Um sopro pendurado no pescoço

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Num mundo em que tudo é sempre tão parecido, o diferente me salta aos olhos com curiosidade sagrada. Quando o diferente fala a língua da doçura e da poesia, então, vira admiração, vira amor.

Me apaixonei sem remédio pelo trabalho do Capim Estrela, uma marca brasiliense de bijouteria que coloca a natureza dentro de micropotinhos de vidro e nos convida a passear pelo mundo com o amuleto mais poético de todos: a vida.

Embora todos sejam absolutamente lindos, confesso que caí de amores pelo vidrinho que contém o sopro do dente-de-leão. É como viver com a infância pendurada no pescoço.

Tem gente que tem as manhas de criar algo lindo, né?

Bora?
Capim-estrela à venda na Endossa
CLS 306 Bloco A Loja 30

…que bando de chatos a gente se tornou

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Resistimos bravamente, eu e Carol, às eleições de 2014 sem escrever aqui uma linha sobre política. Apesar de ser um assunto de interesse das duas, nunca nem sequer discutimos essa possibilidade, era ponto pacífico não poluir o nosso amado blog com esse clima insuportavelmente chato de Fla x Flu que domina o noticiário.

Eis que a ebulição política não acaba e, a todo momento, tenho a impressão de que dormi e acordei em outubro passado. Seria pedir demais que mudássemos de assunto, finalmente? Que eu pudesse me dedicar, em tempo integral, às fotos e aos vídeos dos meus lindos gatinhos peludos e bigodudos?

Joguei a toalha hoje, admito. Mas não se preocupe, não vou xingar ninguém de petralha nem de coxinha, já ultrapassei os 5 anos de idade. Eu apenas gostaria de lamentar. Sim, vim aqui só pra reclamar: que bando de chatos a gente se tornou.

No auge da campanha eleitoral e do surto psicótico coletivo, tive de tirar dezenas de amigos da minha timeline do facebook, como única forma possível de manter minha sanidade mental (pra quem não conhece o serviço “deixar de seguir Fulano”, que é mais sutil do que o bloqueio, recomendo fortemente).

O critério para o corte não era o Fulano votar em B ou C, era o nível de amargura e de ódio destilado por centímetro quadrado, além do nível de desinformação e de capacidade de compartilhar notícias duvidosas ou evidentemente falsas. Em certo momento, fiquei com medo de só sobrar eu mesma na minha timeline – seria a prova do grau de sandice alheia ou da minha própria intolerância?

Baixada a poeira, refleti um pouco sobre a arena de MMA em que se transformou a nossa vida virtual e percebi em mim atitudes que eu criticava nos outros. A arrogância esteve lá, disfarçada de razão. A discordância, muitas vezes, foi recebida como uma crítica pessoal – nesse caso, eu defendia a mim mesma, e não um projeto político. Nem sempre a discussão em si me importou tanto quanto sair vitoriosa na discussão. Mas ok, as eleições haviam passado, essa conversa iria evoluir.

Esse é o ponto, senhoras e senhores. Essa é a grande chatice dos tempos atuais: a conversa não evolui, nos tornamos fanáticos por tempo indeterminado. Os que defendem e os que atacam, todos fanáticos. Ok, nem todos, mas uma boa parcela, aquela que ainda vive em outubro de 2014. Aquela que ainda não se tocou que colocar o estômago numa discussão faz turvar completamente a visão. Aquela que ainda escuta uma opinião diferente e entende como uma ataque à sua pessoa e à sua tão amada inteligência.

Seja de que lado for, transformar a discussão política em uma briga pessoal, em assunto único e obsessivo, é abraçar o amargor e a raiva por tempo demais. Quem discute uma dualidade qualquer, sem se dar o direito a nuances, a contextualizações, a dúvidas antes de certezas, não está disposto a compreender o mundo, só a cuspir nele.

Vociferar sempre foi uma estratégia de quem não consegue dialogar. A desmoralização, a chacota e a humilhação do time oposto vêm junto com o grito. Porque somos muito adultos e ainda lidamos com política como se estivéssemos em uma torcida organizada: eles contra nós. E nós, claro, temos sempre razão.

