A falta que faz o lugar afetivo

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Sábado de manhã saí animadona pra tomar café na rua. La Panière: fechada até 20 de janeiro. Dylan Café: fechado até 29 de janeiro. Ernesto Café: fechado também (só até anteontem, já reabriu). Confesso, bateu o pânico.

Lembrei disso e ri quando meu amigo José Maria Palmieri escreveu, ontem: “Janeiro em Brasília – 5 anos de análise. Vitamina central fechada até o dia 17 – 50 anos de análise”.

Eu, que nunca fui muito de frequentar aquele templo apertadinho da geração saúde na W3, resolvi perguntar pro Zé quais os bons motivos que fazem ele esperar mais dez dias pra poder ser feliz novamente.

“Porque aquele lugar existe desde a década de 70, quase sem mudar o cardápio. A vitamina vem numa jarra que enchem dois copos: Adrenalina, Bomba Atomica, Mafiosa, Saborosa são apenas algumas da extensa lista. Os salgados não param de sair e estão sempre quentes. O pão de batata com queijo de minas é o grande hit. Este período, em que a vitamina central entra de recesso, me traz uma certa melancolia, mas para ser exato, me traz um desamparo. Já morei em São Paulo e no Rio onde casa de suco é coisa comum. Mas, como um bom candango, nunca deixei de ser fã e frequentador assíduo da Vitamina Central. Passei uns 12 anos fora de Brasilia e sempre que voltava, era certeiro um pulo até lá, até mesmo para rever amigos. O curioso é que o lugar passou por uma reforma e continuou apertado mas nunca vi caber tanta gente sedenta! De volta a Brasília desde 2008, bato o ponto nos fins de tarde e agora que vou ficar por aqui em janeiro, só me resta esperar o dia 18”.

Houve um tempo em que Brasília ficava realmente deserta em janeiro – e a gente realmente se deprimia com isso. Hoje acho isso mais fofo do que ruim. Me faz lembrar da importância dos nossos lugares afetivos, celebrar até a ausência deles – e a volta, quando eles voltarem.

Resgatei do fundo do coração o que sentia em Paris em agosto: quando morei lá estranhava à beça, até as farmácias fechavam nas férias. Eu estranhava mas achava bom – ficava pensando que os meus comércios de bairro eram feitos de gente de verdade, que estava feliz e se divertindo, e que voltaria cheia de energia em setembro.

Aproveitem, pessoas dos lugares afetivos. Encham-se de sol e de energia. Esperamos por vocês até o fim de janeiro.

Bora?
Vitamina Central
CRS 506 Bloco A loja 63
3244-2866

10 respostas em “A falta que faz o lugar afetivo

  1. Carol, tua abordagem é bastante sensível, amei! Você nos lembra que lugares e cidades tão diferentes entre si apresentam semelhanças… isso porque são feitos pelas pessoas! Seja em Brasília, ou Rio, ou Sampa…Paracatu, Niquelândia, ou a linda Paris, em todas elas, os lugares são lugares pelos significados que as pessoas lhes dão e ali compartilham; têm seus ritmos em função do ritmo dessas pessoas. Esse janeiro lento, calmo, que clama por paciência, é o reinício do dia-a-dia, pra mais um longo ano de lutas! Bem-vindos os dias de janeiro!

  2. Sabe que eu pensei a mesma coisa na noite do dia 1º… Não tinha nada aberto exceto subway e mcdonalds. E eu só pensava que por mim podia fechar tudo, todo mundo merece receber o ano novo com as pessoas queridas.

    E eu adoro essa época do ano, a chuva, o céu nublado, as vias menos movimentadas. Mesmo não viajando dá uma sensação de desacelerar tão boa.

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