Filmes que amamos no cinema que amamos

filmesqueamamos

Quer uma tripla boa notícia?

1. Começa amanhã um festival de clássicos do cinema francês, com títulos da Nouvelle Vague, movimento que revolucionou a sétima arte nas décadas de 60 e 70.
2. É no Cine Brasília. ❤
3. É de graça.

Hm, nessa chuvinha…
Tem hora que, de repente, a cidade fica tão legal, né?

Bora?
Festival Filmes que amamos no Cine Brasília
EQS 106/107
3244-1660
Entrada gratuita, no limite da lotação da sala (600 pessoas).
Amanhã, 1o/11, 19h, “Pele de Asno” e às 21h, “Crônicas de um verão”.
Sábado, 2/11, 19h, Sessão curtas parisienses de Agnès Barda e às 21h, “O Fundo do ar é vermelho”.
Segunda, 4/11, 19h, “Alphaville” e às 21h, “Hiroshima meu amor”.
Programação completa aqui.

Um filme lindo que a gente vai ver no ano que vem

Drive-in

E se eu não gostar do filme, o que eu vou falar?, foi a primeira coisa que pensei depois de ler a mensagem do Iberê Carvalho, me chamando pra participar de um mini teste de audiência do primeiro longa dele: O Último Cine Drive In, em fase de montagem.

Não é possível que eu não goste, continuei falando sozinha. Do pouco que conheço do Iberê, jovem cineasta com curtas premiados mundo afora, dá pra saber que vou encontrar no filme duas coisas, pelo menos: talento e sensibilidade. Então relaxa, vai lá e dá a sua opinião pra ele.

Opinar, do verbo julgar. Dirigi até a casa onde seria exibido o filme pensando que é muita, mas muita responsabilidade dar opinião sobre o trabalho de alguém. Ainda mais um trabalho com T maiúsculo, movido à paixão. Anos de desejo, de muita batalha e expectativa para, numa tarde de sábado, submeter aquilo tudo à opinião de alguém como eu, que não tem ideia do que é fazer cinema no Brasil e em Brasília, especialmente.

Pensei nos anos em que me dediquei a dar opinião em jornal impresso – de forma explícita, em artigos, ou mascarada, sob o nome fictício de imparcialidade. Já que falar bem não dá ibope, o treinamento que recebemos (todos nós, seja como jornalista ou como usuário do facebook) é falar mal sempre que houver uma possibilidade de ter razão, ou mesmo que não haja.

Foi preciso sair da imprensa para pensar no quanto eu não pensava sobre isso: em como forjamos certezas e inventamos realidades, todos os dias, na esperança de nos sentirmos mais confiantes e inteligentes. Demonstração de dúvidas é para poucos – é raridade na profissão e na vida social. E é do lado dos que têm dúvidas, muitas dúvidas, que eu tenho preferido ficar.

Talvez por isso eu tenha saído da sessão-teste de O Último Cine Drive In tão feliz. Iberê reuniu cinco pessoas e se abriu, com humildade rara no mercado, para ouvir nossas impressões. Compartilhou suas dúvidas com a gente, e nós compartilhamos as nossas com ele.

Produzido por três produtoras brasilienses, o longa será finalizado pela paulista 02 Filmes e distribuído pela Vitrine Filmes, a mesma de O Som ao Redor. Como ele só deverá ser lançado no fim de 2014, depois de rodar pelos festivais, não posso falar muito além do que está na sinopse.

Só posso dizer que a história e as imagens me deixaram orgulhosa pra caramba, sem nenhum merecimento, de ter uma coisa linda dessa produzida aqui, no meio da gente.

Fitinhas K7 reloaded

evento

Lembra do tempo em que o seu amigo descolado te gravava fitinhas K7 com aquela banda incrível que ele conheceu com o primo da tia do melhor amigo dele que mora em Berlim? Ok, eu sei que muitos de vocês não têm a menor ideia do que eu estou falando, mas acreditem: era legal.