Bom, apesar das eleições nunca chegarem ao fim, é possível sobreviver a isso, sim. Grandes amores da minha vida votam diferente de mim, e continuam sendo grandes amores (assim seja). Não é o voto que destrói a admiração, claro que não. É todo o resto. E é de todo o resto que estou cansada. Chatos, todos chatos. Envenenando a própria vida e a vida dos outros com ódio demais, à toa demais.

Foto: KennethSolfjeld

Feiritas, feiritas e mais feiritas

feirinha

Dos paradoxos da língua portuguesa: histórica e oficialmente dedicados às feiras, sábado e domingo são os únicos dias da semana que não tem feira no nome. Vai entender.

Enquanto você reflete sobre esse meu comentário profundíssimo e originalíssimo, vamos à programação feirística do findi.

Amanhã tem Feira de Pulgas da Escola Americana. Eu nutro uma relação de amor e ódio por essa feira. Durante uma época da minha vida, minha mãe era viciada em expor ali. Ela nos recrutava para passar dias e noites etiquetando roupas que não queríamos mais (e brigando, claro, porque eu achava um casaco que tinha dado por perdido há anos e que estava no armário da minha irmã e, pra piorar, estava agora sendo doado pra feira sem que eu ja-mais tivesse sido consultada). Daí vinha o dia da feira em si, e a gente era enfaticamente convencida (leia-se: obrigada) a passar o dia inteiro se apertando no stand, sendo simpática com os clientes e vendo seu par de jeans companheiro de aventuras que você nem tinha assim tanta certeza de que queria vender indo embora da sua vida por míseros dez reais.

Era dramático.

Mas era legal também, porque fazer amiguinhos dos outros stands e dar uma vasculhada no que sobrou do garage sale dos diplomatas de mudança não é nada mau. E porque uma vez minha mãe vendeu tanto, mas tanto, que o portão da nossa falecida casa foi trocado graças à Feira de Pulgas! Acredita?

De volta do momento ‘meu querido diário’, no domingo de manhã tem Bazar da Francofonia, o famoso, indiscutível, magnânimo, delicioso momento do ano de fazer filas e se acotovelar pra conseguir uma taça de Bordeaux ou uma raclette. Tô falando assim, mas é sempre divertido e lindo. Vale super.

E domingo tem a Feirinha na Vila Planalto. O outro evento que rolou por lá ainda habita meu coração como um dos mais fofos do ano passado. Bora bora bora que vai ser lindo.

Ah, e sábado de noite tem uma festa do amor no Balaio: Super Gêmeos Ativar. O Barata do Criolina e a Mica, que estão à espera de Carmem e Tom, promovem uma super night em prol do crescimento em progressão geométrica da família mais fofa de Brasília. Se os meus gêmeos deixarem, estarei por lá também.

Bora?
Flea Market EAB
Sábado, a partir das 9h
Escola Americana de Brasília
SGAS 605 Conjunto E, Lotes 34/37

Super Gêmeos Ativar
Sábado, a partir das 21h
Balaio Café
CLN 201 Bloco

Bazar da Francofonia
Domingo, a partir das 10h
Aliança Francesa
SEPS 708/907 Lote A

Feirinha da Vila
Domingo, a partir das 15h
Paróquia Nossa Senhora da Pompeia, na Vila Planalto

Hoje estamos artísticos

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Dois programões para acarinhar seu lado artístico hoje. Põe seus oclinhos de grau, ensaia seu discurso de crítico de arte, tira do armário o vestido-coquetel que comprou e nunca usa e vem comigo.

As Meninas do Quarto 28 é a exposição que será aberta hoje no Museu da República. Adaptada do livro homônimo escrito pela jornalista alemã Hannelore Brenner, a exposição retrata o dia a dia de crianças presas no gueto de Theresinstadt, próximo à cidade de Praga, durante a Segunda Guerra Mundial.

