A rede de mães (por mais mães na rede)

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Na teoria, eu me sinto super num momento de amadurecimento em relação ao meu papel de mãe, compreendendo que eles estão crescendo e que são indivíduos separados de mim etc. Na prática, todos os meus posts são sobre maternidade.

Lá vai mais um. Sábado o coletivo de mães Dona Raposa realiza na Komboleria um evento muito lindo, com artigos para bebês feitos por mães empreendedoras.

A maternidade é transformadora em muitos sentidos. É muito comum as mulheres serem tão modificadas pela experiência que decidem abraçar uma nova perspectiva profissional, que contemple realizações próprias, prazer em realizar o que amam e tempo para estar com suas crias. O resultado são empresas cheias de sentido.

É nesse espírito que a Komboleria, que teve a sensibilidade de colocar este aviso aí na parede, recebe as mamães.

Que essa rede possa acolher as mulheres que passam por este momento tão especial de suas vidas, de várias maneiras diferentes. Inclusive dando uma forcinha pra elas descansarem, relaxarem e lembrarem que são mais do que mães.

Bora?
Coletivo Dona Raposa – Empreendorismo Materno
Sábado, 20/08, das 9h30 às 16h
CLN 106 Bloco C Loja 38

A mãe que eu quero ser

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Quando nasce um bebê, nasce uma mãe, diz a frase batida. Muito rápido você entende que não controla quem esse bebê será. O que eu levei mais tempo pra entender é que também não controlo quem seria essa mãe.

Ontem eu tomei um café com a Irmina, que se parece muito com a mãe que eu achei que seria. Yasmin, essa criança linda aí da foto, tem cinco anos e é desescolarizada. E isso não porque ela faça aulas de cerâmica, pintura rupestre e mandarim em casa – como costumam sonhar os pais moderninhos que sonham com a desescolarização. Ela não vai pra escola (ainda) porque ela brinca. O dia todo. No quintal.

Yasmin é uma legítima representante da infância livre. Ontem, com a mãe dela, conversamos sobre o tempo da infância, a curiosidade (e não a ansiedade paterna e materna) como motor do aprendizado, sobre relação com a natureza, com a comida, com a tecnologia, com a sociedade. Falamos sobre livros, sobre fotografia, sobre como uma vida multicultural abre fronteiras poéticas na linguagem e na alma das pessoas.

Eu descobri a Irmina, a infância livre da Yasmin e o livro que ela vai publicar sobre isso na campanha do Catarse que ela está realizando. Bastou este vídeo pra que eu perceber que entendia tudo o que estava dito ali. Que com suas fotos, seus pequenos vídeos e sua poesia (que caminham na fronteira do polonês com um português muito sensível), ela fala de tudo o que eu sei aqui dentro, embora aqui fora eu nem sempre viva muito perto disso.

Meu consolo: ter o quintal da Irmina, da Yasmin, do Sávio e do Kajetan comigo, todos os dias, no livro que ela vai, sim, realizar.

Até porque você, que um dia já foi criança, que está todo confuso com esse mundo mudando tão rápido, que também sabe, aí dentro, que a vida pode ser muito mais simples, vai ajudar.

Bora?
Retratos pra Yayá
Financiamento coletivo do Catarse para livro de retratos sobre a infância livre

Uma quadra como antigamente

Panelão da Arte anos 80 2

Em junho a SQN 312 completa cinquenta anos, e o meu amigo querido Beto Seabra nos mandou um texto lindo sobre a vida que ele testemunhou por ali.

Eu dei a sorte de crescer numa quadra pulsante e unida, a SQS 204 da década de 1980, e o azar de ver meus filhos crescerem numa quadra meio desagregada, sem crianças brincando pelos pilotis – onde, note-se, não pode brincar de bola, andar de bicicleta nem de patins. Daí que leio o relato do Beto com os olhos meio úmidos.

É pra ler, se inspirar e ir lá reviver o que, pra mim, é uma quadra como antigamente.

“Celeiro de artistas, a quadra sempre esteve presente no imaginário dos moradores do Plano Piloto. Foi lá que surgiu, nos anos 1980, o Panelão da Arte com a apresentação de vários artistas da Quadra (“Panelão da Arte! Para acabar com a panelinhas!”, este era o mote) .

Também foi na SQN 312 a experiência piloto da Mirinzada, que formou atletas em várias modalidades, entre os quais futuras estrelas do voleibol nacional.

E vem de lá também o Açougue Cultural T-Bone, que mostrou ao Brasil que a arte não precisa de templos monumentais para estar presente.

