A gente tem uma grande notícia: vem aí o novo Quadrado!

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Há quatro anos a gente começou essa linda história aqui. Um blog pra convidar as pessoas a fazer uma nova Brasília, a ocupar os espaços públicos, a descobrir e valorizar os nossos artistas e empreendedores. Criamos o Quadrado para alimentar, nos outros e em nós mesmas, um olhar mais curioso e generoso da cidade.

Nesse tempo, um monte de gente incrível passou por aqui. Para garimpar lugares bacanas e contar pra vocês, conhecemos um monte de gente que, em muitos casos, acabaram virando amigos queridos.

E quanto mais gente legal aparecia, mais foi crescendo na gente uma vontade de organizar melhor nosso espaço, dar lugar pra vocês indicarem seus achados também, ter um site mais bonito. Há pelo menos um ano estamos bolando a cara nova do Quadrado – e agora ele vai nascer.

Só que a gente não vai só lançar o site novo, não. A gente vai comemorar isso junto com vocês e com todo mundo que passou por aqui nesses quatro anos. Vai ser um encontro pra tirar o Quadrado dessa esfera virtual – até porque já estava passando da hora da gente se encontrar ao vivo, né?

É com muita emoção que a gente diz pra vocês: abram sua agenda aí e anotem, por favor! Dia 3 de setembro, sábado, 15h, no querido Ernesto Café.

A Feirinha do Quadrado vai representar o que a gente mais ama nessa cidade: arte, moda, literatura, design, gastronomia. Gente que cria, que produz, que batalha todo dia e nos oferece coisas lindas, resultado do que eles têm de melhor.

Vamos ter gente como Luda Lima, Cobogó Mercado de Objetos, Bsb Memo, Coletivo Transverso, Carota, Viviane Kulczynski, Marcondes & Co Discos, Thelma Aviani, Célia Estrela, Galeria Ponto, e vem mais por aí. Na página do evento, vamos avisando vocês a cada nova confirmação!

Além da feirinha, teremos workshops lindos com uma galera que nos enche de orgulho: Coma Lá em Casa vai ensinar uma receita pra você arrasar pros seus amigos, a Flô vai ensinar uma lindeza de arranjo floral e a Luda Lima vai dividir com a gente dicas de ilustração e aquarela. Mais informações em breve!

O dia vai terminar do jeito mais fofo do mundo, com o show do The Green Folkies, que já é amor antigo do Ernesto Café, no projeto Folk & Café à tardinha.

É isso aí: a feirinha com um pedaço do que tem de mais lindo em Brasília, o fim de tarde com um som e um astral incrível, e ainda por cima as delícias do Ernesto Café.

Leve sua canga, sua toalha de piquenique, e vamos nos esparramar no jardim. Dia 3 de setembro vocês são todos nossos.

Bora? Bora!!!
Feirinha do Quadrado
Lançamento do novo Quadrado Brasília, com música, feira e workshops
Sábado, 3 de setembro, no Ernesto Café (115 sul)
Das 15h às 21h
Confirme presença e saiba de tudo clicando aqui

Música boa, fim de tarde, quintal

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Cada vez que o Dudu Maia, talentoso bandolinista que capitaneia o Estúdio Casa do Som, conta dos house concerts das turnês que faz pelos Estados Unidos, eu vou fazendo um filme na cabeça: gente chegando curiosa pelo som do Brasil, aquele clima intimista de casa, os músicos se preparando, todo mundo em silêncio esperando o primeiro acorde – e, de repente, o som invade e transforma todas aquelas pessoas numa só, respirando e pulsando no mesmo ritmo.

E ficava me perguntando por que esse clima delicioso, com nossos músicos e nossa música, estava ali ao alcance dos gringos – e não ao nosso. Até que ele resolveu consertar isso. Ou concertar isso.

Domingo acontece no quintal do Dudu (que também é o quintal da minha mana Ju, da Lulu e da Bia) o delicioso house concert Somset – um concerto íntimo e com clima de casa, que vai conjugar por-de-sol, amigos e música instrumental da melhor qualidade.

Os convidados dessa primeira edição são o acordeonista Junior Ferreira, o som maneiro do Passo Largo e a banda AE Underground. Dá play em qualquer parte de qualquer um desses links aí pra sentir a energia que esse encontro promete.

Quer mais? Tem. As comidinhas serão garantidas pela turma do Coma Lá Em Casa, esses dois queridos e saborosos que vão curtir o som com a gente e garantir barriguinhas forradas.

Bônus track: as revoadas de passarinho que sobrevoam o quintal dessa galera todo fim de tarde.

