Por quanto você faz?

bolinha

Amanhã é aquele dia mais divertido do ano no Cobogó – quando a loja toda vira uma feira livre e a gente pode pedir (e conseguir!) desconto em tudo o que estiver por lá.

Além dos produtos maneiros da loja, vários expositores entraram no clima do chororô e vão levar suas crias pro clima de pechincha. Conhece as cadernetinhas da bolinhavaibolinhavem aí da foto? Fofices, né? Tem peças off-season (e da coleção atual também!) da Fernanda Ferrugem, Conjunto A4, Thelma AvianiCanivete Camisetas

Ainda vai rolar som massa do Zé Maria Palmieri – ou seja, motivo não falta pra gente começar o final de semana muito bem.

Bora?
Dia da Pechincha – no Cobogó
Amanhã, dia 1o de fevereiro, das 10h às 20h
SCRN 704/705 bloco E lojas 51/56

O mundo da delicadeza cotidiana

simao

Amanhã vai ser daqueles dias que meus filhos têm uma penca de aniversários e uma dúzia de convites para dormir – mas eu vou dar um jeito de encontrar uma horinha para ver isso aqui de perto.

O Simão é daqui de Brasília e hoje mora no Porto, em Portugal. O trabalho dele é transformar objetos do cotidiano em miniaturas de brinquedos que são pura poesia. São pura poesia mesmo, não tem outra definição. Por favor, se você não clicou no link ali em cima, clica agora.

Eu gosto de arte. Eu gosto de coisas feitas à mão. Eu gosto do Sindicato. Mas o motivo pelo qual esta exposição é imperdível é que me parece uma oportunidade única para mostrar aos pequenos que o brinquedo mais legal, a representação mais bonita do que se passa ali na cabecinha dele, está bem ao alcance da sua mão. Só depende dele mesmo criar e transformar.

O Simão ainda vai lançar o livro infantil dele, “Azul+Amarelo = Brinquedos Verdes”, que trata justamente da reciclagem de brinquedos.

Bora?
Simão feito à mão
Lançamento do livro “Azul+Amarelo = Brinquedos Verdes” e exposição de brinquedos
Sábado, 1o de fevereiro, a partir das 14h
No Sindicato
SHIGS 705, Bloco A, Casa 35 – Asa Sul

Se você quer uma cidade mais livre, assina aqui!

Intervenção urbana do Coletivo Transverso

Em resposta ao abaixo-assinado da Associação dos Proprietários e Moradores da Orla do Lago Norte – que pede o cercamento e a proibição de eventos no Calçadão da Asa Norte -, o Picnik, o Balaio Café e nós do Quadrado estamos lançando hoje outro abaixo-assinado: contra a cerca, contra a proibição e, principalmente, a favor da democratização da orla do Lago.

Clique aqui para participar.

A petição pública é resultado do debate promovido pela Administração de Brasília na última terça, sobre o uso de espaços públicos por eventos culturais. Em um auditório lotado, na Funarte, o idealizador do Picnik, Miguel Galvão, fez uma apresentação do evento que deu vida ao Calçadão – até então, um espaço tão lindo quanto desconhecido dos moradores da cidade.

O debate, que começou às 20h e ultrapassou as 23h, foi marcado pelo desabafo de produtores culturais e artistas. Saí de lá mais fã ainda de quem movimenta a cidade, numa luta bizarra contra a burocracia, a intolerância e, de brinde, contra algumas leis e normas arcaicas.

A boa notícia é que o administrador de Brasília, Messias de Souza, se mostrou preocupado, assim como nós, com a pauta conservadora encampada por várias associações de moradores, não só a do Lago Norte. Sobre a pressão para que a Administração deixe de autorizar eventos em área pública, Messias falou: “Na verdade, nós precisamos é usar mais os espaços públicos. Só preservamos bem os espaços públicos que usamos bem.”

