O que me quebra no Natal não são os presentes

cobogo

Eu preciso admitir isso: o meu problema com a gastança do Natal não é necessariamente os presentes que eu compro pras pessoas. Até porque todo mundo com quem eu convivo tem consciência de que simplesmente não dá pra comprar um mega-presente pra tanta gente amada. Uma lembrancinha e pronto – todo mundo se sente querido.

Meu problema é que, de lembrancinha em lembrancinha, eu vejo taaaanta coisa linda… pra mim! O difícil tá aí: segurar a carteira pra gente não acabar fazendo excessos em benefício próprio!

Pior é ver que a loja fofa com a melhor árvore da cidade está no esforço oposto do meu: sob o pretexto de tornar nossas comprinhas de Natal mais leves, alegres e agradáveis, o Cobogó vai me dar o maior trabalho do mundo este dezembro.

Pensa bem: eles vão estar abertos todos os domingos do mês – cada dia com um DJ diferente, artistas expondo, e aquele astral de sempre. Aquele astral e aquelas belezuras.

Ai.

Bora?
Todos os domingos de dezembro, no Cobogó
Este domingo, dia 1o., tem DJ Zé Maria Palmieri, as fotos muito legais que ele faz e as lindezas da Taís Joi e do Gurulino.
SCRN 704/705, Bloco E, lojas 51 a 56
3039-6333
Em dezembro, aberto também aos domingos. Sábado de 10h às 20h, domingo de 12h às 20h.

Vamos todos cirandar

ciranda

Meus finais de semana são uma eterna negociação: ok, a gente vai pro clube, mas na volta podemos almoçar num restaurante bonitinho (sem vocês fazerem muita bagunça)? Ou: eu passo rapidinho da feirinha fofa ao ar livre, rapidinho mesmo, juro – e de lá a gente corre pra brincadeira na casa das primas. Eles me demandam uma estratégia de convencimento que deixaria perplexos os líderes partidários do Congresso.

Por isso é que, pra mim, a alegria do findi é encontrar um eventinho que agrada todo mundo – e a Ciranda, ao que tudo indica será assim.

Pra mim e pro Beto, feirinha com mil lindezas, delícias e nossa sacrossanta cervejinha do sábado de tarde. Pros meninos, pula-pula e as bolhinhas de sabão. Ainda vai rolar um bate-papo muito fofo, apelidado de “sessão desabafo sobre os dilemas da maternidade” e, pra quem tem pequenininhos realmente pequenininhos, o conforto de um fraldário legal.

Tudo isso no café mais querido de todos, que tem aquele astral, aquele ar livre lindo e o cheesecake mais delícia da cidade. Acho que vai ser massa.

Bora?
Ciranda no Objeto Encontrado
Sábado, 30 de novembro, de 14h às 20h.
Objeto Encontrado – CLN 102, bloco B, loja 56
3326-3504
Inscrições para as palestras pelo email ciranda@objetoencontrado.com.br

Os Midas brasilienses

DJs Criolina Icon

Logo que eu voltei a morar em Brasília me dei conta, meio pasma, que de quase tudo de legal que tinha pra se fazer na cidade havia sempre um mesmo nome por trás: Criolina.

Os meninos que eu até então associava “apenas” à festa que dava sentido às nossas segundas-feiras, de repente viraram onipresentes. O Aparelhinho, bloco mais legal do carnaval, era deles. Festinha para pais e crianças, que sacudiu o parque da cidade? Criolina Kid. Festa lounge super delicinha na Babilônia Norte? Criolina Champagne. O programa de entrevistas mais fofo da internet brasiliense? Deles. Eles tocam em festas de casamento, eles agora têm uma banda com o maior nome do mundo. Mas meu susto maior aconteceu numa reunião de trabalho, quando minha amiga anunciou que a arte do material que estávamos preparando seria assinada adivinha por quem? Pelos meninos do Criolina.

Eu pensei: gente, esses meninos são o Pink e o Cérebro! Eles meninos querem o que? Conquistar o mundo? Daí resolvi entrevistá-los, pra entender melhor essa linda geração de brasilienses que está construindo, festa por festa, uma cidade muito mais divertida.

Quem conversou comigo foi o Rodrigo Barata, que junto com o Rafael Oops e o Tiago Pezão, formam o super trio onipresente que transformam em ouro todas as farras que passam pelas mãos deles.