Bora se sentir em casa com a gente?
Somset House Concert
Domingo, 28/8, 16h
Ingressos a R$ 30
Reservas e endereço: infosomset@gmail.com

Apenas deixe ela em paz

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É uma das faces mais visíveis do machismo, mas que até bem pouco tempo era tão naturalizada que muita gente nem via como um problema: o assédio à mulher no espaço público.

Do assovio à passada de mão, do elogio malicioso e descontextualizado ao ato nojento de se masturbar diante de uma mulher dentro de um ônibus, da perseguição ao estupro. O assédio tem vários níveis, vários jeitos de acontecer e nos vitima de várias maneiras – não só com a agressão em si mas plantando dentro da nossa cabeça a semente do medo, da falta de liberdade, que cria raízes e é impossível de ser arrancada de lá.

A boa notícia é que hoje há várias iniciativas de visibilidade e de combate ao assédio – uma das minhas preferidas nasceu no Recife pelo coletivo de mulheres Deixa Ela Em Paz.

O nome já diz tudo. É isso. Sério, eu não vou falar mais nada sobre essa mudança urgente de comportamento porque está tudo dito no nome dessa campanha. Deixa ela em paz. A menos que haja o mais tênue sinal de que a garota esteja na sua, guarde a merda do seu desejo para você. Apenas. É muito difícil?

Só que agora, além de jogar luz sobre a injustiça, o absurdo do assédio, essas meninas guerreiras estão levantando grana pra ouvir mulheres nas cinco regiões do Brasil para assim mapear as necessidades urgentes da mulherada de diferentes realidades. Feito o diálogo, as meninas vão propor ações que respondam a essas necessidades.

O nome do projeto é Circuito de Enfrentamento Urbano – o CEUparaMulheres – e elas precisam da ajuda de cada um e cada uma de nós. Bônus incrível é que as recompensas da ação são bem legais mesmo. Divulgar esse cartaz, essa camiseta, essa mensagem por aí já é fazer sua parte na urgência de fazer pensar sobre o assédio.

Tem mais: quem aderir à campanha até sexta-feira ainda ganha um lambe-lambe tamanho A3 com a ilustração feita especialmente para CEU para Mulheres da artista Nathalia Queiroz.

Bora?
Campanha CeuParaMulheres da Deixa Ela Em Paz

A rede de mães (por mais mães na rede)

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Na teoria, eu me sinto super num momento de amadurecimento em relação ao meu papel de mãe, compreendendo que eles estão crescendo e que são indivíduos separados de mim etc. Na prática, todos os meus posts são sobre maternidade.

Lá vai mais um. Sábado o coletivo de mães Dona Raposa realiza na Komboleria um evento muito lindo, com artigos para bebês feitos por mães empreendedoras.

A maternidade é transformadora em muitos sentidos. É muito comum as mulheres serem tão modificadas pela experiência que decidem abraçar uma nova perspectiva profissional, que contemple realizações próprias, prazer em realizar o que amam e tempo para estar com suas crias. O resultado são empresas cheias de sentido.

É nesse espírito que a Komboleria, que teve a sensibilidade de colocar este aviso aí na parede, recebe as mamães.

Que essa rede possa acolher as mulheres que passam por este momento tão especial de suas vidas, de várias maneiras diferentes. Inclusive dando uma forcinha pra elas descansarem, relaxarem e lembrarem que são mais do que mães.

Bora?
Coletivo Dona Raposa – Empreendorismo Materno
Sábado, 20/08, das 9h30 às 16h
CLN 106 Bloco C Loja 38

Ceviche e o sentido da vida

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Faltava um restaurante peruano em Brasília que fosse igual aos melhores restaurantes que conheci em uma inesquecível viagem ao Peru: simples, tradicional, sem muito fru-fru, sem essa história de cozinha contemporânea e referências e degustações. Oremos Senhor, porque não falta mais.

O El Point Peruano, na QI 11 do Lago Sul, me fez mais feliz em saber que posso comer um ceviche perfeito e sem grandes pretensões. Sou fã também do Taypá, o peruano grã-fino da cidade, mas tem dia pra tudo nessa vida. E ultimamente meus dias estão mais peruanos de raiz do que peruanos cosmopolitas, sabe como é?

Vamos ao que interessa: o ceviche clássico é delícia, muito bem servido, como tudo na casa, e custa R$ 35. Dá pra passar a noite inteira só entre os ceviches e as causas, entradas típicas feitas com batata cozida e frango ou camarão.