O debate foi fundamental para que a seguinte ficha caísse: as pessoas que não concordam com essa pauta conservadora, que ganha corpo na cidade, precisam se organizar de alguma forma para se contrapor a ela. Mais de 2 mil pessoas assinaram o documento da associação do Lago Norte. Esse não pode ser o único peso na balança da Administração de Brasília; cadê as pessoas que pensam diferente?

O post que publicamos sobre isso na semana passada (“Atenção, moradores de Brasília: o espaço público é público”) teve mais de 9 mil compartilhamentos no facebook. Esse é um termômetro importante, mas não pode parar só aí. E nem pode parar no abaixo-assinado, que por si só não resolve tudo, claro, mas é preciso começar por algum lugar. Que o começo seja: ei, nós existimos. E somos muitos.

Bora?
Participe do abaixo-assinado: aqui!
Somos:
– Contra o cercamento do Calçadão da Asa Norte.
– Contra a proibição de eventos no Calçadão da Asa Norte e no Setor de Clubes Norte.
– A favor da instalação de posto de polícia no Calçadão da Asa Norte, bem como banheiros públicos e bicicletário.
– A favor da regularização dos atuais prestadores de serviços instalados no Calçadão da Asa Norte.
– A favor de eventos gratuitos em áreas públicas, livres de qualquer coerção, conforme a Lei Distrital 4821/2012.
– A favor da destinação de recursos regulares para manutenção das áreas de lazer e convivência da cidade.
– A favor da construção de ciclovias em toda a Orla do Paranoá, à beira lago.
– Pela democratização da Orla do Lago Paranoá com o combate permanente de invasões de áreas publicas e construções ilegais.
– Pela reavaliação dos parâmetros de emissão de ruídos estipulados na Lei Distrital 4.092/2008 (Lei do Silêncio).
– Pela transparência e caráter educativo em detrimento do repressivo das ações fiscalizatórias da Agefis e Ibram.
– A favor de um mapeamento, feito pela Administração Regional de Brasília com participação da comunidade, das áreas urbanas destinadas para uso 24 horas no Plano Piloto.

Foto: Coletivo Transverso

Em Brasília, 19h

foto

Tenho certeza que vai ter um bocado de gente respirando aliviada com essa informação, mas este definitivamente não é o meu caso: faltam poucas semanas pro horário de verão se despedir de nós.

Dia 16 de fevereiro e acabou-se. Adeus, alvoreceres impressionantes na janela do meu quarto. Até o fim do ano, corridinhas de fim-de-tarde nos dias de semana, happy hours com raios de sol, pedaladas lindas pela quadra, procurando entre as folhas das árvores gigantes as cores incríveis do por-do-sol do céu mais bonito do mundo.

É verdade, vamos acordar com o sol já brilhando, provavelmente mais dispostos – mas isso pra mim não paga o preço.

Então este é um alerta: aproveita, gente, enquanto é tempo.

Passei pelo Parque da Cidade no fim da tarde de ontem e vi centenas de pessoas que sabem muito bem do que estou falando. Correndo, patinando, pedalando, brincando, cada um aproveitava do seu jeito os últimos raios de sol do dia – e um delicioso toró de verão que durou cinco minutos mas encharcou todo mundo.

Ciclovias, calçadas, Parque da Cidade, Olhos d’Água, Parque do Pontão, parquinhos das quadras, me aguardem: serão duas semanas e meia de amor.

Atenção, moradores de Brasília: o espaço público é público

picnik

Não é piada, não. O título acima é um lembrete sério, apesar de óbvio, para uma parte dos moradores de Brasília que enxerga o espaço público como bem particular. Ou melhor, como um espaço destinado ao público sim, mas a um público restrito e, de preferência, com o mesmo gosto musical e os mesmos hábitos que eles.