Amanhã de tardinha vai rolar um revival do momento fitinhas K7. Um monte de gente legal e com muito bom gosto musical vai estar no Objeto – todos devidamente munidos de seus arquivos digitais.

Se você está a fim ampliar seu repertório musical, bora. Convite dobrado pra você que é o amigo descolado dos seus amigos: vai, socializa aí.

Bora?
Internet cubana no Objeto Encontrado
Amanhã, 26/10, às 18h
CLN 102, Bloco B.

Uma forcinha nos desafios da maternidade

Sopa de Abobora Orgânica

No prontuário dos meus filhos na maternidade tinha um asterisco com uma observação: “mãe nervosa”. Só pode rir de mim quem teve um bebê que pesava um quilo e meio – eu sou era nervosa mesmo, mas não é pra menos.

Virar mãe é muita informação. A gente tem medos que nem imagina que poderia ter – e ao mesmo tempo se sente forte como nunca poderia desconfiar que seria capaz. Aquela vida ali depende de você: a saúde, os valores, toda a educação dela, tudo. E tudo, claro, inclui uma boa alimentação.

A amamentação deu 100% certo mas, aos quatro meses mais ou menos, bebês precisam de comida de verdade. E, sabe?, misto quente, omelete e pipoca de microondas não é comida de verdade. Eles precisam de comida tipo de mãe: sopinha, papinha, amassadinhos. Só que a mãe é você – e pra você, até então, comida costumava ser os supracitados exemplos.

Eu resolvi meu problema tendo uma ajudante que era uma verdadeira mestre cuca das papinhas – mas nem todo mundo tem essa sorte.

Descobri na minha nova vizinhança um verdadeiro presente pras mamães brasilienses: o Empório da Papinha, uma loja que vende porçõezinhas de papinhas congeladas feitas com legumes, frutas, cereais e carnes orgânicas – tudo prontinho pra você ter (pelo menos) uma coisa a menos para se preocupar. As opções acompanham a idade do bebê: tem versões pastosas, com pedaços e até maiorzinhas, para mais pessoas compartilharem.

Além da praticidade, uma coisa que achei bacana é a seriedade da marca. No dia que visitei a loja, tinha um aviso explicando que, por causa da falta de carnes orgânicas no mercado, eles estavam usando carnes normais na preparação dos pratos. Prova de transparência, respeito e seriedade é sempre boa notícia quando se trata de alguém que vai dividir com você uma das maiores e mais bonitas responsabilidades da vida.

Bora?
Empório da Papinha
CLN 303 Bloco A loja 16
3526-6875
Segunda a sexta, das 9h às 19h30 e sábado, das 9h às 17h
O potinho com 100 ml de sopinhas custa R$ 7,70, a embalagem familiar, como meio litro de creme de legumes, por exemplo, custa R$ 19.

Artes e tapas, tapas e artes

Então, vamos passear hoje? A proposta é a seguinte:

Às 17h, a gente passa no Café Corbucci, que não conheço ainda e estou bem a fim. Hoje vai ter um cardápio especial, de tapas espanholas, com gazpacho, tortilla, parrillada e outras cositas más. O menu foi feito por uma chef que mora em Barcelona e está de férias por aqui. Que tal?

Depois das 19h, a gente parte pra Galeria Ponto, onde vai ter a abertura da exposição “Brasilienses: Paisagens sem esquinas”, com artistas que mexem com o meu coração: Breno Rodrigues, Coletivo Transverso, Diego Bresani, Iris Helena, Joana França, Silvino Mendonça e Zel Nunes (olha a preparação ali em cima).

Breno, será que é desta vez que você vai parar na minha parede? Diego e Joana, suas fotos vão me fazer sofrer, já sei. Coletivo Transverso, quisera eu ter todo mundo aqui, embelezando minha residência.

Pensando bem… Não seria melhor inverter a ordem? Exposição e depois tapas? Pense aí e me diga.

