Sobre hoje à noite

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A metade da laranja, a tampa da panela: a jam que acontece hoje de noitinha na UnB parece que foi feita especialmente para uma segunda-feira.

Músicos de primeira linha se reúnem para tocar jazz com tudo o que se espera de uma jam session – muita alegria, qualidade musical, simpatia e improviso. Anders Hentze na bateria, Serge Frasunkiewicz no organ e Rodrigo Bezerra na guitarra convidam plateia e comparsas: quem quiser levar instrumento é muito bem-vindo.

O lugar, o Beijódromo da UnB, é um espetáculo à parte. Além do prédio ao lado da reitoria ser lindo e inspirador, o simples fato de estar dentro da Universidade (já prestou atenção nesta palavra?: universidade) é um sintoma de boas companhias. E dizem que o cardápio do restaurante, o Brasileiríssimo, já é um argumento forte o suficiente pra você sair de casa.

É tudo o que você precisa para hoje – ouvir música boa, comer bem, marcar com aquele amigo que não encontrava há muito tempo. E começar a semana impecavelmente.

Bora?
Jam no Beijódromo
Memorial Darcy Ribeiro na UnB, ao lado da reitoria
Hoje (e toda segunda-feira), às 19h30

Existe amor na UnB

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Sejamos sinceros: essa história de aprender uma profissão não é o único – ou talvez sequer o principal – foco de interesse de quem está na universidade. Muito mais do que derivadas e integrais, teorias críticas ou aulas de anatomia, é de paquera que se trata a melhor fase da vida das pessoas.

Agora imagine o impacto que pode ter neste momento da vida a criação de um verdadeiro Correio Elegante moderno, descolado e ultraconectado. É essa a sacada do Spotted UnB, uma página no facebook que funciona como um facilitador das paqueras no Campus. Como diria a descrição do perfil: viu um bonitinho na biblioteca e se esqueceu de estudar? Conheceu alguém legal no 110 e esqueceu de perguntar o nome? Seus problemas acabaram.

O moderador da página se encarrega de receber as mensagens anônimas dos apaixonados – comprometendo-se solenemente a jamais, em hipótese alguma, divulgar o nome do remetente. Publicados na página, os recadinhos recebem os mais diversos comentários – muitas vezes do próprio destinatário, interessadíssimo na declaração de amor. Acompanhar as mensagens e suas respostas é muito mais divertido do que qualquer novela.

O mais bacana é que a página se tornou um receptáculo universal de bons fluidos – além das paqueras, a página está cheia de recados totalmente do bem, de gente que encontrou alguma coisa perdida ou gostaria de agradecer uma ajuda recebida por um desconhecido e se aproveita da popularidade da página para passar o recado adiante. De fazer recuperar a fé na humanidade.

E no dia dos namorados os ainda solteiros que se preparem: a galera sai do virtual e organiza o Festival de Cantadas, um evento bem real que acontece no Ceubinho. Se todas as indiretas via Spotted não adiantaram, chegou a hora de se declarar de viva voz, pra todo mundo ver. As melhores cantadas levam prêmio e as piores… torta na cara!

Ah, meus bons tempos de UnB…

Bora?
Para acompanhar as fofices do Spotted é por aqui.
Para o Festival de Cantadas, o site é esse.
O evento acontece no dia 12/06, às 17h30, no Ceubinho (Entrada do ICC Norte).

Claro que já surgiu um filhote da página, o Spotted UnB VSF (deixo a tradução da sigla a critério do leitor) – onde os estudantes passam adiante protestos, reclamações e desabafos. Uma onda menos do bem mas que não deixa de ser engraçada.

Brasília segundo o cinema

Como parte da programação comemorativa de 50 anos da Universidade de Brasília, a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo promove de hoje até sábado a mostra de filmes “UnB 50 anos: luz, câmera, Brasília”, no Museu Nacional. É uma coletânea de respeito da memória audiovisual da cidade: são 12 filmes, produzidos entre 1966 e 2011, a maioria documentários. Uma reunião de registros históricos, que revelam detalhes da construção da cidade e da UnB, e de depoimentos sobre a identidade do brasiliense e a influência da arquitetura na nossa forma de se relacionar.