Se você prestar atenção, vai ver em volta um movimento crescente de intolerância entre vizinhos. São os moradores que proíbem o uso de parquinhos por crianças de outros prédios, são os que não acham graça da alegria alheia no carnaval, os que querem acabar com as quadras de esportes para evitar barulho de jogo à noite. Afinal, moramos em uma fazenda, em um retiro espiritual de silêncio, né. Barulho é coisa de cidade, e isso a gente não aprendeu ainda o que é.

A mais recente discussão sobre o uso do espaço público saiu do Lago Norte. Mais especificamente da Associação dos Proprietários e Moradores da Orla do Lago Norte, um grupo que reúne mais de 2 mil pessoas, segundo seu presidente, Benedito Antônio de Sousa. Vamos à pauta de reivindicações da associação, que está em plena campanha e se reuniu com representantes de vários órgãos do GDF na semana passada:

– Proibição de eventos no Calçadão da Asa Norte;
– Cercamento do Calçadão e disciplinamento do seu uso, nos moldes do Parque Olhos d’Água;
– Exigência de “confinamento do som” a ambiente com tratamento acústico no Setor de Clubes Norte, UnB e adjacências, limitando os níveis de som ao estipulado na Lei Distrital 4.092/2008 (Lei do Silêncio);
– Instalação de posto policial no Calçadão da Asa Norte.

Médico de 56 anos, Benedito de Sousa critica eventos como o Deguste e o Picnik – “Eles instalam palco musical para Rock in Rio ficar com inveja” – e afirma que está havendo uma confusão sobre o verdadeiro fim do Calçadão, inaugurado em 2011. “Nós não queremos proibir, mas o local não foi feito para eventos. É um local de contemplação da natureza”, diz ele, que já foi à delegacia quatro vezes registrar queixa contra festas no Calçadão e no Setor de Clubes Norte – setor cuja finalidade é justamente a diversão.

Benedito explica seu ponto de vista: “A ideia de Lúcio Costa da liberdade, do trânsito livre, do ambiente bucólico, como dizem os urbanistas, é maravilhosa. Só que isso foi há 50 anos. Hoje, os casos como Ana Lídia são quase diários. Tivemos mais de 600 assassinatos no DF ano passado. Nós vivemos um outro tempo.” A segurança pública entra aqui como argumento, mas é bom lembrar que os eventos no Calçadão nunca registraram qualquer incidente violento.

Eu entendo a irritação do Benedito e dos seus 2 mil associados. Até porque ando me sentindo velha – faz um tempo que a vida noturna me dá mais preguiça do que propaganda política. Ter o sono perturbado por barulho alto não é maravilhoso, claro que não é. Agora, espera aí. Solucionar possíveis excessos com a proibição, com o cercamento da área pública?

Não me canso de dizer que a orla do Lago é um dos espaços mais lindos de Brasília e um dos mais subutilizados. O governo nunca se preocupou, de fato, em abrir acesso a essa área para os 99,9% da população que não têm dinheiro para comprar uma casa milionária à beira do Paranoá. Pelo contrário: o que se vê são tentativas de lotear a orla para mais condomínios residenciais disfarçados de hotéis. Para um cartão-postal com o tamanho do Lago, o número de opções de lazer gratuito chega a ser deprimente. Transporte público então, nem pensar.

Quando, em uma rara iniciativa, o governo concede infraestrutura mínima de diversão pública na orla, os moradores incomodados com o barulho acreditam que a solução não é mitigar os problemas, não é negociar formas de reduzir os excessos, se eles existirem: é proibir, fechar, cercar. Acho que precisamos aprender, do zero, a viver em comunidade. Para isso, é preciso, de um lado, reconhecer e corrigir os problemas. Do outro, acordar do sonho em que vivemos naquela fazenda, naquele retiro espiritual, e perceber que, sim, moramos numa cidade. E que ela não é só sua.

