Por mais brincadeiras e menos brinquedos


Me envolvi diretamente na divulgação da primeira feira de troca de brinquedos, que acontece domingo que vem no Jardim Botânico, por um motivo simples: vivo dentro de casa, todos os dias, os efeitos do consumismo infantil na nossa sociedade.

Vou citar uma única cena anedótica. Quando fizeram três anos e começaram a assistir televisão, a cada anúncio que passava eles gritavam: “eu quero!, eu quero!, eu quero!”. Era automático assim: estímulo e resposta, teoria hipodérmica total.

Não preciso descrever aqui o que representa o consumo na nossa sociedade – e a face trágica que ela assume quando falamos de pequenos consumidores. Crianças que sabem o nome de marcas até de produtos de limpeza, festas de aniversário que custam milhares de reais (e isso não é figura de expressão), pequenos de três anos ávidos pelas últimas novidades como alguns dos adultos menos interessantes que conheço estão hoje ávidos pelo iphone 5.

Por isso que me encantei com a ideia dessa feira, que é organizada nacionalmente pela ONG Alana e foi assumida aqui em Brasília pelo coletivo de mães Infância Livre de Consumismo. No Congresso, a Alana é a principal interlocutora na discussão da regulamentação da publicidade infantil.

As feiras de trocas são a ponte da militância anti-consumismo com a vida real da criança. Mais do que a oportunidade de passar uma manhã ultra bacana com brincadeiras, contação de histórias, parquinho, piquenique e troca de brinquedos, é a oportunidade de conversar com os pequenos sobre o que é o consumo. Lembrá-los de que é bacana ganhar um brinquedo – mas mais bacana ainda deve ser brincar com ele.

Bora?
Domingo, 30 de setembro
Das 9h às 12h
Jardim Botânico de Brasília
Subida da QI 23 do Lago Sul
https://www.facebook.com/1aFeiraDeTrocaDeBrinquedosDeBrasilia

Meu namoro na galeria

Conheci a Galeria Almeida Prado pela internet, numa dessas sequências malucas de cliques que você não sabe por onde começou, mas que te leva a um site ótimo e “como assim, eu não conhecia isso?”. Depois de vasculhar as imagens de gravuras, mobiliário e porcelanas antigas, resolvi conhecer o lugar pessoalmente. Sofrimento ao vivo é o melhor de todos, afinal.

Cheguei lá e tive a impressão de que poderia chamar um caminhão de mudança e levar tudo pra minha casa. É um bom sinal, não? Ou sinal de alerta vermelho pro meu cartão de crédito, não sei.

Pra completar, a simpatia do Fábio, dono da galeria, ajuda a te convencer que, se aquela obra te provocou um amor romântico, ela vai ter que morar na sua parede mesmo, mais cedo ou mais tarde. E ele tem paciência. Sempre te deixa à vontade pra olhar, olhar e olhar.

É o que costumo fazer depois de um almoço no Naturetto e um sorvete na Sorbê, meu percurso favorito na 405 Norte. Namoro várias peças ao mesmo tempo, sou moderna nesse tipo de relacionamento, e tenho fé: um dia, quem sabe.

A galeria é pequena, o que pra mim conta super a favor. Lojas pequenas me passam mais confiança do que a imensidão gelada de um showroom. E o forte da casa são gravuras de artistas importantes na história de Brasília: Athos Bulcão, Niemeyer, Lúcio Costa, Burle Marx, Volpi e Galeno são alguns.

A loja também trabalha com restauro de gravuras, documentos e papéis antigos. E além das obras e das fotografias, você encontra objetos de antiquário e móveis das décadas de 1940 a 1970, alguns com aquele pé palito que arrasa o meu coração. Ô lá em casa…

         

Bora?
Galeria Almeida Prado
405 Norte, bloco C
Terça a domingo, das 12h às 19h
Tel. 3201-8147, 8131-3776 e 8147-1545
http://www.galeriaalmeidaprado.com.br

No tempo da delicadeza

 

Fazia ontem minha habitual ronda matinal pelas frivolidades do face quando tropecei num comentário que ficou ressoando na minha cabeça o resto do dia: “O cara que descreveu o brasileiro como cordial, simpático, alegre e extrovertido NUNCA esteve em Brasília”, protestava minha amiga – que é gaúcha, para piorar a situação.

De tudo o que as pessoas falam mal de Brasília (e a lista não é pequena), essa é a crítica que mais me dói. Por um motivo simples: infelizmente acho verdade.

Resistia a admitir isso, como militante aguerrida da minha cidade. Questionava: somos cíclicos, recebemos sistematicamente gente vinda de todo canto do Brasil e do mundo. Nossas turmas estão sempre em mutação, somos os reis em fazer amigos dos amigos dos amigos. Como podemos ser ao mesmo tempo agregadores e desagradáveis?