Bora?
Brasilienses: Paisagens sem esquinas
Exposição na Galeria Ponto (716 Norte, bloco L, casa 39), com abertura hoje (23), às 19h.
Visitação com hora marcada até 3 de novembro, das 11h às 20h.
Tel: 3447-4891
Evento no face: aqui

Tapas espanholas no Café Corbucci
203 Norte, bloco D
Hoje (23), das 17h às 23h
Evento no face: aqui

Um sábado de gula à beira do lago

Ceviche_GilGuimaraes

Quando a comida de rua virou uma coisa cool, a turma do contra começou um bullying engraçado contra a gourmetização da vida. Só que nada mais cool do que ser do contra, certo? É meio confuso.

Confesso a minha preguiça com a glamourização de certas coisas sagradas, como picadinho e churros (pois é, existe essa heresia chamada churros gourmet). Acho que um bom PF traz muito mais felicidade do que alguns restaurantes cinco estrelas por aí, mas respira: nem oito nem oitenta, né?

O Deguste!, evento gastronômico que acontece sábado, no Calçadão da Asa Norte, me ganhou porque a proposta é gourmet sim, mas promete mais felicidade do que firula. Além disso, traz a feliz constatação: tem cada vez mais gente pensando e criando eventos bacanas ao ar livre. Isso me deixa tão feliz que talvez eu até comesse um churros de tiramissú com creme de avelã (só que não).

Seis chefs da cidade vão oferecer, em quiosques, pratos na faixa de R$ 5 a R$ 15. A turma é a seguinte: Simon Lau (do finado e premiado Aquavit), Mara Alcamim (Universal Diner), Gil Guimarães (do grupo Bom Gastronomia – Oliver, Parrilla Madri e Bacco), Renata Carvalho (do Loca Como Tu Madre), Daniel Vieira (4Doze Bistrô) e Sebastian Parasole (do Melhor Gourmet).

Além dos chefs, o evento terá 12 expositores com drinks e quitutes delícias. Os patês do Realejo e os doces do DaCuia vão estar lá, fica de olho!

Vamos ter fé de que não vai chover e de que a organização esteja preparada para o risco de tudo dar certo e o evento lotar. Estão lembrados da festa junina gourmet da Boulangerie? O evento era tão bacana que virou um caos: muvuca, filas intermináveis e comida acabando em segundos.

Estamos cruzando os dedos para o Deguste! ser um sucesso não só de público e se torne frequente. Aí vai o cardápio completo do sábado de gula:

Simon Lau
smorgasbord (um sanduíche aberto típico da Escandinávia feito com pão preto de centeio) com salmão, endro), alface e ouef royal – R$ 15
– bisque de lagostim com cogumelos – R$ 10
– salada de manga com vagem, amêndoas e molho shoyu com manjericão, salpicada com pipoca de arroz selvagem – R$ 15
– doses de Aquavit – R$ 10

Gil Guimarães
ceviche de peixe branco marinado no limão com cebola roxa, acompanhado de batata doce e pimenta – R$ 15
– focaccia com alecrim – R$ 5

Renata Carvalho
– yakisoba de pupunha com acelga, repolho roxo e cenoura salteados no óleo de gergelim com molho oriental – R$ 15 (prato para veganos, celíacos e intolerantes à lactose)
– espetinho de rabada, que passa por um processo de cozimento de três dias – R$ 15
– arroz de pato com especiarias – R$ 15

Daniel Vieira
ragu de rabada com purê de mandioquinha e pesto de agrião – R$ 10
– chili tradicional, com feijão vermelho, carne moída, pomodoro pelati e cinco tipos de pimentas – R$ 10
– chili vegan, com proteína de soja em vez de carne moída – R$ 10