Meninos, obrigada. Pela entrevista e por fazer a gente feliz.

DJs, músicos, produtores culturais, designers, entrevistadores… Tem alguma coisa que vocês NÃO fazem?
Paraquedas. Mas já já um de nós pula! Acho que o Pezão vai primeiro! O que não nos falta é vontade de fazer o que gosta. Aí a gente vai fazendo e nem pensa muito, se dá, se é difícil, se é viável. Vamos juntando os amigos, e pode saber que só dá pra fazer isso tudo porque a gente tem amigo que só a porra! Todos com muita vontade de fazer acontecer também.

Qual a formação de vocês? Por onde vocês começaram, como tudo evoluiu? 
Pezão trabalhava em agência de comunicação e publicidade, Oops fez artes cênicas, eu era professor de história e baterista. Só que todos já tinham tocado na festinha americana do prédio na pré adolescência, naquela que os meninos levam refri e a as meninas salgado. Daí pra chegar na Criolina, foi um pulo. Tudo começou na Samboquê, festa de música brasileira em um projeto esporádico. Depois virou semanal, mudou de nome e nunca mais parou, vamos fazer nove anos em janeiro. Começou com djs e depois vieram as bandas. Aí fomos convidados pra Rádio Cultura e na sequência pra TV Apoio, em ambos, tivemos programas com o nome da Criolina. E aí depois veio bloco de DJs de carnaval com o Aparelhinho, o nosso trabalho autoral com a banda Space Night Love Dance Lasers, o Sala Criolina que entrevistas os artistas que tocam na Criolina, as camisetas com o design inspirado nos flyers e posters das nossas festas, o Criolina Champagne pra bater papo e curtir som bom pra bater o pezinho, o Kid Criolina pra molecada interagir com os marmanjos e nosso último projeto que foi o Festival Internacional de Inovação Multimídia, o FIIM e tem mais uma porção de projetos menores e alguma prestação de serviço que eventualmente fazemos também.

Onde cada um de vocês se sente mais realizado? Tem um que é mais produtor, outro que é mais músico, etc?
Todos atuam de forma complementar. Por mais que algumas vezes cada um assuma um papel definido em determinadas ações, elas quase sempre precisam do ajuste de um, do pitaco do outro e assim vamos tocando o barco e fazendo juntos, se amando, brigando, a porra toda!  Mas com certeza todos se realizam na música. Ela é o objetivo final.

Tem uma teoria sobre Brasília que toda criatividade nascida aqui vem de um tédio, da eterna fama de “falta do que se fazer na cidade”, de um vácuo. Vocês acham que ocupam tantos espaços por… falta de companhia? (ou de concorrência!)
Ocupamos muitos espaços porque gostamos de fazer muitas coisas e temos muitos amigos e parceiros que também estão na mesma pilha. Portanto a companhia de tantos que estão buscando as mesmas coisas que nós, ajuda a atuar na nossa cidade. O inconsciente coletivo vai virando consciente e vamos atuando em blocos, batalhando e construindo um cena.  E Brasília é uma cidade muito nova, com inúmeras possibilidades. Uma página sendo escrita no tanto que ainda há por vir. E pensar os espaços, as possibilidades de transformação coletiva e deixar sua cidade mais legal pra você mesmo viver, é um exercício eterno pra qualquer um que trabalhe com cultura nesse país.

Vocês acham que esta multidisciplinaridade é uma tendência no mundo atual?
Com certeza! As pessoas vão sendo multi-tudo nesse mundo de informações e formações infinitas. E acabam entrando em contato com conhecimentos diversificados, que vão sendo multiplicados.

Como vocês se organizam administrativa e financeiramente? Vocês são uma empresa, uma ONG? A maior parte dos projetos vêm de projetos de particulares ou de editais do governo? 
Nossos projetos sempre foram independentes. Ano passado que começamos a inscrever mais em editais, meter as caras em projetos e emplacamos o Palco Criolina e a gravação e prensagem do cd do Space Night. Também fizemos um financiamento coletivo via internet para equipar o nosso bloco de carnaval, o Aparelhinho. E como temos diversas atividades precisamos atuar nas duas frentes.

Bora?
Pra ficar absolutamente ligado em tudo o que esses meninos andam aprontando, tá aqui o mapa da mina. Hoje, como toda boa segunda-feira, tem super festa dessa turma no Calaf.