Um dos filmes mais recentes da mostra é “Braxília”, de Danyella Proença, que se centra no olhar do poeta Nicolas Behr sobre a cidade. E um dos filmes mais antigos é uma raridade: “Brasília, contradições de uma cidade nova” é um curta de Joaquim Pedro de Andrade, filmado em 1967 a pedido da empresa Olivetti, que queria um registro poético da nova capital. E foi isso que o diretor de Macunaíma fez, mas só na primeira metade do filme, o que fez a Olivetti rejeitar o curta e engavetá-lo por décadas.

O descontentamento da empresa veio com a “liberdade poética” do diretor na segunda parte do filme. Depois de documentar a beleza das superquadras e dos palácios de Niemeyer, ao som de Erik Satie e narração de Ferreira Gullar, Joaquim faz um corte abrupto. E a câmera passa a focar nos imigrantes e operários, nos assentamentos precários e na falta de perspectiva dos estudantes, em uma UnB sufocada pela repressão. Se arrependimento matasse, hein Olivetti.

A mostra tem também “Fala Brasília”, filmado por Nelson Pereira dos Santos em 1966, com as impressões dos imigrantes sobre a cidade recém construída. Trinta anos depois, Maria Augusta Ramos filmou “Brasília, um dia em Fevereiro”, com um novo olhar sobre as distâncias, o excesso de espaços e a falta de praças da capital, e o que isso tudo provoca em nós.

O bacana do evento é que, todo dia, a exibição dos filmes será seguida por um debate com diretores e especialistas sobre a seguinte questão: até que ponto o cinema contribuiu para a formação de uma imagem fiel à Brasília e à universidade?

Bora?
UnB 50 anos: luz, câmera, Brasília
Mostra de cinema no Museu Nacional
Complexo Cultural da República, Esplanada dos Ministérios
De 25/10 a 27/10
Quinta e sexta, às 18h30. Sábado, às 15h30.
Foto: Cedoc/UnB

Programação:

Quinta, dia 25
18h30
Tema: UnB e o contexto de Brasília
Filmes: Vestibular 70 (1970, 15 min), de Vladimir Carvalho; UnB: 1ª experiência em pré-moldados (1970, 19 min), de Heinz Forthmann; Kiss Kiss Kissinger (1981, 18 min), de Jimi Figueiredo; Dois Candangos: A história passou por aqui, de Armando Bulcão e Tânia Montoro (1997, 32min).
Debatedores: Tânia Montoro, Pablo Gonçalo, Claudio Queiroz, José Carlos Coutinho, Jimi Figueiredo e Denise Moraes.

Sexta, dia 26
18h30
Tema: Brasília ontem e hoje
Filmes:Brasília, contradições de uma cidade nova (1967, 22 min), de Joaquim Pedro de Andrade; Memórias finais da República de fardas (2008, 38 min), de Gabriel Marinho; A cidade é uma só? (2011, 73 min), de Adirley Queirós.
Debatedores: Vladimir Carvalho, Adirley Queirós, Silvana Olivieri, Aldo Paviani, Sylvia Ficher, Gustavo de Castro

Sábado, dia 27
Tema: Brasília Cultura
15h30
Filmes: Fala Brasília (1966, 12 min), de Nelson Pereira dos Santos; Brasília, um dia em fevereiro (1996, 67 min), de Maria Augusta Ramos; A arte de andar pelas ruas de Brasília (2011, 17 min), de Rafaela Camelo; Oficina perdiz (2006, 20 min), de Marcelo Diaz; Braxília (2010, 17 min), de Danyella Proença.
Debatedores: Dacia Ibiapina, Wagner Rizzo, Reinaldo Machado, Iberê Carvalho, Rafaela Camelo.