Mara Alcamim
– picadinho de filé-mignon au poivre vert com purê de batata americano – R$ 15
– arroz de bacalhau com costelinha suína defumada, limão siciliano e três batatas – R$ 15
– sanduíches no pão ciabatta: um recheado com cordeiro assado, mostarda dijon, frutas vermelhas e rúcula, e outro vegetariano, com brie, dijon, frutas vermelhas e rúcula – R$ 10 cada

Sebastian Parasole
pescoço de porco em duas cocções com molho barbacoa mais salada de coentro com raspas de limão, crocante de alho, curry e sal grosso no pão francês – R$ 15

Expositores
– Victor Quaranta: drinks
– Realejo: patês franceses
– Quiches da Guida: com opções veganas, sem glúten e sem lactose
– Germinar Alimentos: produtos veganos e orgânicos
– Clickvinho: vinhos e drinks
– Oh my beer!: cervejas do mundo inteiro
– DaCuia: cheesecake com geleia artesanal de morangos e tortinha integral de maçã ou banana
– La Boutique Padaria Francesa: pães artesanais
– Pestare: massa e molhos
– Brownie Bites: brownies recheados com doce de leite Havana
– Lavazza: espressos, cappuccinos e chás
– Kaza Chique: brigadeiros, cupcakes e macorrons.

Bora?
Deguste!
Sábado, dia 19, das 16h às 22h.
No Calçadão da Asa Norte.

Sobre ser solteiro em Brasília

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Giovanni, mudar de cidade e recomeçar a vida em outro canto é difícil mesmo. Diogo, posso dizer de causa própria: voltar é ainda mais desafiador. Mariana, às vezes, procurar um parceiro é mesmo desanimador – quem nunca teve um coração quebrado que atire a primeira pedra.

Mas, por favor, não acreditem nos que te dizem que é um problema de cidade. Desconfie de quem coloca todos vocês sob o mesmo (antiquado) rótulo. Mais: não acreditem nos que encaram a decisão de estar solteiro como um problema.

Pegaram um dado isolado, que diz que 51,7% dos que vivem aqui são solteiros, e transformaram isso num sinônimo para cidade desagregadora, que dificulta relacionamentos. Por favor, alguém me explica qual a ligação desta estatística com a conclusão de que toda esta gente está desesperada e infeliz – porque o simples número de solteiros somado a algumas entrevistas não sinaliza nada. Na melhor das hipóteses, é desespero para fechar uma pauta.

Seja como for, não acreditem neles.

Se identificar com essa mentira é acreditar que já era. É se fechar numa bolha de amargura em que muitos vivem – e para onde parecem procurar cúmplices. Gente para alimentar a má reputação de uma cidade que é adorada por 59% de seus moradores. De onde 72% de seus habitantes não pensam em sair por nada. Isso, ironicamente, segundo pesquisa realizada meses atrás pela mesma publicação.

Cidade de gente que tem uma turma de infância, outra turma do inglês, uma turma da escola, outra turma da faculdade. Cidade que casou muito mineiro com gaúcho, brasiliense com francês, carioca com pernambucano – isso há já algumas gerações.

Lugar de gente que inventou uma plataforma virtual para fazer as pessoas se conhecerem e interagirem entre si. Cidade de gente que inventa eventos para agregar pessoas, fazer a gente dançar, celebrar a paisagem da cidade.

A menina não ligou no dia seguinte? Liga pra ela! Um conhecido de vista não te cumprimenta na night? Fala com ele! O carro te segrega do mundo? Cara, vai de bike! Vai de busão! É possível!

Colocar a culpa da sua vida sentimental na cidade? Jura? Meu facebook ontem pipocou de conselhos: “é falta de grana pra terapia”, analisou o Felipe. “Se mexe, santa”, orientou a Fernanda.

Eu dou outra ideia: bora pegar leve com Brasília – e, na boa, com qualquer outra cidade onde a gente vá morar. Já temos idade suficiente pra saber que a vida é resultado do que a gente faz dela. Aqui ou na China.

Não acredita em gente amarga, não. Deixa eles lá na bolhinha deles – e vem ser feliz com a gente.