A cidade que tem tudo pra fazer

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Na fila do supermercado. Na fila do cinema. Espiando a conversa da mesa ao lado. Virou, mexeu, pesco a pérola: “o problema é que em Brasília não tem nada pra fazer”.

Claro que, a cada vez, passa rapidamente pela minha cabeça hastear solenemente a bandeira do Quadrado Brasília e provocar uma discussão: defina “ter alguma coisa pra fazer”, colega. Você não tem amigos? Ir a um barzinho bater papo com seus amigos legais não está em pauta? E todos os shows gratuitos da cidade? E cinema, e teatro, e os espaços culturais da cidade, e os cafés? Quer fazer SUP no lago? Quer fazer um curso bacana?

Mas claro também que, dois segundos mais tarde, eu reconheço que se tanta gente fala isso aleatoriamente é porque elas de fato se sentem assim – e têm o direito de se sentir assim. E daí fico quietinha.

Só que a partir de agora não vou mais ficar, não. Vou passar a ter sempre comigo papel e caneta para anotar este endereço e distribuir por aí: www.experimentebrasilia.com.br

As meninas da Tríade, as mesmas que me fizeram apaixonar pela Trilha dos Azulejos, tabularam em uma série de experiências o que há de melhor para se fazer em Brasília. Por “experiências”, entenda-se: passeios criativos, divertidos, diferentes, inusitados, meio workshops, meio city-tours. Jeitos diferentes de conhecer a cidade, de aproveitar a cidade, de celebrar a cidade, fazer amigos, se distrair.

O mais legal: as “experiências” são comandadas por brasilienses típicos, gente que realmente vive tudo aquilo no seu dia-a-dia. Quem leva o Vá de Bike é um historiador e ciclista que, acostumado a percorrer a cidade sobre duas rodas, vai ensinar os melhores caminhos, as dicas, as manhas dos cameleiros da cidade. Quem conduz a Rota Fotográfica é um fotógrafo profissional, que conhece os segredos dos melhores ângulos para clicar nossas curvas.

Papeando e passeando, eles te passam as dicas – e você vive Brasília de um jeito bem mais legal. E nunca mais, nunquinha na vida, você vai ficar por aí resmungando que “não tem o que fazer” por aqui.

Bora?
Conheça todas as experiências do Experimente Brasília.
Este final de semana acontece uma edição do Vá de Bike. Fique de olho nas próximas datas.

Buenos Aires é aqui

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Tá, eu assumo. Eu gosto de comprar quando eu viajo.

É claro que não é pra isso que eu viajo. É pra ver como vivem as pessoas, o que elas comem, como elas falam, como elas passeiam. É pra conhecer a moda de outros cantos do planeta, os filmes de outros cantos do planeta, a música de outros cantos do planeta. Mas… se eu disser que eu nunca na vida entro numa lojinha eu estou mentindo deslavadamente. Até porque as lojinhas fofas das cidades fazem parte de todo este pacote de cultura que a gente visita quando viaja – e trazer um pedaço disso pra casa é trazer a viagem pra sempre com a gente.

Agora que eu convenci vocês de que eu não sou consumista (convenci, né?), deixa eu contar a maior novidade de todas – a novidade que vai fazer seu Natal certamente mais feliz: beibe, Buenos Aires é aqui. Mais precisamente na 407 Sul.

Abriu uma loja FOFA, daquelas que você consegue imaginar perfeitamente plantada no meio da Calle Florida, com todos os objetos de desejo da Mafalda, dos Macanudos, milhões de presentinhos delícia pra você e pros outros – uma loja que vai definitivamente resolver todos os seus problemas de Natal sem ter que se estapear com ninguém por uma vaga no shopping.

A dona, uma argentina lindinha que escolheu a dedo cada objeto da loja, tem uma história para contar sobre cada presente da sua lista.

Não é igual visitar Buenos Aires, mas é quase.

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Bora?
Sr. Mor
CLS 407 Bloco C
Aberto de segunda a sexta das 10h às 19h, aos sábados de 10h às 14h30.

Meu artista preferido no meu espaço cultural preferido

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A subjetividade da arte é uma coisa que me emociona: enquanto tem gente que ama quadros abstratos (um retângulo vermelho e só), tem outros que endoidam numa fotografia de natureza, gente que viaja na sensibilidade da aquarela, outros que só admiram pinturas bem realistas, acadêmicas. Eu adoro desenho. Adoro o traço sobre o papel. E, de todo mundo que faz isso aqui em Brasília, meu favorito disparado é o Virgílio Neto.