Sem apoio oficial durante décadas, a 312 Norte produziu sua arte como e quando pode.

Mas o atributo mais importante da SQN 312 é a sua gente. Mesmo depois de várias gerações, que moraram ou ainda moram na quadra, o local não perdeu seu jeito de vila.

Cinquenta anos depois de inaugurada, ela permanece sendo uma quadra única, onde famílias mantêm os laços de amizade iniciados nos anos 1960, continuados entre seus filhos, netos e bisnetos.

Por tudo isso, a 312 Norte, ou simplesmente “A 12”, como chamam seus ex- e atuais moradores, merece uma comemoração à altura de sua história. Moradores da quadra e amigos, além dos síndicos de cada bloco, estão se organizando para celebrar seus cinquenta anos, com uma festa que pretende relembrar momentos do passado, bem como aumentar a integração entre os moradores atuais e os antigos.

O grupo SOM+AR, com apoio do pessoal do Picnik, vai cuidar da infraestrutura e do som contando com toda sua experiência na realização de eventos desta proposta e organização. A Administração de Brasília vai entrar com estrutura de apoio (tendas, palco, banheiros etc.), além do apoio dos Síndicos da Quadra e do Conselho Comunitário da Asa Norte – CCAN.

Mas a festa, quem vai fazer, somos nós!”

Me senti ultra convidada, já tô lá.

Bora?
Festa de 50 anos da 312 Norte
Sábado, 18 de junho, a partir das 13h.
Entrequadra 311/312 Norte (área verde atrás da igreja)

Vai ter food trucks e brincadeiras para crianças. Músicos e poetas da quadra também preparam apresentações. Se você tem fotos antigas e atuais da 312 Norte, não deixe de levar – vai rolar um Varal Fotográfico.

 

Vamos pegar um filminho?

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Eu morro de saudades dos meus meninos pequenininhos, mas confesso: faço a contagem regressiva dos dias que faltam pra eles poderem ficar sozinhos em casa e a gente poder ir despretensiosamente ao cinema. Aquela coisa mais banal: ah, vamos pegar um cineminha hoje?, ah, vamos, claro, que ótimo, e pronto, vamos.

Juro, eu nem acredito que isso vai acontecer de novo. Mas vai. E eu perdi a vergonha de ficar feliz com isso. Quem tem a liberdade de um cineminha banal numa noite de semana que a celebre.

Se é seu caso, aí vai a programação do Festival Varilux de Cinema Francês. Coisa mais fofa, eles estão em vários cinemas! – na verdade, estão em várias cidades também! Avisem seus amigos de Sobral (CE), de Caeté (MG), de Tubarão (SC). Porque os filmes parecem incríveis. Eu-quero-ver-todos. Apenas. Babás, me escrevam, vocês vão ficar ricas.

Ainda não vai ser esse ano, mas Festival Varilux, estou de olho em você, ó. Tô te mirando, ano que vem (ou no outro, ou quando eu arrumar coragem), você não me escapa.

Bora?
Festival Varilux de Cinema Francês
Programação na Embaixada da França, no Cine Itaú, no Pier 21 e no Liberty

O muro

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Sabe o que me entristece mesmo? Não é o resultado, qualquer que seja ele. Nem é a desinformação que faz com que amigos que eu julgava esclarecidos pensem, até hoje, que impeachment vai resultar em eleição antecipada (não vai, impeachment = Temer presidente, Cunha vice). O que me entristece mesmo é esse medo todo.

Um muro com polícia e cachorro para separar quem pensa assim de quem pensa assado. Carros proibidos na Esplanada, as artérias de Brasília entupidas, as vicinais enfartadas, um derrame. Polícia para dizer onde pode ir, onde não pode ir. Nas ruas, nas quadras, nos corredores do Congresso. Essa generalização completa de um medo tristíssimo que já prende em shoppings, em camarotes, em carros mono-ocupados quem deveria estar na rua, vendo o outro.

Amigos que não vão sair de casa. Amigos que vão sair de casa com medo, mas vão. Amigos que vão sair de casa com ódio – e ódio é medo com outras palavras.

É só gente, gente. É só gente que pensa diferente de você. Não precisa agredir, não precisa ter medo de que ninguém te agrida. Não precisa ter medo de conversar, de discutir. Se vocês discordam, chama pra um sorvete – ou pra um passeio no Olhos d’Água, no Parque da Cidade, nas sombras das quadras da Asa Sul.

A cidade que foi construída sobre pilotis para que a gente pudesse circular livremente por seus espaços, a cidade que foi construída como um jardim, como um parque não combina com esse muro. Não combina com esse medo.