Sei lá se pela pressa de toda grande cidade, se pelo nosso modus operandi que nos isola em carros quase sempre mono-ocupados ou se é um sintoma da desagregação social que – de novo, infelizmente – é marca da cidade. O fato é que muitos de nós deixamos a simpatia e a cordialidade em algum lugar do caminho dos nossos 50 e poucos anos.

Nos únicos cinco que morei fora de Brasília vivi num lugar em que o hábito de se dar bom-dia é quase uma obsessão. Você entra em um elevador e dá bom dia, sai dele e dá bom-dia. Se entrar, sair e entrar de novo em uma mesma sala, e cruzar com as mesmas pessoas, capaz de ouvir bom-dia três vezes. E eu não estou exagerando.

Quando voltei, fiquei impressionada de ver que simplesmente não temos esse hábito tão simples. Nas lojas, o bom-dia atualmente cedeu a vez à pergunta sistemática: “quer CPF na nota?”. Nem sei se quero, mas dá para me dar “oi” antes? No elevador, na entrada dos prédios, nos banheiros públicos – tem gente que chega se assusta quando você cumprimenta de verdade, olhando direto para ela.

Na seção favorita da minha revista favorita – onde um filósofo responde a perguntas feitas por crianças – li uma vez um menininho de 5 anos que perguntava: “Por que temos que dizer toda vez ‘por favor’ ou ‘obrigado’ se já falamos várias outras vezes?”.

Da resposta fofa que o filósofo francês Pierre Pieu deu a ele, a melhor parte é quando explica: “Os humanos, crianças ou adultos, não são mecânicos, como um distribuidor automático de bebidas. Cada um de nós pensa e tem sentimentos, cada um de nós fala, e quando nos cumprimentamos, cada um de nós mostra que reconhece no outro um semelhante”.

Simples como um bom-dia.

Bora?
Repita comigo: Bom dia! Tudo bem? Boa tarde! Boa noite! Boa semana! Obrigada! Bom descanso! Bom almoço! E sério, agora, do fundo do coração: um bom dia pra você!

 

Criolo, festa eletrônica e telão do Niemeyer

Quando alguém descobriu a vocação do Museu da República pra festa, a Esplanada ficou mais divertida. É bom demais quando o melhor programa da noite é uma festa de graça, ao ar livre e com um telão tridimensional do Niemeyer. E vai ser esse o destino de quinta e sexta.

O Celebrar Brasília, que já trouxe o Moby e o Gotan Project, desta vez mistura o Criolo – que fez um sucesso danado no CCBB, em maio – com DJs conhecidos da cena de música eletrônica. Só as projeções de vídeo na cúpula do museu já valem, né. Mas ainda tem performance das companhias Nós no Bambu e Noah Dança Aérea, as duas de Brasília.

O Criolo assume o palco na quinta-feira, às 21h. Depois vem a festa eletrônica, e tem Patife, de São Paulo, e a dupla da festa Mistura Fina, Chicco Aquino e Drezim. Na sexta, tem gente grande da música eletrônica do Rio – The Twelves – e de SP – Gui Boratto. A dança termina com os DJs do Quinto, a festa das quintas na 904 sul. No museu vai ser de sexta pra sábado: Komka e Hopper começam a tocar cedinho, às 4 da manhã.

Bora?
Celebrar Brasília
27 e 28/09
Área externa do Museu da República
Entrada franca

Programação (atualizada no dia 27)
27/09, quinta-feira:
18h30 – Innatura (DF)
19h30 – Marcelo Jeneci (SP)
20h45 – Nós no Bambu (DF)
21h – Criolo (SP)
22h15 – Noah Dança Aérea (DF)
22h30 – Dj A e Projeto Funkeando (DF)
23h30 – Dj Patife (SP)
00h30 – Mistura Fina com Chicco Aquino e Drezim (DF)
01h30 – Sistema LAB com DJ Poeck e DJ LuiJ (DF)
02h30 – Bryan de Jongh (DF)
Programação multimídia:
VJ Reyzek (DF)
VJ Léo (RS)

28/09, sexta-feira:
18h – Projeto Temprano (DF)
21h – Coletivo Multimídia Sonic Future (RS)
22h15 – Nós no Bambu (DF)
22h30 – DVJ Roonie G (EUA)
23h45 – Noah Dança Aérea (DF)
0h – The Twelves (RJ)
1h30 – João Lee (SP)
2h30 – Gui Boratto – 3D (SP)
4h – Quinto 3D com Komka, Hopper e VJ Xorume (DF)