Comecei falando da subjetividade porque quando fui contar pra Dani, toda empolgada, que está rolando uma exposição dele na Funarte, ela me disse: sabe que eu nem curto muito? E foi instigados por esse comentário que meus olhos foram conferir a exposição, me perguntando porque eu adorei tudo o que eu vi do Virgílio até hoje.

A conclusão que eu cheguei é que o Virgílio desenha. Ponto. Ele consegue colocar no papel o que o desenho tem de melhor: um snapshot da realidade no calor das emoções, a visão de um expectador sagaz traduzida por mãos de artista. Fragmentos de frases, pedaços de quadros, partes de retratos de pessoas.

A exposição Ausente, Presente passa em revista viagens que o artista fez para lugares bem diferentes: do Brasil profundo a metrópoles canadenses. Nas obras que parecem saídas das moleskines que ele carregava no bolso, polaroides da realidade com um traço artístico te fazem pensar sobre seu lugar no mundo.

Este sábado acontece o lançamento do catálogo e um debate com o curador da mostra – algo que eu talvez nem mencionasse se o tema proposto não me parecesse tão interessante: arte, missão falida. Fiquei bem a fim de ouvir e discutir este tema, tendo como pano de fundo a viagem que o Virgílio nos deu de presente.

Um comentário à parte: como é legal a Funarte, né? Eu devia ir mais lá.

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Bora?
Ausente, Presente
Exposição de Virgílio Neto, até 24 de novembro
“Arte, missão falida”, bate-papo com o curador Paulo Myiada
Sábado, 16 de novembro, às 17h
Galeria Fayga Ostrower, no Complexo Cultural Funarte Brasília
Eixo Monumental, Setor de Divulgação Cultural – Brasília – DF (Entre a Torre de TV e o Centro de Convenções)
Informações: 3322-2076 / 3322-2029

Célia, a Estrela, e os pratos mais lindos do mundo

celia

Ter uma porcelana da Célia na mesa de casa sempre foi um sonho de consumo. Não pela fama – eu sabia que os almoços e jantares mais grã-finos da cidade eram servidos nos pratos dela, de casamento a festa em embaixada. Mas não era por isso que eu queria, não. O motivo do meu desejo era menos a marca e mais o conteúdo: o trabalho dela é lindo de morrer, e ponto.

O aniversário da minha mãe foi a desculpa para a primeira visita ao ateliê, que fica no apartamento onde ela mora, na asa sul. Quem atende a porta é uma goiana-mineira, nascida no interior do interior do Goiás, quase divisa com Minas, e com a simpatia evidente nos olhos e no sorriso largo. Célia Estrela é assim: brilha mesmo.

Enquanto eu enlouqueço com os pratos, um mais insuportável do que o outro, a conversa vai e volta por mil assuntos. Vem um chá, uns biscoitinhos e pronto. Se deixar, você vai ficando e não vai embora nunca mais.

Acredite se quiser, Célia é formada em economia e, aos 20 e poucos, chegou a cuidar da execução orçamentária do Ministério da Agricultura. Ela bem que tentou não ser artista, mas claro que não deu certo.

Autodidata, começou a pintar aos 4, em isopor, e pintou o primeiro quadro aos 10. “As pessoas ligam aqui pedindo para eu dar aula, aí eu digo: posso indicar alguém, porque técnica eu não tenho”, diz ela.

Seus pratos são todos pintados à mão, em duas etapas: primeiro com tinta branca, o que deixa a porcelana com aspecto de cerâmica, e depois com a estampa em bordô, preto, azul ou dourado.  A cada etapa, a porcelana queima em forno especial, a 780 graus.

O prato maior varia entre R$ 90 e R$ 100 e o de sobremesa fica em torno de R$ 40, cada um. Os dourados são mais caros porque são feitos com ouro líquido. Não é barato, mas não é injusto – bastou ver a reação da minha mãe, quando recebeu o presente das filhas, pra saber que valeu cada real investido.

Para você que já está sofrendo com as fotos do site: ela vai te mostrar vários outros modelos no arquivo pessoal que tem em casa. Combinar um prato de cada estampa, com pratos de sobremesa (também diferentes entre si) em cima, fica ainda mais insuportável de lindo. Vá lá, sofra, e seja feliz.

Bora?
Célia Estrela
Marque horário com ela: aqui