Os pratos principais variam de R$ 35 a R$ 50 e, dependendo da quantidade de fome e de entradas, dá pra dividir tranquilamente. O risoto de frutos do mar que pedi na primeira vez é muito bom e enorme – pra mim, impossível de comer sozinha. O ají de galinha e o lomo saltado, que dividi da segunda vez, seguem o espírito da casa: simples e gostoso.

Na parede, um telão transmite uma seleção maravilhosamente brega de músicas latinas variadas. De Shakira a Gipsy Kings, passando por clássicos da música americana em versão de salsa, dá de tudo ali. É engraçado e, por razões desconhecidas, cai muito bem com pisco.

PS: Se você nunca foi ao Peru, por favor, vá assim que puder. Uma viagem com pisco, ceviche, Cordilheira dos Andes, peruanos e amigas hablando um portunhol terrível é algo que dá sentido à vida.

Bora?
El Point Peruano
Deck Sul – QI 11 do Lago Sul
Aberto todos os dias, das 11h30 às 23h30
Domingo – só até as 17h
Tel: (61) 3248-0197

A mãe que eu quero ser

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Quando nasce um bebê, nasce uma mãe, diz a frase batida. Muito rápido você entende que não controla quem esse bebê será. O que eu levei mais tempo pra entender é que também não controlo quem seria essa mãe.

Ontem eu tomei um café com a Irmina, que se parece muito com a mãe que eu achei que seria. Yasmin, essa criança linda aí da foto, tem cinco anos e é desescolarizada. E isso não porque ela faça aulas de cerâmica, pintura rupestre e mandarim em casa – como costumam sonhar os pais moderninhos que sonham com a desescolarização. Ela não vai pra escola (ainda) porque ela brinca. O dia todo. No quintal.

Yasmin é uma legítima representante da infância livre. Ontem, com a mãe dela, conversamos sobre o tempo da infância, a curiosidade (e não a ansiedade paterna e materna) como motor do aprendizado, sobre relação com a natureza, com a comida, com a tecnologia, com a sociedade. Falamos sobre livros, sobre fotografia, sobre como uma vida multicultural abre fronteiras poéticas na linguagem e na alma das pessoas.

Eu descobri a Irmina, a infância livre da Yasmin e o livro que ela vai publicar sobre isso na campanha do Catarse que ela está realizando. Bastou este vídeo pra que eu perceber que entendia tudo o que estava dito ali. Que com suas fotos, seus pequenos vídeos e sua poesia (que caminham na fronteira do polonês com um português muito sensível), ela fala de tudo o que eu sei aqui dentro, embora aqui fora eu nem sempre viva muito perto disso.

Meu consolo: ter o quintal da Irmina, da Yasmin, do Sávio e do Kajetan comigo, todos os dias, no livro que ela vai, sim, realizar.

Até porque você, que um dia já foi criança, que está todo confuso com esse mundo mudando tão rápido, que também sabe, aí dentro, que a vida pode ser muito mais simples, vai ajudar.

Bora?
Retratos pra Yayá
Financiamento coletivo do Catarse para livro de retratos sobre a infância livre

O feminismo vai às compras

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Sempre me impressiona a sanha e a rapidez com que o capitalismo se apropria de absolutamente todas as causas, por mais anticapitalistas que sejam elas. Farto material de merchan do Che Guevara, basta dizer.

O choque (bom) da vez é a mercantilização do feminismo. Descobri outro dia que mocinhas como eu e você inauguraram uma nova profissão: são consultoras em feminismo. Marcas babacas tradicionais, sem saber o que dizer diante da nossa revolução que eles singelamente chamam de patrulha feminazi, andam contratando algumas dentre nós para readequar seus discursos. Sim, parece falso (e é um pouco) mas todo e qualquer passo rumo à uma mudança no discurso – que precederá uma mudança nos hábitos, oxalá – me é motivo de comemoração.

Tenho o mesmo leve estranhamento quando vejo o novo arsenal de produtinhos feministas que andam invadindo as prateleiras mais descoladas. Mas o estranhamento dura segundos – num mundo em que aventais que imitam o corpo de uma gostosa são um presente considerado engraçadinho e divertido por toda a humanidade, que mal existe em uma caneca com os dizeres “male tears”? É, no mínimo, engraçado e divertido.

Isso pra dizer que encontrei várias coisas feministas muito bacanas na Endossa da Asa Sul. Minha amiga Lara ganhou uma camiseta Girl Power, minha irmã uma caneca incrível, eu também ganhei outra. Este site aqui, mais hipster e mais caro, tem outras coisas bem legais também.

Enquanto o capitalismo não acaba, que ele seja invadido pelas causas do bem.

Bora?
Endossa
CLS 306, Bloco A, Loja 30
3242-2972