106/107

Trabalho sujo na Moranga – ou: as voltas que a vida dá

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Meio ridículo colocar as coisas desta maneira, mas é verdade: o Matias é tipo um dos meus mentores musicais.

Admitir que você acompanha os gostos musicais de alguém exige humildade para alguém da minha geração – mas pior que isso é admitir que você acompanha os gostos musicais do irmão nerd da sua amiga. Experiência própria.

Eu acompanho o Matias desde os idos da internet. Nem lembro quando nem como o blog dele virou uma referência de música pra mim. O cara trata a cultura pop com um certo respeito, uma seriedade, e ao mesmo tempo com um tom crítico que não conhece fronteiras: ele pode falar bem de uma cantora mega pop podre e esculachar a banda indie da vez sem dó nem piedade – e isso te abre os olhos, te sacode um pouco dos teus preconceitos roquenrol. Além de mostrar umas novidades maneiras que estavam aí do seu lado e você nem sabia que existia. Ou seja: há muitos anos que o Matias cumpre virtualmente a função daquele amigo mais velho que te passa as cassetes com um conselho maduro, “ouve isso aqui, vai ser importante pra você”.

Daí que um dia eu estava morando fora, e precisava de frilas. E eu sabia que o Matias era, na época, editor do Link, o caderno de informática do Estadão. Daí que, como de hábito, comecei a chatear o editor vendendo pauta. A gente trocou uns emails aqui, outros ali, eu descobri que ele era de Brasília, virei amiga dele no Facebook. E foi assim que, em estado de choque, eu descobri que o Matias era o irmão da Camila Matias, minha amiga do Marista – o que tecnicamente significava que o Matias era o Bicudo!

A profecia nerd se cumpria debaixo do meu nariz: o Bicudo, cara!, irmão da Camila, o cara totalmente estranho que pichava carteiras e banheiros, e que tinha o cabelo mais esquisito da escola – e eu digo esquisito porque aqui neste blog a gente não fala palavrão. As voltas que a vida dá, o mundo é um ovo, blablabla, e eu sei que isso não importa pra mais ninguém além de mim mesma, mas eu demorei a me acostumar que o Bicudo do Marista era meu mentor musical. Demorei do tipo estou fazendo isso até hoje.

Tudo isso apenas pra contar que o Matias – ou o Bicudo, como preferir – vai trazer pra Brasília esta semana a festa Trabalho Sujo, que movimenta a noite de São Paulo há um bom tempo. Mais: a festa vai acontecer dentro da Moranga, que já é há tempos a balada preferida da xuventude deixcolada desta cidade.

Então, um conselho? A menos que você madrugue no trabalho às 7h na quinta-feira: não perca.

Bora?
Moranga Trabalho Sujo
Quarta, 26/08, a partir das 22h
Outro Calaf – Setor Bancário Sul, Quadra 2
Térreo do Edifício João Carlos Saad
R$ 20 até 23h30, R$ 30 até 1h, R$ 40 após (mas quem entra numa festa de quarta-feira depois da 1h, pelamor?)

Domingo argentino ou carnavalesco, eis a questão

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Prepare-se que a escolha é difícil:

Opção 1 – Domingo em San Telmo
O Ancho Bistrô de Fogo, restaurante de carnes das mesmas donas do Loca Como Tu Madre, está fazendo uma feirinha no estilo San Telmo, todos os domingos, enquanto a seca durar. O clima é delícia: comida boa, drinks porteños, vinis, tango, fotografia, antiguidades e algumas redes pra você se esticar. Perfeito pra encerrar bem o fim de semana.

Com feira ou sem feira, o Ancho é um lugar para ir e voltar várias vezes. Além de ser lindo, tem a farofa de cuscuz, o choripán (sanduíche maravilhoso de pão francês com linguiça caseira, chimichurri e picles de maxixe), a kafta vegana, as carnes assadas na parrilla, a sobremesa de churros – tudo ali me deixa feliz.

Opção 2 – Aparelhinho Parque
O Aparelhinho nasceu no carnaval brasiliense, por obra do coletivo de DJs Criolina, e agora pode aparecer a qualquer época do ano, para a nossa alegria. Domingo, ele vai rodar pelo Parque da Cidade, do meio-dia até as 21 horas.

Isso quer dizer que você não precisa, necessariamente, escolher entre as opções 1 e 2. Dá pra começar o domingo na Argentina e terminar num carnaval fora de época. E boa sorte na segunda-feira!

Bora?

Ancho
Domingo, das 11h às 17h
306 sul, bloco C
Evento no face: aqui

Aparelhinho
Domingo, das 12h às 21h
Parque da Cidade – concentração a partir do meio-dia, no bambuzal perto do estacionamento 10
Evento no face: aqui