Vamos entrar em contato com o outro, vamos conviver.

* A imagem linda, que virou a foto do dia, é assinada pelo Lucas Levitan. Face: https://www.facebook.com/lucaslevitan/
Insta: @lucaslevitan

Sobre criar asas

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Fazer 40 anos foi todo um processo e no meio dele, sem que seja consciente, comecei a me interessar por borboletas.

A fragilidade e a fome da lagarta, o casulo, as transformações que acontecem lá dentro. O casulo como fase de liquefação completa do corpo, para que seja possível o renascimento com asas. A delicadeza de saber que borboletas não podem ser ajudadas a sair de seus casulos – o esforço de se livrar da casca é que dá às asas o tônus necessário para que elas possam voar. A profundidade que é descobrir que um trauma físico na fase de lagarta (a perda de uma pata, por exemplo) não influencia nada na estrutura física da borboleta – enquanto um trauma “psicológico” (uma ameaça ligada a um determinado perfume) não se apaga da memória com a metamorfose. Sério: essas bichinhas são uma fábrica de metáforas para a vida.

A primeira vez que fui a um borboletário, no Pantanal Matogrossense, morri de emoção de ver casulos se abrindo, acompanhar aquele milagre ali, diante dos meus olhos. Daí que agora, na minha fase borboleta, quis saber se existem borboletários em Brasília.

E eis que encontrei essa lindeza:

Fica no Zoológico de Brasília – e é lindo. Um jardim cheio de gotinhas coloridas, refrescante, cheio de paz. Flores por todos os lados, várias espécies de borboletas que eu nunca tinha visto na vida. Um pedacinho de jardim mais escuro, onde as borboletonas olhos-de-coruja estavam lindamente pondo seus ovos sem a menor cerimônia, pra quem quiser ver. Pra onde a gente olha, aquele voo feliz e colorido, a nos lembrar que sempre vale a pena renascer.

Um refúgio de lindeza. Um presente.

Bora?
Borboletário do Zoológico de Brasília
Avenida das Nações, Via L 4 Sul, s/n
Aberto de quinta a domingo, das 9h às 17h

Todo mundo vivo?

Ultra-Romântico (foto 3 de Tico Fonseca)

Agora que o ano começou de verdade, a humanidade se divide em duas: metade está inconformada com o fim do carnaval, querendo inventar qualquer desculpa pra dar a última sambadinha, metade virou a página e quer pensar em outra coisa.

Se você quer dar a última sambadinha, a boa notícia é a roda de samba Já Chegou Quem Faltava que acontece domingo de tarde no Círculo Operário do Cruzeiro.

Pra virar a página e pensar em outra coisa, te sugiro ComCiência, a exposição incrível do CCBB que mexe com nossa ternura e nossos medos do desconhecido.

Agora pra ficar exatamente no meio do caminho, te trago uma notícia bombástica: a peça Ultra-Romântico, que chacoalhou minhas estruturas na primeira edição, em 2012, volta este final de semana ao subsolo do Conic, e desta vez muito melhor.

Você se lembra: com esta peça, o Grupo Liquidificador embaralha as fronteiras entre a linguagem mais contemporânea e o texto arcaico de “Noite na taverna”, do ultra-romântico Álvares de Azevedo, do início do século passado. Mistura teatro com festa, programa cultural com balada – e imprime na gente, bem no meio do peito da gente, toda a intensidade de um teatro explícito e rasgado. Você entra e vira a peça. Não tem jeito de ficar indiferente.

Essa edição da peça promete ainda umas novidades bem novidentas: a peça agora tem um aplicativo que te permite baixar as músicas que aparecem em cena e um zine online que será divulgado em capítulos. Além disso, cada dia de espetáculo conta com a presença de um grupo da cidade – teatral, de música ou de performances – numa iniciativa linda de interagir e fortalecer a cena artística da cidade como um todo.

Ah! Precisa lembrar que tem festa depois? É uma peça que vira festa. E festa daquelas.

Tá vindo embalado do carnaval mas quer fazer algo bem diferentão amanhã de noite? Então a gente se encontra lá.

Bora?
Já Chegou Quem Faltava – roda de samba
Domingo, 16h
Círculo Operário do Cruzeiro

ComCiência
Até 4 de abril, de quarta a segunda, das 9h às 21h
CCBB
SCES, Trecho 02, lote 22
3108-7600

Ultra-Romântico
Peça, balada, aplicativo, show e amor
Amanhã (13/02), 27/02, 12/03 e 26/03
Teatro Dulcina de Moraes
SDS, Bloco C – Conic
$10 (meia) e $20 (inteira)