Bora?
O uso de espaços públicos por eventos culturais será tema do “Diálogos com a Juventude”, debate aberto e promovido pela Administração de Brasília. Um dos convidados é o idealizador do Picnik, Miguel Galvão. Vai ser uma boa oportunidade de fazer com que o governo saiba a sua opinião.
Quando: 28/01 (próxima terça), a partir das 19h30
Onde: Espaço Funarte, Sala Cássia Eller

Desenhar, comer e passear

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Semana passada eu fui conhecer a autora desta ilustração super divertida, que invadiu nossas timelines nos últimos tempos. Um desenho bacana que traz a referência dos lugares obrigatórios para se comer e beber em Brasília.

O desenho faz parte de um site genial, que traz mapas com essas mesmas referências de várias capitais do mundo: They draw and travel. Os desenhos são absolutamente incríveis e as dicas das cidades, imperdíveis. Um prato cheio (literalmente) pra quem gosta de viajar e conhecer dicas de insiders.

A Anna Mendes, que colocou nossa cidade nesse mapa bacanudo, na verdade mora em Buenos Aires – por isso ela também desenhou os mapas da cidade portenha. Uma verdadeira nômade, que passou muitos anos na Alemanha antes de se mudar para a vizinha Argentina, ela volta em Brasília com frequência – mas admite que não voltaria a viver por aqui. E o motivo, que eu achei incrível, é a dificuldade de se locomover sem carro pela cidade.

“Eu não dirijo – e ainda acho a mobilidade uma barreira intransponível para quem quer viver sem carro aqui”, argumenta ela, que admite que tem aqui na cidade a maior parte dos laços afetivos de família e amigos. Uma coisa para se pensar, não? Será que ainda equacionamos tão mal a mobilidade que tornamos a cidade impossível para determinadas pessoas?

De qualquer maneira, para sorte nossa, ela volta todos os anos e faz questão de ir descobrindo as novidades gastronômicas e culturais da cidade. O resultado é o mapinha da foto e este outro, que complementa as informações – os dois são, juntos, campeões do site em compartilhamentos no facebook.

Das duas, uma: ou os brasileiros somos mesmo um povo excessivamente conectado ou, como bem disse a Anna, Brasília é uma cidade generosa na divulgação de tudo o que é daqui. Pelo que vemos aqui no Quadrado, eu e a Dani apostamos na segunda opção.

Liniers em Brasília

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Foram uns dias tão loucos e intensos, esses últimos dias de 2013, que só agora, mais de um mês depois, eu consigo falar com calma.

Eu tinha acabado de sair do lançamento do meu filho, ops, do meu livro. Estava feliz, com o coração cheio de alegria, andando em nuvens. Do Cine Brasília fomos direto pro Beirute Norte, pra comemorar. E eis que. Eu olho pro lado e vejo o Liniers. O Liniers, cara, o quadrinista argentino. O autor dos Macanudos.

Sabe tiete? Eu fui. Levantei e fiz uma foto com ele (que não sei onde foi parar, quando encontrar eu mostro). E daí me contaram da exposição dele no Museu dos Correios, que a abertura tinha sido naquele mesmo dia, etc, etc. Eu só não me culpei por não ter contado com antecedência pra vocês porque, realmente, foram uns dias muito loucos e intensos, esses últimos dias 2013.

Mas agora que tudo está mais calmo, preciso dizer: a exposição vai até o dia 2 de março e você não pode perder. Você, que gosta de Macanudos, você, que gosta de quadrinhos, ou simplesmente você, que tem um coração batendo dentro do peito, sente alegria, sente tristeza, sente amor, se comove e sabe rir das besteiras da vida. A obra desse cara merece ser vista. E merece cinco minutos de tietagem em pleno Beirute Norte.

Bora?
O universo Macanudo de Liniers
Até 2 de março
Terça a sexta, das 10h às 19h, sábados, domingos e feriados, das 12h às 18h
Museu Nacional dos Correios
SCS – Setor Comercial Sul, Quadra 4, Bloco A, nº 256
Entrada franca