Das 15 mil crianças do campo de concentração, só 93 sobreviveram – entre elas, quinze meninas do Quarto 28. As obras são construídas com desenhos feitos por essas meninas. Preparou seu coração? Promete ser emocionante, não?

Na Funarte, abertura de outra exposição – desta vez brasiliense. Des-tudo traz obras de Ananda Giuliani, André Vechi, Isadora Dalle, Marina Mestrinho e Samantha Canovas. Os cinco são ex-alunos de Artes Visuais da UnB e se identificam pela leveza e poética do trabalho deles, bem contemporâneo, bem leve, bem sutil e delicado. Adorei tudo o que eu vi, acho uma super aposta.

Bora?
As Meninas do Quarto 28
Hoje, às 19h
Museu Nacional De Brasilia, na Esplanada dos Ministérios

Des-tudo
Hoje, às 19h
Galeria Fayga Ostrower
Complexo Cultural Funarte, atrás da Torre de TV (ou na frente, se você vem do Sudoeste!)

A caminhada de todos nós

zila

Estamos caminhando, não é mesmo?

Quando eu era criança, os programas de humor, programas com apelo infantil, faziam piada com negros, com gays, com deficiências físicas. Eu e meus colegas nos tratávamos de “mongol” quando alguém fazia alguma bobagem.

Apesar de tudo, tudo, tudo o que está aí, eu me esforço para ver que meus filhos estão sendo criados em uma etapa mais pra frente do caminho.

Discriminações são hoje inaceitáveis em qualquer tipo de discurso – e vamos passando aos poucos de um politicamente correto meio falso para a reivindicação e consciência da delicadeza das palavras. Aprendemos a olhar nos olhos e a chamar pelo nome completo: pessoa com deficiência – e não mongol, aleijado ou deficiente. Porque, não importa quem seja a pessoa e qual seja a deficiência, toda pessoa sempre será muito maior do que a sua deficiência.

A grande barreira que vejo nessa nossa etapa do caminho é que a gente ainda inclui discriminando.

Que quando a gente diz pro nosso filho para aceitar igualmente os negros, amarelos, japoneses, deficientes, gordos, magrelos, repetentes, de cabelo crespo – numa lista tão comprida quanto preconceituosa – a gente se nega a ver o evidente: que todos temos alguma diferença que caiba nesse esforço discriminante. Que, na verdade, basta dizer: filho, ninguém é igual ao outro.

Essa mocinha aí da foto é a Zilah, filha da minha amiga querida Melina. Neste sábado, ela faz sua estreia nas caminhadas. Vai distribuir os sete passinhos seguidos que aprendeu a fazer na caminhada promovida pelo pessoal do CaminhaDown no Parque Olhos d’Água. Uma oportunidade de caminharmos todos lado a lado – não como inclusivos e incluídos, mas como pessoas únicas, individuais e diferentes que todos somos.

Bora?
CaminhaDown
Sábado, 21 de março, das 9h às 14h
Parque Olhos d’Água
Entrequadra 413/414 Norte

A caminhada vai ser animada pela banda infantil incrível do Tumba La Catumba e termina num piquenique coletivo (traga seu lanche!) ao som da galera amada do Kid Criolina.

O assunto inominável

flordocerrado

Não se preocupem, eu não vou falar do assunto. Esse assunto inominável e inabordável.

Venho sofrendo bullying escancarado das pessoas mais próximas, mais progressistas e mais mente aberta que eu conheço cada vez que trato do tema, fui praticamente proibida pela minha companheira de blog por forças superiores de tratar deste tema por aqui, então não se preocupem: não vou falar sobre ele. Não vou sequer citá-lo.

Porém, se por acaso você assistiu este vídeo maneiro da minha nova BFF platônica da internet, a Jout Jout, e ficou se perguntando onde poderia comprar o artigo inominável aqui em Brasília, eu respondo: na Alergomais.

Tá?

Pronto. Fim da tensão oh meu deus vão abordar um assunto nojento. Não vão. Já falei o que eu queria, beijo.

Bora?
Alergomais
CLS 409 Bloco C Loja 12
3443-7771